Petição contra Lei de Cibercrimes

Publicado em 9 de Abril de 2009 às 0:51 por Thássius Veloso
Assunto: Internet, Opinião | Leia mais: , , , , , ,

Podemos perder nossas liberdades individuais na internet[bb] a qualquer momento. Um projeto de lei, de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), propõe um verdadeiro estado policial em plena era de liberdade de expressão e pensamento e livre troca de informações.

Para tentar evitar que o pior aconteça, está no ar uma petição que pede o veto à possível lei de cibercrimes. Uma vez que ela já foi aprovada pelo Senado, nos resta que a Câmara dos Deputados barre o vigilantismo cibernético. Um dos tópicos mais controversos da PL-84/1999 diz que provedores devem manter registro dos acessos de seus usuários e também que os denuncie, como se fossem delatores.

Não faz sentido que uma das maiores invenções da atualidade, que democratiza o acesso à informação e viabiliza novas formas de fluxo de capitais, seja tratada como uma máquina a ser usada contra seus usuários. Isso é criminoso, como acontece na República do Povo da China, uma notável ditadura no que tange ao acesso à internet.

Com um pouco de esforço, é possível comparar o projeto de lei do Senador Azeredo à Inquisição imposta pela Igreja Católica na Idade Média. A invenção dos tipos móveis, e consequentemente da imprensa, por Gutenberg, viabilizou o acesso à informação através dos livros. A Igreja, dominante à época, sentiu-se ameaçada pelo poder dos impressos e decidiu queimar todos que versassem contra seus dogmas. Em resumo, milhares de publicações foram queimadas (sem falar em indivíduos). É uma das histórias mais negras da História dessa instituição religiosa.

A “Lei Azeredo” (ou “Lei Tarso Genro”, como preferir) propõe algo semelhante. Criminaliza-se tudo, e fica na mão do Estado e das corporações decidir quando de fato há culpa ou não. É irracional e inaceitável.

Para assinar a petição contra a lei de cibercrimes, clique aqui. Quase 150 mil usuários já assinaram. Precisamos mostrar o poder das mídias sociais quando nosso próprio meio está em risco.

Memórias Fracas enviou e-mail para todos os deputados federais que representam o Estado do Rio de Janeiro solicitando que tomem conhecimento do assunto e se manifestem. Somente o deputado Chico Alencar (PSOL/RJ) respondeu, convidando este blogueiro a assinar a newsletter do político.

Posts com assunto similar

13 comentários

Show!

O poder do formigueiro é fantástico, o poder das mídias sociais e a velocidade que isto acontece. O mais importante mesmo é saber que quem movimenta isto são pessoas mediadas pela tecnologia em favor da democracia.

Caribé: Se nós conseguimos nos mobilizar para discutir garrafinha de bebida energética, LG Renoir e script de seguir gente no Twitter, tem obrigação de conseguir muito mais assinaturas para essa petição.

Já viu isso, Thássius?

A “Lei Azeredo”, agora, é “Lei Tarso Genro”. O Ministério da Justiça piorou o negócio. Antes, havia um sem-número de dispositivos que única e tão-somente obedeciam o Devido Processo Legal e a garantia do princípio do contraditório etc.

Agora, o MJ muda tudo. A polícia chega de vez, pisa na jaca e acaba com os direitos.

Pessoas vinculadas ao PT, claro, dizem que é ingerência do próprio Azeredo. Mas é mentira. A Polícia Federal é autônoma. O Ministério da Justiça é autônomo e a propositura desse substitutivo oriundo do EXECUTIVO FEDERAL será por meio de parlamentar petista.

Vergonha das vergonhas.

Leia por aqui, via Pedro Dória:

http://pedrodoria.com.br/2009/03/29/era-lei-azeredo-agora-e-lei-tarso-genro/

Espero apenas que tenham hombridade de mudar o título da petição.

Grande abraço!

Não me leve a mal Thássius, mas só um ‘abaixo assinado’ online não muda nada, os blogueiros e usuários de Internet tem que mostrar a mesma animação que mostram para ir às CPartys & cia e ir na toca da raposa, Brasília.

Chega de ‘Betinhos de Sofá’. Pronto falei.

O Gravatai esta redondamente equivocado, o patrono do projeto é o Senador Eduardo Azeredo. A proposta do MJ (Tarso Genro) foi elaborada na intenção de “salvar” o PL do Azeredo, entretanto, ela seguiu por uma linha que reforça o artigo 22. Mas ainda é uma proposta, o que pode de fato virar lei no momento é o projeto do Azeredo.

Julix, pode acreditar que a petição tem um valor e tanto, ela ja foi citada em dezenas de artigos em jornais e revistas e tornou-se um ícone da oposição ao projeto.

Caribé, desconheço as “intenções” (aquelas de que o inferno está cheio) do Ministério da Justiça. Já li, inclusive, que o Azeredo ‘manda’ em tal pasta (???).

Ocorre que, dentre algumas teratologias, ele modifica coisas brutais: o que era antes determinação judicial, passa a ser ORDEM POLICIAL. Fora a questão do RG etc.

O projeto inicial do Azeredo foi modificado pelo Mercadante – conheço quem mudou tudo, ele se chama Michael de Freitas Mohallem e hoje estuda em Londres; era assessor do Senador petista.

O PL, até então, adequava a Internet ao mesmo sistema vigente em outras esferas: bancária, fiscal etc. Nossos registros bancários permanecem guardados por CINCO ANOS, nos respectivos bancos, e são abertos no caso de solicitação judicial.

O que haveria? Uma adequação ‘internética’. O que muda com o MJ? Não apenas ‘logs’, mas praticamente a exposição de nossas vísceras, e mediante ORDEM POLICIAL – não mais o devido processo legal.

É um grande abuso. Não há falar, portanto, em “Lei Azeredo”. Agora, meu caro, é LEI TARSO GENRO. É preciso colocar o amor à causa acima da predileção partidária.

Abs

Em tempo: ao contrário do que falam, não trabalho para deputado algum. E eu sempre fui CONTRA a Lei Azeredo original. Passei a defendê-la depois dos substitutivos apresentados por Mercadante.

Abs.

Gravatai, quem sempre levaou a discussão para a causa partidária foi você. E você sabe muito bem que não tenho nenhuma predileção partidária nesta causa.

A proposta do MJ ainda não esta tramitando, quem esta tramitando é a proposta do Azeredo, de forma que chama-la de lei Tarso Genro é no mínimo uma forma de dissimulação.

Sim eu sei que o Mercadante tinha este assessor, foi ele quem me mandou a redacao final na ocasiao. Mas o Azeredo tambem parece estar bem assessorado e provavelmente por “assessores” de fora do Senado…

Desconheço os assessores do Azeredo. Quanto aos “entre aspas”, espero que não seja nada direcionado a mim, já que trabalho na iniciativa privada e meu nome não consta de nenhum abaixo-assinado – seja pelo ativismo, seja para anistiar Zé Dirceu.

Ademais, a lei que tramita tem 10 (DEZ!!!) substitutivos do Mercadante, todos eles correspondentes aos artigos mais espinhosos.

E, não, não fui eu quem levou para a questão partidária. Tanto que os autores do abaixo-assinado não o intitularam “abaixo o PL tal”, mas sim “abaixo o PL Azeredo”, fulanizando e partidarizando uma discussão que poderia ser somente técnica.

O mais engraçado? No blog do Pedro Dória e no do Luis Nassif, pra ficar em dois exemplos, leitores alinhados ao Governo já passam a DEFENDER a Lei. Curioso, né? Agora, com essa iniciativa do MJ (que, de fato, ainda não tramita), a opinião das pessoas mudou.

Quanto a você, de fato, não sei de qualquer militância partidária. Sei apenas que atua em favor de uma causa. E jamais poria aspas irônicas, reticências, nem faria ilações a seu respeito.

Mas não posso dizer isso acerca de TODOS que falam em favor do ciberativismo, mas vez por outra sacam teses estranhas da cartola (como a de que eu trabalho para um deputado [???]).

Abs

Gravatai, com certeza o entre aspas não é direcionado a você, pouco sei a seu respeito, apesar de não concordar com seu ponto de vista. A unica coisa que sei de fato é que você e a Lady Rasta estão advogando pela Raquel Camargo no caso Twitter Brasil.

A minha motivação é unica e exclusivamente pela liberdade na rede, não tenho nenhuma militância partidária e nem nunca tive e estou aqui falando por mim.

Se o projeto de cibercrimes fosse do PT, PV, PTZ, PQP, ou qualquer outro partido eu seria contra ele até que ele fosse um projeto realmente bem intencionado.

O Debate que aconteceu na Câmara dos Deputados acabou por demonstrar as verdadeiras intenções do PL do Azeredo: Beneficiar os Bancos, a industria cultural, a industria de certificação digital para citar alguns. Isto de certa forma levou o assessor do Azeredo a dar “um perdido” falando que os Deputados por conta da crise econômica teriam coisa mais importante para fazer do que apreciar o projeto de cibercrimes. Ainda nesta estratégia, o Azeredo conseguiu a presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, provavelmente para liderar na adoção da convenção de Budapeste.

Paralelamente a CPI da pedofilia iniciou a tramitação de um projeto o PLS 494/08 (http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=88862) que é uma versão piorada do artigo 22 do Azeredo e que abre o espaço para pedido do MP e/ou da Policia e inclui o provedor de conteúdo. (Adivinha quem é o relator….)

Por fim a proposta do MJ é uma versão, onde o novo artigo 5 (antigo artigo 22 do pl do Azeredo) é uma versão ainda piorada da proposta da CPI da pedofilia.

Isto configura numa verdadeira triangulação que tem por objetivo oferecer o maldito pl do Azeredo como uma opção “menos pior”
http://xocensura.wordpress.com/2009/04/02/deu-bode-no-congresso/

Caribé, antes de tudo, devo desculpas pela minha desconfiança. Por esse jeitinho “do contra” e “polêmico”, entro em tudo que é discussão de blog e acabo meio paranóico. Fico feliz de não ser algo direcionado a mim.

Sim, sei que o projeto original era uma porcaria. E meus pitacos sobre a lei são TODOS – sem exceção – posteriores aos adentods de Mercadante. Por quê? Porque conheço Michael e Ivo Correa (trabalhamos juntos).

Estudei o que foi modificado e, na minha opinião, entendi que o projeto novo estava bom. É minha opinião, não uma “verdade absoluta” e, como tal, passei a defendê-la. Apenas isso.

Não duvido, de fato, que Azeredo tenha apresentado sua proposta para atender aos interesses bancários ou coisa que o valha. Mas, agora como está, parece-me bem razoável. Mas, se aprovada a minuta do MJ, aí retiro tudo que disse em favor do projeto.

Em suma, é isso.

Um abraço.

Zerei meus feeds, li seu artigo e assinei a petição. Espero que as mídias sociais ajudem a reverter essa situação. Uma coisa grave dessas acontecendo e a maior parte da população nem se da conta… Sad.

Deixar comentário

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

URL (se tiver)

Escreva seu comentário abaixo. Ao clicar em "Enviar comentário", você automaticamente concorda com a Política de comentários e privacidade do site.