Crítica: Distrito 9

De vez em quando aparecem uns filmes que prometem um ponto de vista completamente novo sobre determinado assunto, ou pelo menos uma forma nova de apresentá-lo. Distrito 9 (District 9 em inglês) é um desses filmes.

Veja se a premissa não é interessante: uma enorme nave espacial surge do nada cheia de aliens dentro. Nova Iorque? Paris? Não senhor, essa nave vai parar na pobre região de Johannesburgo, na África do Sul. Bem que esses ETs podiam ter escolhido um lugar melhor para ficar.

De uma forma completamente desconhecida, os aliens começam a sair da nave – essa sim fica planando sobre a cidade por décadas. Descobre-se, pois, que muitos deles estão famintos e enfermos. Em vez de propor a paz intergalática (ou destruir nosso planeta), muito pelo contrário: os extra-terrestres precisam mesmo de ajuda.

O interessante dessa história toda é que uma organização internacional é formada para transferir os aliens de lugar. Do centro de Johannesburgo, eles devem ir para uma região mais distante, onde poderão viver em paz. Entra em cena Wikus, o responsável por pela operação. Por sinal, um sujeito irritantemente atrapalhado que consegue estragar tudo.

Contar mais de Distrito 9 seria estragar a surpresa de quem assistir ao filme. Sem atores conhecidos, o filme explora um ponto de vista deveras interessante: e se os aliens pedissem ajuda para nós? No caso do filme, em plena África, o que vemos é um novo apartheid acontecer, dessa vez segregando humanos e “não-humanos”.

Distrito 9: possivelmente os aliens mais feios que você já viu.

Distrito 9: possivelmente os aliens mais feios que você já viu.

Não sei quanto a você, mas o final – calma, não vou contar – do filme não me agradou. Não totalmente. O que fica é aquela sensação de que um monte de perguntas ficaram em aberto. Mas o que aconteceu com ele? Os aliens sobrevivem? Só para citar algumas. O fechamento da história poderia ter sido feito de uma forma mais completa, para que não ficássemos com a impressão de que faltou algo.

Também me irrita um pouco a câmera nervosa do ínício do filme. Explico: em tese, Distrito 9 seria um documentário sobre a chegada dos aliens. Ou seja, durante o começo do filme é muito comum aquela câmera que esteve presente durante todo o Cloverfield. O estranho é que, conforme a história se desenvolve, a câmera subjetiva começa a rarear. Podiam ter decidido entre o modo convencional de gravar ou o modo Cloverfield/Bruxa de Blair.

Distrito 9 peca quanto à sua distribuição. Não que o filme estará presente em poucas salas de cinema, pois certamente estará. O problema é que, assim como Up, Distrito 9 estreará no Brasil dois meses depois da estréia ter ocorrido nos Estados Unidos. Lembro de uma época em que lançamentos cinematográficos eram eventos mundiais. Ultimamente os estúdios estão voltando com esse atraso irritante. O motivo de tal decisão continua sendo uma incógnita para mim.

De qualquer forma, corra para o cinema em 23 de outubro 16 de outubro e assista a Distrito 9. Mesmo com os problemas que eu apresentei nesse post, continua sendo um filme que vale à pena ser assistido na tela grande.