Chrome OS não é o futuro

Não é de hoje que se fala bastante sobre o tão aguardado Chrome OS, o sistema operacional do Google. Baseado em Linux, ele seria absurdamente rápido e incrivelmente leve, com funcionamento garantido nos mais variados ambientes. Desde o netbook, até o desktop, praticamente qualquer máquina comprada recentemente teria os requisitos de sistema para rodá-lo. Até aí, somente flores. O que nos falta questionar são os motivos que levariam uma pessoa a adotar o novo SO.

O Google vem tentando levar tudo o que usamos com frequência para a nuvem. É assim com o nosso e-mail (alguém ainda usa o Outlook Express?), com as nossas interações sociais, com os nossos documentos. Mas até que ponto isso será possível? Não tenho dúvidas de que há um limite entre o que pode ser completamente baseado no tal cloud computing e o que merece uma atenção especial e um armazenamento local.

No meu caso, por exemplo: não consigo me imaginar usando o Chrome OS no meu notebook. Infelizmente não é a todo momento que tenho conectividade disponível, mesmo em grandes capitais (Rio e São Paulo). E mesmo que tivesse, há dados que eu simplesmente não quero que sejam enviados para a rede. No entanto, faço questão de que todos os meus documentos mais importantes – os da faculdade e os do Tecnoblog (menos os plano de dominação mundial, claro) – estejam sempre com um backup na nuvem, possibilitado por um aplicativo que executa a tarefa automaticamente.

E o que ficaria de fora? Músicas, apenas para exemplificar. Não consigo enxergar uma necessidade para que minhas músicas estejam todas duplicadas, com uma versão em algum servidor escondido em um mega-datacenter. A sincronização com o reprodutor de MP3 é muito simples e a minha experiência não poderia melhorar mais com o streaming das canções.

Tentar jogar tudo na nuvem é um erro do Google. Não temos infra-estrutura de conexão para esse tipo de coisa, muito menos desejo do usuário. Pode até ser que os geeks, nerds e aficcionados por tecnologia adotem o Chrome OS. Já o usuário médio, aquele que usa o Google Docs esporadicamente, adora checar seu Orkut e baixa dezenas de músicas no Rapidshare para depois copiar para o MP3, esse cara não vai ver muita utilidade para o novo sistema.

13 comentários em “Chrome OS não é o futuro

  1. Vc pode usar aplicações web feitas com o html5 mesmo quando ta offline. Eles mostraram isso na Google I/O.

    Então o fato de não ter conexão o tempo todo não é um problema, DESDE que os aplicativos sejam feitos corretamente.

    Com html5 os web apps podem acessar os arquivos do pc, entao vc pode por exemplo navegar por fotos do seu computador por um site, sem nunca precisar upar essas fotos.

    Acredito que o mesmo vá acontecer com música e video. Não é colocar TUDO na nuvem, mas sim uma nova era de programas. web apps funcionam independente do sistema, então o dev pode alcançar todo mundo que ele quiser sem problema.

    A infraestrutura pra cloud computing pode não ser perfeita, mas a Google ta fazendo o push, assim como a apple quando começa a abandonar tecnologia antiga…. uma hora tem que começar.

    Meu unico problema com o ChromeOS… pq não usar o android que ja é uma plataforma e tanto??

  2. Timóteo: O HTML5 até tem uma forma de cache mais avançada. Ainda assim, penso que não será todo e qualquer programa que poderá tirar proveito desse cache.

    Imagine trabalhar em uma apresentação universitária com quarenta slides, dependendo de um cache de navegador para mover fotos e elementos multimídia (como filmes) entre esses slides.

  3. Mas o Chrome OS é um sistema que foca em dispositivos portáteis da categoria de netbooks e (talvez) Tablets. Apesar de ele colocar as apps na nuvem, acredito que os usuários poderão salvar seus arquivos localmente. Senão comofas com o HD de 160GB que veio no netbook? Joga fora?

    Quem vai querer “instalar” mesmo o sistema serão somente os nerds, óbvio. Mas isso não é diferente da nossa realidade atual, você não vê uma pessoa “comum” pensando em formatar o PC. Acho que a jogada aí é o sistema já vir instalado no dispositivo.

    Plus: eu diria que jogar um sistema de nuvem em um dispositivo móvel é ainda mais estúpido já que é mais fácil ter conexão em casa do que na rua. Mas isso é a realidade brasileira. Melhor dizendo, isso é a realidade atual, estamos caminhando para mudar isso.

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  5. O problema de privacidade num sistema operacional nas nuvens esbarra no mesmo problema que barra o conceito de web colaborativa: Vai ter sempre algo que o ser humano não vai quer compartilhar.

    Ao contrário do que o fundador do Facebook pensa, vivo na pele e entendo que “privacidade também é importante, por**!”

  6. Você está analisando a questão com a cabeça em 2010. Acredite: até a Microsoft tem planos de levar dados para a nuvem, começando no Windows Live Sync da Wave 4. Arrisco dizer que já no Windows “8″ teremos algo mais elaborado nesse sentido.

    Hoje a Internet ainda é um serviço não essencial, por vezes indisponível e de qualidade duvidosa. Daqui a alguns anos, será tão eficiente e constante quanto água e luz, e rápida, muito rápida.

    Também não me vejo dependendo exclusivamente da nuvem, mas já me sinto confortável com a ideia de replicar num servidor Web todos meus arquivos, em tempo real. O HD, que há anos empaca o desempenho dos PCs, vai ficar menos importante, bem como o próprio PC usado, afinal, tudo está sincronizado, na nuvem, acessível a partir de qualquer conexão.

    E sim, usaria um Chrome OS numa boa, não como ferramenta principal, mas para navegar, responder e-mails e bate-papo, deve ser o máximo.

    []‘s!

  7. Ghedin: Se você diz que não usaria o Chrome OS como ferramenta principal, já foge do meu propósito com o post: mostrar que o sistema, do jeito que está, não serve para uso cotidiano.

    E tenho um dado que corrobora a problemática de deixar tudo na rede: a capacidade de transmissão de dados mundial está chegando no seu limite. Não é errado dizer que, em algum momento dos próximos anos, vai-nos faltar banda (assim como é certo que, em algum momento, o trânsito de São Paulo vai parar). O pior é que os grandes responsáveis pela infra-estrutura global de internet ainda não se mostraram dispostos a investir as dezenas de bilhões de dólares necessárias para melhorar a situação.

  8. Thássius: O trânsito vai parar SE ninguém fizer nada. O mesmo vale para a teoria de faltar banda…

    Sobre o Chrome OS, acho que o ponto que o Ghedin defende é o mesmo que o meu: ele não foi feito para ser usado como sistema principal, então não faz sentido analisar ele dessa forma..

  9. Thássius O Chrome OS está sendo criado para rodar exclusivamente em netbooks. Isso já dá uma ideia de que, não, não é o objetivo dele ser o OS principal de ninguém.

    E acreditar no colapso da Internet… Poxa, Thássius, você me decepciona :-D . Com a importância que ela tem hoje, não só nos círculos geeks, mas para todos, do mais singelo cidadão até o mais importante órgão governamental, acha mesmo que, num caso extremo, as potências do mundo deixariam a Grande Rede minguar?

    []‘s!

  10. Thássius: Olha só, eu não entendo tanto de informatica, mas com base naquilo que mostraram na Google I/O (denovo ela) vai ser assim.

    Vc trabalha em todo o seu projeto, da mesma forma que faria com um app para o desktop, e quando for a hora de salvar ele é salvo online.

    Essa nova leva de webapps TEM que funcionar da mesma forma que um programa pro desktop, essa é toda a idéia por trás do chrome OS.

    Se o chromeOS ja vir com um player de musica e video eu usaria ele numa boa. No meu pc o firefox ta sempre aberto em tela cheia, as unicas outras coisas que rodam nele são winamp e jogos =p

  11. Querido Thaz,

    Acredite: algumas pessoas ainda usam o outlook express! Principalmente no trabalho: eu, por exemplo…. outlook logado na intranet! Um pouquinho de pesquisa ajuda na hora de elaborar um texto com tanta opinião, meu caro…

    Quanto a ficar com arquivos duplicados, bem, às vezes é necessário ou mesmo inevitável: eu tenho um notebook e um netbook. Então alguns arquivos mais vitais estão duplicados… e é claro, as minhas músicas estão nos dois…. E sim, às vezes as pessoas são irracionais a esse ponto!

  12. Sinceramente, a Google não está pensando em nós brasileiros que não tem conexão em muito lugares essenciais, mas sim nos países desenvolvidos, aonde a internet já é algo muito além.

    Acho que o Chrome OS vai vim para ser mais uma opção e pra quem já usa todos os serviços Google então, vai ser uma mão na roda.

  13. Pelo jeito esse post serve bem como aquelas opiniões ou previsões de certas coisas que, depois de lançadas, se mostram bem diferentes daquilo que a gente pensa num momento como esse, quando o Chrome OS não é nada além de umas versões pré-betas rodando em torrents por aí, ainda não totalmente funcionais.
    Acredito que o Google não estaria investindo tanto tempo e dinheiro em tecnologias dentro e fora do Chrome OS (como no HTML 5 no Youtube e melhorias no offline do Docs, por exemplo) se não fosse para simplesmente deixar a internet, da maneira como conhecemos, algo como uma ideia distante. Tipo como a vida antes do twitter.
    O caso é que mesmo músicas, como vc citou, nem precisarão estar no HD físico do computador. Hoje já existem tantos sites que permitem o streaming suave de músicas com qualidade bem ok, tornando desnecessário baixá-las. Com o HTML 5 e seu poder offline talvez não precisemos mais tê-las em forma de arquivo. É uma possibilidade. E é nisso que ainda entra o armazenamento local, pra alocar o cache do HTML 5, que diferente de hj não precisaria de inúmeros Terabytes pra tudo fazer sentido, um flash drive seria o bastante.
    E isso aponta para o futuro da computação: aparelhos cada vez mais móveis, com espaço em disco para apenas o necessário e muito poder na web, substituindo grande parte daquilo que fazemos cotidianamente num computador. Empresas, por exemplo; pq elas ainda gastariam tanto em computadores com armanezamento grande e processadores relativamente caros para serem as máquinas dos funcionários, que vão usar e-mail, Word e Excel, em sua maioria? Haverá um sistema levíssimo, com consumo mínimo, que terá tudo na nuvem e ao mesmo tempo offline, sem precisar de grande armanezamento. O custo é bem mais baixo que ter que comprar uma máquina com Windows, HDs que serão subutilizados e que dentro de dois anos estarão ultrapassadas. Vejo o Chrome OS contrapondo tudo isso, mas não só para empresas. A princípio ele pode ser imaginado para netbooks, mas não temo em apostar que em pouco tempo ele estará dominando os desktops também, conforme ele for evoluindo.
    Mas é claro que eu posso estar redondamente enganado, alimentando uma ilusão. Desculpa se eu exagerei na construção do pensamento, hehehe.

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