Geração Copia e Cola


Todos aqui com certeza já foram, ou são, estudantes. E como tal, também já conviveram com os fabulosos trabalhos bimestrais, uma forma usada pelos alunos para se garantir nas matérias que não têm embasamento, desde física até educação artística.Na época de mamãe os trabalhos em grupo eram de fato em grupo. Os coleguinhas se reuniam com os livros, enciclopédias, dicionários e mais quilos de papéis debaixo do braço e começavam o processo de triagem. Isso poderia levar horas; até mesmo dias. E no fim das contas todos participavam e todos tinham seu belo nome incluso no relatório de participação.

Já nos tempos modernos o advento da internet permitiu que os alunos pudéssemos agilizar todo esse processo. “Papel” é um termo em extinção; reunião mesmo só por MSN. E aí começam os nossos problemas.

A começar pela velha desculpa de sempre. “Não sou rico. Não tenho Velox (substitua pelo seu plano simples de serviço banda larga)” solta aquela pessoa cujo genitor comprou há poucos meses o carro do ano, capaz de ter acesso Wi-Fi. Mas eu nada respondo. É melhor. Antes ouvir isso do que uma outra história, de que o PC simplesmente pifou (exatamente no dia que a pessoa tirou para trabalhar em algum projeto).

Vem outro dizendo que a ele nada foi designado. Talvez ele não saiba que um trabalho em grupo, pelos moldes normais, não tem líder. Mas você já tentou explicar este simples fato ao ser que concebeu esta visão de grupo? Bem, eu já desisti de explicar.

Mas talvez o maior problema ainda sejam as fontes das informações. Como eu sei que nego não se preocupa nem em ler o que escolheu para enviar como sendo sua parte? Simples: basta perceber os “Clique aqui”, “Saiba mais” ou até mesmo alguns banners e copyright. A Geração Copia e Cola faz jus à sua denominação. Nem textos provenientes da nossa ex-metrópole Portugal são poupados.
Sem contar que nem todos os sites, não-sei-quantos bilhões que estão indexados pelo Google, são confiáveis. A Wikipédia é uma das que sofrem com o estigma de ser fonte de pesquisa e não ter 100% de veracidade em seus itens. E não sou eu que digo isso, mas o fundador dela.

E tudo isso é enviado, ou melhor, “jogado” por e-mail. Eles enviam e esquecem da vida. E o coitado que vai montar o trabalho, compilar as informações, é quem sofre. Quem tem que se virar para transformar muita coisa inútil em algo produtivo e que valha nota. Alguém tem coragem de dizer que não há motivo para reclamar?

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