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Arquivo por categoria: Opinião

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Morre inventor do miojo, companheiro fiel

08/01/2007 por Thássius Veloso Mundo

Momofuku Ando, criador do miojoNunca saberei mexer nas panelas como, por exemplo, o Olivier Anquier, o faz. Contudo, tenho minhas necessidades corporais normais, como qualquer outro ser humano, e por isso preciso me alimentar. A problemática é que nem sempre há mamãe para preparar a comidinha, e acabo tendo de me virar. Colocar um lasanha congelada no microondas ou pedir uma pizza é bom, mas às vezes não rola. Graças a Momofuku Ando, no entanto, não passamos fome. Este japa foi o grande inventor do melhor amigo dos não-cozinheiros: o miojo.

A triste notícia é que o sr. Ando, aos 96 anos de idade, morreu na última sexta-feira (05/01), vítima de ataque cardíaco. Também foi ele quem inventou o cup noodles, que eu adoro. O potinho que deve ser preenchido com água quente se tornou galáctico quando foi comido por um astronauta japonês a bordo da nave Discovery.

A comunidade comedora de miojo lamenta e se solidariza com a família. Inclusive os que comem miojo cru.

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obituário 7

18 mortos, mas nenhuma imagem negativa

28/12/2006 por Thássius Veloso Opinião

Todo mundo está sabendo o que aconteceu aqui no Rio hoje. O prefeito garante que não há possibilidades de os ataques se repetirem no ano novo. A governadora (que já deve estar arrumando as malas para ir embora do Palácio Guanabara) não quis ajuda da força nacional de segurança.

Para completar essa verdadeira mostra de pensamentos e atos sem sentido, a Embratur (Empresa Brasileira de Turismo) disse que os ataques, aliados ao apagão aéreo, não prejudicam a imagem do país lá fora. Alguém é besta de acreditar nisso?

A notícia dos ataques foi dada em grandes jornais, como os britânicos The Guardian e Independent e o americano The Wall Street Journal.CBS e CNN também noticiaram os acontecimentos. Dizer que 18 pessoas morrem em um dia, em 15 ataques deferidos contra policiais e civis, e ainda achar que isso não reflete negativamente é utopia.

Mas essa mesma Embratur que acha que os ataques são irrelevantes é a que foi contra a exibição do filme “Turistas”, um filme de quinta categoria e que não teve rendimento decente. Acho que há uma inversão de valores. Preocupa-se com o desnecessário e abre-se mão do que é vital. Como tudo nesse país, pois.

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Cidade do Rio de Janeiro 9

Direitos humanos urgem sua aplicação

13/12/2006 por Thássius Veloso Brasil / Opinião

Os direitos humanos são os direitos de cada e qualquer cidadão possui pelo simples fato de sua existência. São sagrados, inalienáveis, inerentes à pessoa que os detêm e estão fora de qualquer poder, político, ideológico ou religioso. Foram estabelecidos num cenário de pós-guerra, em 1948, pela Assembléia Geral da ONU. O objetivo da organização era reforçar e promover o respeito a esses direitos e às liberdades fundamentais.

Diz o artigo 3º que “todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”. Já o artigo 5º afirma que “ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes”. As resoluções, em tese, seriam aplicadas diariamente em nossas vidas. No entanto, não é bem isso o que acontece.

A Constituição Brasileira ratifica esses atos no artigo 5º, no qual declara que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Mais uma vez o direito dos cidadãos é resguardado, desta vez em forma de lei.

A leitura do relato de como uma família paulistana foi morta defronta de forma árdua com as duas declarações que reproduzi acima. Dois bandidos invadem a casa do casal Eliane Silva e Leandro de Oliveira em busca da mulher, que era gerente uma loja. Enquanto mantinham o homem e a criança reféns, obrigaram Eliane a ir até a casa de uma operadora de caixa que guardava os cofres da empresas. Os homens levaram Eliane e a operadora Luciana até a loja, onde roubaram R$ 20 mil.

Após isso os quatro reféns foram levados de carro até uma estrada municipal. Lá os bandidos amarraram Eliane, Leandro, Luciana e Vinícius, de cinco anos, e incendiaram sem qualquer pesar essas pessoas. Eliane e Leandro morreram na hora. Luciana conseguiu se soltar e salvar o filho do casal. Foram levados ao pronto-socorro, mas Vinícius não resistiu à situação – teve 90% do corpo queimado – e morreu. Luciana está internada em estado gravíssimo em um hospital, não divulgado por motivos de segurança.

A família não teve o direito à vida, à liberdade, à segurança, e de não serem submetidos a tratamento cruel, desumano ou degradante. A monstruosidade empregada na hora de assassiná-los nos remete aos relatos de épocas de guerra ou de práticas de milícia. A sensação de grito engasgado, que urge em ser ecoado de forma audível, permanece em mim. Não consigo entender – até porque não há – o motivo pelo qual fizeram isso. Também não consigo entender como esses seres (humanos, jamais) conseguirão dormir à noite, quando lembrarem do que fizeram.

Aos assassinados não houve qualquer chance de defesa. Somente a certeza de que aquele era o fim. Já os dois bandidos serão julgados e certamente condenados. Na penitenciária terão colchão, banho, descanso e alimentação. Ironicamente, gozarão dos direitos humanos aos quais os presos têm; aqueles que se dispuseram a corromper. Tenho convicção de que não terão mais paz. E é possível – e assim espero – que sejam eliminados pelos outros detentos.

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20

Google Adsense e seu uso abusivo

06/12/2006 por Thássius Veloso Internet / Opinião

A internet mundial, e paralelamente a brasileira, vem acompanhando o fenômeno dos blogs há uns quatro, talvez cinco anos. Período recente, é verdade, e que em pouco tempo nos trouxe muitas surpresas. Tudo que é novo demora um pouco para ser absorvido e empregado de forma mais consciente. A exemplo dos discos de dvd, que inicialmente eram rejeitados pelo seu custo. Hoje quem não tem dvd não assiste aos lançamentos.

Os blogueiros escreviam por prazer, diversão ou passatempo. É difícil encontrar um que, há dois anos atrás, ganhasse para escrever em seu blog sobre assuntos dos quais entendia ou queria comentar. E neste segmento, que fique claro, os blogs que os grandes portais vieram a criar depois – como os do G1 ou da Folha – não são considerados. Apenas as pessoas físicas, não atreladas a qualquer empresa, são a temática deste post.

Tudo isso mudou em 2003, quando o Google comprou um sistema de gerenciamento de publicidade: o Adsense. O todo poderoso da internet permitiu, desde então, que qualquer site, blog, ou o que quer que seja, monetizasse – termo amplamente defendido pelo Rodrigo Ghedin – seu conteúdo. Deixo bem claro que não é vender o conteúdo.

A oportunidade foi vista com muito bons olhos. Não raramente já nos deparávamos com páginas apinhadas de anúncios, banners e pop-ups do início ao fim. Uma completa falta de respeito com o visitante, que foi lá em busca de uma informação, e não em busca de anúncios em demasia. Esse comportamento, pensando apenas no lucro, faz o caminho exatamente oposto: uma vez que o visitante não tolera aquele abuso, vai embora e não clica no anúncio. Ou seja, o dono da página perde dinheiro e também uma pessoa que poderia acrescentar comentários.

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Google, Internet, publicidade, web 13

Windows Vista a R$ 500

01/12/2006 por Thássius Veloso Opinião / Tecnologia

Ontem, num evento em São Paulo, a Microsoft fez o lançamento oficial de seus dois principais produtos: o Windows Vista e o Office 2007. Informações distam que 90% dos computadores do mundo usam o sistema operacional da empresa.

Steve Ballmer, presidente executivo (e um dos fundadores) da Microsoft, afirmou que ao menos 20% dos Windows são ilegais. Depois do fracassado WGA – Windows Genuine Advantage –, vem por aí um novo sistema de autenticação para os produtos da empresa. De acordo com notícia da Folha Online, Windows e Office respondem por US$ 3,3 bilhões dos quase 11 bilhões de lucro que a “MS” teve somente no terceiro trimestre deste.Também foi divulgado o valor que o novo sistema operacional terá: entre R$ 400 e R$ 500; estará disponível para o usuário final em janeiro de 2007.

A empresa quer forçar a venda dos seus produtos goela abaixo. Esquece que ao usuário simples, desconhecedor da informática mais aprofundada, um software nunca vai ter o valor que eles cobram. O ataque à pirataria é comum e eu não a incentivo, mas como uma pessoa que ganha trezentos reais num mês vai pagar pelo Windows?

Sem contar que para instalar o Vista todo um upgrade será necessário, pois ele pede recursos além do que é comum no mercado. Ou seja, os próximos lançamentos da Microsoft num primeiro momento não visam à inclusão digital e à maior igualdade tecnológica, mas sim à elite que pode bancar tudo isso.

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Microsoft 3

Livros não saem nem no Natal

29/11/2006 por Thássius Veloso Opinião

Saiu notícia no jornal Folha de São Paulo que dá conta de que somente 17% dos consumidores pretendem, no Natal, presentear com livros. Nos primeiros lugares estão brinquedos, roupas e calçados. Os livros ocupam o sexto lugar na intenção de compra, em pesquisa do Datafolha com 600 pessoas de São Paulo.

A pesquisa serve apenas para demonstrar como, cada vez mais, o país diminui o apreço pela leitura. Este deveria ser um hábito iniciado na infância e que perduraria por toda a vida. É responsabilidade dos pais, claro, zelar por este procedimento.

Mas a leitura não se aplica só às crianças. Os adultos precisam disso, pois é através da leitura que se amplia o vocabulário e quebram-se barreiras, uma vez que estimula a imaginação. A imaginação, além de prazerosa, é um exercício para manter o cérebro sempre em ordem, sem falhas.

Mas a culpa não é toda de quem não compra os livros. Os impostos, absurdos em qualquer setor que não seja assistencialista ou eleitoreiro, aumentam de forma inepta os custos finais. O alto endividamento da população também interfere no quadro: 43% dos entrevistados pretendem usar o 13º salário para quitar dívidas.

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literatura 1

A voz do governo. Digo, Brasil

05/10/2006 por Thássius Veloso Brasil

Sabe quando você está tão “entretido” (para não dizer ocupado) com alguma atividade que acaba esquecendo o que ocorre a sua volta? Acabo de me pegar nesta situação. Desagradável.

Mas pior que essa constatação só mesmo perceber que a rádio que eu supostamente ouvia, ou melhor, usava para encarecer a conta de luz, já tinha finalizado a sua programação para transmitir o programa estatal “A Voz do Brasil”, produzido pela agência de notícias do governo Radiobrás.

Ô programinha chato! Só serve mesmo para falar bem do governo. Fala de IBGE, ministro da Fazenda, Senado, etc etc. E só. De notícia interessante, nada. Claro que cada informação é minimamente pensada para dar a melhor impressão possível do que acontece. [ironia] Nem tem manipulação. [/ironia]

Ainda dizem que querem fazer uma versão para TV desse tal programa. Espero que não. Mas se acontecer vocês podem ter certeza de que a audiência da televisão paga e da internet, no horário em que o programa seria transmitido, aumentaria muito.

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1

Vote consciente

30/09/2006 por Thássius Veloso Brasil / Opinião

Nosso País é marcado pela desigualdade social. Aprendemos desde pequenos, nas aulas de ciências sociais, que são “poucos com muito e muitos com pouco”. E acrescento: mais ainda com quase nada. E é amanhã, na “Festa da Democracia”, que este rumo pode ser alternado. Tanto nos âmbitos estadual e federal quanto legislativo e executivo.

Uma seqüência de números, por mais incrível que possa parecer, pode causar toda essa diferença. São mais de cem milhões de pessoas engajadas em decidir o que é melhor para si e para o todo. Pois somente na hora do voto cada pessoa é única, e seu voto também. Sendo pobre, sendo rico, cada cidadão tem direito a um único voto. A uma única forma de expressar o que sente e o que deseja.

É imprescindível que os brasileiros votemos de forma consciente. Tivemos bastante tempo para analizar propostas e idéias. Tivemos muito tempo para debater planos e candidatos. Agora temos um dia para decidir o futuro da Nação. Nossa sorte somos nós que fazemos. Façamos direito.

* * * * *
No site da ONG Transparência Brasil você encontra a lista dos candidatos que merecem (ou não) o seu voto.

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política 0

São Paulo em crise

15/05/2006 por Thássius Veloso Brasil

Ônibus em chamas. Por Bruno Miranda, da Folha Imagem.

São Paulo está um verdadeiro caos. Diversos ataques ocorreram na capital e adjacências. Coordenado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), é uma represália dos bandidos à polícia porque alguns chefões do tráfico estavam sendo transferidos para penitenciárias mais seguras durante o Dia das Mães.

A revolta iniciou-se na última sexta-feira. Em dado momento estavam em curso mais de 60 rebeliões ao mesmo tempo, com aproximadamente 150 reféns. Na capital houve ataques a delegacias, policiais militares, guardas civis e agentes penitenciários. Infelizmente esta guerra entre a polícia e o poder paralelo gerou vítimas inocentes. Até o momento a informação que se tem é que 15 civis inocentes foram mortos. No total 94 pessoas – número não confirmado – foram mortas.

Ao longo do dia dezenas de ônibus foram incêndios. O medo provocou a retirada de mais de 4 mil ônibus de circulação, deixando mais de 3 milhões de pessoas sem condução. Escritórios, shoppings, instituições de ensino e até mesmo fóruns finalizaram seus expedientes antes do horário habitual. O rodízio de veículos, que nesta segunda-feira não permitiria o acesso de placas finalizadas por 1 ou 2 à região metropolitana, também foi suspenso.

Também ocorreram rebeliões no Paraná e no Mato Grosso do Sul. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, colocou à disposição do Governo de São Paulo 4.000 homens da Força Nacional da Segurança. No entanto o governador Cláudio Lembo recusou a ajuda. Afirmou que a situação estava “sob controle”.

Se a afirmação insana do governador estiver certa, me resta a dúvida: quem comanda a principal cidade do País e terceira maior do mundo?

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São Paulo, violência

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Thássius Veloso

Thássius VelosoCarioca em SP, jornalista, blogueiro. Escreve sobre jornalismo, cultura e televisão, entre outras coisas mais.

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