A utopia da imparcialidade

Publicado em 12 de maio de 2010 às 9:42 por Thássius Veloso
Assunto: Jornalismo | Leia mais: ,

Meu compromisso é com a verdade. É com essa frase que muitos jornalistas justificam o mote da própria profissão, tão bem vista pela sociedade, mas ao mesmo tempo tão economicamente desprestigiada. Pois saiba que o compromisso com a verdade nada mais é do que um desejo, uma utopia que provavelmente nunca será realizada plenamente.

Isso ocorre porque não existe uma verdade. Quando os jornais circulam pela manhã, os âncoras de telejornal desejam um sonoro bom dia ou ainda os websites alteram a data do site para o dia corrente, todos dizem mostrar a verdade única, absoluta. No entanto, poucos são aqueles que admitem que não existe uma verdade só. O que existe são recortes da verdade, que vão ao encontro dos interesses dos veículos de comunicação e dos repórteres envolvidos em uma ou outra apuração.

E se a verdade não existe, como os meios de comunicação podem se manter onde estão? Aí sim está a grande questão que envolve a imparciaidade: pode até ser que ela não exista, mas a sua busca é fundamental para que haja equilíbrio nas comunicações. Por mais que nenhuma jornal ofereça a verdade – nua e crua, como manda o dito popular –, todos os jornais, quando reunidos e consumidos num mesmo momento, ajudam a montar um panorama mais verossímil do fato que é apresentado.

Ou seja, nenhum veículo apresenta a verdade. Por isso é importante que o consumidor de informação – impressa, televisionada, radiofônica, publicada na web etc. – se informe por múltiplos canais. Isso vai garantir que a sua interpretação dos fatos e a tomada de decisão sejam coerentes com o que aconteceu (ou acredita-se que tenha acontecido).

A importância do estudo de Jornalismo é garantir que o aluno, futuro jornalista integrante do mercado de trabalho, conheça o que já foi feito de certo e de errado no meio. Somente dessa forma é que o estudante desenvolve um senso crítico capaz de enxergar os fatos de modo mais amplo, capaz de registrar tais fatos de forma mais fidedigna, e também capaz de informar o leitor de uma maneira que não comprometa a interpretação do que aconteceu.

Esse é o desafio dos jornalistas recém-formados num mercado de trabalho cada vez mais competitivo: narrar fatos com isenção, mesmo que a isenção propriamente dita não exista. Mas o caminho que – ao menos na teoria – deveria ser percorrido para chegar a essa isenção (apuração correta, ouvir o outro, buscar informações em fontes de qualidade) não pode ser esquecido. Pautado pela ética, é ele quem garante que o dever jornalístico seja cumprido.

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1 comentário

É aquele negócio né: jornalismo sem verdade não é jornalismo, é literatura…

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