Sites diferentes, notícias iguais

Na imprensa escrita é admissível que diversos jornais publiquem um mesmo texto. Desde que estes jornais sejam de regiões diferentes, é claro. Caso contrário não haveria necessidade de redações para cada veículo; bastaria contratar algumas dezenas de agências de notícias e todo o trabalho estaria feito.

Na internet é um pouco diferente. Como as páginas virtuais estão disponíveis para qualquer pessoa com acesso à rede (excluindo os casos em que determinado governo bloqueia este acesso), fica chato quando grandes portais reproduzem o mesmo texto.

Foi isso o que eu percebi ao ler o título de duas notícias: “Novas enciclopédias virtuais ameaçam o reinado da Wikipédia”. Tanto o G1 quanto a Folha Online publicou textos quase idênticos e ao mesmo tempo (na verdade o G1 publicou alguns minutos antes). Você pode lê-los aqui: G1 e Folha.

Perceba como a Folha Online é relutante em inserir os links para os sites citados. Já no G1 isso é feito sem problemas.

14 comentários em “Sites diferentes, notícias iguais

  1. Rolou uma cópia ou é minima impressão? A folha aplicou um Ctrl C Ctrl V hein… :)

    Os textos são identicos? Só li um e pelo que olhei do outro é praticamente igual.

    Post Interessante
    []´s

  2. Thas,
    Isso acontece porque os jornais compram noticias de agencias internacionais e publicam pra encher linguiça. Se ao invés de encher linguiça eles gastassem o tempo de redação para emitir uma opinião sobre a notícia, teríamos então uma opinião diferente em cada veículo sobre a mesma noticia, seria bacana.
    Mas repare nos blogs e veja que muitos deles (não o caso do seu) não passam de papagaios de pirata, seus autores não conseguem (ou não querem) emitir opinião sobre nada a ficam só republicando noticias, poesias de outros, letras de musicas que se encontra em qualquer outro site, quase sempre, conteúdos bem idiotas, sobre tudo as noticias, para leitores igualmente idiotas.
    Porque? Porque as pessoas estão ficando idiotas. Estão ficando? Pra mim sempre foram, mas estão perdendo a vergonha e assumindo isso publicamente.
    E esse ano que não acaba nunca.
    Abração broder.

  3. O que me deixa mais puto nem é essa cópia descarada, mas sim o fato da Folha (e outros, como o Terra) jamais linkarem sites/blogs externos. Egoísmo pouco é bobagem, e eles chegam ao cúmulo de escrever a URL, mas sem linkar.

    []‘s!

  4. Trabalho em um jornal, Thássius. Realmente, como já disseram em um dos comentários, as notícias foram compradas de uma agência internacional no caso. Cada editor responsável não vê problema em publicar a matéria sem se preocupar se ela já foi publicada em outro lugar, afinal a agência vende seus textos para milhares de jornais e até outras agências. As redações estão cada vez menores e creio que, com a necessidade cada vez maior de atualizar tudo e em maior velocidade, sobra pouco tempo para que o jornalista aprofunde sua opinião e talvez ainda não haja interesse do jornal para que isso aconteça, muito embora já haja interesse do leitor. Talvez não haja sequer profissionais suficientes com essa capacidade no meio jornalístico. Li em algum lugar que cada vez mais os leitores irão buscar direto as fontes especializadas nos assuntos que lhes interessam e, aos poucos, dispensar o jornalistas que, antes, faziam a ponte entre leitor e especialista. Eu lhe dou um blog do blogspot – de graça – se você adivinhar onde é que estão esses especialistas no assunto pelo qual o leitor se interessa seja lá o assunto qual for…

  5. Junior,
    Primeiro, obrigado. Tento transmitir opinião baseada em informações factuais. E não apenas chutar sobre assuntos que desconheço. Se todos na blogosfera adotassem essa conduta teríamos textos de altíssima qualidade e sem o repeteco que ninguém agüenta.
    Muitos dos editores desses sites de notícias vêm da mídia impressa. Esquecem que na internet o site concorrente está a um clique do usuário. Na mídia impressa haveria a necessidade de, no mínimo, ir na banca e comprar outro jornalão. Ou seja, despeza (e lucro para eles).
    Quanto à popularização da idiotice nesse país, mais que evidente é glamourizada. Outros países lutam para que o nível cultural das pessoas suba. Aqui nada é feito.

    Rodrigo,
    Eles esquecem que o “internauta” tem um campo de busca do Google alí do lado. Ao escrever o nome do site, o site de notícias em si desaparece para dar lugar aos resultados. Ou seja, todos perdem: o site de noticias, porque deixa de ser visitado, e o usuário, porque tem que se dar o trabalho de procurar o que poderia estar no texto.

    Alessandro,
    é isso mesmo. Informação qualquer um tem hoje em dia. Opinião é bem diferente.
    Quando um gabaritado como o Carlos Alberto Sardenberg diz que determinada empresa vai fechar, só podemos acreditar nele. Precisamos de profissionais como ela. E não os comentaristas gerais, que nada sabem e opinam pautados em nada também.

  6. O Alessandro Martins destacou a falta de interesse por parte dos Jornais. Em um país onde os jornais são praticamente políticos, não há o interesse em deixar o jornalista expressar suas própria e qualquer opinião tendo, no máximo, o direito de expressar alguma posição política defendida pelo jornal.

    Por isso que a mágica está nos blogs. Mas mesmo assim, volta e meia, vemos alguém sendo despedido por algum conteúdo publicado em seu blog pessoal…

  7. Também já percebi isso em outros casos. A informação hoje se espalha como rastilho de polvora, mas há que se ter o mínimo de bom senso.

    Emitir opinião não é a intenção da imprensa, que se diz “imparcial”.

    Os blogs, então, entram como contraponto, possibilitando tanto ao redator como ao leitor o poder da opinião. O problema é que a massa de leitores ainda não acordaram pra isso.

    Quando será que a velha imprensa vai aprender a linkar?

  8. Na verdade isso é interessante e creio que necessário. Criamos certas afinidades com os sites que acessamos. Então é importante que o nosso site publique as notícias da hora, mesmo que sejam repetidas. Eu por exemplo não leio G1 mas leio a Folha e o Terra.
    Mas o melhor não é a notícia em si, e sim a visão de cada um sobre elas. Assim os blogs são mais interessantes que os portais de notícias.

  9. Fica a lição para nós blogueiros: Copiar e colar, ocultar links, ou simplesmente não linkar é coisa feia! Coisa de G1, Folha e afins…
    Continuemos criando, linkando, assinando e permitindo comentários. Somos muito mais elegantes!

  10. Olá Thássius,
    Esta questão é bem simples, principalmente tratando-se de blogs: Feeds.

    Artigos em blogs, com excessões, são normalmente movidos por feeds alheios. Ou seja, para que o trabalho de pensar se já fizeram isso? Então muda um parágrafo, uma frase de lugar e um “novo” post está criado.

    Como escrevi em um texto publicado no SobreBlogs: “manter um blog bom, no sentido de interessante, visitado e prazeroso, não é fácil. Tem que ter tutano na cabeça (isso é possível?)”.

    Obrigado por seu comentário em meu blog.

    Sucesso!
    Gino Netto

  11. Oi, Thassius, vim agradecer sua gentil visita e encontrei um blog muito bem escrito e atento a nossa realidade. A pasteurização do noticiario em função das agencias de noticias e dos robozinhos dos portais não é um problema apenas virtual. Muitos jornais impressos (especialmente no interior do país) acham realmente que copiar o que já foi dado na web e colar na página (mesmo que muitos deles nem assinem agencias) é “jornalismo”. A solução para qualquer epresa de comunicação se sobressair da mesmice é investir em equipe. Mas basta usar a palavra “investir” para saber qual a resposta. Enfim, estou a um passo de desistir do jornalismo… Grande abraço, e feliz 2007!

  12. Pingback: Linkar não dói. Comunicar erros também não » Memórias Fracas

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