Olimpíadas serão no Rio de Janeiro
Publicado em 2 de Outubro de 2009 às 13:51 por Thássius Veloso
Assunto: Brasil, Opinião, Rio de Janeiro | Leia mais: América do Sul, Cidade do Rio de Janeiro, esporte, Estado do Rio de Janeiro, Jogos Olímpicos, Jogos Pan-Americanos, metrô, Rio 2016, segurança, transporte, trânsito
Acaba de sair o resultado. Sim, os Jogos Olímpicos de 2016 acontecerão na dita cidade maravilhosa, onde este que vos escreve resiste. Essa é a boa notícia. Estão preparados para a má notícia?

Embora o Rio de Janeiro seja sim uma cidade linda – ao menos em alguns cantos -, não é de beleza natural que as olimpíadas vivem. Até 2016 as previsões não são nada boas. Só para começar essa conversa, o trânsito do Rio, que já tem sofrido com os fortes congestionamentos, deverá estar com cara de São Paulo até o fatídico 2016.
O transporte público também tem muitíssimo o que melhorar. Tente pegar o metrô para ver como falta infra-estrutura. A concessionária e o governo estadual prometem melhorias até lá. Você está crente nessa promessa? Eu não, nem um pouco. Ônibus também deixam muito a desejar. Tem mais: a meu ver, deixar o transporte público de uma cidade pronto para atender à demanda dos jogos olímpicos não é criar faixas especiais para ônibus que levem os espectadores e atletas para as áreas de competição, como fizeram no Pan-Americano. O carioca, esse sim, tem que tirar proveito das obras que custarão muitos bilhões de reais.
Espero ver, também, que a segurança da capital esteja em foco. Se nunca antes na história desse país houve tanta sintonia entre governo municipal, governo estadual e governo federal, essa é a hora para transformar o Rio de Janeiro na cidade que ele tem potencial para ser. Conseguiram fazer isso com Barcelona, na Espanha… Será muito bom se fizerem o mesmo pelo Rio.
Também é preciso dar prioridade aos nossos esportistas. Ser somente cidade-sede não basta. É preciso que, desde já, o Estado e a iniciativa privada dêem apoio aos atletas, para que eles tenham reais chances de ganhar medalhas nos Jogos Olímpicos do Brasil. Lembro que, até pouco tempo atrás, uma ginasta olímpica tinha perdido patrocínio e estava sem ter onde treinar. Não podemos aceitar que esse tipo de coisa continue a acontecer.
Confesso que não estava muito otimista com a candidatura da minha cidade a cidade-sede dos jogos olímpicos. Mas, se não tem outro jeito, e se os dirigentes do esporte olímpico mundial consideram que estamos prontos para um evento de tais proporções, ao menos que façamos bonito. Não para inglês ver, mas para carioca e brasileiro ver.
Vídeo
Assista abaixo ao vídeo da candidatura carioca. É fascinante.
Foi dirigido pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles.



9 comentários
Nadynne
02/10/2009 14:10
É óbvio que o Rio tá muito longe de ser o lugar perfeito que fizeram crer nesse belíssimo vídeo. Mas deixar de sediar esse tipo de evento vai ajudar o Brasil em que? Há muito que se melhorar, e todos nós, que moramos e/ou trabalhamos na “Cidade Maravilhosa” torcemos para que ela volte, de fato, um dia, a ser Maravilhosa – com M maiúsculo. Só que sediar o PAN, os Jogos Olímpicos, ser a final da Copa, tudo isso traz divisas e espalha o nome da cidade pelo mundo – trazendo investimentos pra cá. Cabe ao povo, ao invés de achar que tudo é pão e circo, cobrar dos governantes o investimento de toda essa verba – e aí entra o papel dos eleitores, que só sabem reclamar da violência, do desemprego e do trânsito, mas não mexem uma palha pra mudar a situação. Rio 2016 sim – e mais quantos eventos de porte internacional quiserem trazer pra cá! A cidade agradece.
Julio
03/10/2009 19:18
Pena que precisa de um evento desse tamanho para melhorar alguma coisa no Brasil. Né?
Se der certo ai no Rio, vocês me avisem, eu vou tentar trazer a próxima pra minha cidade também, ehehehe…
Anny(@Annyllinha)
04/10/2009 18:54
Fiquei emocinada quando vi.
Ainda não conheço o Rio e adoro mesmo assim…acho que vai dar certo.
Sem dúvida.
Shisuii
04/10/2009 19:07
Sinceramente. Existem meios melhores de captar recursos para um lugar.
Exigir de uma máquina corroída pela corrupção como a política brasileira é, na melhor das hipóteses, genocídio. Aplicar recursos federais para uma exibição de influência política (porque essa campanha toda não foi nada mais do que isso), tendo chance de resolver apenas problemas de uma região, e pior, num país aonde a inspeção dos recursos públicos é inexistente.
Quais são as organizações sociais que podem fazer isso. Só o tranparencia.org.br dá conta?
Os empregos temporários gerados pelos invbestimentos são resoluições placebo.
E, enquanto gastam-se bilhões no espetáculo (e não dúvido de que será um belo espetáculo), nós não temos AAS em posto, nem livros nas escolas.
Vamos vender a imagem falsa de povo de festa pro mundo, mais uma vez?
João Carlos Landim
30/12/2009 10:50
O Rio de Janeiro não poderia ser o pior lugar a ser escolhido para realizar as Olimpiadas de 2016. com aquelas favelas, os traficantes, bandidos, por todos os lados. O governador Sergio Cabral não sabe mais o que fazer para acabar com tudo aquilo. Uma cidade maravilhosa, linda, com praias belissimas etc…O lula mandou no ínicio de seu governo o Ecercito para lá, mas não virou nada. Hoje é bala perdida para todos os lados, os participantes em 2016, tenho certeza, nunca mais voltarão ao Brasil.Quem conhece algo da história do Brasil sabe, no entanto, que não possuimos no passado um modelode civilização próprio e mais autêntico para o qual possamos aspirar e retornar. Desde sua criação este país tem sido um complemento – e, frequentemente, uma imagem retorcida – dos impérios coloniais e dos centros mundiais, cujas infkuências culturais e interesses econômicos até aqui chegaram. A busca de uma pesadelo idealizado, apenas de provavelmente irrealistas e ilusórias em todos os caso, pode fazer algum sentido em países com uma história distinta. Assinalar o beco sem saída do nacionalismo culural não significa a gravidade dos problemas de incorporação assinalados acima. O que é importante frizar em relação a esta discussão sobre a cultura brasileira é menos a solidez das teses nacionalistas e isolacionacionalistas – que é quase inexistente – do que seu potencial de criação de forma explosiva de nascimento populista, em um contexto de altos níveis de execução social causados por uma internacionalização da cultura e da economia caracterizada pelo uso de tecnologias complexas e em qualificações educacionais cada vez mais elevadas.
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