Experiência de quase morte
Para você, cada minuto a mais é na verdade um minuto a menos? Acho que todos passamos por determinadas fazes em que valorizamos menos a nossa própria experiência de vida. Assim como a grama do vizinho é mais verde, tendemos a achar que a vida de outras pessoas é mais cômoda ou pelo menos mais interessante.
A morte acaba sendo uma sedutora solução para problemas como o acima relatado. É muito fácil, é muito cômodo. Eu particularmente nunca encarei a morte como uma fuga, já que endosso o coro de pessoas que dizem que só quem é incompetente o suficiente para viver acaba se matando. Mas confesso que “a passagem” é algo que me interessa.
Sou ateu. Mas um ateu com a pulga atrás da orelha. Nunca consegui crer que existe algo maior que todos nós, um ser que consiga gerir (e gerar) as pessoas, a vida e o universo ao sabor de suas vontades. No entanto, me pergunto como não seria a derradeira sensação ao partir dessa terra e encontrar um possível – e improvável – ser superior.
É essa dúvida que o livro “EQM” explora. Fui um dos financiadores do livro, e por isso já estou com ele aqui em casa faz algum tempo. Sabe como é: o autor tem que agradar seus mecenas. Ibrahim Cesar me mandou sua obra, mas só agora consegui pensar numa forma de abordar o assunto das EQMs.
Logo de cara, já me identifiquei com o protagonista da história. Jonas é um nerd assim como tantos de nós, que leva uma vida relativamente solitária – ele tem um gato – e acredita que “um minuto a mais na verdade é um minuto a menos”. Até que um dia Jonas decide pagar para ter uma revolucionária EQM, ou experiência de quase morte.
Em poucas palavras, a EQM é a indução da morte da pessoa, mas num nível em que seja possível ressuscitá-la. Teoricamente, o louco que se submete a esse procedimento fica sabendo das sensações que se tem ao viver os últimos suspiros. Porém, assim que vai a óbito é reanimado e fica tudo bem.
Dessa forma, Jonas acha que vai conseguir criar uma mudança na vida dele. A mudança até vem, mas não por causa da EQM. Para mim, a experiência de quase morte seria apenas uma forma de tentar saber se realmente o “além” existe. Assim como o fictício doutor House faz ao enfiar um canivete em uma tomada e levar um choque brutal.
Com ou sem experiência de morte, no entanto, certamente existem maneiras de mudar a própria vida. No caso de Jonas, a EQM serviu mais como um placebo que desencadeia o estado psicológico necessário para uma mudança. Um catalisador, cujo efeito é mental e não químico. Porém, que funciona. No fim do livro ele já desistiu de acreditar que “um minuto a mais é na verdade um minuto a menos”. Ele passa a valorizar a própria existência.
Às vezes nos falta isso: valorizar mais nossas experiências de vida. Se a grama do vizinho é mais verde que a nossa, vale lembrar que somos nós que temos as ferramentas para que a nossa grama cresça, se desenvolva a e passe a figurar no hall dos belos jardins com gramados magníficos.

Foto (cc) encontrada no flickr de Bill Liao. Você pode baixar gratuitamente e ler “EQM” (Experiência de quase morte) acessando a página do Ibrahim Cesar.






20.08.08 / 14:57
Uia.
Até me deu curiosidade de ler, mas me falta paciência pra ler na internet. Sabe como é, né. Um minuto a mais na web é um a menos na vida, aquela coisa toda
20.08.08 / 17:03
Como diria um certo personagem de uma certa série semi-obscura, “morrer é uma razão tão boa quanto qualquer outra para começar a viver.”
20.08.08 / 17:27
mmmm….
e eu ainda me pergunto pq o Thássius não abriu a própria empresa… ou a própria igreja: já q isso lhe traria grande lucro!!!! É de um poder de convencimento extraordinário… só não usa quando não quer…
Mas ainda tem salvação…
20.08.08 / 18:03
Cláu: acabei não dando uma opinião muito clara sobre o livro em si. Ele é ótimo, trata de assuntos atuais e com certeza retrata alguns anseios e dificuldades da ‘geração internet’.
Assim como você, também detesto ler na web. Acho que não teria lido esse livro, assim como nenhum outro, na tela do PC. No entanto, já me vejo lendo livros em formato ebook, por motivos impublicáveis.
Hugo: que personagem é esse? Que série é essa? Fiquei curioso.
Ísis: um passo de cada vez, querida. Mas não tenho qualquer intenção de abrir uma igreja ou algo que o valha.
20.08.08 / 18:33
A Chuck, de Pushing Daisies, pô. Recomendadíssima, aliás (a série e a Chuck, que, aliás, é bonita pacas).
Hugo Brisolla: desde 1989 fazendo referências semi-obscuras de séries quase desconhecidas.
20.08.08 / 20:43
Hugo assisti a alguns episódios de “Pushing Daisies”, que me foi apresentada pelo Gustavo Jreige. Mas não me interessei pela série a ponto de acompanhar.
20.08.08 / 23:27
Foi boa a experiência de EQM que seu blog passou?
21.08.08 / 2:54
Baixei de tarde e acabei de ler agora.
Bem legal, me prendeu desde o começo. Só tive que dar uma parada porque tinha que ir à aula.
Algumas partes inusitadas. Quais? “Irrelevante”! =p
[]z
21.08.08 / 9:06
Mobilon: hahaha! Durou pouco tempo. Na verdade, os leitores do blog nem ficaram sabendo, já que o ‘anúncio’ só foi feito no Twitter. Foi boa sim, me provou que eu ainda dependo desse blog. E ele de mim. Ou algo nesse sentido.
Pedro Menezes: o livro prende nossa atenção mesmo. Há alguns errinhos de português - eu mesmo já relatei uns para o Ibrahim -, mas a história ainda vale ser lida.
30.08.08 / 11:57
Grande Thás, gostei do post. :D
Realista ao extremo!