Enquanto uns se lixam, outros lincham

Nós cariocas fomos surpreendidos na tarde de ontem com imagens de um sujeito que tentou assaltar um ônibus da linha 583 (que faz o trajeto Cosme Velho-Leblon) com uma pistola de brinquedo. Assim que os passageiros do ônibus perceberam que a arma não era de verdade, passaram a atacar o meliante com chutes e murros, num ato de violência descabida.

Assim que o ônibus parou em um dos pontos de descida de passageiros, o assaltante foi conduzido para fora do veículo ainda levando pancadas. Tentou fugir, mas as pessoas que estavam na rua se mobilizaram para pegá-lo e continuar a tortura física até a chegada dos policiais, que o prenderam.

Embora seja revoltante saber que um vagabundo tem a ousadia de ameaçar as pessoas com uma arma de brinquedo, manter a compostura é fundamental. Ora, é claro que a possibilidade de fazer justiça com as próprias mãos se torna sedutora nessas horas, mas imaginemos se fôssemos resolver todo e qualquer conflito dessa forma. Já estaríamos em guerra civil, na melhor das hipóteses.

A instituição Justiça está aí e deve ser respeitada. Uma vez que o homem já havia sido dominado e era questão de tempo até a polícia chegar, tornou-se completamente desnecessário agredi-lo. A sabedoria popular é muito clara nesse sentido: “Violência gera violência”. No dia em que a atitude dessas pessoas se tornar comum no Rio de Janeiro, estaremos em um círculo vicioso que nos levará ao caos e ao fim do que nós podemos chamar de convívio social.

É difícil ser cidadão, respeitador das leis, numa cidade violenta. Mas essa ainda é a melhor opção que nós temos.

Reprodução TV Globo

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As imagens gravadas com celular são repulsivas. O que me causou mais angústia foi ver dois idosos sendo derrubados enquanto o bandido tentava fugir do ônibus. Todo mundo sabe que queda é uma das maiores causas de morte entre idosos, por isso a preocupação.

4 comentários em “Enquanto uns se lixam, outros lincham

  1. Sabedoria popular?

    O que mais se ve no jornal qd tão prendendo é o povo doido pra bater no sujeito(s).

    Esse povão quer reclamar da violencia no pais, isso e aquilo, mas é a mesma pessoa que nem pensa duas vezes antes de dar um tapão na mulher, sair brigando com alguem no bar… Ou linchar um bandido que ja foi imobilizado a tempos, sem nem se preocupar em que ta apanhando junto.

    Pow, o cara ali ta enforcando o assaltante, quer virar assassino por acaso?

    O cara devia ser preso por tentativa de assalto e eles por tentativa de homicido e agressão. E reclamem o quanto quiser, ninguem mandou eles surrarem o outro.

  2. Se é pra descer do muro então vamos lá: concordo com a reação dos passageiros. Sei que isso não serve de exemplo aos demais criminosos, porque eles vão rir do fato, taxar esse cara de mané e continuar sua carreira no crime. Mas também não dá pra ficar alheio, passivo, assistindo toda a violência sem se manifestar. Acho que quando surge uma oportunidade como essa a sociedade tem o direito de revidar.

    Minha única ressalva é que qualquer tipo de reação é sempre perigosa. Ele poderia ter um parceiro na rua que poderia estar com uma arma de verdade ou mesmo ter uma faca ou qualquer outra coisa do tipo, o que exporia os passageiros a um grande risco.

  3. Realmente, as pessoas não tem o direito de se revoltar, não senhor, o importante é ficar bem passivo e deixar-se violentar dia após dia, afinal se estão no ônibus provavelmente são de alguma elite branca golpista.

    Já os que tacam fogo em ônibus cheios de gente tá beleza, né!?!?!

    Estou morrendo de pena desse coitadinho aí que apanhou… Realmnente o inocente só quis roubar uns trocados de gente rica, na certa vai chegar e já vai ser solto pelo juiz, com toda razão.

  4. Pingback: Meu Google Reader | 30 & Alguns

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