Sem medo da morte


Puro Osso, personagem do Cartoon NetworkA imagem é aterrorizante: uma caveira coberta por uma capa preta e uma foice na mão vai de casa em casa, buscando por aqueles cuja permanência neste mundo já não é mais prioridade e que devem, sim, recolher-se à inexistência.

Essa é, talvez, a primeira definição de morte que obtemos quando ainda somos pequenos. Ou então aquela história, contada pelos pais, de que a pessoa morta não está mais entre nós, mas sim no céu, um lugar onde só há alegria e bom humor.

Sejam crianças ou adultos, tratar da morte é complicado para todos. Faz parte de nossa cultura americanizada o apego à jovialidade. A medicina avançou muitíssimo nas últimas décadas, e, portanto, seria desnecessário pensar no fim da vida. Contudo, ela ainda é inevitável.

Envelhecer não é feio

Na Europa é comum as pessoas envelhecerem efetivamente, e se orgulhando disso. Não são apenas as rugas que ficam mais expostas, mas também as experiências, que fazem com as pessoas mais velhas sejam consideradas sábias. São respeitadas pelo seu tempo de vida.

Já em nosso país os velhos são destratados com facilidade. Aqui é feio ser velho. Mais feio ainda é assumir a idade. As mulheres, nos seus trinta ou quarenta anos, já pensam em como driblar a ação do tempo. É devido a elas que o Brasil é dos campeões de vendas de produtos de beleza. Será que objetivamos a imortalidade?

Encarando de frente

Se for, sabemos que ainda falta muito. Afinal de contas, a maior certeza que temos em vida ainda é a de que vamos morrer um dia, cedo ou tarde. Fugir da idéia de que deixaremos de existir só alimenta o medo de que pessoas próximas e nós mesmos venhamos a falecer.

O filósofo Sócrates, no século 5 a.C., escreveu: “Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas. Ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja. Ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para outro”. Algumas religiões, como o cristianismo, pregam que ao morrer a pessoa vai para um lugar melhor, o “paraíso”. Para o espiritismo não existe morte, mas sim o desencarnar. O corpo fica, mas a alma, a essência da pessoa, eleva-se a outro plano, em busca de um crescimento espiritual.

Já que ainda não há solução para a morte, devemos encará-la com um mínimo de naturalidade. Morrer é um processo natural, assim como nascer. Algumas culturas celebram a morte para cultuar a vida. O México é um exemplo, com o “Dia dos Mortos”. Neste dia as refeições são feitas nos cemitérios e os pais presenteiam as crianças com guloseimas em forma de caveiras. Ainda que o momento seja duro e que a perda seja irreparável, o melhor mesmo é acreditar que o sofrimento do morto acabou. Só em vida há dor.

Referências para este post:
Revista Superinteressante. Edição 234 / Dez 2006. Editora Abril.
Revista Piauí. Edição 02 / Nov 2006. Editora Alvinegra.
Para saber como os alemães procedem quando alguém morre, leia este artigo da Deutsch Welle.

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12 Comentários

Eu adoro o puro osso.

Essa história de velhice tá bem cotada… Saiu na veja também por várias vezes e a galera tá gostando de discutir as vantagens da ‘terceira idade’.

Já a questão da morte, não é um tópico muito abordado.

Depende um pouco dos dogmas de cada um.

Lucas,
Eu também adoro. “Billy e Mandy” é um dos poucos desenhos a que assisto. xD

O Brasil não objetiva a imortalidade, e sim a beleza. Ser velho é sinônimo de ser feio, e esse é o fantasma que perdura na mente de muitas pessoas.

E eu não acho a imagem da morte aterrorisante, aliás, não acho quando ela vem nessa forma caricaturada que ilustra esse post. Já viu O Estranho Mundo de Jack? É uma mistura de natal, halloween, morte e vida. Fantástico. Só podia ser Tim Burton.

Interessante. A morte é um tema pouco discutido. Acho que, como você disse, deve ser encarada como parte da vida. Eu não gostaria de viver pra sempre, seria monótono. Assim como precisa haver o nascimento precisa haver a morte. :)

Tiago,
É isso mesmo. Se para tudo há um começo e também um fim, não haveria de ser diferente com a existência. Temer a morte só torna sua aceitação mais difícil. E renegá-la, escondê-la, também não. Fingir que não existe é burrice.
Mas entendo essa cultura de fugir da morte. Está na hora de mudá-la.

Não tenho medo da morte, só não gostaria de fazer uma trapalhada e não cumprir minha missão até o fim…
No mais, quando for a hora, será :) Abraço

Seja bem vindo de volta!!! rsrsrs
Legala a atulização, apesar de nao gostar de falar muito sobre esse assunto, rsrs. Mas tranquilo.

Queria te falar que eu peguei o Office 2007, hehehe Muito legal mesmo!

Valeu!

Felipe,

Se não gosta de falar, pelo menos pense. Um dia vai acontecer. xD
O Office 2007 é sensacional. Só não prometo uma resenha porque a do Vista eu prometi e acabou não saindo…

As únicas coisas certas na vida são a morte e os impostos, por isso não me preocupo com nenhum dos dois.

A morte é a maior invenção da vida, mas acho que ter medo da morte é algo inevitável, só não se pode exagerar, é que nem aquela frase: Quem morre de medo, de medo morre…

[]´s

Creio que um dos principais tabus relacionados ao envelhecimento seja o sexo. As pessoas passam a crer que velhos não fazem sexo ou esqueceram ou não gostam.

Há outro problema. Se o homem ou a mulher não tomam cuidado com sua atitude em relação à vida, passam a ser vistos pelos mais jovens como “velhinhos” ou “velhinhas” e passam a ser tratados como se fossem bobinhos.

Uma pessoa mais velha que eu conheço certa vez foi abordada por uma jovenzinha meio estúpida. Ela disse:

- Que bonitinho, de boina, é? - Com aquela voz de complacência, como se estivesse falando com uma criança e não com alguém muito provavelmente mais esperto que ela.

E ele respondeu, sem medo de parecer antipático, mas para impor respeito, bem sério:

- Não é boina. É boné.

Uma pessoa mais velha deve ser respeitada não porque é frágil, mas porque sabe mais que uma pessoa mais nova sobre diversos aspectos da vida.

Gosto muito de um trecho de uma música do Caetano Veloso - e só falo nele agora porque gosto dessa música -, chamada O Homem Velho:

“O homem velho é o rei dos animais”.

O homem velho e a mulher velha são perigosos. Não se engane. Respeite. Ame. E essas coisas todas.

Sobre sexo, gosto muito desta foto aqui:
http://alessandromartins.blogspot.com/…de-arte.html

Abraços!

A série inteira de fotografias está aqui.

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