Olha a Globo sendo cobrada por princípios editoriais

Não pensei que eu fosse voltar a esse assunto do documento de princípios editoriais das Organizações Globo tão cedo. Mas justamente um órgão militar fez o favor de invocar os tais princípios.

Na semana passada o “Fantástico” (sempre ele) apresentou uma reportagem sobre as dificuldades de uma aeronave particular em entrar em contato com as autoridades aéreas do País. Uma reportagem bastante negativa, diga-se de passagem — dava a entender que o famoso caos aéreo continua aí. Continuar lendo

O resultado pouco importa

Nessa história de controle social da mídia, o ex-ministro Franklin Martins rodou. Comandante-em-chefe da pasta da Comunicação Social até dezembro, Martins mostrou-se um grande proponente de uma forma pela qual a sociedade poderia exercer poder maior sobre os meios de comunicação. Paulo Bernardo, o ministro das Comunicações atual, avisou nessa semana que o projeto foi colocado de lado em definitivo.

Logo que o controle social da mídia entrou em pauta, os grandes grupos de comunicação fizeram ataques violentos a ele. A Folha de São Paulo não perdeu tempo: na sua artilharia, o argumento de que o governo tentaria censurar a imprensa. A Globo, ainda que de forma silenciosa, deu a entender que também faria coro contra o tal controle caso fosse necessário. Parece que nenhum deles entendeu de fato como a coisa ia funcionar.

Na Inglaterra existe faz tempo — atende pelo nome de Ofcom. Em vez de o governo assumir a posição de mediador no debate espinhoso sobre o controle social da mídia, os próprios veículos de comunicação se agremiaram. Resultado disso é um órgão independente e tido como suprapartidário, que tem autorização para fiscalizar e punir os meios de comunicação quando essa atitude se faz necessária. Parece que funcionou. A BBC é tradicional exemplo de como a mídia britânica pode oferecer conteúdo de qualidade excepcional.

Em comparação, os americanos espinafram qualquer tentativa de controle social da mídia. A livre iniciativa, que o American way of life tanto defende, rechaça o assunto. As empresas de comunicação podem dizer o que bem quiserem a qualquer momento, e não raro saem impunes quando lesam a informação, o bem mais precioso que a mídia pode oferecer. A liberdade em demasia vale tanto para veículos cujo conteúdo é reconhecidamente bom (caso da revista New Yorker) como para aqueles que deixam a desejar (a Fox News é um exemplo — não se passa um dia sequer sem que as reportagens ideologicamente direcionadas ataquem o governo do presidente Obama).

Cá no Brasil nós estamos num limbo quando o controle social da mídia entra em pauta. Franklin bem que tentou trazer a discussão à tona, mas não deu certo: à época da primeira Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), nenhum grande grupo enviou participantes para discutir o assunto. Simplesmente se abstiveram de explicar seus pontos de vista para o público. E sempre que algum político volta a falar do controle social, lá vêm os editoriais inflamados destruindo cada possível aspecto positivo desse instrumento.

Enquanto isso, o público segue assistindo, lendo e ouvindo reportagens terríveis, mal apuradas, com erros de informação mais do que grotescos. Sem falar nos excessos amplamente conhecidos quando a opinião é fornecida travestida de fato. Se não vamos aprovar o controle social da mídia no fim das contas é algo que pouco importa. Para uma democracia jovem como a brasileira, está faltando discussão.

Por que o documento de princípios editoriais da Globo é importante

A Folha de São Paulo tem. O Grupo Estado, que entre outros veículos controla o Estadão tem. A Dow Jones tem. Reza a lenda que até O Globo, tradicional jornalão, carioca tem. Só faltava mesmo a alta cúpula das Organizações Globo se atentar para essa tradição do setor de Comunicação e lançar seu guia de princípios para fazer Jornalismo. E foi feito, no melhor estilo Globo de fazer as coisas.

Qualquer estudante de Jornalismo já sabia

Durante uma edição de sábado do Jornal Nacional. Com direito a 4 minutos de nota coberta por imagens (vídeo aqui), o telejornal mais importante da Globo mostrou o que é Jornalismo para o grupo. Tem que ter correção, isenção, pluralismo — tudo aquilo que a gente está cansado de saber.

Nas redes sociais, o barulho foi imediato. Vi muita gente comentar o assunto dizendo que a Globo nunca teve princípios. Que o documento é pura hipocrisia. Que é perda de tempo ler as 28 páginas de considerações sobre o que a Globo considera como correto no fazer jornalístico.

Discordo desse coro. O documento com princípios editoriais (PDF) formalmente registrado e válido para todos os produtos jornalísticos das Organizações Globo deve ser recebido com boas vindas. Agora, pela primeira vez em suas tantas décadas de existência, o grupo de mídia mais poderoso do Brasil tem um compromisso público justamente com seu público.

Na próxima vez que você perceber alguma coisa de errada na conduta de um produto jornalístico da Globo, poderá apontar que na seção X, item Y, tópico Z do documento de princípios editoriais do grupo está escrito expressamente que o funcionário não pode agir daquela maneira.

O documento é, mais do que um guia para os jornalistas da Globo. Trata-se de uma arma que o povo brasileiro tem para cobrar do grupo quando isso se fizer necessário. É uma ferramenta para que o público se assegure de que a prática condiz com a norma. E caso não seja assim, nós temos todo o direito de cobrar explicações.

Sonho de Murdoch

O sujeito nasce na terra dos cangurus, lá na Austrália. Porém, é nos Estados Unidos que vai perseguir o tal american way of life. Faz fama, faz fortuna, conquista mulheres e o mundo. Quando tudo parecia estar perfeito para que o magnata (adoro esse termo, que não diz quase nada, mas pesa bastante num texto) Rupert Murdoch finalmente se aposentasse, vem a internet e muda as coisas de um jeito que ninguém esperava. Logo ele, uma espécie de Roberto Marinho do Hemisfério Norte, teve que voltar ao batente nos diversos escritórios que a News Corp., seu conglomerado de mídia, tem América afora.

Murdoch não contava com as perspicácia de um pessoal que cansou dessa história de gatekeeper, mass media, e tantos outros jargões que são cuspido das bocas de professores de Jornalismo, Publicidade e sabe-se lá quais outros campos da Comunicação. O publisher de si mesmo compete com um Wall Street Journal da vida de igual para igual. Pode não ter a mesma audiência mastodôntica, mas às vezes tem mais credibilidade. Se for comparar com a Fox News, então, nem se fala. Graças à internet, claro.

A internet, essa nova “coisa” que misturou informática, tecnologia, telecomunicações e conteúdo, tudo num balaio só, abriu as portas para que qualquer sujeito com acesso a um PC e a uma rede de dados publique o que bem quiser, na hora que bem entender, e do jeito que achar mais conveniente. Sem pedir permissão a ninguém na maior parte dos países (a China é exceção, felizmente, com o seu Grande Firewall). Acredite, é verdade: o próprio Google, que embolsa bilhões por ano nesse negócio, tem um serviço gratuito para publicação daqueles textos rápidos chamados de post.

E como fica Murdoch nessa história? De início, não ficava. O quase centenário bateu pé dizendo que não iria para a rede, que seu negócio era jornal. Até que a receita com seus veículos, inclusive empresas conceituadas e tradicionais, começou a minguar como nunca antes na história da News Corp. E, claro, numa situação complicada, a gente faz qualquer coisa para não abrir mão do croissant e do suco de tâmaras importadas logo pela manhã. Murdoch abriu todo o conteúdo na web, mas também não deu muito certo. Qualquer pessoa com mais de dois anos de serviços prestados à internet sabe que a publicidade não é tão vasta assim. No fim das contas, alguns jornais virtuais do magnata (olha aí, de novo!) não conseguiam fechar suas contas.

Agora parece que Murdoch e sua trupe optaram pelo caminho do bom senso. Parte dos conteúdos dos veículos cai na rede com acesso livre e desregrado. Ou parte, o filé da produção jornalística, fica disponível somente para os leitores que toparem pagar a mais por esse conteúdo – ou que sejam assinantes do veículo impresso, o que costuma ajudar na hora de acessar o conteúdo online.

Bons tempos em que só os governos e suas censuras ameaçavam os jornais. Era muito mais fácil, deve pensar Murdoch, quando um cheque em branco lhe comprava o que fosse. Comprava inimigos, comprava concorrentes, e comprava até audiência (ou alguém acredita que, naquele tempo, dava para confiar no IBOPE e afins?) Com a internet, tudo mudou. Passou da hora de Murdoch mudar também.

 

De hoje, por favor

Os jornais estão com o pé na cova. Parece que o público leitor – que nunca foi dos maiores neste país, por sinal – está cada vez menos interessado em sentir a celulose do papel, em passar as mãos pelo texto, e quem sabe depois de ler a publicação de cabo a rabo. Essa noção de palpável faz falta aos textos da internet ou mesmo daqueles aparelhos em formato de tabuleta.

E quando o sujeito resolve comprar o jornal, ainda coloca em dúvida um dos tradicionais pilares do jornalismo: a atualidade. Na semana passada, por exemplo, estava indo à padaria comprar um pão fresquinho. Fiz meu pedido, peguei os produtos e fui para a fila. Lá, um moço aparentemente humilde comprava uns biscoitos e um suco. “Também vou querer o jornal”, ele diz para a atendente. Simpática que só, a funcionária primeiro abre um sorriso para depois perguntar qual jornal ele queria. Eis que o homem vira para ela e responde: “O de hoje, por favor”.

Oras, existe jornal que não seja de hoje? Até onde eu sei, existe um esforço descomunal de empresas como a Folha e o Estado para que, logo cedo, as vans e kombis distribuidoras de jornal percorram a cidade inteira, entregando as notícias nos jornaleiros e nas casas das pessoas. Acabou-se o dia, é como se os jornais antigos que encalharam nas gôndolas automaticamente desaparecessem de vista. E então leva mais algumas horas para que o outro jornal, agora sim desse mesmo dia, pinte nos estabelecimentos comerciais, inclusive na padaria onde eu tinha ido.

A atendente ficou meio desconcertada. Respondeu que o senhor precisava escolher o título do jornal que pretendia levar, já que os preços variam. “Tem a Folha, o Jornal da Tarde, o Estadão, o Agora…”, disse. No fim das contas, ele levou o Agora, vai ver porque é o que mais se assemelha com o “de hoje” que ele queria – o Jornal da Tarde não estava valendo; imagine ler as notícias que só vão acontecer dali a algumas horas!

Depois que o moço pegou seu exemplar e se escafedeu de vista, fui comentar com a atendente sobre o episódio. Disse que estava perplexo e que, como bom estudante de Jornalismo, não acreditava que alguém pediria um jornal “de hoje”, sendo que todos os jornais são, apenas em tese, pelo visto, do mesmo dia em que são comprados.

Ou talvez eu não tenha entendido nada sobre esse tal de Jornalismo e o moço só queria um papel qualquer para forrar a gaiola dos seus pássaros de estimação. Nada mais justo. Afinal, esse sempre foi outro nobre papel do papel-jornal.

“Arianna Huffington, pague a minha parte”

Não se fala em outra coisa nos círculos de discussão do Jornalismo nos Estados Unidos. Arianna Huffington e seu Huffington Post têm um avassalador apetite para, o mais rápido possível, abocanhar a audiência do New York Times e se tornar o site noticioso — decerto não podemos chamá-lo de “jornal” — mais acessado do mundo. O que Arianna não poderia esperar era o amargo sabor da vingança na boca de antigos colaboradores.

Quando a AOL anunciou a compra do HuffPost por 315 milhões de dólares, logo os colaboradores do site começaram a questionar o destino desse dinheiro. Arianna, a fundadora e editora-chefe do site, colocou no bolso 15 milhões. Além disso, recebeu a incumbência de assumir toda a parte editorial do grupo AOL, que inclui diversos sites e blogs, além do recém-comprado Huffington Post.

Em seguida, o CEO da AOL, Tim Armstrong, fez questão de circular um comunicado no qual deixava as coisas bastante claras: os blogueiros do HuffPost não receberiam um centavo sequer por conta da transação. Nas palavras dele, essa colaboração sempre foi oferecida de graça e deveria permanecer dessa forma.

Teve quem não gostasse da notícia. Um dos colaboradores está na Justiça americana brigando por uma indenização de 100 milhões de dólares, que seria distribuída entre todos os blogueiros que de alguma foram ajudaram a fazer do HuffPost o que o site é hoje. O sujeito afirma que o Huffington Post nada seria sem esse apoio.

A discussão é boa e cheia de polêmicas. O pessoal do HuffPost diz que esses escritores sempre souberam que não seriam pagos para tal e, portanto, não há motivos para dividir com eles os milhões de dólares obtidos com a compra da AOL. Os colabores dizem que o site de Huffington nunca sinalizou uma possível venda, e que talvez tivessem cobrado pelo conteúdo se soubessem dessa perspectiva.

De minha parte, penso que a ação na justiça não procede. Esses colaboradores sabiam que seu trabalho estava dando pageviews e poder para uma só pessoa e um só veículo. Ainda assim, decidiram participar disso, ainda que agora nos pareça injusto. Do ponto de vista legal não há o que contestar.

No entanto, o HuffPost ganhou tanto dinheiro com essa transação que poderia facilmente recompensar os colaboradores mais importantes durante os vários anos em que o site existe. Evitaria as reclamações que já aconteceram, para início de conversa. A contratação definitiva dos melhores escritores também é algo que eu, caso estivesse sentado na cadeira de Arianna, não descartaria.

Para evitar problemas futuros, a AOL está se prevenindo. A rede Patch.com, serviço hiper-local de notícias, está interessada em obter 8 mil blogueiros colaboradores. A convocação deixa bem claro: escreverão apenas pela “fama”, nada além disso. O jogo está bastante transparente; joga quem aceitar esses termos.

 

Globo e Record voltam a se confrontar em 2011

Convidado » Gregori Pavan* não larga o controle remoto por nada.

A emissora fundada por Roberto Marinho chega aos 46 anos no final de abril sendo referência em qualidade com liderança de audiência e de faturamento. Apesar disso, vê a cada dia uma redução relevante de audiência, e empenha seus esforços para evitar uma queda ainda maior.

Aos 57 anos, a emissora de Edir Macedo não tem audiência próxima à da Globo, porém tem a vice-liderança consolidada de Ibope e de faturamento. Num cenário em que a líder apresenta queda de audiência ano após ano, a Record conquista um crescimento constante.

A título de curiosidade: no ano 2000, a Globo tinha 19,9 pontos no PNT (o Ibope nacional que engloba a medição em várias capitais), e fechou 2010 com 18,2 pontos (caiu 8,5%). A Record, também em 2000, tinha 5,5 pontos (era a terceira colocada, perdendo para o SBT). Em 2010 registrou 7,2 pontos, ou seja, cresceu quase 31%.

A queda de uma e o crescimento da outra se torna ainda mais evidente no Ibope medido na Grande São Paulo, que é a referência e o mais importante do país.

Na Globo

A Globo promoveu em 29 de março uma festa para o lançamento da programação de 2011, onde foram apresentadas as principais novidades como “Tapas e Beijos”, “Divã”, “Lara com Z”, “Macho Man” e “Batendo Ponto”. Ainda, a volta de “Profissão Repórter”, “A Grande Família”, “Globo Mar” e “TV Xuxa”. Outros destaques são as novelas “Morde e Assopra”, que estreou no dia 21 de março, e “Cordel Encantado”, cuja estreia está marcada para 11 de abril. Mais para o meio do ano está previsto a exibição da série “Mulher Invisível” e da minissérie “O Astro”.

Não são só produtos produzidos no Brasil que terão vez na tela da Globo. A emissora carioca vai exibir também a série “Glee”, da FOX, que complementa o cardápio de séries internacionais que já estão no ar – “Crimes do Colarinho Branco”, “Prison Break” e “Lie to Me”. E, como prometido, finalmente o “Casseta & Planeta, Urgente!“ não está na grade da emissora depois de quase 20 anos.

Campeonato Brasileiro, Campeonatos Estaduais, Copa do Brasil, Libertadores da América, Copa Sul Americana, semifinais e finais da Liga dos Campeões da Europa, Copa América são os produtos esportivos que incrementam a grade de programação, que tem também as finais das Superligas masculina e feminina de vôlei, a Liga Mundial Masculina e Grand Prix Feminino, além de disputas de automobilismo, natação, ciclismo, ginástica artística, basquete, futsal, futebol de areia, atletismo e esportes radicais.

Na Record

A Record não fez uma grande festa para apresentar sua programação. Vários produtos para 2011 já começaram a ir ao ar no começo do ano, como é o caso da minissérie “Sansão e Dalila” em janeiro e a nova temporada do reality show “Troca de Família” em fevereiro. A estreia de “Rebelde” na faixa das 19 horas foi destaque em março, e está previsto para 3 de maio a nova novela das 22 horas, “Vidas em Jogo”.

A emissora paulista também pode exibir este ano novas séries norte-americanas, entre elas “Psych”, “Assuntos Confidenciais” (“Covert Affairs”), “O Evento” (“The Event”), “Lei e Ordem – Los Angeles” (“Law & Order”), “Terceirizado na Índia” (Outsourced), além de novas temporadas de “House”, “Monk” e dos “C.S.I.” que estão atualmente no ar. Anteontem estreou o “Ídolos”, e em 17 de julho deve começar a quarta edição do reality show “A Fazenda”, que diferentemente do Big Brother Brasil deve ser em alta definição. Já a oitava temporada de “Aprendiz” com João Doria Jr. deve ir ao ar somente no fim do ano, de novembro a dezembro.

A Record investe alto e tem grande esperança de retorno em audiência com a cobertura do Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, em outubro.

Acorda, menina!

Mas a disputa por audiência não ocorre só à noite, no horário nobre. Nas manhãs a guerra é ainda mais acirrada.

Nesse horário é a Record quem está na frente, a começar pelo fato de que já transmite sua programação em alta definição das seis da manhã ao meio-dia. O telejornal “Fala Brasil” detém a liderança de audiência, por vezes com folga. O “Hoje em Dia” – apresentado pelo quarteto Celso Zucatelli, Chris Flores, Edu Guedes e Gianne Albertoni – ganhou novo cenário, novos quadros e passou a ser transmitido também em HDTV. A revista eletrônica, que já tinha edições regionais no Rio de Janeiro e Belo Horizonte, passou a ter também edições locais em Salvador e Porto Alegre. A expansão vai chegar a Belém, Goiânia e Fortaleza no segundo semestre.

O “Mais Você” de Ana Maria Braga segue como uma pedra no sapato da Rede Globo. Por não responder a nenhuma intervenção, a solução foi a criação do “Bem Estar”, único produto diurno em alta definição da emissora, gerado em São Paulo. A atração estreou em 21 de fevereiro com nove pontos de audiência, mas atualmente já não passa mais dos 7 pontos.

Por outro lado, a Globo tem posição bem confortável durante as tardes. A programação variada inclui telejornais, programa de variedades, filmes e novelas. A Record praticamente aceitou que nenhuma iniciativa vai render audiência, daí as infindáveis reapresentações de matérias velhas e de episódios de “Todo Mundo Odeia o Chris”. Pode ser que isso mude, pois é provável que o programa “E Agora, Doutor?” – uma adaptação do “Dr. Oz” – estreie em maio.

Aos finais de semana, a recente mudança de horário do “Esporte Fantástico” nos sábados parece que agradou o telespectador da Record. O cuidado em exibir filmes populares nas tardes também afastou a ameaça em audiência que o “Programa Raul Gil” estava se tornando. No mais, continuam o “Melhor do Brasil” e o irrelevante “Legendários”.

“TV Xuxa” é a nova aposta da Globo para as tardes de sábado; vai ao ar entre o insosso “Estrelas” de Angélica e o saturado “Caldeirão” de Luciano Huck. A loira tinha sua audiência cativa quando ia ao ar esporadicamente nas manhãs, mas agora durante à tarde essa audiência precisa dobrar para ser aceitável.

Depois de exibir o “Esquenta” com Regina Casé, voltaram ao ar “Aventuras do Didi” e “Os Caras de Pau”. Os programas de auditório continuam impregnando os domingos. “Tudo é Possível” com Ana Hickmann passa a ser transmitido em alta definição a partir do dia 10 de abril, com novo cenário e novos quadros. Não há informações de quando o “Programa do Gugu” vai ser transmitido em HD, mas o “Domingão do Faustão” já conta com imagens em alta qualidade, da mesma maneira que o “Domingo Espetacular” na Record. Esse não é o caso do “Fantástico”, que ainda não é transmitido com a tecnologia HDTV.

Incerto ainda é o Campeonato Brasileiro a partir de 2012 nas mãos da Globo. Mas é certa a exclusividade da Record na transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres no mesmo ano.

*Gregori Pavan é um entusiasta de televisão. Diferentemente do que todos pensam, ele não estuda Rádio e TV ou Jornalismo, mas cursa Administração. Mantém um blog pessoal e usa muito o Twitter.

Metrô de São Paulo não aceita mais cartão de débito

O Metrô de São Paulo parece não ter mais o que inventar para complicar a vida de seus usuários – clientes, na verdade. Já faz algum tempo que as cabinas de compra de créditos do Bilhete Único, que ficam dentro das estações, têm fixado um glorioso recado para quem quer que esteja pensando em comprar mais passagens: cartão de débito não é mais aceito para pagamento. O mesmo vale para cartão de crédito.

Faz um ano que eu me mudei para São Paulo. Uma das vantagens do sistema de transporte metroviário era justamente essa: permitir que o sujeito sem um centavo no bolso garantisse sua passagem por meio do Bilhete Único. Bastava entregar o cartão de débito da bandeira Mastercard, digitar a senha e voilà! A partir daí, não era mais preciso se preocupar com esse tipo de coisa

Agora está de volta o velho problema de ter que andar com dinheiro na carteira. Por aqui é assim: até banca de jornal aceita cartões das mais variadas bandeiras – até Visa, que não era contemplado pelo Bilhete Único desde sempre. Se bobear, daqui a pouco os andarilhos que pedem dinheiro na rua também andam com seus terminais móveis da Cielo ou qualquer que seja a bandeira.

Foi-se o tempo da comodidade de pagar a viagem de metrô com o cartão. Mas esse não é o grande problema, que me faz escrever esse texto indignado. E o que dizer da segurança dos usuários do metrô? Numa cidade em que a compra eletrônica é uma maneira de evitar carregar dinheiro nos bolsos, cá estamos nós novamente obrigados a portar papel-moeda para adquirir nossas módicas passagens.

Não sei ao certo quem culpar. Possivelmente eu esteja imputando a culpa diretamente à Companhia do Metropolitano de São Paulo, que opera as estações, quando na verdade as cabinas do Bilhete Único são gerenciadas por uma empresa terceirizadas. Mas quer saber? Tanto faz! Como cidadão e usuário, continuo me sentindo prejudicado por essa “novidade”.

Resposta do Metrô de São Paulo

Via Twitter, a Companhia do Metropolitano de São Paulo deu a seguinte resposta em 05.04.2011 às 19h12:

@thassius Olá, a SPTrans é a responsável pelos postos de recarga do Bilhete Único. Mais informações: http://ow.ly/4tUkd

Agora a minha pergunta vai para a SP Trans: qual é o motivo dessa decisão?

Pagando por um NET Fone que eu não vou usar

Cá estou eu, depois de passar uma meia hora conversando com atendentes da NET. Liguei lá porque desejo cancelar o meu NET Fone (R$ 14,90 por mês), garantindo a manutenção do serviço de banda larga NET Virtua (R$ 100,06 por mês, a partir de abril). O que eu descobri é de uma cara de pau tão deslavada que preciso narrar nesse texto-reclamação.

No diaaaaaaaaa em que eu virei um NET...

Quando contratei o NET Virtua, em março de 2010 – e logo que que eu havia me mudado para São Paulo –, o funcionário do quiosque no Shopping Santa Cruz disse que essa contratação deveria ser feita também com o NET Fone. Dessa forma, a assinatura mensal sairia mais em conta do que contratando apenas a banda larga. Aquele velho problema da venda casada que nós todos já conhecemos.

Passei 12 meses pagando tranquilamente a fatura da NET, com serviços de banda larga de primeiro 3 Mega, e depois 5 Mega, bem como o pacote mais básico do NET Fone. Agora há pouco, ao telefonar para a empresa no 10621 a fim de descobrir o cálculo do aumento da fatura a partir de abril – correção de 11,3%, por sinal, bem acima dos 6,91%  que o governo calculou para 2010 –, veio a grande surpresa: foram 12 meses de pagamento desnecessário do NET Fone.

A funcionária da NET explicou-me que eu poderia ter cancelado o NET Fone a qualquer momento, pois esse serviço é opcional, uma espécie de extra. Caso tivesse contratado algum NET Combo, com direito à televisão por assinatura, aí sim teria que manter o NET Fone para que a “oferta” (eu prefiro chamar de venda casada) fosse efetivada.

O curioso é que, lá no ano passado, o vendedor de serviços da NET – não sei se ele é empregado da empresa ou terceirizado; autônomo, talvez – disse categoricamente que eu tinha que ter NET Virtua e NET Fone para que o valor da assinatura mensal saísse mais em conta. Acredite, eu nunca fiz uma chamada sequer a partir do telefone da NET. Nem tenho aparelho de telefone fixo em casa, para o dia de querer fazer esse tipo de ligação.

Fui completamente enganado pela NET (ou seus representantes/parceiros/whatever; esse problema não é meu) durante um ano. Imagino que o caminho da justiça seja complicado aqui em São Paulo, mas estou bastante inclinado a requisitar por meios legais que a empresa devolva o valor de um ano de NET Fone pago sem necessidade. Até onde sei, é dever da empresa informar claramente para o cliente o que ele está contratando. À época da assinatura desse contrato, o pequeno detalhe de que pagaria um serviço inútil para mim não foi posto. Agora a NET tem que responder por isso.

Esposa de Mentirinha

Entrou em cartaz faz algumas semanas mais uma produção cinematográfica no melhor estilo pipoca. “Esposa de Mentirinha”, como você pode bem ler nos resumos publicados em jornais, conta a história de um sujeito feio que não consegue arrumar uma namorada. O tempo passa, e ele descobre o que é notório para muita gente: mesmo sem estar casado, ter um aliança no dedo atrai muito mais mulher.

Tem até alguns estudos pernetas que confirmam tal fato. Parece-me, se bem lembro, que as mulheres se sentem atraídas por homens comprometidos porque, em tese, eles teriam sido escolhidos por outra colega de trabalho e, portanto, devem apresentar alguns predicados que façam jus à necessidade de perpetuar a espécie.

Com esse dado científico em mãos, os roteiristas do filme criam uma história bem engraçada que consiste, basicamente, num solteirão (vivido por Adam Sandler) que precisa provar para o novo amor da sua vida — que havia se apaixonado por ele num momento em que não portava o anel — de que não é mais um adúltero nesse mundo perdido.

Jennifer Aniston e Adam Sandler estrelam a comédia "Esposa de Mentirinha"

Quem é que o sujeito, um doutor de sucesso, convoca para fingir-se de sua ex-mulher? A inigualável Jennifer Aniston, aquela de “Friends”, que parece não ter envelhecido um dia sequer desde que largou sua eterna personagem Rachel. Ele compra roupas, sapatos, faz acordos da mais variada ordem, tudo para que a Katherine se passe por uma mulher sossegada com o novo relacionamento do marido.

A graça de “Esposa de Mentirinha” é também um alerta que pode ser resumido naquele velho ditado: mentira tem perna curta. Os personagens se envolvem tão profundamente com aquilo que contam de falso, que chega a um ponto em que perdem o controle. Não preciso nem dizer que o caos total é instaurado.

O filme tem seus clichês — o final, inclusive, é um deles. Mas não posso negar que serve de agradável passatempo para um sábado chuvoso, ainda mais se você estiver muito bem acompanhado, como eu estava quando fui assistir ao filme. Vale o ingresso, vale umas boas gargalhadas, e vale uma reflexão sobre até que ponto uma mentirinha é uma mentirinha.