O Rodrigo Ghedin, editor do blog WinAjuda e futuro advogado, levantou em seu blog pessoal “Rodrigo Ghedin” uma discussão bastante interessante acerca de como uma instituição de ensino deve cobrar disciplina do aluno.

Ele cita a irmã dele – coitada dela – como uma reclamona em relação ao curso de inglês, pelo qual ela paga. O curso tem uma política muito rígida. Em resumo: “o principal argumento que ela utiliza contra a política é o de que ela está pagando, logo, tem direito a faltar, deixar de fazer as atividades, cometer esse pequenos atos de rebeldia e/ou preguiça”.
Comentei com o Ghedin por e-mail e quero dividir com vocês a minha opinião. Eu acredito que fazer um controle rígido, com mão de ferro a la Thatcher, é algo que tem muito mais chances de não funcionar que de funcionar. Quando aluno é cobrado demais, além da conta, num ambiente inflexível, ele se revolta.
Sem falar que as regras impostas pelo curso podem gerar mal estar e, conseqüentemente, má vontade do aluno. O aprendizado vai por água abaixo. Vejo a mim mesmo como um exemplo: no curso de inglês, nunca tive o hábito de freqüentar assiduamente todas as aulas, em especial quando já estava para concluí-lo.
Também nunca gostei de participar das aulas de revisão. Preferia fazer minha revisão particular e geralmente estudava em cima da prova. Voltava do colégio lendo o material ou às vezes sendo questionado por uma amiga que fazia o caminho junto comigo. Depois de passar em casa, seguia para o curso. Sempre deu certo. Acho que essa é a forma de aprender com a qual me familiarizei e me sinto bem. Impor a mim a mão de ferro certamente não funcionaria.
Cada caso é um caso, mas um mínimo de flexibilidade sempre é necessário. Ou acaba tornando o estudo algo chato. Não é o meu caso ou do Ghedin, mas não bastasse o ensino público regular ser ruim, ainda ser chato? Aí mesmo que os alunos vão fugir (e com razão) da escola.
Qual forma você acredita que funciona melhor para você aprender? Cobrança durante todo o tempo; liberdade para definir quais atividades prefere; liberdade total com apoio dos professores; é autodidata, então pouco importa o modo porque você se vira em casa? Não esqueça de deixar seu comentário.
- foto encontrada no Flickr de Svenwerk.
Oi Thássius! :D .
Rebato seu argumento (e, conseqüentemente, defendo o meu) questionando a você como anda a educação pública no Brasil. Nos últimos anos, escola pública virou faz-de-conta, já que todos passam de ano para inflar o IDEB, independentemente de terem obtido as notas mínimas, ou o conhecimento que se espera do aluno no fim do ano letivo.
Outra: curso superior de Direito, principalmente em instituições privadas. É fácil, e, pagando, se passa de ano com dezenas de faltas, sem obter a nota mínima para tal. Colegas de sala que não sabem nem o que é uma reconvenção (nome estranho, mas básico para um bacharel) estão aí, prestes a se formar. E para quê? Para fazer coro aos que ficam anos estudando e não conseguem passar no Exame da Ordem (e tomara que eu não morda a língua e reprove quando fizer o meu :D ). Se a instituição apertasse os alunos, aprenderíamos melhor, e esses alunos perdidos reprovariam, e nessa, pensariam melhor se vale a pena mesmo enganar a eles mesmos e continuar pagando por algo que, definitivamente, não está valendo a pena, ou procurar outro curso.
A educação não precisa ser feita a mão de ferro, mas deve ser disciplinada. Também sou adepto do método que você citou (estudar na véspera), e sempre me dei bem. Estou certo? De maneira alguma! Se dessa maneira eu consigo bons resultados, imagine se estudasse tanto quanto deveria? Seria laureado no fim do curso, certeza…
Eu pago para aprender, e se o método é rígido, e eles me garantem que eu de fato aprenderei, de duas, uma: ou concordo e aprendo mesmo, nos termos deles, ou caio fora. Uma coisa eu garanto: aprendo inglês com mais facilidade e qualidade do que (tento aprender) Direito :) .
[]‘s!
Aqui na UEL, o método da medicina é o PBL, onde a quantidade de aulas é menor e o estudo se concentra, basicamente, na resolução de problemas expostos em grupos tutoriais.
Acho essa a melhor forma de estudo, afinal na nossa vida não teremos um roteiro, um professor, uma apostila certa pros problemas que vamos enfrentar. Teremos que nos virar, montar nossos horários, fazer nossas decisões.
Mas a questão da flexibilidade só é problemática quando existe um contra-ponto: o quanto o aluno quer aprender? Nem todo mundo sabe o que fazer com sua liberdade, e talvez seja por isso que um pouco de disciplina nunca é ruim.
Mas, comigo, disciplina só serve pra ser confrontada, não funciono sob regras.
Eu sou da seguinte opinião: quando se quer aprender, seja qual seja o método, o aluno aprenderá.
E APRENDER passa longe do tirar nota boa na prova ou avaliação. Isso aí é meramente uma tentativa de quantificação do saber do aluno, mas que é difícil dizer se de fato ele aprendeu ou não. E quanto mais massificada for essa quantificação, mais difícil será essa avaliação.
Por isso, duvido muito que alguém que estude de véspera aprenda algo. E se aprendeu alguma coisa, foi mesmo é como se dar bem no sistema de avaliação adotado.
No meu caso depende do quanto eu estou interessado ou do quanto eu necessito de estudar, se não já era. Estudo em véspera de provas, mato aulas e todo o pacote. haha
Bom, para mim nunca funcionou muito estudar… até porque eu sei sei como se faz isso.
Presto atenção nas aulas (e nisso acho que sou bastante “caxias”), leio os textos (alguns com mais afinco do que outros) e eventualemente faço uma “revisão comunitária” no dia da prova mesmo… (com o pessoal que tá doido tentando ver se consegue apreender algo na hora).
Confesso que em algumas provas eu faço parte da comunidade “Faço prova sem estudar” e meu CR até hoje não foi menor que 9,5.
Concordo com a fala de que “quem quer aprender, aprende”. Se o aluno não tá afim, não há como. Aprender e ensinar é uma via de mão dupla, sociedade 50-50. Onde cada um deve saber o quanto se esforça.
Enfim, é isso.
Acho que cada um deve achar seu jeito de estudar. Nem que tenha que criar seu próprio método. A vida é simples, as pessoas é que complicam.
(hum, acho que agora falei demais…)
Errata:
Onde se lê: “até porque eu sei sei como se…”; leia-se: “até porque eu NÃO sei como se faz isso”.
Opa Thassius!
A própria idéia de um “método d estudo” é por si s obsoleta :-) Pessoas são diferentes, tem ritmos diferentes, motivações diferentes!
O que eu penso é que a escola/curso/etc… deve oferecer oportunidades diferentes de aprendizagem!
Daí a pessoa se adequa aquele que mais se aproxima do seu jeito/estilo!
E na era da informação, estudar sempre (não de véspera) deve ser a regra, pelo menos para aqueles que não querem ser apenas mais um número nas estatísticas!
abraços
Estava navegando ai na net e por conhecidencia loguei nesta pagina.
Hoje em dia no brasil, o que vejo mais de errado é o aluno, infelizmente. Por que nós estudantes sempre temos maior interesse em passar de ano, se formar, ganhar diploma, ganhar reconhecimento, até ai tudo bem, mas aonde fica a sabedoria? Para os alunos da sociedade moderna, principalmente de escolas particulares se importam mais de passar de ano etc, onde se encontra o grande vilão do baixo indice de educação no Brasil.
Professores deveriam tomar uma atitude quanto a isso, deixar a corrupção de lado e se tornar realmente profissionais qualificados.
Nada mais.
Muito interessantes mesmo todos esses comentários, a proposta da discussão, a própria estrutura de comentários, acho legal isso.
Cheguei aqui procurando especificamente algo: “Formas prazerosas de ensino e aprendizado”. Digitei isso aí no Google. Mudei termos, entrei em artigos acadêmicos, e ainda estou no início dessa interessante pesquisa. Mas tenho descoberto coisas muito relevantes e interessantes, coisas que me por algum motivo me deixam extasiado.
Deduzo precipitadamente e com uma dose de certeza que aprendizado é uma simples consequência de outros fatores, entre eles o ensino. É sim complexo e cabe uma pesquisa aprofundada a quem queira, mas é simples perceber que aprender a andar de bicicleta inevitavelmente envolve cair dela muitas vezes antes que se possa dizer “Eu sei”. E apesar de ouvir milhares de recomendações do experiente instrutor, é praticamente impossível usando apenas tais teorias montar e sair guiando perfeitamente a magrela, o que seria o ápice do aprender.
Com apenas esta ilustração fica claro que aprender foi o resultado do ensino do mestre somado ao objetivo traçado pelo aluno. Pra chegar nesse ojetivo ele aprende – natural e inevitavelmente – mesmo que não se aperceba disso. E é nesse ponto que entra na ata mais algumas considerações: Quando idealizamos nossos próprios objetivos e somos incentivados a alcançá-los, o aprendizado não somente ocorre de fato (quase de forma subliminar) como traz consigo os efeitos internos do processo completo – plena satisfação pessoal, vontade própria em crescer intelectualmente, alegria na realização de atividades que tenham propósitos facilmente identificáveis, entre outros.
Tiro como exemplo pessoal meus professores do cursinho pré vestibular e do Senai, que justamente por tornarem não apenas o ambiente das turmas mas também as próprias aulas shows de humor, ambientes de descontração, cheios de brincadeiras e piadas (usando foco, sem perder objetivos) faziam com que mesmo os alunos rebeldes, com dificuldades de concentração ou falta de interesse aprendessem. Era incrível passar aulas inteiras rindo e interagindo com os colegas e na hora das provas ter as respostas na ponta do lápis, e sem horas de estudo extras!
Há muito ainda a se aprender, eu diria até infinitamente. Porém o que vejo carecer ao sistema atual são métodos eficazes de obtenção do aprendizado de intelectos realmente relevantes, úteis. Que nada mais é do que a falta de informação. Porque não creio que algum professor recusaria uma forma de incutir valiosos conhecimentos no íntimo de seus alunos, e de quebra ser aclamado como o cara que deixa a garotada à vontade, divertido, psor mó legal e muito boa pinta…
Acredito que esta questão de aprendizagem é muito relativo, não se pode dizer de modo geral um método que sempre serviria para obter conhecimento a todas as pessoas, temos que avaliar psicologicamente cada um. Se o curso realmente seria esse que a pessoa quer, pois as vezes faz uma escolha por motivos futeís ai se obtém a consequência do descaso, desinteresse, etc. Para mim particulamente o aluno tem que se conhecer e poder dizer o que seria melhor para ele realmente aprender, como eu disse, é muito relativo tem pessoas que funcionam melhor na pressão e outras travam na pressão, então subjetivamente, tenho a idéia de que aprender de forma espontanêa sem pressão, fazendo com que o aluno venha a se entender dentro daquilo que esta estudando seria o melhor caminho para se chegar a uma formação de sucesso, não apenas com um diploma mas sim com o principal que é o conhecimento. ( Resumindo: Tem que estudar aquilo que realmente tem prazer)