Caos sobre trilhos


Eu fico impressionado com o metrô. Uma linha eletrificada que corta a cidade, levando as pessoas aos pontos principais, de forma rápida e segura. Deveria ser uma maravilha. E, do ponto de vista operacional e técnico, o Metrô Rio não deve nada a ninguém.

Já quando se fala das pessoas que se utilizam deste veículo, as coisas mudam de figura. Essas pessoas, que deveriam ser um exemplo de educação durante o seu trajeto, fazem exatamente o contrário. Pelo menos aqui no Rio.

Lugar vago » Para passar da linha 2 para a 1 você sai de um trem, sobe uma escada rolante e então entra em outro trem. O que eu noto é o desespero das pessoas. Assim que o trem chega, já se formam aglomerados de gente apressada na frente das faixas amarelas onde as portas irão parar. Saem os passageiros que já estavam no trem pelo outro lado do vagão, e quando a porta que está virada para nós abre o empurra-empurra se inicia. O importante é fazer a viagem sentado. Nem que para isso tenha que correr como Emerson Fitipaldi, lutar como Popó ou pular como Daiane dos Santos.

Idosos » Aqui os vagões possuem umas cadeiras especiais, laranjas. Uma voz feminina que sai dos alto-falantes informa que estas “são preferenciais para portadores de deficiência, idosos, gestantes e pessoas com crianças de colo”. A moça vai mais além e pede: “Seja solidário. Ceda o lugar”. Nestes casos, definitivamente, o carioca não é solidário. Até tem umas pessoas que se levantam para que o senhor ou senhora sente. Mas se for um jovem, é mais provável que o idoso morra em pé. O mesmo se aplica às crianças. Acho que os únicos que se salvam são os deficientes, que comovem as pessoas sentadas por não terem uma perna, ou um braço, ou terem alguma síndrome.

Para não correr o risco de ouvir um idoso reclamando, ou pior, pedindo clemência para que lhe dêem o lugar para que possa descansar as pernas, eu passo longe dos tais assentos.

Crianças » Parece que é de propósito, mas toda vez que eu preciso usar o metrô, exatamente no vagão que eu estou tem que haver uma criancinha também. Daquelas melequentas e chatas. Elas não se acanham não: gritam, berram, esperneiam. E a mãe, uma coitada, fica vermelha de vergonha.

Algumas “crionças” (este trocadilho é muito válido) acham que o vagão é um playground. Pegam seus carrinhos (ou aviões, jatos, cavalos, etc.) e ficam passando em cima de assentos, pessoas, e tudo mais que estiver pela frente. Mais uma vez cabe à genitora imobilizar a peste e pedir desculpas para o atingido pelo brinquedo.

Dorminhocos » Depois de um dia inteiro de trabalho é natural que você esteja cansado. Senta-se e o cansaço vem em cheio. As pálpebras ficam pesadas, e quando você percebe sua cabeça está fazendo um ombro alheio de travesseiro. Há coisa pior que isso? São apenas vinte ou trinta minutinhos até chegar ao seu lar e poder usufruir do seu sofá preferido para aquela deitadinha rápida.

Se o ombro for o meu, pode ter certeza que eu me levanto de modo tão agressivo que você vai acordar.

Leitura » Você está sentado lendo confortavelmente seu jornal, revista ou livro enquanto a pessoa ao seu lado está de mãos abanando, sem nada para fazer. Como por instinto, começa a olhar para o texto. Mas sem coragem para encará-lo. É de rabo de olho mesmo, fingindo estar apreciando a viagem, mas com os olhos fixos no seu papel.

Esse tipo de leitura comunitária implícita não existe. Ou você leva seu jornal ou que fique olhando para o teto. Problema é seu. Mas não venha me incomodar com seus olhares fingidos!

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