Apple e a reinvenção de coisas

Tecnologia é assim mesmo: a empresa que chega primeiro num mercado, leva ele quase que inteiramente. O preceito está listado no livro Free, do Chris Anderson, editor da cultuada revista de tendências Wired. Também há aquelas empresas que criam seu próprio mercado, abocanhando a maior parte dos clientes que a própria criação teria.

A Apple é mestra em fazer algo que poucas corporações fazem tão bem: reinventar coisas. O iPhone foi e é um aparelho realmente revolucionário, que trouxe a tecnologia da informação para a palma da mão com enorme sucesso. E o melhor: com comodidade. Ao lançar o smartphone, Steve Jobs disse: ” Hoje a Apple reinventa o telefone celular” . Pura verdade, a empresa conseguiu fazer o que ninguém tinha feito anteriormente.

Lembra quando Steve Jobs anunciou – finalmente! – a chegada do iPad? O chefão da Apple fez questão de colocar o gadget numa categoria intermediária entre celulares (preferencialmente o iPhone) e notebooks (ou melhor, MacBooks. Quase todo mundo quer o portátil da maçã…). Dessa forma, Jobs usou de sua esperteza empresarial para criar um novo segmento, que seria liderado pelo aparelho criado por ele e seus discípulos.

O iPad não tem nada que seja exatamente novo. O conceito do computador pequeno, para funções básicas como navegação na internet, já existia antes da sua chegada. Arqui-inimigo de Jobs, tio Bill Gates chegou a comentar em algumas entrevistas como seria a computação do futuro: o agora aposentado descrevia um equipamento que teria conectividade contínua e seria usado para carregar consigo. Lembra algum aparelhinho? Pois é.

Quem já viu a interface do iPad sabe que ela é, de modo bem básico, a do iPhone e iPod Touch, só que maior. Aí está algo que eu não chamaria de reinvenção, mas apenas de adaptação a uma tela maior. O Windows Mobile  já era mais ou menos assim, só que com resultado porco (tinha até botão de Iniciar num celular!). O design do iPad? Nada mais do que um iPhone grandão, que certamente não pode ser carregado no bolso. Porém é leve. Devido a isso, perfeito para ser levado na mochila ou bolsa.

Fica difícil tentar achar uma fórmula para a reinvenção de coisas que a Apple faz. Seus engenheiros geniais, um time de executivos casca grossa e uma filosofia empresarial devem ajudar bastante, mas não é tudo. N’algum momento, essa fonte de inspiração e pensar diferente vai secar. Será que as concorrentes vão esperar isso acontece para voltar a conquistar mercados? Se for assim mesmo, temos um caso crônico de mediocridade no mercado de tecnologia. Não costumava ser assim.

9 comentários em “Apple e a reinvenção de coisas

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  2. O final do seu texto me fez lembrar de uma preocupação chata que tenho e que parece coisa de fanboy, mas é fato: quando o Jobs morrer, o mercado de tecnologia vai perder seu maior agitador e vai ficar mais chato de acompanhar.

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  4. Outro detalhe bastante notável na Apple, é que com um único aparelho (iPhone), ela conseguiu atingir públicos de todas as faixas etárias, diferentemente do que acontece com públicos que preferem um Nokia ou um Blackberry.

    E da mesma forma que você citou, também acho bem difícil de entender como a Apple consegue inovar com produtos que de alguma forma não apresentam inovação. Mas uma frase que o próprio tiu Stive citou, deixou as coisas um pouco mais claras para mim. A qual foi +- assim: “Podemos não ser os primeiros a inserir o serviço de multitasking, mas garanto que seremos os melhores”. Ou seja, dá para se ter uma ideia sobre a filosofia da empresa, não sendo á toa que não existem inúmeras versões de iPhones, da mesma forma com o sistema operacional para Mac.

  5. Guilherme: Um ponto bastante comum, levantado pelo Rodrigo Muniz é sobre a influência de mestre Steve na reinvenção de produtos da Apple. Imagina quando – isso um dia vai acontecer – o homem morrer…

    Tem analista que afirma que a Apple já está bem com as lideranças de Scott Forstall e Phil Schiller, mas eu não sei não. A única certeza que tenho é de Steve é insubstituível.

  6. huehue, não é à toa que quando surgiu o boato de que o tiu Stive estava muito mal de saúde as ações da Apple começaram a despencar, obrigando-o a aparecer em público com a cara de I`m fine! =)

    Se a propaganda é a alma do negócio, o tiu Stive é a alma da Apple, não tenho dúvidas disso.

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  8. A apple revoluciona. Se achas que tu é capaz de inventar ( ou que inventem) algo melhor dos que eles fazem no atual mercado de tecnologia, faça tu mesmo ;)

  9. Murilo: Creio que você não entendeu o meu post. O que eu digo é justamente isso: esta difícil de algum concorrente da Apple inovar tanto ou mais do que a empresa de Steve Jobs. A concorrência está fraca.

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