Capitalism: A Love Story, de Michael Moore

Publicado em 5 de março de 2010 às 14:00 por Thássius Veloso
Assunto: Cinema, Cultura | Leia mais: , , ,

Michael Moore é Michael Moore. Partindo do pressuposto de que o cineasta tem um jeitinho muito próprio de apresentar determinados temas em seus documentários, como o excelente e ácido “Fahrenheit 9/11″ prova, não é de surpreender que em “Capitalism: A Love Story” (Capitalismo: Uma História de Amor em português) Moore mais uma vez desconstrói crenças norte-americanas e prove o quão complicada é a situação daquele país.

Pôster de "Capitalism".

Pôster de "Capitalism".

Como o próprio nome sugere, “Capitalism” é uma produção que versa sobre como esse modelo econômico foi implementado e é executado nos Estados Unidos. Versa sobre a capacidade do cidadão americano de viver para o dinheiro, e como isso pode ser perigoso, principalmente quando o país se afunda em uma crise gravíssima graças à especulação imobiliária, que teve origem na ganância de poucos e na falta de informação de muitos proprietários de imóveis.

Triste mesmo são as cenas em que famílias são expulsas de suas casas depois de terem renegociado a hipoteca. Por quê? Porque anúncios e mais anúncios (tinha que ser culpa da publicidade!) foram feitos nos mais variados meios de comunicação, nos quais bancos afirmavam que ter uma casa é como ter um cofre. Ao negociá-la, você tem dinheiro para gastar no que quiser. Claro que isso não é de graça, juros são inseridos na conta. E quando começa a faltar dinheiro para pagar a hipoteca, bem, você já sabe: começa o efeito em cadeia que deixou a economia yankee em frangalhos.

Mas mais do que mostrar que a situação americana é ruim, Moore dá exemplos de como inverter esse quadro. Como no caso de trabalhadores de uma fábrica de janelas que foram dispensados sem direito ao pagamento que lhes era devido. Esses pobres trabalhadores organizaram uma greve pacífica, negando-se a sair da fábrica enquanto não fossem pagos. O Bank of America, novo dono da fábrica e destinatário de 45 bilhões de dólares em ajudas do governo federal, dizia não ter dinheiro para as compensações trabalhistas. No entanto, o mesmo Bank of America gastava milhões em bônus para seus executivos, que claramente não faziam um bom trabalho e estava no olho do derretimento econômico (foi assim que a mídia americana apelidou a crise).

Com ajuda da cobertura da imprensa local, os trabalhadores chamaram atenção da população, que passou a apoiá-los. Com o passar das horas, congressistas também demonstraram apoio aos grevistas, que ganhavam cada vez mais força. Claro que o banco decidiu pagá-los, não por achar que mereciam, mas por querer evitar que a greve virasse modelo para outras classes de trabalhadores.

Cheio de graça, Michael Moore também grava passagens memoráveis que mostram, com certa ironia, a sua indignação diante do que banqueiros e autoridades financeiras conseguiram fazer com a economia americana. Dê uma olhada:

É isso mesmo, Moore pegou um carro de transporte de valores e foi cobrar os bilhões de dólares de volta, para que o povo americano não colaborasse para mais bônus milionários que dirigentes de bancos ganhariam. Não conseguiu pegar uma nota de um dólar sequer, mas não deixa de ser uma cena simbólica do que mais americanos deveriam fazer.

Em “Capitalism”, o cineasta mostra que a crise era previsível. E que, mais do que isso, outras virão se a América não tiver uma regulação financeira mais forte, como analistas econômicos dizem ser no Brasil. De acordo com Moore, a bolsa de valores de Nova Iorque tornou-se um grande cassino cheio de apostadores. Isso tem que mudar, e ele conta com os espectadores do filme para que essa mudança comece já.

3 comentários

Na minha humilde opinião de economista a crise nos EUA aconteceu pelo simples motivo do frágil sistema bancário, que emprestava fundos para qualquer um.

Esse vídeo é muito bom cara, hahahahahaha.

Michael Moore é que consegue colocar na cabeça das pessoas o que realmente é os EUA, esse filme com certeza vou assistir.

Muito bom esse documentário. Gosto de todos os que Michael Moore assina. É bom para a gente ver como funcionam os EUA, sem antiamericanismo, apenas por fatos. E isso não para condená-los, mas para evitar que sigamos esse “exemplo” que nos é vendido.

O capitalismo puro, tal qual o comunismo, etc. nunca foi um bom negócio. O que me agrada mesmo é o crescimento social, de todos, e o capitalismo por si só não traz isso. Daí a importância do Estado, regulando a economia, protegendo a sociedade, para que o resultado seja um Estado do Bem-estar Social. E há países que mostram que isso não utópico.

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