Não vote consciente

Joaquim Roriz, ex-senador da República pelo PMDB-DF

Este é Joaquim Roriz, do PMDB do Distrito Federal. Foi ele quem conversou com ex-presidente do banco Banco de Brasília, discutindo a distribuição de mais de 2 milhões de reais. Também tentou subornar juízes do TRE-DF. Se diz inocente, como vocês podem ver neste vídeo da Rosana Hermann.

Agora há pouco Joaquim Roriz renunciou. Ou melhor, mandaram renunciar para ele. Nem coragem de ir ao Congresso ele teve. Agora planeja a renúncia de seus dois suplentes (um deles também está sendo acusado na Justiça…), de modo a reabrir uma vaga de senador. Quer concorrer novamente.

Mônica Waldvogel acaba de questionar, ao vivo, no Jornal das Dez: se ele é inocente, para que renunciar?

Caros leitores de Brasília, gravem bem a imagem deste ser. E peço: não votem nele nunca mais. Está lançada a campanha “Não vote consciente”, na qual você participa não votando em certos (muitos) políticos devido ao seu passado obscuro.

Outra opinião »

Continuando o teor político desse texto, vou sugerir que você leia uma outra opinião.

Em um post no Ingenuidade, o Hugo fala sobre a imbecilidade do presidente Lula da Silva. Leia “Lula, o Líder Imbecil” e não esqueça de opinar. “Seu comentário é muito importante para nós”.

Minha experiência com a Camiseteria

Estava eu passeando por essa rede, imerso em meus pensamentos, quando caio numa loja de compras. Lá vejo um produto que já queria há algum tempo, mas estava naquela problemática do “tem, mas acabou”. Na quarta-feira 27 tive a oportunidade (ok, foi um impulso consumista) de fazer minha primeira compra na Camiseteria.

Camisa “Dia Feliz”, da Camiseteria. A foto não está essas maravilhas…

A estampa que eu queria era a “Dia Feliz”, e quando vi que estavam reeditando essa belezinha tratei logo de fazer meu pedido. Em menos de 5 minutos já havia feito meu cadastro e me encontrava em outro dilema: qual tamanho escolher? Normalmente uso M confortavelmente, mas corria o risco de ficar uma bosta. Na dúvida, abri o menu de medidas e comparei, com o auxílio de uma régua, com uma camisa que eu já tinha. Então comprei.

Moro no Rio, e a sede do Camiseteria também é nesta bela cidade. Portanto, via Sedex, o prazo máximo de três dias foi prontamente cumprido. Na verdade, chegou no segundo dia de espera. Na sexta 29 (ontem), durante a tarde, o carteiro passou por aqui deixou a encomenda. Sem assinar pilhas de papéis nem nada. No fervor da empolgação, tentei rasgar o plástico em vão. Então passei para a segunda tática. O medo era cortar a própria camisa com a tesoura sem ponta (alguém falou em Eliana?)

Mal sabia da proteção que eles fazem para evitar esse tipo de consumidor alucinado. Havia uma bolsa de pano mesmo e também um saco plástico. O plástico vai para o lixo, a bolsa terá bastante utilidade. Talvez como estojo… E mais, ainda enviam as tasty shirts (ou camisetas gostosas). São umas balinhas em formato de rosca (epa!), só para “adoçar a vida do consumidor”.

A qualidade do produto é realmente elevada, embora ainda não tenha passado pelo teste da primeira lavagem. Minha mãe põe fé na pobre coitada. Uma questão que me chamou a atenção é o preço. Assim como a qualidade, também é bastante alto. A minha camisa custou 55 reais, o que eu considero caro. Com este mesmo valor dá para comprar umas camisas bem bacanudas (leia-se “de marca”). Enfim, é uma opção do cliente. Mas se a galera do Camiseteria confabular e diminuir o preço, é possível que ganhem ainda mais dinheiro.

Se gostei? Totalmente.

Vem aí o Pan: Pandemônio 2007

Buraco na Vila do Pan-Americano

Sejamos honestos, este tipo de coisa só acontece aqui no Rio mesmo. A foto acima, do fotógrafo André Teixeira/ Globo Online, mostra que não podíamos ficar atrás dos paulistanos. Se eles tiveram a cratera do metrô, nós tínhamos que ter pelo menos um buraco do tipo na Vila Pan-Americana. Um professor passou pelo local e disse que media aproximadamente 7x8m e uns três de profundidade.

Essa é apenas uma amostra do que está acontecendo nesta Cidade Maravilhosa por causa dos Jogos Pan-Americanos, que acontecerão em duas semanas. Para ser sucinto: tudo está um caos. As manchetes dos jornais demonstram claramente que o Rio não estava preparado para receber um evento desta categoria. Muito menos com os políticos que temos.

O buraco na Barra é só um exemplo de como as coisas andam. O No Mínimo divulgou o relato de um leitor que esteve na mesma Vila. Reparem em como é vergonhoso: “Foi-nos pedido que fossemos calçando sapato e não tênis, mas, quando chegamos à Vila, tamanha era a quantidade de lama que deveríamos ter ido de coturno ou botina, pois não havia nada asfaltado”. Sem contar que ainda não há árvores plantadas; só se vê o barro e as paredes. Palmas para as empreiteiras!

Engenhão e Parque AquáticoO Estádio João Havelange, conhecido como Engenhão, é realmente bonito (veja nas fotos de Claudio Lara). No entanto, nem só de beleza os moradores dos arredores vivem. Vivem, sim, num canteiro de obras interminável. As ruas do Engenho de Dentro, onde o estádio está localizado, estão detonadas e a população é quem sofre. Os governantes mesmo podem ir ao local de helicóptero.

Trânsito? Especialistas já falaram: cariocas, não saiam de casa durante as competições. Parece que algumas ruas de intenso tráfego serão fechadas para que as delegações dos países possam passar sem problemas. No trajeto Jacarepaguá-Barra estão sendo reforçadas as pinturas da faixa seletiva, que normalmente é para os ônibus. Passará a servir, também, às delegações. Sob essa ótica, os ônibus passariam a concorrer com os carros de passeio, numa disputa desleal.

O temor é geral. No curso que freqüento as férias foram planejadas para coincidir com a competição. Dessa forma nós evitaremos maiores problemas em nossos deslocamentos. Uma decisão municipal dava conta de que as escolas públicas dessa esfera também deveriam entra em recesso durante as duas semanas do evento.

A pergunta que fica é acerca do que permanecerá para a cidade; a Lu quer saber se vale a pena. Além de buracos, obras mal acabadas, restos de construção. Já que estamos no Brasil mesmo, não seria difícil ultrapassar os custos previstos para toda essa estrutura (?) montada. A revista Época desta semana corrobora o que eu já imaginava e informa que o valor previsto de R$ 409 milhões foi ultrapassado em apenas 700%. Ou seja, o Pan já custou aos cofres públicos a bagatela de 3,2 bilhões (bilhões mesmo) de reais.

Isso é uma ofensa ao povo do Rio. Mas estamos mais preocupados, no momento, em não encontrar uma bala perdida por aí. Seria desagradável, embora o policiamento esteja sendo reforçado: mil e duzentos homens subindo o morro é uma grande demonstração da polícia que gasta milhões com inteligência, mas mata mais de dez inocentes num único dia.

Como eu disse, é o caos. O pandemônio. Imagine, caro leitor, se a facção criminosa dominante decide instaurar novamente o terror que já vivemos no início do ano. Não é à toa que vários países já divulgaram recomendações para que famílias de atletas e mesmo turistas prefiram assistir aos jogos no conforto de seus lares. Só falta o nosso governo dizer o mesmo.

Só mesmo a ironia para denunciar o que sentimos nessa hora. A editora do blog 30 & Alguns foi feliz ao resumir este Pan:

O Rio de Janeiro nunca esteve melhor, não há violência, não há balas perdidas, a maioria da população mora bem, tem acesso a boas escolas, os serviços públicos prestados são EXCELENTES, hospitais nota 1000, segurança imbatível, não há outro lugar do mundo onde esses jogos tão importantes poderiam ocorrer.

Seria cômico, se não fosse trágico. Agora não há mais jeito, no entanto. Meus conterrâneos cariocas, é hora de seguir o conselho da excelentíssima ministra. Só nos resta “relaxar e gozar”!

Cauê, o mascote do Pan

PS – Mas dinheiro para propaganda não falta. No último fim de semana o prefeito Cesar Maia fez questão de mostrar, num anúncio com logotipo do seu partido (o Democratas) e todas essas politicagens, como as coisas estão por aqui. Tudo muito bonito, muito lindo. Com direito a ele mesmo falando para o povo aos pés do Cristo Redentor. Esse comercial levou bem mais de um minuto. O detalhe é que 30 segundos de propaganda durante o Jornal Nacional custam por volta de trezentos mil reais. E eu contei pelo menos umas três veiculações em horário nobre, na Globo. Quem quiser que faça a conta...

Atualização » A Veridiana, editora do blog 30 & Alguns, decidiu fazer uma compilação de tudo o que já foi publicado sobre o Pan na blogosfera. O post é esse. Agora você poderá acompanhar as mais diversas opiniões.

Atualização 2 » Um leitor chamou minha atenção após ler o texto: mal falei do caos aéreo, que pode atormentar a vida dos atletas pan-americanos.

Mudanças nos anúncios do Google (Adsense)?

No início do mês o Google decidiu fazer algumas mudanças na sua política do Adsense. É dispensável dizer que isso afeta em cheio a blogosfera consciente (não os blogs sobre RBD e High School Musical), que faz dos programas de afiliados uma forma de complementar a renda e, em alguns casos, a fonte primária para ganhos financeiros.

À época, o Google passou a exigir que o blogger seguisse diretrizes mais severas. A atitude da companhia foi comemorada por tornar as regras mais rígidas e a concorrência mais leal, e também por permitir que fossem exibidos mais blocos de links ao mesmo tempo. O que quero sublinhar nisso é que Google tem plenos poderes para mudar essas políticas.

Apresentação dos anúncios alterada?

Esse poder também se aplica aos formatos dos anúncios e na forma como são exibidos. Quem não se lembra de quando a empresa decidiu (unilateralmente) mudar o texto “Anúncios Google” para uma imagem bem mais perceptível?

Mudança nos anúncios do Adsense - Banner

Parece que eles querem fazer novamente uma mudança do tipo. Ontem, enquanto “navegava” pela internet, deparei-me com uma nova mudança: a imagem “Anúncios Google”, que ficava ao fim dos blocos de anúncio, passou a ficar no início. Isso já vinha sendo feito no banner chamado de “arranha-céu”, que é o mais comprido. No entanto, como você pode ver nas imagens de “antes e depois” que ilustram o post, o resultado foi vergonhoso.

Mudança nos anúncios do Adsense - 2Num primeiro momento eu considero essa possível mudança ruim para o blogueiro, por expor ainda mais a condição de publicidade aos anúncios contextuais. Em especial porque os blocos de anúncio em formato 336×280 (como o no início deste post), que comumente são usados antes da “dobra” da página, passarão a ficar demasiado óbvios (clique e veja como esse formato de anúncio poderá ser exibido).

O Google nos incentiva a inserir e camuflar os banners no conteúdo normal do site ou blog. Por outro lado, cria ferramentas que tornam essa diferenciação gritante. A transparência é importante para esse tipo de atividade, mas, fazendo uma comparação com a mídia televisiva, ninguém que vê “Anúncios a seguir” durante uma programação permanece naquele canal para assistir à propaganda. Entendo que a publicidade deva fisgar o usuário (e possível consumidor) exatamente por ser inesperado.

Queria

Queria ser daqueles que têm a resposta na ponta da língua, para qualquer pessoa ou situação. Fosse o presidente da república ou papa, ninguém passaria despercebido ante os meus olhos e quem se atrevesse a me peitar teria resposta à altura. Queria também poder falar de artes com a mesma facilidade com que falo de blogs, ou resenhar uma peça de teatro tão detalhadamente quanto posso resenhar um novo serviço virtual.

Queria acordar todos os dias e contar milhões de dólares a mais na minha conta bancária; então abrir a Forbes e me ver como o homem mais rico do mundo. Pensaria “Oh! Nem esperava por isso” com ar de sarcasmo pouco carregado. Abriria o New York Times e veria que meu produto continua com o maior market share do setor. Monopólio? Não. Liderança (minha, claro). Daria um breve um telefonema no qual diria “Steve, já estamos muito ricos. Mande nossos funcionários fazerem produtos na qualidade máxima”.

Queria ter uma mesa na Casa Branca. Não qualquer mesa, mas aquela localizada na sala conhecida por Oval Office. Sentar-me-ia à mesa, confabularia com secretários e decidiria o que fazer com uma rubrica do orçamento: War. Pegaria os mais de quinhentos bilhões de dólares gastos em belicismo e transferiria para programas de apoio à educação e saúde no mundo inteiro. Uns 20 bilhões seriam destinados ao Brazil, com seu ensino de merda.

Queria tomar um whisky com Vladimir Putín e, enquanto não tão sóbrios assim, assinar um tratado onde acabaríamos com todas as bombas de nossas nações. Eu não saberia o que fazer com elas, mas explodir um Iraque ou uma Coréia do Norte não seria uma idéia de má valia. Não para o Bush.

Queria chegar à noite como um autor famoso e respeitado. Escreveria uma coluna que poderia ser lida de qualquer lugar, por qualquer um. Sem restrições. Seria uma forma de universalizar a informação, e com todos sabendo o que se passa nesse vasto (e devastado) mundo, também seria mais fácil tornar as pessoas conscientes da nossa necessidade de compromisso com o meio ambiente. “Ou acabamos com o desperdício, ou o desperdício acabará conosco”. Mensagem mais simples, impossível.

Queria ser um Jabor ou um Mainardi, que, com seus olhos de águia, conseguem enxergar o buraco em que nosso país se afunda. Sem o pessimismo deles; com inteligência para sugerir mudanças eficazes a ponto de melhorar as áreas (todas!) de sucateamento e baixa produtividade. Queria um governo de excelência. Queria políticos de qualidade. Queria a verdade. Queria, queria, queria.

» E você, o que queria?

América de olho em Paris Hilton

George Bush e Vladimir Putin na Alemanha, em encontro do G8 - Foto: Getty ImagesA última semana foi muito movimentada no campo político. No Brasil, nosso respeitado Congresso não sabia se tentava descobrir a verdade do caso Renan Calheiros ou se atentava para as vantagens que o irmão do presidente pleiteava apenas por ser “o irmão do presidente”. Presidente, por sinal, que estava na Alemanha, a convite do G-8 para discutir o meio ambiente. Divergências entre EUA e Rússia à parte, o encontro foi muito importante por solidificar a presença brasileira em questões de âmbito global (México, China, Ã?ndia e alguns outros países também foram convidados).

Um fato curioso é que, nos Estados Unidos, o encontro dos países mais importantes e seus convidados foi transmitido ao vivo, devido à sua óbvia importância. No entanto, não na íntegra. Isso porque as principais emissoras do país interromperam a transmissão desse evento para fazer a cobertura completa de um fato extremamente importante: a ida de Paris Hilton até o tribunal, e sua conseqüente saída aos prantos e no carro do xerife.

Paris Hilton chora ao sair do tribunalDeve-se ficar claro que essa visibilidade da moça na América não é de hoje. O jornal The Times informou que havia mais de 150 jornalistas e fotógrafos à espera de Paris Hilton, no mesmo momento em que a chanceler alemã Angela Merkel discursava e jogava um balde de água fria nos países emergentes ao dizer que não será tão cedo que o G-8 terá novos membros permanentes (China e Brasil querem muito essa cadeira).

Impressionante perceber como a imprensa, em certos casos, opta pelo imediatismo e esquece a hierarquia noticiosa. De um lado, o G-8, e do outro a herdeira dos Hilton fazendo o que sabe fazer melhor: criando polêmicas infundadas. Impressiona também perceber que, na grande democracia global — leia-se Estados Unidos —, a opinião pública ficou calada diante dessa inversão de valores. O mesmo se reflete no Brasil, onde os menos informados ignoram diversas movimentações políticas evidentemente mal intencionadas, mas não deixam de comentar a roupa de baixo da atriz famosa, que por ventura foi fotografada.

Estranhezas ou não

O ingênuo sr. Hugo (aquele que desabilitou os comentários) fez um convite para eu participar de um meme (ou tag, sei lá). Como faz tempo que não memo, lá vão sete coisas estranhas sobre mim mesmo:

  1. Eu leio jornais de trás para frente.
    É ótimo porque se começa pelo horóscopo e palavras cruzadas, passa por economia, política, e só então chega-se às mortes e etc. Coisas mundanas e desnecessárias, claro.
  2. Vejo reprises de telejornais.
    Se um telejornal tem caráter imediatista, eu mando essa característica para o limbo. O Bom Dia Brasil, por exemplo, passa duas horas depois, às 9h10, na GloboNews.
  3. Durmo pouco.
    Pouquíssimo: entre cinco e seis horas de sono me bastam para estar bem no dia seguinte.
  4. Sou de escorpião.
    E adoro usar o signo para justificar as maldades que eu cometo. Até o demoníaco Bill Gates é desse signo!
  5. Tenho gosto musical duvidoso.
    Sou péssimo para definir que sonoridades são boas ou não.
  6. Como miojo cru.
    Meu irmão foi quem me ensinou essa fantástica técnica para matar a fome.
  7. Sou viciado em feeds.
    Quando estou ocupado, abro o Bloglines pelo menos a cada dez minutos. Um convite à ociosidade e procrastinação.

Alguns nem são tão estranhos assim. Passo a bola para o Rafa, colega de hospedagem, e para o Alessandro Martins. Mas para o Alessandro vai um desafio: quais são os 7 livros mais estranhos que ele já leu. O cara já leu muito e com certeza deve ter boas respostas. Se alguém mais quiser participar, be my guest!

Leia mais » O Alessandro já cumpriu o desafio. Confira no post 7 livros estranhos que li.

Um assalto; mais um

Decidi pegar minha mochila, colocar no colo e pular para o assento ao lado, já que uma menininha estava a caminho e não havia lugar vago. Antes que ela pudesse sentar, um negro* adiantou-se. O cheiro era desagradável, mas bastava fingir que não sentia.

Depois de vários minutos.
— Onde você mora?
— Por quê?
— Por quê?! Você vai ver já já!

Ele vira para trás e fala com um senhor e outro rapaz. Não consegui entender o que dizia. Passam mais alguns segundos.

— Isso é um assalto. Passa o celular!
— Estou sem celular. — Instintivamente levantei as mãos, caso quisesse verificar os bolsos da frente do casaco. Não o fez. Eu evitava o contato visual.

Falou mais algo com os outros dois passageiros e se levantou, acionando o botão de parada. Antes, questionou o que eu carregava no bolso. Tentou puxar a mochila, mas eu segurei.

Saltou. Na favela. Comecei a conversar com os outros dois, pensando ter sido o único a sofrer a tentativa de roubo. O garoto, da minha idade, avisou então que o celular dele havia sido roubado. Ninguém mais na condução tinha percebido a movimentação.

Ocorreu há aproximadamente meia-hora. Por sorte, logo hoje eu deixei meu celular com um amigo porque ele estava precisando. Sabe o que o muleque que ficou sem seu aparelho me disse? “É a vida”. E saltamos no mesmo ponto. A tal vida continua…

* Depois de ouvir o Flávio, resolvi alterar o texto. É hipocrisia, mas também é uma forma de me proteger judicialmente. Alguns comentários foram editados para evitar complicações tanto para o blog como para quem comentou.

Blogs pagos e blogueiros vendidos

O Leandro, meu caro amigo e vestibulando desesperado, publicou no seu blog um post que falava sobre uma nova forma de rentabilização de blogues, que o John Chow adotou nesse fim de semana. Chow, um dos bloggers mais bem pagos do mundo, decidiu vender comentários sem o atributo “nofollow” (aquele que evita a indexação dos mecanismos de busca) por apenas dez dólares mensais.

A idéia é brilhante, como o Leandro mesmo disse e eu concordei. Mas surreal. Eu, atualmente, não consideraria comprar esse novo produto. Vender PageRank não é legal, e o Google deve muito em breve começar a rever suas políticas acerca do assunto.

Excluindo a venda de anúncios direcionados (Google Adsense?) e essa nova modalidade made by Chow, sobram muito poucas opções. Os banners normais ainda fazem sucesso nos grandes portais — no UOL um botão na home custa “apenas” 600 mil reais mensais —, mas não se aplicam a blogues que não têm visitação tão acentuada, na casa dos milhões de pageviews.

Os probloggers realmente profissionais — isso não é redundância, visto que alguns blogueiros profissas não são tão profissas assim — ainda têm a possibilidade de serem contratados por uma empresa ou grupo para escrever sobre determinados assuntos.

O exemplo prático é a Rosana Hermann. Ela mantém o Querido Leitor com acesso totalmente gratuito, adotando o Adsense como forma de monetizar, e também é paga para escrever a coluna Sala de TV do Babado e postar no blog Skype Brasil.

Rosana nunca escondeu que o Skype Brasil era um trabalho, nada mais. Lógico que quando a pessoa trabalha com o que gosta, esse trabalho converte-se em prazer. É o caso dela. O Skype divulga algumas notas oficiais através do blog e o resto fica por conta da editora.

O fundamental nisso tudo é deixar transparente para o usuário que as informações ali disponibilizadas refletem, em primeiro lugar, a vontade da empresa pela qual escrevem. Assim como os jornais disponibilizam os projetos de marketing, quando vendem espaços para que as assessorias de imprensa das corporações publiquem o que desejarem.

Honestidade é fundamental. Se for mandar o usuário para uma página de mercadorias relacionadas, que ele saiba disso. Se é pago para escrever sobre um produto ou serviço, que o usuário também saiba disso. Mentir só inflaciona o mercado publicitário, o que termina por afetar negativamente os blogueiros corretos e seus rendimentos.

SuperInteressante quer seu cérebro

A revista SuperInteressante, da Editora Abril, é uma revista de vanguarda. Para começo de história, foi uma das primeiras revistas brasileiras a ter um site na internet. Também publica em cada edição as novidades tecnológicas de forma divertida e não tão técnica, como encontramos em alguns sites e blogs.

A revista vai disponibilizar em seu site mais do que um breve conteúdo adicional ao que já era publicado na edição impressa: agora eles têm blogs! Pode até parecer banal alguém ter blogs, mas eu, como entusiasta do novo jornalismo, considero cada atitude como essa um avanço importante, ainda mais por se tratar da mídia tradicional.

Aos poucos a internet está sendo mais visada e explorada. No caso da Super, por exemplo, o conteúdo da revista ainda é o mais importante, mas não é a única coisa que oferecem. Os novos blogs não são mantidos pela equipe de redação, mas sim por outros profissionais contratados — como o Mulher das Estrelas, editado por Duilia de Mello, uma cientista brasileira que trabalha na NASA.

O site todo sofreu uma reformulação violenta. Está em estágio “beta”, mas parece-me que o nome que eles adotarão é Super 2.0. Bem web 2.0, na concepção preconceituosa da palavra. Enfim, pelo menos eles estão se modernizando.

Jornalismo colaborativo: você participa

A Super quer seu cérebroA outra novidade da Super — que, de fato, motivou-me a escrever esse texto — é que eles estão implementando o jornalismo colaborativo em seu ambiente. A teoria é fácil: jornalismo colaborativo é aquele em que o cidadão participa, mas geralmente há o intermédio do jornalista diplomado. Na prática é bem mais complicado, além de ser uma idéia ainda em construção.

A revista atualmente permite que os seus leitores enviem qualquer tipo de material que considerar interessante, e se for mesmo eles colocarão no site. O mais curioso é que também será possível participar da versão impressa.

O formato, naturalmente, deve ser texto e (eles enfatizam bem) de autoria própria. Assim, se for aprovado, a pessoa poderá ter seu texto publicado na revista, com créditos e tudo mais. Essa colaboração é gratuita, e isso pesa contra eles. Mas ainda é uma possibilidade notória de ter um trabalho divulgado.

Cientistas que normalmente precisariam de uma revista científica para publicar seus artigos, têm agora na SuperInteressante essa chance. Eles só não devem aceitar textos que sejam muito ruins de ler, mas sim os que mantêm o caráter dinâmico da publicação.

Algumas revistas semanais já mantêm blogs de seus colunistas. A Veja, por exemplo, hospeda o blog/podcast do controverso Diogo Mainardi. Já a concorrente Época edita um blog por semana, onde profissionais importantes debatem a reportagem de capa: o dessa semana trata do convívio no trabalho.

Gostei bastante da idéia e espero que se torne cada vez mais comum. As mídias convergentes já são uma realidade e tendem a se fortalecer cada vez mais. O jornalismo colaborativo também é muito debatido e uma importantíssima forma de aliar conhecimento público com a técnica jornalística comum e funcional.