O JB morreu

Publicado em 4 de setembro de 2010 às 19:48 por Convidado
Assunto: Jornalismo | Leia mais: , , , ,

por Hugo Studart

Caros amigos,

O JB faleceu. Para aqueles que ainda não sabem, o Jornal do Brasil circulou pela última vez há alguns dias, na terça feira, 31 de agosto de 2010.

Sonhei ser jornalista por conta do JB. Adolescente, chegava do colégio na hora do almoço e, invariavelmente, esticava os olhos para a primeira página do jornal aberta por inteira na banca da Afrânio de Mello Franco, esquina com Ataulfo de Paiva, no Rio. Quando tinha notícia importante, dava um jeito e comprava para devorá-lo. Quando não tinha, desejava-o. Era o melhor jornal do Brasil, sem dúvida, inovador, e mais relevante do que hoje são a Folha e o Globo juntos.

Eu amava o JB. Não, era paixão, obsessão. Quis ser jornalista por conta do JB. Na universidade, dizia a todos que um dia trabalharia no JB. Acalentava até um plano estratégico: conquistar a honra de ser repórter do JB em até cinco anos depois de formado. Quis o Destino que fosse meu primeiro emprego, aos 21 anos. Graças ao saudoso mestre JB Lemos, o primeiro editor que concedeu atenção àquele garoto recém formado.

O meu JB, em verdade, faleceu há bem uma década, quando arrendado pelo Nélson Tanure. Triste destino, cair nas mãos do Tanure. Findou tão irrelevante que há muito que já não faz mais falta. Sua morte foi muito pouco notada, quase nada comentada. Choro pelo JB. Choro pelo jornalismo. Choro de emoção pela brilhante crónica que acabo de ler do Joaquim Ferreira dos Santos. Retransmito, caros amigos, alunos e irmãos, o réquiem mais bonito que um grande jornal poderia merecer. Eis um grande requiém para se lembrarem daquilo que um dia foi um grande jornal.

Hugo Studart é professor do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.

3 comentários

Eu acho uma pena, um jornal que viveu por anos e que eu lia ele algumas vezes, só tenho 14 anos e não gosto muito de ler jornal, mas apreciava que era um ótimo jornal, não gosto ainda de jornais (Leio só o NY Times, G1, R7 as vezes para não ficar desatualizado), mas, eu adorei, eu digo até um parabens a eles =D

Cara, nem tinha o hábito de ler o jornal impresso do JB, mas confesso que fiquei triste com a notícia quando soube.

Romantismos à parte, penso que em alguma escala o JB impresso morreu por conta do próprio perfil do seu público. O público médio do JB não tem tempo de ler um jornal impresso. Prefere entrar no site, clicar nas 4 ou 5 notícias que lhe interessam e continuar trabalhando. O ritmo frenético da vida moderna fez isso com o Jornal. Ao pegar um metrô ou trem lotado você vai ver o povão amontoado, cada um com seu Meia-Hora e Expresso lendo as notícias do dia. Para esse público C e D ainda há MUITO tempo de vida pra jornal impresso.

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