No barbeiro


Antes de começar o texto, é importante ressaltar que homem vai ao barbeiro. Mulher que vai ao cabelereiro. E ao salão de beleza, ao hair stylist (cuma?), à manicura, ao cabelereiro, ao coiffeur. Todos os cuidados pessoais do homem se restringem a um único lugar: o barbeiro. Aquele que não tem muitas ferramentas de trabalho além da tesoura e dos anos de prática. Porque todo barbeiro é velho, pode reparar.

Debaixo dos caracóis dos teus cabelos…

Enfim, voltando ao assunto. Na semana passada fui cortar a juba - não posso me dar o luxo de ficar com o black muito grande -, e enquanto o seu Fonseca (todo barbeiro tem sobrenome português?) fazia uma coisa aqui, outra ali, começou a comentar um sorteio que passava na Record.

Dizia ele que aquilo era um absurdo; que a Record enganava os pobres com uma espécie de leilão ao contrário (ganha o lote quem der o menor ‘lance único’); que uma pessoa realmente ganhava, mas que centenas, milhares de matutos gastavam centavos para ligar e dar o lance.

Foi aí que eu o interrompi para avisar que não custavam centavos. Cada lance tinha o valor simbólico de quase cinco dinheiros brasileiros. Ele não acreditou. Parece que ficou mais entusiasmado ainda! Então parou o corte e pareceu ficar procurando algo. Até que uma mulher disse que aquilo que ele buscava estava ao lado do espelho.

Ele me entregou um e-mail que contava a história de um participante do quadro Lata Velha. O cidadão teve o carro consertado, tunado e transformado em carruagem pelos funcionários do Luciano Huck. No entanto, depois de o homem receber o carro, a produção pediu ele de volta para regularizar a situação cadastral. E devolveram um carro totalmente diferente.

No fim das contas, corre um processo na justiça do Rio contra a Rede Globo. O participante do quadro quer o carro antigo de volta, etc etc etc. A história mais ou menos completa está aqui.

O e-mail era meio estranho. Algumas coisas pareciam forjadas. Mas sabe quando você precisa fingir que concorda com a pessoa? Foi o que eu fiz. “Hmmmm”, “aham”, “claro, claro”. Foi o que eu mais disse. Então seu Fonseca me confidenciou: “quando meus filhos ainda eram pequenos, sabe qual foi a primeira coisa que eu ensinei para eles? Que na televisão tudo é mentira”.

Diz ele que o filho perguntou se no noticiário também era tudo a mais pura balela, e ele respondeu que “só um pouquinho é verdade”. Fico pensando até onde vai a teoria da conspiração. Tudo bem que a pessoa tenha desconfianças quanto ao que é apresentado na tevê, mas chegar a esse ponto é muito exagero.

Assim como acho exagero ficarem brandando por aí que não assistem mais à televisão. Que em casa não tem aparelho de TV. E coisas que o valham. Mas isso é assunto para outro post, já que este está enorme e já falou do que tinha que falar.

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9 Comentários

Cara, essa do “não vejo TV” é clássica. E o pior que nego fala isso com uma cara de “sou cool/uderground”.

Será que daqui há alguns anos será cool dizer “não entro na internet”?

que grave o que fizeram com o participante do lata velha. o carro do cara já tava caindo aos pedaços, mas era o carro dele e ele gostava do carro. era mais correto dizer que não tinha jeito de consertar o carro do que alterar a chassi do carro, falsificar a documentação e a assinatura do cara, entregando um outro carro no lugar do carro dele.
fiquei chocada com essa história. sem zoar.

o.0 Que bizarro!
Só não entendi porque esse papo de “vou no barbeiro, porque macho vai no barbeiro” se todo mundo sabe que você só vai no “Vandeclécio Coiffeur” e é o maior dissipador de fofoca do município!

Cobalto: é tão bom quando a gente se encontra no Vand pra fofocar, colocar a conversa em dia. Né? :P

Ihh koé, mané?
Desde quando eu vou no Vandeclécio Coiffeur?
Minha mãe que vai e sempre te encontra lá! Você deve estar me confundindo com uma das suas amigas bibas…

Cobalto: certeza que é você, cara. Absoluta. Sua cara de bunda e sua paixão pela fofoca são inconfundíveis.

Eu poderia dizer que o cara aí com nome de português tava certo em ensinar isso pros filhos. O cara deve vivido na época da ditadura e se já morava no Rio, ele sabia o que tava acontecendo.

Apesar dos pesares, aqui em Minas mesmo não é publicado nada sobre o tio Aécio e suas “crises”(o cara é viciado e tu já deve saber). Então, há verdades. Só tem que saber discernir o que é paranóia e não…

Acreditar na TV não pode, mas num e-mail que provavelmente foi o Luiz Fernando Veríssimo que escreveu, isso pode! :D
Só podia ser português!

joão marcelo

FRAUDE NO LATA VELHA
Enganação no lata velha parte I
http://br.youtube.com/watch?v=NcvQvoNF3O4
Enganação no lata velha parte I
http://br.youtube.com/watch?v=gK2E-rjxKdM
Enganação no lata velha parte III
http://br.youtube.com/watch?v=B6AIAvZNpf4
Enganação no lata velha parte IV
http://br.youtube.com/watch?v=DXWVODg52KU

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