Crítica: Distrito 9

Publicado em 12 de Outubro de 2009 às 23:00 por Thássius Veloso
Assunto: Cinema, Cultura | Leia mais: , ,

De vez em quando aparecem uns filmes que prometem um ponto de vista completamente novo sobre determinado assunto, ou pelo menos uma forma nova de apresentá-lo. Distrito 9 (District 9 em inglês) é um desses filmes.

Veja se a premissa não é interessante: uma enorme nave espacial surge do nada cheia de aliens dentro. Nova Iorque? Paris? Não senhor, essa nave vai parar na pobre região de Johannesburgo, na África do Sul. Bem que esses ETs podiam ter escolhido um lugar melhor para ficar.

De uma forma completamente desconhecida, os aliens começam a sair da nave – essa sim fica planando sobre a cidade por décadas. Descobre-se, pois, que muitos deles estão famintos e enfermos. Em vez de propor a paz intergalática (ou destruir nosso planeta), muito pelo contrário: os extra-terrestres precisam mesmo de ajuda.

O interessante dessa história toda é que uma organização internacional é formada para transferir os aliens de lugar. Do centro de Johannesburgo, eles devem ir para uma região mais distante, onde poderão viver em paz. Entra em cena Wikus, o responsável por pela operação. Por sinal, um sujeito irritantemente atrapalhado que consegue estragar tudo.

Contar mais de Distrito 9 seria estragar a surpresa de quem assistir ao filme. Sem atores conhecidos, o filme explora um ponto de vista deveras interessante: e se os aliens pedissem ajuda para nós? No caso do filme, em plena África, o que vemos é um novo apartheid acontecer, dessa vez segregando humanos e “não-humanos”.

Distrito 9: possivelmente os aliens mais feios que você já viu.

Distrito 9: possivelmente os aliens mais feios que você já viu.

Não sei quanto a você, mas o final – calma, não vou contar – do filme não me agradou. Não totalmente. O que fica é aquela sensação de que um monte de perguntas ficaram em aberto. Mas o que aconteceu com ele? Os aliens sobrevivem? Só para citar algumas. O fechamento da história poderia ter sido feito de uma forma mais completa, para que não ficássemos com a impressão de que faltou algo.

Também me irrita um pouco a câmera nervosa do ínício do filme. Explico: em tese, Distrito 9 seria um documentário sobre a chegada dos aliens. Ou seja, durante o começo do filme é muito comum aquela câmera que esteve presente durante todo o Cloverfield. O estranho é que, conforme a história se desenvolve, a câmera subjetiva começa a rarear. Podiam ter decidido entre o modo convencional de gravar ou o modo Cloverfield/Bruxa de Blair.

Distrito 9 peca quanto à sua distribuição. Não que o filme estará presente em poucas salas de cinema, pois certamente estará. O problema é que, assim como Up, Distrito 9 estreará no Brasil dois meses depois da estréia ter ocorrido nos Estados Unidos. Lembro de uma época em que lançamentos cinematográficos eram eventos mundiais. Ultimamente os estúdios estão voltando com esse atraso irritante. O motivo de tal decisão continua sendo uma incógnita para mim.

De qualquer forma, corra para o cinema em 23 de outubro 16 de outubro e assista a Distrito 9. Mesmo com os problemas que eu apresentei nesse post, continua sendo um filme que vale à pena ser assistido na tela grande.

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8 comentários

Acho que o problema de distribuição foi por conta do Festival do Rio. Possivelmente algum burocrata linkou contratualmente a exibição do filme no Festival e o resto do Brasil ficou na mão. No mais, também fiquei meio zonza com a câmera constantemente em movimento. Pelo que entendi os humanos resolveram entrar na nave porque ela estava estagnada há um bom tempo e lá dentro encontraram os aliens doentes. Eles foram trazidos para o solo para serem alimentados em assentamentos e deste assentamento surgiu o Distrito 9. Sobre o final, tenho uma interpretação diferente, mas não posso discutir aqui sem lançar spoilers. Mas eu gostei. Muito. Como há muito tempo não gosto de um filme de alines.

Onde vocês assistiram o filme? Podem me esclarecer tal questão, visto que só estréia em 23/10. Onde?

Att.
Marcus
marcus.monteiro.jr@gmail.com

Eu assisti na pré-estreia do último domingo no Roxy, visto que sou uma pessoa bem informada que viu a divulgação, comprou o ingresso e foi com os amigos. Esclarecido o suficiente?

Marcus: Alguns cinemas já começaram a exibir Distrito 9, mas em horários muito restritos e por um preço elevado.

Aqui na minha cidade…e é interior, estreiou dia 16/10…temos o GNC Cinemas aqui…

Ao dono do post…se puder me ajudar a esclarecer alguma coisa do final, ou ficaremos mesmo sem dúvidas…fiquei perdida =P

******* SPOILER *******

Peraí, como assim o final ficou mal-esclarecido?

Tendo como ponto de vista de um documentário, o paradeiro final do procurado ser totalmente desconhecido, é algo mais do que esperado.

E o que aconteceu com os outros camarões? Movidos para o Distrito 10.

Quantas vezes você viu esse filme? Ou tu saiu antes dele acabar? :|

Vejo várias críticas dizendo que o filme tem um final ruim ou mal expressado, pra mim pareceu bastante claro (apenas opinião minha).

Spoiler:

Se o cara tava se mutando o filme inteiro, se uma flor de sucatas parou na mão da pessoa querida e se no fim um camarão estava montando algo em sua mão que seria a tal flor, lógico que o protagonista se transformou totalmente, está vivendo na colonia e foi ele quem de alguma forma deixou a flor para a pessoa querida e que isto gera espectativa (não sei se é isso que os produtores querem fazer ou não) de uma continuidade da volta do camarão que fugiu com a nave (os tais 3 anos) para desmutar o cara e fazer algo em relação ao restante de sua raça na terra.

Exatamente Leo de Blu. E o final não poderia ser diferente, pois do contrário, ou o filme teria mais uma hora de duração (no mínimo) ou um final meio as pressas, já que se propos a resolução de dois problemas: curar o protagonista e levar quase 2 milhões de aliens de volta pra casa.

Bom, eu e meu pessoal adoramos o filme, justo por ser uma estória de aliens um tanto inusitada. Não é a toa que a crítica o considera “um dos filmes mais criativos dos últimos anos”. E não é para tanto, já que estamos vivendo em um tempo de regravações e heróis renascendo do passado.

^^

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