Vem aí o 1º NewsCamp Rio

Logo do primeiro NewsCamp Rio, em 2008

Finalmente o Rio está começando a receber aqueles eventos que geralmente vão para Sampa e a gente da ‘Cidade Maravilhosa’ acaba babando, mas não indo. Primeiro foi o Barcamp ano passado. Agora teremos nosso primeiro Newscamp. Sem contar os #botecamp, que estão se tornando habituais.

A versão carioca da Newscamp, como o próprio sufixo no nome já indica, segue o modelo de desconferência. Não são palestras, mas pessoas reunidas que definem assuntos a serem discutidos. Ou seja, não há hierarquia nem ordem de exposição de idéias.

É para jornalistas e interessados em jornalismo, mas acho que qualquer um pode ir por curiosidade. No meu crachá estará escrito “estudante de jornalismo e blogueiro”. Ou seja, no meio daquela pseudo-briga. Vamos ver no que vai dar.

O evento está sendo articulado pelo site Jornalistas da Web com apoio da Universidade Veiga de Almeida, que sediará o encontro. O wi-fi estará liberado, e, segundo o JW, salas multimídia também estarão disponíveis.

Blogueiros do meu Rio, compareçam! Alguns blogueiros - ligados ao jornalismo, por enquanto - já confirmaram presença. Eu estarei lá. Se você também for, não esqueça de avisar através dos comentários.

Informações

Data: 17 de maio, sábado
Horário: das 9h às 17h
Endereço: Veiga de Almeida - Rua Ibituruna, 108, Tijuca
Para chegar: pegue o metrô e desça na estação São Cristovão. Não dá 5 minutos andando.

Inscrição: é gratuita. Basta mandar uma mensagem para admin@jornalistasdaweb.com.br com seu nome completo. Se quiser adicionar outros dados, não tem problema.

NewsCamp Rio.

O Caso Isabella

Fiquei calado por muito tempo sobre o caso da menina Isabella. Chegou a hora de falar.

O crime cometido contra Isabella Nardoni é causador da comoção nacional. Isso é fato. E nem há problema nisso. Uma menina de cinco anos ser possivelmente morta pelo pai e pela madrasta de forma cruel como a polícia averiguou é algo que choca.

Também choca a cobertura que a Imprensa está fazendo desse caso. Eu, como futuro membro dessa Imprensa, estou sentido vergonha pelo que meus futuros colegas de profissão estão fazendo.

Hoje, no programa de Sônia Abrão na Rede TV!, aparecia um letreiro no pé do televisor anunciando: “Reveja daqui a pouco os momentos mais importantes da polêmica entrevista do pai e da madrasta da Isabella!”. Isso mesmo, com exclamação no final. Não duvido que em breve eles usem o termo “melhores momentos” para se referir aos trechos da entrevista.

Às 15h20, quando escrevia esse post, a TV Record mantinha um plantão no ar. Lia-se “Caso Isabella: polícia fala em instantes”. Minutos antes já tinha visto na Rede TV que a entrevista coletiva havia sido cancelada. Ou seja, desencontro de informações. Minutos depois, a entrevista coletiva aconteceu.

O pior, no entanto, foi a revista Veja. Alertado por um post do Alessandro Martins, fui checar a capa da revista. Estou embasbacado até agora.

Capa da revista Veja (23/abril/2008)

“FORAM ELES”. Dentro da revista, a reportagem que fala sobre o caso Isabella tem o título “Frios e Dissimulados”, e logo abaixo desse título encontramos o resumo “Pai e madrasta mataram Isabella, numa seqüência de agressões que começou ainda no carro, conclui a polícia“.

Na verdade, quem conclui é a própria revista Veja. Embora a condenação popular do casal Nardoni já tenha acontecido, o mesmo não podemos falar da conclusão judicial do caso. Existe uma coisa chamada presunção de inocência -talvez o Rodrigo Ghedin possa nos explicar sobre esse assunto-, que garante a esses acusados o direito de serem considerados inocentes até que o caso tenha chegado à instância máxima do poder judiciário. É o famoso “todos são inocentes até que se prove o contrário”.

Agora a pouco o delegado responsável pelo caso disse, em coletiva de imprensa, que a polícia não pode sobrepor os interesses jornalísticos aos interesses públicos. O principal é que se elucide o caso. Até lá, não podemos condenar ninguém. Só o juiz ou jurado (parece que o caso vai a júri popular) pode.

Rafacast: “A blogosfera evoluiu”

Interrompendo um pouco a linha editorial “posts com opinião” deste humilde blogue, hoje irei vos apresentar uma entrevista.

No último fim de semana aproveitei que o Rafael de Castro Silva (o Rafa!) estava disponível no Messenger e perguntei se poderia entrevistá-lo. Ele queria saber quando, e eu tasquei como resposta: “agora”. E a entrevista rolou.

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Você cansou de blogar?
Definitivamente não.

Por que seus posts são cada vez mais raros?
Por falta de tempo e pela minha pressa em fazer sempre três posts por vez.

Durante o encontro de blogueiros no Espirito Santo, alguns blogueiros que não participaram do evento reclamaram da ‘cobertura’. O que você tem a dizer sobre isso?
Tenho um post só sobre isso, recheado de ironia. Ou seja, nele eu digo que não concordo de uma maneira sarcástica, para que achem que eu estou nervoso. Só pra deixar claro, caso alguém mais interprete errado.

Você foi mal interpretado?
Duas vezes.

Você tem freqüentado muitos eventos sobre tecnologia e blogs: Barcamp Rio, Blogcamp ES, Campus Party. É importante o contato presencial com aquelas pessoas que você já conhece através da rede?
Não só considero importante. Considero essencial pra qualquer relação, seja ela construída pela internet, telefone ou fax. Conhecer na vida real alguém que você já conhece num mundo diferente desse é incrivelmente bom.

Nesses eventos você acabou sendo chamado de “RafaCast”, uma notável confusão com seu nick “Rafa CST” e a palavra podcast ou videocast. Você se considera uma pessoa em constante transmissão?
Não tanto quanto eu gostaria. Acho que um podcast seria ideal pra passar minhas idéias adiante com mais frequência, mas não me vejo fazendo isso sozinho.

Você teve um podcast sobre tecnologia.
Sim, mas o meu parceiro de podcast era meio travado e quase nunca podia gravar. Acabou falecendo de causas naturais. O podcast, não meu amigo.

Já pensou em fazer um videocast sobre tecnologia, como o Geek Brief?
Sim, videocast é algo que já pensei em fazer sozinho, mas infelizmente não tenho equipamento necessário. Se arranjasse uma câmera decente, um servidor bom pra hospedar vídeos e alguém que saiba editá-los, com certeza mandaria pro ar. Essa é a diferença do áudio, os recursos necessários são extremamente diferentes.

Voltando a falar de blogosfera… Você acredita que, se compararmos a organização atual dos blogs brasileiros com a de dois anos atrás, muita coisa mudou?
Uma vez um otorrinolaringologista mexicano (não me pergunte como :P) me disse que nosso corpo muda por completo a cada 90 dias, mais ou menos. Acho que acontece exatamente o mesmo com a blogosfera brasileira. A cada época descobrimos mais sobre o impacto que causamos em alguma área da mídia e evoluímos com isso. Algumas vezes damos ré no Kibe, mas como blogueiros temos essa liberdade.

A blogosfera evoluiu?
Sim, e não vai parar tão cedo. Seja por inveja do poder que blogs de outros países têm ou por pura falta de coisa melhor pra fazer, os blogueiros vão sempre achar um jeito de mostrar o quão suas opiniões são relevantes. E cada vez que essa opinião é passada adiante ou influencia alguém, a blogosfera evolui.

Existe uma briga entre blogueiros e jornalistas?
Não, existe uma rixa boba de crianças. Tipo guris de 10 anos batalhando por um pirulito que acharam ao mesmo tempo no chão. Nenhum dos dois está disposto a largar o doce e ainda temem a possibilidade de reparti-lo.

Veronica Belmont ou Cali Lewis? [Foto das duas juntas - Para quem agüenta emoções fortes]
Ambas adoram tecnologia, são lindas e, infelizmente comprometidas. Por esse fato, minha cabeça explodiria antes que eu pudesse tomar qualquer atitude.

Uma última pergunta: por que “Futilidade Pública”?
Por que há 3 anos esse nome não aparecia em resultados no google e eu achava que o que eu escrevia tinha bastante relevância pra quem lia, por isso a ironia no título. Como que algo fútil pode passar a ser útil?

Se quiser mandar um beijo pro seu cachorro, pra sua mãe e outro pra Xuxa, a hora é agora.
Não, só pra interwebs que merece. :F

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Rafael de Castro Silva

Rafael de Castro Silva, 20 anos, mora no Espírito Santo. Mantém o blog Futilidade Pública e é um dos blogueiros mais networkizados (acredite, ele conhece muita gente) do Brasil. Atualiza de vez em quando seu twitter.

Carreira de jornalista

Se você pensa em fazer o curso superior de jornalismo, sugiro que leia uma entrevista com a Miriam Leitão produzida pelo O Globo e pela revista Magazine (pertencente ao Globo). Algumas pessoas poderão argumentar que Miriam trabalha para a Globo, e que por isso não deve ter sua opinião respeitada.

Já eu acredito que ela seja uma profissional notável dentro do jornalismo, e por isso mesmo qualquer um que pense em seguir a carreira de jornalista deve ler a reportagem e ouvir o áudio. Principalmente meus colegas da turma de JO. Alguns deles nem sabem por que freqüentam as aulas.

Miriam Leitão

Vale destacar o verbo “estudar”, que a jornalista utiliza várias vezes durante a entrevista. Deve estar claro para qualquer aspirante a jornalista - como eu - que a máxima dessa profissão é “não saber tudo, mas um pouquinho de cada coisa”. Fica a dica.

E você? O que espera da carreira jornalística?

Dementadores em sala

Um texto profundo da Maria Thereza no Pictolírica (blog muito bom, por sinal) falava da problemática universitária que envolve professores que supõem que você sabe tudo, e alunos que estão se iniciando no curso e obviamente não sabem nada. Isso me lembrou uma historinha. Senta aí, acompanha o texto e depois comenta, tá?

Para quem nunca leu/assistiu Harry Potter, dementadores se alimentam de boas lembranças, deixando somente as piores experiências e lembranças de uma pessoa. O beijo do dementador suga a alma da vítima. Este beijo não mata a vítima mas faz com que ela se torne um ser inválido (demente). [Com informações da Wikipedia]

Dementadores do filme Harry Potter

Eu tenho aula de economia política toda sexta-feira. E eu gosto muito dessa aula, já que economia e política são dois temas que eu procuro acompanhar bastante. O problema é quando as pessoas se aproveitam dessa aula para se engajarem em discussões filosóficas pouco construtivas.

Certa vez, quando discutíamos os fundamentos dos mercados e coisas desse tipo, um ser de pouca luz (copyright Ju Mello) interrompeu a aula para perguntar ao professor se ele achava que os mercados deveriam ter seus produtos limitados pelos estados-nação. O problema não é trazer esse tipo de discussão para sala. Mas sim como essa criatura trouxe.

Enquanto fala, ela parecia um filme em mega-slow-motion. Uma lentidão que dava sono, que dava vontade de ir embora de sala. Como eu gosto muito de economia, acabei ficando. Mas estava difícil de aturar. Se normalmente você leva um minuto para formular uma boa questão, ela deve ter levado quase uns cinco. E no ritmo dela, a impressão que tive é de que foram quase dez minutinhos.

A infeliz fez questão de citar o exemplo de Cuba. Logo Cuba, aquela ilhazinha mequetrefe que tem carros de meados do século passado. Aí não teve jeito: interrompi a fala da lesma lenta para avisar que estávamos saindo do campo econômico e começando a meter socialismo na história. Ela falou de um documentário chamado Surplus, que eu ainda não assisti e nem estou me animando a ver.

A aula prosseguiu mais um pouco com essa discussão entre livre mercado e determinações políticas. Até que ela me vem comentar sobre “um louco da Microsoft que ficava gritando coisas estranhas”. Frente à necessidade de dizê-la que não sabia absolutamente nada do que falava, consegui me controlar e me calei.

O vídeo em questão é do Steve Ballmer, manda-chuva da MS, gritando “Developers”. Do jeito que a pobre infeliz colocou, parecia que o cara era um doido varrido. Na verdade, se analisarmos bem o contexto, Ballmer nem parece tão insano assim: num evento sobre Windows, estava ovacionando os desenvolvedores da plataforma. É o estilo dele.

Imagino o que a dementadora que suga toda a alegria dos alunos da minha turma vai contar na próxima aula. Aposto que vai ser algo relacionado à Apple. Mas se falar mal da maçã, juro que taco meu iPod na cabeça dela.

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