Drive – Crítica

Na segunda eu comentei minha grata experiência de assistir a “A Dama de Ferro” com a inigualável Meryl Streep. Hoje eu tenho que soltar os cachorros em cima de outra produção cinematográfica que até concorreu ao Oscar em edição de som mas não levou: “Drive”. Que baita filme ruim!

Faço a ressalva de que a proposta do filme pode não se adequar ao meu gosto por cinema. Sempre há esse risco.

Ele faz essa mesma cara durante o filme inteiro. Direto da Escola "Kristen Stewart" de Atores.

A resenha impressa naquele jornalzinho da rede Cinemark era interessante: um dublê de cinema durante o dia assumia o papel de motorista de aluguel à noite para ajudar bandidos na fuga. Tudo bom, parecia um filme de ação. Pffff. Na verdade, até tem muitas disputas de carro. Porém, estraga no que se refere aos personagens.

O Ryan Gosling, prodígio do mundo do cinema, protagoniza sem soltar praticamente nenhum pio. Aposto que o roteiro resumindo as falas dele não passou de duas laudas — sim, eu escrevo “lauda” de vez em quando. O personagem é apático e sem graça na maior parte do tempo.

A produção é tão desastrosa que nem uma mocinha bonita conseguiram arrumar. Puseram uma moça mais ou menos, algo bem incomum na época das Angelinas Jolies e Megans Foxes que Hollywood paga tão bem para manter a forma e a beleza.

“Drive” tem uma história boa, porém mal executada. Eles insistem demais em músicas, músicas, músicas para momentos que claramente comportariam falas, diálogos. O espectador fica sem saber o que o motorista pensa até que ele senta a mão na cara de outra bandida. Ou se irrita e solta ameaças para um amigo de longa data, colocando-o contra a parede. Parece bondoso, mas quando estoura, não sobra para ninguém.

Resumindo… Não assista!

Passe longe de “Drive” no cinema e o ignore solenemente quando chegar à prateleira da sua locadora de bairro. Talvez valha à pena assistir quando sair na televisão por assinatura ou no Netflix. Eu não me arriscaria.

Outra opinião

A Vivi Maurey disse no Twitter que “Drive” é lento, mas ela gostou. Leia a crítica publicada pela Vivi faz uma semana e julgue por si próprio.

Vô Silvio

Silvio Santos

A imagem acima, fornecida pela assessoria de imprensa do SBT, é o mais recente registro de um novo Silvio Santos. Depois de décadas apostando no batido tom de acaju, embora renovando o corte de tempos em tempos, agora Silvão decidiu assumir as madeixas brancas para seu público. Assustador.

Prova que o ex-homem do Baú (foi vendido, lembra?) está envelhecendo, a despeito do que a nossa crença popular supunha. Silvio não estará aí para sempre. É difícil de pensar no assunto, mas já imagino que algumas redações de jornais e revistas tenham o obituário dele pronto para o dia em que se fizer necessário publicar a notícia.

Os cabelos brancos de Silvio não vêm por acaso. Aposto que até isso foi muito bem pensado por ele, um gênio da comunicação. Com os cabelos brancos, capaz de Silvio dialogar melhor com as senhorinhas que acompanham seu trabalho, as colegas de trabalho.

Não se trata somente de um novo corte. Veremos, a partir do próximo domingo, a marca Silvio Santos se renovando, se inventando. Será que dá certo?

Postei no Facebook que o “tio” Silvio está velho. A querida Lívia Jacome, editora do Amanhã, eu te conto, foi eficiente em reparar: ele deixou de ser tio para ser o nosso “vô” Silvio.

A Dama de Ferro – Crítica

Mais uma vez a Academia faz jus à responsabilidade de entregar um Oscar de melhor atriz. A preferida de sempre Meryl Streep aparece impecável em “A Dama de Ferro”, filme a que assisti na semana passada, mas só agora tive o tempo para colaborar com meus dois quinhões sobre o assunto.

“A Dama de Ferro” é Meryl Streep. Recomendo vivamente para quem quer acompanhar uma atuação primorosa dessa notável atriz.

Cabelo inabalável de pôr inveja à notável Cassandra Mathias Salão

O conteúdo do filme em si é algo que eu deixo para os historiadores. Há diversos relatos de erros cometidos pelo roteiro e pela direção. Sinceramente? Algo que não me fez falta. Quando quero uma reportagem de fôlego, acho mais prático ir direto no Discovery Channel ou similar. O cinema nos últimos tempos não tem sido uma fonte exatamente precisa de filmes que seguem à risca o que de fato aconteceu. Até porque a própria história em muitos momentos mostra-se questionável (os adeptos da teoria da conspiração que o digam).

Penso que o filme vale muito mais pelas caras, bocas, olhares, tons de voz da Margaret Thatcher vivida pela senhora Streep.

No início vem a dúvida: a mulher idosa mostrada na tela grande já é Streep? A maquiagem e os adereços são posicionados de uma forma que o ponto de interrogação permanece na face do espectador por um tempo. Até que a dama de ferro do título abre a boca. Meryl Streep abre a boca. E não restam mais dúvidas.

Durante todo o tempo conhecemos a pretensa intimidade, os conflitos pessoais e os momentos de tensão da maior líder (talvez a Rainha Victoria entre nesse páreo) que a Inglaterra já viu. Uma mulher de fibra, sem sombra de dúvida. Pulso firme — não por acaso levou o famoso apelido. Claro que, nem por isso, há pontos criticáveis na atuação política de Thatcher. Felizmente, não podemos dizer o mesmo da atuação cinematográfica de Streep.

Algo a construir

Em dado momento, numa entrevista à televisão, a Thatcher do filme volta de uma viagem aos Estados Unidos e comenta o que viu de mais interessante do outro lado do Atlântico, na ex-colônia. Fala da capacidade dos americanos de objetivarem e perseguirem um futuro. Essa é a regra na América. Enquanto isso, diz Thatcher, a Europa se prende na sua história.

Devo dizer que essa foi uma das sensações mais latentes após retornar da minha primeira e por enquanto única visita a Londres, em outubro passado. Parece que os ingleses não têm com o que se preocupar. A economia segue mal. Ainda assim, estão sempre mais interessados na família real e besteiras similares.

Grande preocupação dos londrinos: manter as praças impecáveis.

Não é para menos: a Inglaterra de Thatcher não tinha grandes preocupações sobre o que construir e parece-me que continua nesse pé. Visão de quem enxerga no Brasil uma série de melhorias necessárias, em todos os sentidos. Por lá está acertado na questão da educação, saúde, moradia etc.

Digamos que os ingleses têm mais oportunidade e tempo de se aborrecer com o chá das cinco ou com os atrasos milimétricos dos trens de metrô. Problemas maiores passaram.

Só que a Thatcher viu nos anos 80 que, quando tudo parece bem, problemas podem surgir. E o primeiro-ministro atual, do alto de sua libra poderosíssima, passa pela mesma pindaíba (dadas as proporções).

Resumindo… Assista!

“A Dama de Ferro” é um filme sobre superação pessoal e sobre a vitória da mulher nesse mundo machista. Caiu bem assisti-lo em plena semana de Dia Internacional da Mulher.

Recomendo que o assista, seja no cinema ou no DVD, em casa. Por Streep e pela personagem Thatcher. O resto é secundário. É história. Se queres história, melhor correr para os livros.

Visual novo e finalmente uma linha editorial (ou quase)

Alguns repararam. Outros não.

Enfim, o Memórias Fracas está de visual novo. Depois de tantos anos usando um tema feito pelo estúdio WooThemes e adaptado pelo competentíssimo designer Leandro Alonso, foi tempo de mudar. Agora o site está mais limpo, bem arejado, pendendo para o minimalismo que nos acostumamos a ver na internet.

A escolha do novo tema, desenvolvido pelo WP Shoppe, reflete a minha decisão de tornar esse espaço ainda mais autoral de um jeito que não é faz anos. Memórias Fracas é uma folha em branco na qual eu pretendo despejar algumas de minhas ideias, para que você debata comigo. Todos aprendendo um com o outro.

Movido a WordPress

Tenho uma espécie de linha editorial a seguir. Um norte para abastecer o Memórias de conteúdo sem me perder em meio ao tanto de coisas que a vida moderna e os meios de comunicações nos oferecem. Por vezes ficamos afogados em informação e não sabemos o que vale comentar ou não. Fujo dessa situação ao me amparar em três temas principais.

Jornalismo, cultura, televisão. Está abaixo do nome do site e figura no menu imediatamente ao lado. Esses são assuntos pelos quais pretendo me alongar futuramente. Menos tecnologia, visto que escrevo tanto sobre isso noutros cantos, mas pode ser que alguns artigos versem sobre o assunto. São temas do meu maior interesse e pelos quais sou de alguma forma reconhecido nas mídias sociais que frequento — alguns companheiros de rede me confidenciaram.

Trocando em miúdos, o site volta à ativa promovendo discussões e debates de ideia. Você é o meu principal convidado para ler e depois comentar. Disseminar os artigos na rede também é bem-vindo na era do Twitter e do Facebook. Dois pequenos botões posicionados ao lado do primeiro parágrafo permitem socializar aquilo que você lê.

Obrigado pela sua companhia de sempre.

Li e gostei do Manual de Redação CBN

Poucas coisas me fascinam tanto nesse mundinho do jornalismo como os manuais de redação. Quando pego um desses para ler, sinto-me dentro do prédio do veículo, acompanhando cada passo do fazer jornalístico. Sorte, então, ver que o Manual de Redação da CBN entra para minha pequena coleção de publicações do tipo depois de uma rápida e agradável leitura.

Devorei-o. Ele não é lá muito grande, o que ajuda. Mas é bom. Parece que os responsáveis por ele (a organizadora é Mariza Tavares, diretora da CBN) aproveitaram o próprio livro para por em prática o texto para rádio — curto, leve, eficaz. Continuar lendo

Meu mantra de todos os dias

O Chico está coberto de razão. Chega uma hora em que não adianta mais tentar agradar. A audiência na rede é assim mesmo, feita de gente que concorda contigo e feita de gente que discorda de você. A partir do momento que você já fez de tudo para suprir as necessidades dessa audiência descontente, resta torcer para que encontrem outro site, escritor, serviço ou o que quer que seja que faça o serviço por completo.

A nós, pobres profissionais das palavras, segue a missão de escrever para aqueles que querem nos ler.

Dos cartões natalinos

Tem coisa mais bonita que cartão natalino? Sim, sou absolutamente piegas ao fazer uma afirmação dessas. Ainda mais quando me refiro aos cartões de papel, aqueles de árvore morta mesmo, que parecem estar em processo de aposentadoria desde que a gente se viciou nessas telas de CRT, LCD, LED, e qualquer que seja a sigla de três letrinhas que está por vir. Continuar lendo

Nada se vê por aqui

O famoso “padrão Globo” para o Jornalismo não admite marcas. “O diretor dessa empresa”, “foram flagrados em uma rua da Zona Sul”, e assim sucessivamente. Até aí, tudo bem, é direito deles não citar ativamente uma marca porque ela não pagou pela aparição na emissora de maior audiência do país. Só que tem horas que extrapola. Continuar lendo

Não falarás sobre aquele que te banca

Hoje mais cedo, num artigo sobre a revista americana “PC Magazine” ter escolhido o Hotmail como aplicativo web do ano, li um comentário mais ou menos assim: não dá para confiar nessa análise porque o produto analisado é de um anunciante da própria publicação.

Ora, ora, vamos com calma! Uma revista tem um público-alvo definido. Classe econômica, região, idade, nível de cultura etc. Tudo isso ajuda a construir a identidade de uma publicação. Não raro, os anunciantes querem atingir esse mesmo público com mensagens publicitárias sobre produtos específicos. Afinal, o público é o mesmo. Continuar lendo

Juramento do Jornalista

Juro dedicar minha vida a serviço da sociedade, tendo o Jornalismo como instrumento para exposição de fatos e de ideias.

Reconheço a meus professores, mestres e colegas a contribuição para a minha formação.

Buscarei o conhecimento acima de tudo.

Admito a inexistência de uma verdade absoluta. É meu dever expor fatos para que a sociedade tire suas próprias conclusões.

Comprometo-me a dar o máximo de empenho na atividade de apuração.

Manterei o respeito pelas pessoas, as protagonistas de histórias que futuramente contarei.

Atrevo-me a utilizar recursos imediatamente questionáveis, sempre tendo como norte o dever de bem informar.

Não me apequenarei diante da pressão corporativa. O compromisso primeiro do jornalista é com os fatos; depois com a empresa para a qual presta serviço.

Deixo a atividade de propaganda para os publicitários.

Faço esse juramento de minha própria vontade e pela minha própria honra.