Viajando sem complicações (ou tendo as mínimas possíveis)


O Augusto Campos, editor do Efetividade.net — um dos melhores blogs sobre eficiência, tanto pessoal quanto profissional — fez uma aposta com os amigos. Caso ele conseguisse escrever um guia sobre como arrumar malas, dividido em três partes e com cada parte composta de dez itens, levaria umas caixas de Budweiser importada.

Ele cumpriu o desafio com maestria, e os três episódios já estão no ar. O que me chamou a atenção foi este tópico, da última lista, “Dicas complementares para o viajante efetivo”:

6. Faça uma lista ou tire uma foto do conteúdo da mala, para facilitar a conferência na hora de arrumá-la para a volta, para ajudar a compor o álbum da viagem (se for turismo) e para ajudar a compor a reclamação em caso de extravio. E atenção para a gestão do conhecimento: guarde a lista ou a foto para ajudar na hora de arrumar a mala da sua próxima viagem!

A passagem me lembra uma história.

A Viagem

Em dezembro de 2005 tive a incrível oportunidade de viajar para a Alemanha. Os preparativos para a viagem começaram meses antes, devido à necessidade de emissão do passaporte e também de a documentação de autorização estar pronta, uma vez que na época eu era menor de idade e dependia dos meus pais para poder sair do país.

A arrumação de minhas malas[bb] ficou para o último dia, mesmo sabendo que o ideal é arrumar dias antes, para, caso esquecesse alguma coisa, tivesse tempo hábil de me lembrar e colocar na bagagem. O avião (da Varig) decolaria às onze da noite, com previsão de chegada às 16 horas do dia seguinte, no horário local da Alemanha. Haveria também uma conexão em Portugal.

Decolei com uma hora de atraso, o que é considerado normal para vôos internacionais, e cheguei durante a tarde do dia seguinte em Portugal. Por culpa da Varig, que não soube gerenciar o fluxo de passageiros e acabou mandando todos para uma mesma fila, perdi a conexão para Frankfurt. Como a empresa faz parte da Star Alliance, acabou que a TAP me reposicionou num vôo deles, uma hora depois, sem qualquer custo. As malas, no entanto, já estavam a caminho da Alemanha, no avião da mesma Varig. Eu iria em um avião e as malas em outro.

O trajeto Lisboa – Frankfurt foi muitíssimo tranqüilo, e chegou dentro do horário previsto. No aeroporto internacional comecei a busca pelas malas. Eu tinha posto uma fita – nas cores vermelho, verde e amarelo – em volta delas. Isso chamava bastante a atenção. Contudo, por pura falta de sorte, depois de uma hora de espera naquelas esteiras, as malas não apareciam. Fui então procurar pelo stand da Varig.

Acontece que a companhia aérea não mantém qualquer representação no aeroporto. Na Alemanha era a Lufthansa quem respondia pela Varig quando havia algum problema do gênero. Fui então a um escritório da Lufthansa comunicar o desaparecimento das malas. Esperava encontrar alguém que falasse português (do Brasil ou de Portugal mesmo), mas me enganei. Em inglês, comecei a contar a história do sumiço das malas a uma atendente, muito simpática e solícita. Foram mais de trinta minutos descrevendo cada uma das malas: cadeado ou combinação numérica, marca da mala, cor, tipo de bolsa externa etc. As perguntas mais esquisitas me foram feitas, a fim de que a bagagem fosse encontrada com sucesso.

Procuraram num depósito por elas, mas nada fora encontrado. Aconselharam então que eu seguisse para o meu destino, a casa de uma tia, que assim que as malas fossem encontradas seriam enviadas para o endereço declarado, até o momento impronunciável por mim. Sem nada que pudesse fazer, segui o itinerário, torcendo para que meus pertences voltassem para mim.

Cheguei em casa e peguei umas roupas emprestadas para dormir. No dia seguinte, por volta das dez horas da manhã, um senhor bastante educado tocava a campainha procurando pelo Herr Veloso (eu!). As malas estavam sãs e salvas, entregues na comodidade do meu lar provisório. Mais uma vez (ainda bem!) não houve qualquer pagamento pelo serviço. Abri a bagagem para checar se estava tudo em ordem. Com o alívio de ter tudo de volta, só pude comemorar.

A lição

Mala envolta em fita vermelha, amarela e verde

O texto publicado no Efetividade.net só corrobora que, sempre que possível, o passageiro deve fotografar[bb] as malas antes de despachá-las. Todo o imbróglio na Lufthansa seria mais ameno se eu estivesse com as fotografias das malas na câmera digital. Como não estava, passei por todo o perrengue narrado. Também recomendo manter alguma coisa que diferencie sua bagagem demais. No meu caso, acho que a fita (que pode ser vista na foto) foi fundamental para que encontrassem minhas malas.

Na volta, receoso de que o problema ocorresse de novo — e dessa vez com a Varig, o que imagino que seria pior —, fotografei diversas vezes as malas, ainda em casa. Felizmente não foi necessário, mas a precaução é muito importante. Melhor do que andar nu e ainda correr o risco de ser preso.

12 Comentários

Ótima dica hein…
Mas para surtir um efeito mais positivo, o ideal era que todas as malas passassem por uma “customização” de fácil identificação como ocorreu com a sua mala né…
Abração

Essa é pra sessão “como nunca pensei nisso antes”. Vou encomendar adesivos da “Cobline” pra colocar nas minhas malas =)

Procure no site dos arquivos de tradução por atualizações para o 2.1, isso sempre funciona, salvou a minha vida bloguística, pode salvar a sua também :)

Dicas preciosíssimas.
Parece coisa de virginiano…

Gostei muito.

Deveria existir também um manual de como organizar bolsa feminina…

beijos.

Interessante, o negócio é que eu odeio arrumar mala.

Vejo diversas comunidades pelo orkut de gente que gosta de fazer e gente que odeia desfazer, pois bem: eu odeio fazer e odeio desfazer.

E, vem cá, você não se desesperou nas situações acima não?!

É o tipo de idéia que você diz: putz, como é que não pensei nisso antes!

Fiquei impressionada com a quantidade de coisas que nunca passariam pela minha cabeça! Muito interessante mesmo o guia, realmente, coisa de viajante efetivo.
Deveria existir um guia como este sobre como organizar uma bolsa femenina. :)

Estava acompanhando a série pelo delicious do flávio japs haha… assim que saia, ele adicionava lá e eu lia

Muito bons os artigos, eu costumo viajar bastante mas é sempre pra lugares pertos então uso apenas uma mala. Vamos ver se consigo colocar alguma coisa em prática na próxima viagem!

Coisa boba, mas que a gente não pensa ne ?
Bastante interessante a dica. Quando eu precisar viajar, já sei quais as iniciativas tomar :)

Abraços!

Mais umas pequena preciosidade que a gente nunca pensa nela, e o pior é que pensamos sempre que só acontece aos outros, mas quando nos acontece a nós…

Bela dica..
Abraço.

Certa vez esqueci uma caixa grande remédios num vôo da Varig (São Paulo – Maceió). Por sorte o pacote era bem característico, impossível de não perceber.

Fiquei meio desesperado ao saber que meus remédios tinham ido para em Brasília mas tudo chegou às minhas mão em prefeito estado.

Muito boa a dica da fotografia. Vou fazer isso sempre.

Abraço.

Ah… Coloca o feed completo. Nesses posts que possui o “continue lendo”. Ô negocinho chato!

Na home ainda vai, mas no feed não.

Aldemir,
Outra dica é colocar dentro da mala, de modo que assim que a tampa for aberta seja visível, um papel bem grande com os dados do dono e os endereços de origem e de destino. Se for viagem internacional, que esteja pelo menos em português e em inglês. Tem gente que fala em deixar esses dados do lado de fora, mas acho arriscado.

Foi uma surpresa pra mim quando apareceu nos feeds do Bloglines o ‘Read more’ (ou algo que o valha). Mas tá no dashboard do WordPress que, quando eu quebrar o texto, ele também é quebrado no RSS. Não há nada que eu possa fazer! Pelo menos assim eu entendi.
Até a versão anterior do wp, mesmo usando a tag “more”, o texto era disponibilizado por completo no feed.

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