
Post especial » Micael Silva* trabalha com vídeo há dez anos. Ele conta nesse post o que aprendeu sobre TV depois que começou a trabalhar nela.
Já na pré-escola, não tinha jeito, já tinha nascido com o parafuso do juízo solto: em vez de desenhar casas, sóis, árvores ou nuvens, eu sempre desenhava um aparelho de TV, com os detalhes de onde cada coisa se conectava. O tempo passou, mas a minha queda pelo assunto não, e fui me metendo nesse mundo.
Tenho já quase dez anos trabalhando com vídeo, mas só há menos de três anos botei meus pés no que se pode chamar de emissora de TV de verdade. Não posso dar nenhuma aula nesse assunto, mas posso mostrar algumas dicas de coisas que você precisa saber sobre esse meio, com diploma ou não.
Um assistente pode salvar o mundo. Se não o mundo, pelo menos a transmissão. Ou, na pior das hipóteses, o emprego de todos do seu departamento. Já vi muita gente torcendo o nariz para esses títulos aparentemente pouco nobres como “assistente de cinegrafista” ou “assistente de estúdio”, mas ao contrário do que parece, não são funções desimportantes. A falta delas pode significar a diferença entre o melhor programa do ano ou um completo fiasco ao vivo. Destaque especial para os assistentes de estúdio, verdadeiros anjos da guarda de qualquer apresentador e literalmente o único acesso dele ao mundo real.
“Sem fita adesiva a televisão não existiria”. Essa frase é de um ex-chefe meu, mas que só com o tempo consegui entender o quanto é real. Fita segura cenário, cabo, tripé defeituoso e mil e uma outras gambiarras de última hora quando as lojas estão fechadas (ou até para “conter” um entrevistado falante demais, como último recurso). Tenha sempre consigo, mas tenha bastante. Uma pequena produtora bem ativa pode consumir tranquilamente três rolos de fita em um mês.
Elogiar é preciso. Não sinta vergonha de elogiar alguém que fez um belo trabalho. Isso não exalta o ego de ninguém, pois todo trabalho televisivo é um esforço de equipe. Até porque se aquela pessoa estivesse fazendo apenas pelo próprio ego, com certeza o trabalho não ficaria tão bom. Feedback é sempre preciso, mas críticas sempre vêm na hora correta e nem precisamos pedi-las para que apareçam. Mas frequentemente nos esquecemos de elogiar algo que merecia.
Brigue com seus travesseiros, não com a sua equipe. Não digo isso como uma orientação de vida zen, mas pela real importância disso na vida real. Stress e pânico são altamente contagiosos numa equipe, e quanto maior é a sua posição de liderança dentro dela, maior se torna o poder de contágio. E conforme o grau de stress e pânico vai subindo, a quantidade de erros também sobe. Sendo assim, lembre-se sempre de segurar suas emoções negativas e fazer como os pinguins do filme “Madagascar”: Sorria e acene!
Para cada pessoa que aparece no vídeo, cinco trabalharam sem ser vistas. Por isso nunca ache que você está ali porque é bom, bonito, inteligente e por méritos próprios. Alguns até pensam assim, mas todos sabemos que eles nunca acabam sendo grande coisa na vida. Você depende de muitas outras pessoas, que estão fazendo diferentes funções, mas com um objetivo em comum: contar histórias, reais ou de ficção. Por isso você é um meio e não a mensagem.
*Micael Silva, que não assina o sobrenome Magalhães para não ser confundido com um ladrão, herdou desse sangue português o gosto por ideias loucas e por ir a fundo de tudo quase que literalmente. É a cabeça (oca?) por trás do Radiorama Brasil. Também está no Twitter: @micaelsilva.
Olá!
Seu post virou destaque na home do BlogBlogs :)
Abraços
Fernando Lima
BlogBlogs
http://blogblogs.com.br
Muito bons esses aprendizados da vida profissional, né? Adoro televisão e, embora não conheça os bastidores, imagino qual a importância de um assistente, de uma fita adesiva, de um elogio. As pequenas coisas podem salvar os maiores projetos.
Abraços o/
Gostei muito do texto! Eu que pretendo fazer jornalismo em breve vou tirar bastante proveito desse seu post.
Parabéns.
Algumas dicas valem muito mais do que somente à quem trabalha na TV.
Saber trabalhar em grupo e saber dividir as “glórias” do projeto, é essencial.
Parabéns pelo post!
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