Queria
Queria ser daqueles que têm a resposta na ponta da lÃngua, para qualquer pessoa ou situação. Fosse o presidente da república ou papa, ninguém passaria despercebido ante os meus olhos e quem se atrevesse a me peitar teria resposta à altura. Queria também poder falar de artes com a mesma facilidade com que falo de blogs, ou resenhar uma peça de teatro tão detalhadamente quanto posso resenhar um novo serviço virtual.
Queria acordar todos os dias e contar milhões de dólares a mais na minha conta bancária; então abrir a Forbes e me ver como o homem mais rico do mundo. Pensaria “Oh! Nem esperava por isso” com ar de sarcasmo pouco carregado. Abriria o New York Times e veria que meu produto continua com o maior market share do setor. Monopólio? Não. Liderança (minha, claro). Daria um breve um telefonema no qual diria “Steve, já estamos muito ricos. Mande nossos funcionários fazerem produtos na qualidade máxima”.
Queria ter uma mesa na Casa Branca. Não qualquer mesa, mas aquela localizada na sala conhecida por Oval Office. Sentar-me-ia à mesa, confabularia com secretários e decidiria o que fazer com uma rubrica do orçamento: War. Pegaria os mais de quinhentos bilhões de dólares gastos em belicismo e transferiria para programas de apoio à educação e saúde no mundo inteiro. Uns 20 bilhões seriam destinados ao Brazil, com seu ensino de merda.
Queria tomar um whisky com Vladimir PutÃn e, enquanto não tão sóbrios assim, assinar um tratado onde acabarÃamos com todas as bombas de nossas nações. Eu não saberia o que fazer com elas, mas explodir um Iraque ou uma Coréia do Norte não seria uma idéia de má valia. Não para o Bush.
Queria chegar à noite como um autor famoso e respeitado. Escreveria uma coluna que poderia ser lida de qualquer lugar, por qualquer um. Sem restrições. Seria uma forma de universalizar a informação, e com todos sabendo o que se passa nesse vasto (e devastado) mundo, também seria mais fácil tornar as pessoas conscientes da nossa necessidade de compromisso com o meio ambiente. “Ou acabamos com o desperdÃcio, ou o desperdÃcio acabará conosco”. Mensagem mais simples, impossÃvel.
Queria ser um Jabor ou um Mainardi, que, com seus olhos de águia, conseguem enxergar o buraco em que nosso paÃs se afunda. Sem o pessimismo deles; com inteligência para sugerir mudanças eficazes a ponto de melhorar as áreas (todas!) de sucateamento e baixa produtividade. Queria um governo de excelência. Queria polÃticos de qualidade. Queria a verdade. Queria, queria, queria.
» E você, o que queria?





19.06.07 / 12:13
Só isso?
19.06.07 / 13:50
Bem…
Comece a trabalhar. Ou estudar.
19.06.07 / 15:39
Queria um lugar pra descansar, sem pressões, preocupações ou o resto do mundo.
19.06.07 / 16:05
Queria ter passado por outro sistema de ensino ou, melhor, por nenhum sistema de ensino.
19.06.07 / 18:14
Hugo: o descanso e a falta de preocupações você terá ao fim do ano, quando puder comemorar sua matrÃcula em uma boa universidade. Aà sim valerá à pena manda o mundo inteiro ao inferno, parar vários dias, dormir muito, acordar tarde, rever a namorada… Depois da tempestade o céu é sempre mais bonito!
20.06.07 / 1:54
No momento, um emprego melhor.
20.06.07 / 12:01
Por enquanto, me bastaria a demonstração de um teorema que me tira o sono.
20.06.07 / 13:08
Julix: essa é a grande busca da maioria das pessoas. Ter uma posição melhor é uma motivação a mais para fazer bem o seu trabalho atual e conquistar o seu sucesso!
Marcus: isso sim é uma coisa que tira o sono. E me lembra que eu odeio matemática. Obrigado!
20.06.07 / 17:00
Tava indo tão bem… Aà no final querer ser igual a Mainardi e Jabor… Meu Deus!!! Prefiro ser palhaço de circo, ou uma árvore no meio da Amazônia. Sendo palhaço, pelo menos faria os outros rirem de uma coisa inútil e não da desgraça do paÃs. Sendo um árvore, ajudaria a preservar o meio ambiente. Já Jabor e Mainardi, são dois idiotas, cineastas frustados que se exilaram no exterior não por pressão, mas por vontade e que pouco fazem pelo paÃs. Com os canais de informação que têm, poderiam fazer algo de mais útil para o paÃs do que aumentarem o ego da extra-direita brasileira.
20.06.07 / 17:06
Queria saber o sentido da vida.
Mas me satisfaço com a prefeitura do Rio.
Mudando de assunto, viu o “Fala que eu te Escuto” falando da parcialidade/imparcialidade da imprensa? Chamaram-na de tendenciosa e manipuladora. Logo em seguida mostraram um clipe gospel do Elvis e depois um homem todo fu!#* que encontrou a salvação graças a IURD.
Se bem que de jornalÃstico o programa não tem nada.
20.06.07 / 17:17
Bruno: se quer realmente saber o sentido da vida, assista a “Lost”. Lá, faz duas ou três temporadas que eles estão tentando descobrir isso. E o sentido da ilha também, é claro.
Mudando de assunto, não vi não. Mas ainda que visse, um programa religioso não pode nunca se propôr a esse tipo de discussão. Por que eles não voltam com os temas antigos, tipo “meu pai só é bêbado porque esqueceu de pagar o dÃzimo” ou “a macumba é um rito de magia negra camuflado”?
*Aos evangélicos que quiserem maiores esclarecimentos sobre o que afirmo acima, basta assistir a esse vÃdeo no YouTube.
27.06.07 / 12:55
Às vezes é bom não ser nada por algum tempo. É isso o que eu queria: que não esperassem tanta coisa de mim o tempo todo, que em algum momento não tivesse tanta pressão sobre mim ou sobre as coisas que eu faço, queria não ser ninguém por algumas horas. Num lugar onde só existiria o vazio e eu.
Ah, e é claro… um namorado bem lindu, inteligente e bom de cama!!! (Só pra não perder o costume!)
Adorei a crônica, mas vc não precisa ser nada além do que já é, pois a perfeição é cheia de defeitos. Não me entenda mal, mas existe muito mais coisa pra vc se preocupar agora do que isso. Apenas viva e seja feliz. Afinal, não é isso o que todos queremos?