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Li e gostei do Manual de Redação CBN

23/01/2012 por Thássius Veloso Cultura / Livros

Poucas coisas me fascinam tanto nesse mundinho do jornalismo como os manuais de redação. Quando pego um desses para ler, sinto-me dentro do prédio do veículo, acompanhando cada passo do fazer jornalístico. Sorte, então, ver que o Manual de Redação da CBN entra para minha pequena coleção de publicações do tipo depois de uma rápida e agradável leitura.

Devorei-o. Ele não é lá muito grande, o que ajuda. Mas é bom. Parece que os responsáveis por ele (a organizadora é Mariza Tavares, diretora da CBN) aproveitaram o próprio livro para por em prática o texto para rádio — curto, leve, eficaz. Continuar lendo →

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CBN, Organizações Globo, rádio, resenha 0

O Seminarista, de Rubem Fonseca; ganhe exemplar

22/01/2010 por Thássius Veloso Cultura / Livros

Meu primeiro encontro com Rubem Fonseca foi somente no primeiro ano de faculdade (obrigado, professora Renata Feital!). Desde então admiro bastante o modo de escrever do romancista, que consegue propor temas sempre com caráter de atualidade a seus leitores. Claro que não podia deixar passar a oportunidade de ler “O Seminarista”, livro mais recente de Rubem publicado pela editora Agir (que gentilmente cedeu um exemplar para este escriba).

Capa de "O Seminarista", de Rubem Fonseca

Capa de "O Seminarista"

“O Seminarista” começa com a história de um assassino de aluguel, que mata não por prazer, mas sim por profissão mesmo. Vai lá, executa a vítima (chamada no meio de “freguês”) e segue sua vida normalmente. O Especialista é o personagem principal do livro, contando suas histórias e mais histórias de execuções e muito sangue.

Um homem frio e sem remorsos, o Especialista surpreende o leitor ao se apaixonar pela bela Kirsten, uma descendente de alemães que conhece em um café do Rio de Janeiro. É aí que começa a reviravolta na vida do Especialista (ou Zé, como preferir). É possível que um assassino em série consiga amar alguém? Acho que essa é uma das perguntas que Rubem levanta em “O Seminarista”.

Falar mais do que isso seria desvendar o fascinante enredo dessa narrativa, que explora momentos de muita tensão policial e suspense com situações de puro amor e prazer. Rubem consegue explorar ambas como poucos, dando veracidade aos momentos e fazendo o leitor acreditar que de fato aquilo poderia acontecer. Não com qualquer um de nós, mas certamente com alguma pessoa afortunada o suficiente para ser serial killer e amante apaixonado ao mesmo.

“O Seminarista” é como um filme policial. Tem pequenas frases que dão dinamismo aos acontecimentos, todos bastante urbanos. Dá gosto acompanhar o que Zé tem que fazer para descobrir quem está por trás de uma curiosa trama que parece não ter fim. Mas tem. E é um tanto quanto surpreendente.

“O Seminarista”

  • Autor: Rubem Fonseca;
  • Editora: Agir;
  • Páginas: 181;
  • Comprar “O Seminarista” no Submarino;
  • Acessar o site de “O Seminarista”;
  • Assistir ao vídeo de divulgação de “O Seminarista”, com trecho do livro.

Ganhe um exemplar de “O Seminarista” grátis

Como seminarista, Zé aprendeu diversas frases em latim, que ele faz questão de ir citando durante a narrativa. Temos “Cuiusvis hominis est errare; nullius nisi insipientis in errore preservare”, que significa “Qualquer um pode cometer um erro, só um tolo comente o mesmo erro novamente”; “Uxoris probrum, ultimus qui resciat, est maritus”, ou “O marido enganado é o último a saber”; e ainda “De inimico non loquaris sed cogites”, que quer dizer “Para o seu inimigo não deseje o mal, planeje-o”

Nada melhor que aproveitar a aula de latim que “O Seminarista” proporciona para fazer um pequeno concurso. A editora Agir disponibilizou um exemplar para que eu pudesse presentear um leitor do Memórias Fracas. Portanto, a dinâmica será a seguinte: você posta nos comentários do site uma frase em latim, com sua respectiva tradução para o português. A que eu julgar mais interessante ou divertida leva o livro. O resultado sai na sexta-feira que vem, dia 29 de janeiro.

Mais fácil seria impossível. E eu já deixo minha dica: existem dezenas de sites com frases em latim. Boa sorte!

Atualização em 04/fev/2010: cometi um lapso ao confundir o nome do personagem “Especialista” com “Despachante”. Obrigado ao leitor Rafael Queres por avisar do engano!

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crítica, Rubem Fonseca 29

Resenha: Jornal Nacional, Modo de Fazer

09/09/2009 por Thássius Veloso Cultura / Livros

Capa de "Jornal Nacional: Modo de Fazer"Em primeiro de setembro desse ano o principal telejornal do país celebrou seus quarenta anos no ar. Sim, estou falando do “Jornal Nacional”, que atualmente é apresentado por Fátima Bernardes e William Bonner. Tendo em vista a comemoração, Bonner aproveitou para escrever um livro que mostra um pouco de como é o processo de feitura do JN. Essa é a proposta de “Jornal Nacional: Modo de Fazer“.

Longe de ser um manual de redação mais completo, como aqueles de O Globo ou da Folha de São Paulo, “Modo de Fazer” fala de decisões mais práticas que o editor-chefe William Bonner e seus superiores já tiveram que tomar, visando ao cumprimento do objetivo primordial do JN. Anote aí:  mostrar o que de mais importante aconteceu no Brasil e no mundo naquele dia, com isenção, pluralidade, clareza e correção. Bonner martela esse objetivo várias (muitas!) vezes durante o livro.

O que eu mais gostei em “Jornal Nacional: Modo de Fazer” foram as histórias das edições atípicas do telejornal. Como naquela fatídica sexta-feira, quando o Jornal Nacional terminou e Bonner, com sua equipe, pegou o primeiro avião rumo a Roma. Horas depois, quando chegavam à capital italiana, teriam que fazer a cobertura histórica da morte do papa João Paulo 2º (vídeo aqui).

Outra história das mais interessantes foi quando São Paulo deu lugar, no ano de 2006, aos atentados praticamente terroristas organizados pelo PCC. Bonner confessa no livro que percebeu que seria necessário apresentar o telejornal da capital paulista no fim da tarde. Numa verdadeira operação de guerra, lá se foi a equipe dele rumo a São Paulo, de onde ele apresentaria o JN. Detalhe: sentado em uma banqueta, numa laje do prédio onde meses depois seria inaugurada a nova sede da TV Globo em São Paulo (vídeo aqui).

Não espere encontrar em “Jornal Nacional: Modo de Fazer” uma obra prima literária. Nem é a isso que o livro se propõe. Bonner escreve de forma muito simples e fluida, como se estivesse conversando com o leitor. Mais ou menos como os blogs funcionam, com uma linguagem bem mais próxima do coloquial que aquela adotada pelos jornalões.

Vale a pena para estudantes de Jornalismo como eu e para quem tem o simples interesse de saber como o principal telejornal do país funciona. Também vale a pena para quem quer saber em que circunstâncias William Bonner gritou “Puta que pariu!” na frente de um presidente eleito. :P

“Jornal Nacional: Modo de Fazer”

  • Autor: William Bonner
  • Editora: Globo
  • Páginas: 248
  • IBSN: 9788525047243
  • Publicado originalmente no Brasil em 2009
  • Comprar “Jornal Nacional: Modo de Fazer”, de William Bonner
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crítica, Jornal Nacional, Jornalismo, Rede Globo, William Bonner 5

Crítica: “A Tirania do Petróleo”, de Antonia Juhasz

17/08/2009 por Thássius Veloso Cultura / Livros

Imagine que você pudesse ter um dossiê completo de como nasceu e é atualmente o setor de petróleo nos Estados Unidos, e por conseguinte em quase todo o mundo. Foi isso o que Antonia Juhasz conseguiu fazer ao escrever “A Tirania do Petróleo”, publicado no Brasil pela Editora Ediouro.

  • Acessar site de “A Tirania do Petróleo”
  • Baixar primeiro capítulo de “A Tirania do Petróleo” (em PDF)
  • Comprar “A Tirania do Petróleo”, de Antonia Juhasz
"A Tirania do Petróleo", de Antonia Juhasz

Capa de "A Tirania do Petróleo"

Quando o meu exemplar foi enviado pela Ediouro, eu fiquei em dúvida se ele capturaria a minha atenção. No entanto, tive uma grata surpresa com o texto de Antonia Juhasz. Ela não se utiliza daquela linguagem intelectual e rebuscada que muitas vezes mais atrapalha do que ajuda na comunicação. Tenho algumas restrições com relação à tradução de Carlos Zslak, mas de modo geral é uma publicação inteligível.

O livro começa, como já poderíamos esperar, pelo começo da história do petróleo nos EUA. Na segunda metade do século 19, o empreendedor John Rockefeller funda a Standard Oil of New Jersey, que viria a ser um dos maiores conglomerados do mundo. E faria de Rockefeller o homem mais rico de todos os tempos. A título de curiosidade, a fortuna dele valeria hoje cerca de trezentos bilhões de dólares (ou sete vezes a fortuna de Bill Gates).

Dissoluções e fusões

Dois momentos do livro são, em definitivo, os mais interessantes. O primeiro deles é quando Antonia Juhasz descreve o processo de diluição da Standard Oil, devido ao monopólio que a empresa de Rockefeller estava se tornando. Isso mesmo, naquela época – início do século 20 – o governo e os cidadãos dos Estados Unidos já se preocupavam com a excessiva concentração de mercado. Como resultado da ação governamental, a Standard se tornou trinta e seis empresas distintas, mas com desejos muito semelhantes.

Passam-se os anos, as décadas, até que chegamos ao segundo momento que mais me interessou do livro: o reagrupamento das empresas que um dia foram a Standard Oil. Assim como tem acontecido em alguns setores econômicos brasileiros nos últimos anos, nos Estados Unidos as empresas petrolíferas voltaram a se unir. Em dado momento, a onda de fusões e compras entre grandes petrolíferas teve início.

Hoje em dia elas são conhecidas como as Big Oil. A maior delas é a ExxonMobil, fusão da Exxon com a Mobil que teve lucro líquido de quarenta bilhões de dólares no ano passado. Isso mesmo, o lucro foi de quarenta bilhões. O faturamento passou dos quatrocentos bilhões. Também temos a Shell, a BP, a Chevron/Texaco, a ConocoPhilips e a Total consideradas como Big Oil. Todas são donas de verdadeiros impérios do petróleo, e controlam mais de dez por centro da oferta mundial da commodity.

Juhasz conhece muitos detalhes da negociata por trás desses negócios, que permitiram que algo próximo da inicial Standard Oil ressurgisse. Segundo a autora, essas empresas com lucros fabulosos têm poder de decisão sobre muitos aspectos da vida dos norte-americanos. Elas conseguem comprar votos, proibir leis e fazer daquele país o que bem entendem. Por isso mesmo a autora defende que elas sejam diluídas novamente.

A história de como essas empresas se articularam para fazer dos Estados Unidos um grande campo de extração de petróleo é impressionante. Antonia Juhasz conseguiu documentos e detalhes até então nunca conhecidos, porque a indústria de petróleo mantém seus assuntos internos protegidos de uma tal forma que só os que participam e compartilham interesses com as grandes corporações têm acesso a alguns deles.

Areias betuminosas

Em “A Tirania do Petróleo” não é falado somente da face econômica da indústria norte-americana de petróleo. Antonia Juhasz também explica o funcionamento de alguns aspectos mais técnicos das petrolíferas. Ela apresenta seus leitores a dados muito curiosos, como o da extração de petróleo a partir de areia.

Nunca tinha ouvido falar nas areias betuminosas, mas elas são a mais nova esperança da indústria de petróleo para que a matéria-prima não se acabe nos próximos vinte ou trinta anos. Em Alberta, no Canadá, as corporações descobriram um tipo de areia que contém betume, um óleo muito grosso que, quando refinado, se transforma em óleo cru.

O processo de extração desse óleo não é tão fácil quanto poderíamos imaginar. Primeiro é preciso revirar o solo do local, em busca da areia de melhor qualidade. Depois começam os processos químicos, que eu não saberia explicar como funcionam, mas que, no fim do processo, fazem com que apenas dez por cento da areia “processada” vire o óleo cru. O resto é descartado, muitas vezes de forma descuidada.

Destruição: extração de óleo nas areias betuminosas de Alberta. (Wikipedia)

Destruição: extração de óleo nas areias betuminosas de Alberta, Canadá. (Wikipedia)

Incrível, não? Mais incríveis são imagens da destruição que a Exxon e suas irmãs menores estão causando às areias de Athabasca, em Alberta. Máquinas gigantes são necessárias para fazer a extração da areia e do óleo. Pelo caminho dos campos de extração, as empresas vão construindo grandes tanques nos quais os químicos usados durante o processo são despejados. Alguns desses tanques são tão grandes que podem ser vistos do espaço, e a magnitude é tamanha que algumas petrolíferas já consideram a construção de usinas nucleares próximas aos campos de extração, para que seja gerada energia suficiente para extração do óleo das areias betuminosas.

Conclusão

Infelizmente “A Tirania do Petróleo” é muito focado nos Estados Unidos. Portanto, fica difícil fazer comparações entre o modelo do setor de petróleo americano e o brasileiro, que é basicamente monopolista. Seria interessante que a Ediouro contratasse algum especialista brasileiro em petróleo para escrever um posfácio, no qual faça considerações sobre a indústria do petróleo nacional.

Ainda assim, é um livro muito bom e altamente recomendado, não só para quem tem interesse no setor de petróleo, mas também para quem gosta de atualidades e curiosidades. Nos últimos capítulos, por exemplo, Antonia Juhasz prova por A mais B que a guerra no Iraque foi por petróleo. E inclusive já nos alerta para o próximo alvo das Big Oil na guerra por petróleo, que você só vai conhecer se comprar o livro.

“A Tirania do Petróleo”

  • Autora: Antonia Juhasz
  • Editora: Ediouro
  • Páginas: 430
  • ISBN: 9788500024771
  • Publicado originalmente nos Estados Unidos em 2008
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Canadá, crítica, Ediouro, Estados Unidos, ExxonMobil, John Rockefeller, literatura, petróleo 1

Experiência de quase morte

20/08/2008 por Thássius Veloso Cultura / Livros

Para você, cada minuto a mais é na verdade um minuto a menos? Acho que todos passamos por determinadas fazes em que valorizamos menos a nossa própria experiência de vida. Assim como a grama do vizinho é mais verde, tendemos a achar que a vida de outras pessoas é mais cômoda ou pelo menos mais interessante.

A morte acaba sendo uma sedutora solução para problemas como o acima relatado. É muito fácil, é muito cômodo. Eu particularmente nunca encarei a morte como uma fuga, já que endosso o coro de pessoas que dizem que só quem é incompetente o suficiente para viver acaba se matando. Mas confesso que “a passagem” é algo que me interessa.

Sou ateu. Mas um ateu com a pulga atrás da orelha. Nunca consegui crer que existe algo maior que todos nós, um ser que consiga gerir (e gerar) as pessoas, a vida e o universo ao sabor de suas vontades. No entanto, me pergunto como não seria a derradeira sensação ao partir dessa terra e encontrar um possível – e improvável – ser superior.

É essa dúvida que o livro “EQM” explora. Fui um dos financiadores do livro, e por isso já estou com ele aqui em casa faz algum tempo. Sabe como é: o autor tem que agradar seus mecenas. Ibrahim Cesar me mandou sua obra, mas só agora consegui pensar numa forma de abordar o assunto das EQMs.

Logo de cara, já me identifiquei com o protagonista da história. Jonas é um nerd assim como tantos de nós, que leva uma vida relativamente solitária – ele tem um gato – e acredita que “um minuto a mais na verdade é um minuto a menos”. Até que um dia Jonas decide pagar para ter uma revolucionária EQM, ou experiência de quase morte.

Em poucas palavras, a EQM é a indução da morte da pessoa, mas num nível em que seja possível ressuscitá-la. Teoricamente, o louco que se submete a esse procedimento fica sabendo das sensações que se tem ao viver os últimos suspiros. Porém, assim que vai a óbito é reanimado e fica tudo bem.

Dessa forma, Jonas acha que vai conseguir criar uma mudança na vida dele. A mudança até vem, mas não por causa da EQM. Para mim, a experiência de quase morte seria apenas uma forma de tentar saber se realmente o “além” existe. Assim como o fictício doutor House faz ao enfiar um canivete em uma tomada e levar um choque brutal.

Com ou sem experiência de morte, no entanto, certamente existem maneiras de mudar a própria vida. No caso de Jonas, a EQM serviu mais como um placebo que desencadeia o estado psicológico necessário para uma mudança. Um catalisador, cujo efeito é mental e não químico. Porém, que funciona. No fim do livro ele já desistiu de acreditar que “um minuto a mais é na verdade um minuto a menos”. Ele passa a valorizar a própria existência.

Às vezes nos falta isso: valorizar mais nossas experiências de vida. Se a grama do vizinho é mais verde que a nossa, vale lembrar que somos nós que temos as ferramentas para que a nossa grama cresça, se desenvolva a e passe a figurar no hall dos belos jardins com gramados magníficos.

Foto (cc) encontrada no flickr de Bill Liao. Você pode baixar gratuitamente e ler “EQM” (Experiência de quase morte) acessando a página do Ibrahim Cesar.

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análise, Ibrahim Cesar, literatura 11

Resenha: "Pergunte ao Max", Max Gehringer

07/12/2007 por Thássius Veloso Livros

Livro Pergunte ao Max, de Max GheringerMax Gehringer é multimídia. Você pode ouví-lo na rádio CBN; lê-lo na revista Época, onde assina a coluna “Nossa Carreira”; vê-lo comentando situações do mundo do trabalho no “Fantástico” (detalhe: todos veículos das Organizações Globo). Só faltava mesmo um livro. “Pergunte ao Max” é um excelente guia para aqueles que estão iniciando sua carreira no mercado de trabalho agora ou que já estão em alguma empresa faz tempo e querem manter o emprego.

Max reuniu neste livro mais de 160 perguntas respondidas na coluna da Época, porém com um rearranjo que divide a publicação em várias temáticas. O livro tem dicas de como pedir aumento ou quando definir a hora de deixar uma companhia. Nas últimas páginas você encontra o já tradicional dicionário que Max Gehringer publica com tanta engenhosidade.

Por exemplo. Segundo Max, a tradução de feedback é ‘retroalimentação’. “Em uma máquina, a matéria-prima entra por um lado e produto acabado sai pelo outro. O feedback seria o retorno das partes não devidamente processadas para o ponto de entrada. Em empresas, dar feedback é dizer para uma pessoa que a matéria-prima – a idéia – até que era boa. Mas o produto final – a execução – ficou aquém do esperado”.

Por ser baseado nas perguntas enviadas pelos leitores, os textos são rápidos e dinâmicos. A maioria com excepcional tom de humor. Eu li em cinco dias, e vale muito a pena.

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análise, literatura, Max Geringher 10

Página 161, 5ª frase. O famoso meme do livro

16/10/2007 por Thássius Veloso Cultura / Livros

O Bruno Godoi me convidou para participar do famoso meme do livro. Consiste em seguir algumas regras (veja-as no post do Bruno) para extrair uma frase do livro que a pessoa lê atualmente. Como eu não estou lendo nenhum no momento (herege!), irei reproduzir o trecho do livro que veio em minha mente quando pensei em escrever o post:

“Esses intelectuais de quinta querem que eu deixe as maiores reservas de petróleo do mundo com o Saddam?”

Capa de “Amor é prosa, sexo é poesia”Desafiador, não? Quem escreveu foi Arnaldo Jabor em seu “Amor é prosa, sexo é poesia”, um livro de crônicas afetivas que, como toda a obra de Jabor, pauta-se pela crítica e cinismo, sem perder o lirismo. A editora é a Objetiva.

Como participar de memes inclui dar prosseguimento à brincadeira, vou me aventurar num convite. Sei que alguns blogueiros não gostam desse tipo de postagem, mas chamo para publicar a tal frase um blogueiro que já é sinônimo de livros e afins no país. Claro, é o Alessandro Martins.

O ideal seria convidar cinco editores de blogs, mas como estamos falando do Alessandro, minha proposta é diferente: que ele coloque as frases dos cinco livros que lê atualmente. O convite está feito.

Atualização - Alessandro já participou da brincadeira. Chato!

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literatura, petróleo, Saddam 4

Sebo virtual

04/09/2007 por Thássius Veloso Livros

Momento Alessandro Martins. Vou recomendar um serviço que eu descobri há pouco tempo e pode ajudar diversos segmentos desta sociedade de Meu Deus, como os estudantes universitários que não querem pagar pelas edições novas de livros e colecionadores de raridades.

Livro antigo com globo em cima

A Estante Virtual é um site que se propõe a mapear diversos sebos espalhados pelo país inteiro e integrá-los em uma rede. São 650 no total, que oferecem mais de um milhão de livros. A classificação dos livros é bastante completa, dividida entre diversas categorias (administração, direito etc.). Também existe a busca direta pelo título ou autor.

Se você não gosta de livros mais velhos, com marcações ou ainda com a capa em condições não tão boas, sugiro que acesse a loja de livros do Memórias Fracas e faça suas compras. Lá é tudo novo em folha.

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educação, literatura 0

Final de “Harry Potter e as Relíquias da Morte”

30/07/2007 por Thássius Veloso Cultura / Livros

Aviso » Como o próprio título do post diz, esse texto contém spoilers sobre o final de “Harry Potter”. Os mesmos fatos se repetem em “Harry Potter  e as Relíquias da Morte – Parte 2“, filme dirigido por David Yates. Leia por sua conta e risco.

Relíquias da Morte

Capa do livro "Harry Potter e as Relíquias da Morte"

Capa do livro "Harry Potter e as Relíquias da Morte"

Quem conseguisse reunir as três relíquias da morte poderia alcançar a imortalidade. São elas:

  • A Elder Wand (a varinha mais poderosa do mundo, que estava com Dumbledore);
  • A Pedra dos Mortos (dos Gaunt, mas também estava com Dumbledore);
  • A Capa da Invisibilidade (que Harry já tinha).

Horcruxes

A alma de Lord Voldemort foi dividida em sete pedaços, encontrados em objetos mágicos muito poderosos.

  • O diário de Tom Riddle (destruído no segundo ano);
  • O medalhão de Slytherin (Sonserina);
  • A coroa/diadema de Ravenclaw (Corvinal);
  • A taça de Hufflepuff (Lufa-Lufa);
  • A cobra Nagini;
  • O anel de Servolo, avô de Voldemort (destruído por Dumbledore).
  • O próprio Harry Potter, que recebeu um pedaço da alma de Voldemort quando ele atacou Lilian Potter.

O último pedaço de alma vivia em Lord Voldemort. Para que ele fosse destruído, primeiro todas as outras horcruxes precisariam ser eliminadas com artefados mágicos de grande poder, como a espada de Gryffindor ou o veneno do basilisco.

Outros detalhes

  • Monstro (Kreacher) tem um papel fundamental na história: ele fica bom.
  • A ligação mental entre Harry e Voldemort também é muito importante. Harry consegue controlá-la e passa a saber o que Voldemort pensa. No fim de tudo Harry, aprende a fechar a mente dele, conforme Dumbledore queria.
  • Lupin e Tonks se casam e têm um filho.
  • A batalha final acontece em Hogwarts, da qual participam bruxos, gigantes, duendes, dementadores, centauros, aranhas gigantes (filhos de Aragogue), e outros seres. A Armada de Dumbledore dá cobertura a Harry enquanto ele procura a última horcrux (a taça de Hufflepuff).
  • Voldemort usa sua cobra Nagini (que é um horcrux) para matar Snape.
  • Narcisa Malfoy mente para Voldemort, salva a vida de Harry e consegue, assim, reecontrar Draco.
  • Ainda que seja possível pensar o contrário, Dumbledore conseguiu armar tudo em sua cabeça. Inclusive a própria morte.
  • Aberforth, irmão de Dumbledore, ajuda o trio a entrar em Hogwarts.
  • Snape nunca foi ruim. Não que ele fosse uma pessoa agradável… Mas ele jurou a Dumbledore projetar o amor que tinha por Lílian em seu filho Harry Potter. Isso só é revelado depois que Voldemort mata ele, quando Harry vai até a Penseira e vê lembranças de Snape.

Quem morre

Lord Voldemort em "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2"

Lord Voldemort em "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" | Clique para ampliar

Os seguintes personagens morrem em “Harry Potter e as Relíquias da Morte”:

  • Fred Weasley;
  • Remo Lupin;
  • Tonks (a Ninfadora);
  • O elfo doméstico Dobby;
  • Colin Creevey, aluno de Hogwarts;
  • Olho-Tonto Moody, auror.

Dezenove anos depois

  • Harry se casa com Gina e tem três filhos: James (Tiago), Lily (Lílian) e Albus Severus (Alvo Severo).
  • Ron se casa com Hermione e eles têm filhos também: Hugo e Rose.
  • Neville torna-se professor de herbologia em Hogwarts.

Se eu errei algum fato, por favor, corrija.

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análise, Harry Potter, J.K. Rowling, literatura 169

Resenha de Harry Potter e as Relíquias da Morte

30/07/2007 por Thássius Veloso Livros

Spoilers! » Este texto pode conter detalhes da história, inclusive para quem ainda não leu Harry Potter e o Enigma do Príncipe.

Confesso, eu demorei mais do que esperava para terminar de ler “Harry Potter and the Deathly Hallows“. Para completar, meu modem decidiu morrer e eu acabei ficando sem acesso à web.

Comecei a ler “Harry Potter e as Relíquias da Morte” no sábado (21/julho). Se você quer ler a versão em inglês, assim como eu, prepare-se. JK Rowling continua a mesma detalhista de sempre, que faz questão de dizer que “o céu, azulado como os olhos de Dumbledore, refletia em suas nuvens poucas o temor que percorria a mente de Harry”. Se parar a cada a cada palavra desconhecida, esteja certo de que só terminará do livro em um mês.

A história é belíssima. Finalmente Harry irá enfrentar Você-Sabe-Quem, pela última e definitiva vez. Durante todo o livro percebe-se a ansiedade, misturada a certo medo, que acomete Harry, Ron e Hermione (seus companheiros na aventura). Em alguns momentos eu fiquei receoso de ler as passagens seguintes, devido à capacidade de Rowling de poder fazer qualquer coisa (assassina!).

A teoria da conspiração faz presença importante durante a saga, em especial quando os jovens passam a questionar a ordem de Dumbledore: destruir os horcruxes. Eu não sei se teria o sangue frio de continuar em busca dos preciosos pedaços de alma que Voldemort espalhou pelo mundo, mas o trio bruxo fica certo de que aquilo é o melhor a se fazer.

Neste livro é possível revisitar melhor do nunca várias localidades que até então estavam esquecidas. Godric’s Hollow, onde os pais de Harry foram assassinados; a caverna amaldiçoada onde Voldemort escondeu um dos horcruxes; a Rua dos Alfeneiros, número quatro…

E também é neste livro que são reveladas as ligações que cada local tem com a missão de Harry. Rowling construiu como ninguém um verdadeiro mundo, ao qual somente ela tinha acesso mas que fica exposto nesta última aventura de Harry. Concordando com a resenha que o NY Times publicou, eu acho que J.K. Rowling já é uma das melhores escritoras deste século. A saga Harry Potter a deixa no mesmo patamar de J.R.R. Tolkien.

Falar mais sem revelar os segredos de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” sem contar um pedaço que seja da história é bastante complicado. Todo enredo é muito bem costurado, para que em determinados momentos o leitor direcione a atenção para um fato e deixe em segundo plano um mero detalhe, que mais tarde será descortinado e crucial para o entendimento da seqüência.

Não sei se o final dado pela autora é o que eu queria. Eu não sabia o que esperar do duelo profético entre Harry Potter e Lord Voldemort. Tudo poderia acontecer, mas o momento é bem mais complicado do que pareceria nos livros anteriores. Se antes Harry precisava tocar um portal, ou achar uma pedra, ou destruir um diário (e um basilisco de bônus), em “Harry Potter and the Deathly Hallows” a inteligência e o faro também são cruciais para resolver o imbróglio.

Terminei o livro na quinta-feira, depois de uma sessão leitura que começou à meia-noite e terminou às sete da manhã. Só assim para ler as 150 páginas mais importantes da saga Harry Potter. Certamente Harry Potter deixará saudade, mas toda história tem um fim. O de JK Rowling foi maestral. Mais que isso, foi mágico.

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análise, Harry Potter, J.K. Rowling, literatura 26

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Thássius Veloso

Thássius VelosoCarioca em SP, jornalista, blogueiro. Escreve sobre jornalismo, cultura e televisão, entre outras coisas mais.

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