“O Código Da Vinci”: melhor para quem não leu
» Esta resenha pode conter spoilers. Leia por sua conta e risco.

Assisti hoje à estréia de O Código Da Vinci (The DaVinci Code), baseado no livro homônimo de Dan Brown. O filme foi uma surpresa. Uma desagradável surpresa. A começar pela escolha do ator principal: Tom Hanks. Ele não tem aquele ar acadêmico que o professor Robert Langdon apresenta no livro, e que certamente contagia os leitores.
Já Audrey Tautou, como a criptógrafa Sophie Neveu, mostrou um grande talento para, num momento mostrar-se inteligentíssima, e em outro fazer o inverso, ou seja, ser desentendida com relação a assuntos como Maria Madalena e o Priorado de Sião.
Em algumas cenas as falas são idênticas às do livro, o que me agradou bastante. Nesta hora eu pude ter certeza que o filme foi baseado na versão original, de papel, e que Dan Brown realmente foi produtor dele. Claro que adaptar um livro para o cinema dá um trabalho imenso e muita informação é perdida, mas nesta adaptação em especial há uma perda grandiosa no ritmo da história. Desenvolve-se de forma lenta e não intimida, emociona ou faz o espectador participar. Este simplesmente acompanha; não se insere na história.

Quem impressiona pela maestria é Ian McKellen (o Magnetto de “X-Men” e Gandalf de “O Senhor dos Anéis”). Ele interpreta o velho aleijado sir Leigh Teabing, que entende tudo sobre o Santo Graal e é quem ajuda a esclarecer ao interlocutor, tanto no livro como no filme, como os fatos eram encarados pela História e como realmente foram. Excêntrico e milionário, não poupa recursos na busca obsessiva pelo segredo da Igreja e é quem banca toda a expedição deles. O que inclui até mesmo uma fuga de jatinho.
Como bom entusiasta da tecnologia que sou, não pude deixar de reparar nos “brinquedos” de última geração que aparecem no filme. Logo no início Langdon está dando uma palestra com um telão ao fundo e parece mentira quando o aparelho começa a projetar sucessivas imagens que explicam vários símbolos. O banco suíço também impressiona pelos seus traços futuristas, embora mesclados com características arquitetônicas e de decoração clássicas da Europa medieval.
O filme, que me gerou grandes expectativas, decepcionou um pouco. Mas só para ver aqueles belíssimos sets, e em especial o Museu do Louvre (Musée du Louvre), o valor do ingresso já vale a pena. Talvez os que não leram o livro gostem mais do filme. Pelo menos isso aconteceu comigo. Fui com grupo de amigos, e como só eu havia lido a obra literária, fui quem menos adorou o filme. De qualquer forma, é um banho de cultura.





19.06.07 / 15:02
Concordo plenamente, o filme O código da Vinci não surprendeu, deixou muito a desejar.