Vivemos na Era Digital. Nossas comunicações são baseadas quase que totalmente nas famosas fibras óticas, cabos que levam e trazem os dados que trafegam pelas redes (seja de telefonia, seja da internet propriamente dita). Com isso nos tornamos dependentes de programas que façam a interlocução entre nós e o nosso contato. São os instant messenger, encabeçados pelo super-disseminado Live Messenger (antigo MSN) no que tange o textual e pelo Skype quando o assunto é áudio.Esses e outros softwares facilitam bastante a nossa vida, dando à rede um caráter mais humano. Quão chato não seria poder usufruir de bilhões de páginas (Google que o diga), se não pudéssemos dizer o que achamos de interessante ou curioso a uma pessoa que também está na frente do computador naquele momento? Seria um saco. Mas mais chato que isso, ao menos para os orkutistas, seria ficar sem poder exibir aos outros o número de perfis que mantém, devido à enorme quantidade de miguxos e miguxas que add esta criatura.
Contudo, esse novo tipo de comunicação nos trás também (lógico!) mais um problema: a contextualização mal feita. Contextualizar é necessário; sempre foi. Na comunicação virtual se torna mais ainda pois se isso não ocorre eficientemente, a pessoa do outro pode considerar uma coisa como outra. E essa confusão pode trazer danos irreparáveis a ambas as partes.
Tome como exemplo uma conversa de um homem com uma amiga antiga. O papo esfria um pouco e você retorna à sua leitura diária de feeds. De repente esse contato muda a foto, para uma mais sensual, demonstrando os “dotes” da menina. Você, então, numa sacada única, manda: “Safada!”. Dependendo de quem for, pode até agradecer pelo elogio. Mas a maioria das mulheres iria se zangar com tamanha indelicadeza (leia-se “cara-de-pau”). Quem perde é você, pois ao invés de ser bem recebido, acaba com o rótulo de tarado.
Já no mesmo cenário, se ao invés do simples “Safada!”, você tivesse mandando uma mensagem com o conteúdo “Safada :p Gostei da foto!”, o “:p” seria substituído (no Live Messenger, pelo menos) por uma careta com língua de fora. Isso naturalmente amortece o teor da frase. O posterior “gostei da foto!” termina de contextualizar. Você não será mais considerado um ninfomaníaco, e se bobear ainda corre o risco de ela mandar mais fotos calientes.
Ou seja, a questão da interpretação depende da pessoa que está recebendo a mensagem. Se você não conhece por completo a pessoa ou está na dúvida se uma única frase será suficiente para o entendimento, o melhor é gastar mais palavras para criar um ambiente propício a tal declaração. Não é possível determinar como o interlocutor está se sentindo no momento, se parece bem ou se irritando. Portanto, um recado que seria banal acaba por se tornar fruto de uma grande discussão.
Contextualizar pode até ser mais complicado, quanto mais considerando nossa necessidade de fazer mais coisas em menos tempo, mas assim não corremos o risco de perder um contato, ou pior, gerar um desafeto. Seria desagradável para os dois. E, anote o que escrevo, nem sempre cartões virtuais com desculpas ou testemunhos de Orkut bem escritos finalizam a intriga.
O mais difícil mesmo é a ironia, eu mesmo por algumas vezes já deixei de “captar” algumas.
Já com o Skype a coisa é um pouco mais fácil, sonoramente falando.
Nossa, Thássius, as pessoas do seu Live Mess são meros contatos?
PS: Excelente post, botei no seu cofrinho! Rsrsrsrs
Ora ai está uma coisa que eu já discuti bastante, até chegar a uma conclusão muito simples, a escrita numa é capaz de transmitir o “tom” com que você quer dizer as coisas, e por vezes torna-se complicado, dependendo sempre de quem está a ler o que você escreve. Já tive algumas complicações devido a más interpretações devido a inexistência do tal “tom” que a escrita não tem.
Bom post Thássius…
Interessante, vou pensar nisso!!!
Hummm !!!
Fui!!!
Como diz a mulherada: “Abafa!”
Eu chamo pessoas escuras de “preto” , morenas de “morenas” e brancas de “brancas” …
existe uma exigência para o uso da palavra “negro”, mas onde eu fui criado, preto é preto… ora, a cor preta é preta !
Por isso, chamam-me de preconceituoso nos comentários ! ! !
Uma vez eu vi uma reportagem, na qual ensinavam como devemos nos expressar através de e-mails, bate-papos, MSN e afins.
Lembro só de que quando escrevemos com LETRA MAIÚSCULA (segundo a reportagem), sugere que estamos nervosos ou gritando (como assim?). Dizia ali também pra não semos muito informais nessas conversas, evitando usar palavras abreviadas como “vc”, “pq” e outras tantas, quando estivermos falando profissionalmente.
Bom…
Sabemos que tudo depende do grau de amizade/intimidade que temos com a pessoa com a qual estamos falando.
Tive um contato uma vez, que não me entendia de maneira nenhum. Tivemos, por isso, discusões memoráveis. Tanto que fui obrigada a excluí-lo da minha lista.
Taí uma outra coisa boa desses tipos de serviços de converça on-line: Você pode excluir quem te chateia. Excluir e bloquear. E fim.
É isso.
beijos
converça é de matar… desculpe.
leia-se conversa.
Aquino,
Acho que isso vai depender bastante, como você disse, da forma como a pessoa foi criada. Nos EUA os afrodescendentes (!) são chamados de “black”, ou seja, “preto”. Não tem essa de “negro”, até porque nos Estados Unidos o preconceito é mais explícito e debochado.
No seu blog você deveria esclarecer o porquê do uso da palavra “preto”. Assim as pessoas entenderiam que é uma questão cultural/regional, e não de preconceito. Pelo menos esperaria que entendessem! xD
Li,
Não sei de onde veio essa história de que escrever em caixa significa estar gritando. Acho que porque a escrita somente em maiúsculas se impõe sobre quem está lendo, e acaba tendo este efeito não muito agradável.
Mas também pode ser usado para frisar uma informação, como você mesma fez – e muito bem – no seu comentário.
Concordo quanto ao uso de abreviações em contatos profissionais. Por isso que muita gente mantém um e-mail profissional e outro pessoal no messenger. Assim não tem como confundir (ok, eu me confundiria).
Ainda não cheguei ao ponto de excluir um contato devido a “problemas de comunicação”, mas tive sim algumas brigas nas quais a outra pessoa deixava de falar comigo por um bom tempo.
Experiência própria ou insight divino?
;P
DO QUE VOCÊS ESTÃO FALANDO!?!?!?!
“CAIXA ALTA” NUNCA SIGNIFICOU ESTAR GRITANDO CARAMBA!!!
Não importa quantas palavras você escreva,
se falar será sempre mais simples, fácil, e rápido!
Luiz Claudio,
O que tu disse é uma verdade. Me lembro daqueles filmes futuristas nos quais há um escritório com vários monitores, e um deles é sempre o responsável para que a pessoa estabeleça contato com parentes e amigos, através de áudio e vídeo. Na internet isso já é possível, no entanto não é para qualquer computador nem qualquer conexão. Mas não acredito que estamos tão longe daquelas cenas.
Parece-me que é seu primeiro comentário aqui. Agradeço e espero que volte mais vezes.
Embora eu ache que isso venha a demorar um pouco, creio que os emoticons serão adotados como pontuação válida. Mas isso é pensar muito à frente…
Abraços :-)