Maçã muito bem guardada

“Não temos nada a declarar sobre o assunto”. Essa frase, que poderia muito bem ser dita por algum Paulo Maluf, é uma das mais ouvidas por aqueles jornalistas que insistem em entrar em contato com a Apple, a empresa norte-americana que produz um dos aparelhos mais desejados de todos os tempos. Não que a Apple tenha ficha suja, sem poder declarar-se sobre assuntos de interesse próprio, mas sempre foi assim: são eles que mandam na notícia.

A cultura de superproteção empregada pela empresa de Steve Jobs não é de hoje. Já nos anos 80, quando a Apple ainda iniciava sua trajetória extraordinária no meio empresarial, Steve Jobs, seu fundador, determinava o que podia e o que não devia ser publicado pela imprensa. Àquela época, Jobs tinha o contato dos principais jornalistas de tecnologia do mundo e não subestimava seu poder de influência quando era preciso encerrar algumas pautas antes de serem publicadas.

Com o passar dos anos e com o aumento da Apple, esse processo internalizou-se. Jobs saiu da empresa e voltou dez anos depois, com uma ideia ainda mais espartana de como a comunicação da Apple seria conduzida. Entrevistas? Algo praticamente impossível. Qualquer informação que não esteja nos releases e comunicados é tratada como segredo de Estado, até que algum dirigente autorize (mais provável que não) a sua revelação. Com isso, temos apresentações de produtos frequentes, nas quais finalmente o consumidor descobre o que a empresa da maçã tanto apronta, de uma tacada só. Antes disso, é silêncio total.

Encontrar fontes dentro da Apple que vazem informação é tarefa árdua, difícil mesmo. Além da questão moral que esses segredos industriais implicam, todos dentro do campus da empresa assinam um acordo de confidencialidade quando são contratados. Ou seja, mesmo que quisessem falar, não poderiam fazê-lo. E como já disse Wittgenstein, sobre aquilo que não podemos falar, devemos nos calar. É o que todos dentro da Apple fazem: calam-se.

Por enquanto a estratégia de Jobs e seu time de executivos avessos ao público tem funcionado. Porém, o recente caso conhecido como antenagate, quando a empresa foi obrigada a revelar como conduz os testes de recepção de sinal do idolatrado iPhone 4, provou que, vez ou outra, os consumidores demandarão mais informações do que a empresa está disposta a fornecer. Resta saber o quão disposto Jobs está de atender essas demandas daqueles que fazem a Apple ser a Apple.

Steve continua o mesmo

A vida de Steve Jobs na Apple pode ser dividida em duas partes. Lá no início, com o bonachão Steve Wozniak, Jobs fundou uma das empresas mais valiosas do Vale do Silício. Nos anos 80, foi expulso da empresa pelo homem que ele mesmo contratou, voltando muitos anos depois pra transformar a Apple no que conhecemos hoje.

Podemos dizer que a grande vergonha pela qual Mr. Jobs passou na sua primeira estada na Apple foi quando viu-se demitido da própria companhia, da qual se orgulhava quase loucamente, por uma pessoa de sua confiança. Steve ficou magoado, ressentido, até que retornou ao seu trono já no fim da década passada.

E talvez a grande vergonha da segunda vinda de Steve tenha sido na sexta-feira passada, quando ele foi obrigado a subir ao palco do pequeno teatro na sede da Apple, em Cupertino, pra mostrar ao mundo que, de fato, o badalado iPhone 4 tem problemas de recepção do sinal de celular, dependendo de como o usuário segura o aparelho.

mea culpa, no entanto, não foi integral. Cabisbaixo, o CEO da maçã multibilionária disse que sua empresa não é perfeita. Oh, por essa eu não esperava! Por alguns instantes, tive a impressão de que ele pediria desculpas. Mas o orgulho voltou logo em seguida, quando Jobs mostrou fatos e dados que comprovam que outros aparelhos de fabricantes diversos passam pelo mesmo problema.

O iPhone 4, tido como aparelho perfeito, com design arrojado e uma forma inédita de construir e posicionar a antena, a menina dos olhos de Steve, foi o grande responsável por sua vergonha. Ao menos a solução dada pela empresa apaziguou os ânimos: capinhas de plástico grátis pra todos os compradores de iPhones.

Sobre apagar mensagens sobre o antenagate no fórum oficial da Apple, nenhuma palavra. Sobre como seria o cálculo para exibição das barrinhas de sinal do iPhone 4 em outros países (nos Estados Unidos eles adotam a fórmula da AT&T), também nenhuma palavra.

É, ele continua o mesmo Steve de sempre.

Meu iPod Touch vai morrendo aos poucos

Ê, tristeza. Quando você acha que a situação está ruim, aparece Steve Jobs pra te lembrar que um produto pode se rebelar contra você. Eu juro: dei amor e carinho para o meu iPod Touch, comprado faz 18 meses. Coloquei-o pra dormir numa cama quente todos os dias. E mesmo naqueles em que estava viajando durante a noite para SP, ele ficou confortável no meu bolso.

Não adiantou.

Meu iPod já começa a apresentar os primeiros sinais da velhice, que chega pra todos – inclusive para os eletrônicos. O Alzheimer já vinha se manifestando aos poucos, com a perda da memória e as irritantes telas de no content, mesmo tendo a certeza de que ele estava devidamente abastecido de conteúdo.

A saúde já debilitada faz com que a variação de disposição seja maior. Numa hora, o ThasPod Touch (nome bonitinho, vai…) tem tantos por cento de carga disponíveis. Minutos depois, esse número já mudou, e nunca sei quando o iPod está sóbrio ou quando está delirando.

Pensei que essa hora nunca iria chegar, mas o céu de iPods está pra receber mais um querido companheiro de músicas, vídeos e podcasts. Um guerreiro que, desde o começo, mostrou-se leal, praticamente negando-se a ir na mão dos outros.

Obrigado, nobre iPod, pelos serviços prestados. E tenha clareza de que, enquanto estiver carregando, estarei ao seu lado para o que der e vier (e jogar).

A morte prematura do Kin

Tudo começa com uma ideia. Oh, que tal produzirmos um equipamento novo, que possibilite aos nossos clientes ter acesso fácil aos amigos e à família? Como um relâmpago, vão sendo desenvolvidas as características desse novo produto. O que entra e o que sai? O preço também precisa ser camarada. Tudo pronto, uma boa agência de publicidade consegue estampar esse produto nos principais veículos de comunicação. E assim temos um lançamento de sucesso.

A fórmula parece ser tão fácil, mas quando colocada em prática, surgem tantos problemas, tantas dores de cabeça. O Kin, por exemplo: um aparelhinho modesto, com preço inicialmente mais elevado, e depois modesto, produzido por uma empresa nada modesta. A Microsoft tinha tudo para colocar no mercado um celular competitivo, que atingisse em cheio os adolescentes que gostam das redes sociais virtuais, mas não podem arcar com o preço de um iPhone – são 199 dólares, mas é preciso ter um plano de dados robusto e ficar preso à operadora por dois anos.

Em vez disso, a empresa do visionário Bill Gates colocou no mercado um celular inicialmente sem público definido, o que já dificulta na hora de vender. Para completar, havia dois modelos muito distintos, que demonstravam a falta de propósito da linha Kin. Um deles tinha cara de celular, mas design esquisitão. O outro parecia smartphone, com desenho bonito, mas faltava um sistema confiável. No fim das contas, nenhum deles vingou.

Não há discussão: a morte prematura dos aparelhos Kin foi a notícia dessa quarta-feira no mundo da tecnologia. Se cada dólar investido em pesquisa e desenvolvimento pela Microsoft fosse uma braçada, a empresa já teria nadado muito – muito mesmo: bilhões de braçadas -, mas sempre morrendo na praia. Como pode?

O que falta à Microsoft é fôlego. Enquanto a empresa não decidir em quais mercados quer realmente jogar, terá um caminho de pedras e derrotas pela frente. O Xbox é um caso de sucesso, porque criou um verdadeiro concorrente ao mercado antes dominado por Sony e Nintendo. Já o Kin vai para o histórico de investidas mal sucedidas, com seu encerramento anunciado apenas dois meses depois do lançamento. Ainda havia tempo para tentar salvar a linha, mas jogaram a toalha.

E na linha intermediária, temos o Zune. O player de mídia parece ter características interessantes, mas todo mundo ainda prefere comprar um iPod. Mérito da Apple, que cria uma aura de desejo no entorno do seu tocador de música, enquanto que a Microsoft apenas lança mais um produto. Daqui a pouco também vai parar no cemitério de tecnologias fracassadas.

Apple e a reinvenção de coisas

Tecnologia é assim mesmo: a empresa que chega primeiro num mercado, leva ele quase que inteiramente. O preceito está listado no livro Free, do Chris Anderson, editor da cultuada revista de tendências Wired. Também há aquelas empresas que criam seu próprio mercado, abocanhando a maior parte dos clientes que a própria criação teria.

A Apple é mestra em fazer algo que poucas corporações fazem tão bem: reinventar coisas. O iPhone foi e é um aparelho realmente revolucionário, que trouxe a tecnologia da informação para a palma da mão com enorme sucesso. E o melhor: com comodidade. Ao lançar o smartphone, Steve Jobs disse: ” Hoje a Apple reinventa o telefone celular” . Pura verdade, a empresa conseguiu fazer o que ninguém tinha feito anteriormente.

Lembra quando Steve Jobs anunciou – finalmente! – a chegada do iPad? O chefão da Apple fez questão de colocar o gadget numa categoria intermediária entre celulares (preferencialmente o iPhone) e notebooks (ou melhor, MacBooks. Quase todo mundo quer o portátil da maçã…). Dessa forma, Jobs usou de sua esperteza empresarial para criar um novo segmento, que seria liderado pelo aparelho criado por ele e seus discípulos.

O iPad não tem nada que seja exatamente novo. O conceito do computador pequeno, para funções básicas como navegação na internet, já existia antes da sua chegada. Arqui-inimigo de Jobs, tio Bill Gates chegou a comentar em algumas entrevistas como seria a computação do futuro: o agora aposentado descrevia um equipamento que teria conectividade contínua e seria usado para carregar consigo. Lembra algum aparelhinho? Pois é.

Quem já viu a interface do iPad sabe que ela é, de modo bem básico, a do iPhone e iPod Touch, só que maior. Aí está algo que eu não chamaria de reinvenção, mas apenas de adaptação a uma tela maior. O Windows Mobile  já era mais ou menos assim, só que com resultado porco (tinha até botão de Iniciar num celular!). O design do iPad? Nada mais do que um iPhone grandão, que certamente não pode ser carregado no bolso. Porém é leve. Devido a isso, perfeito para ser levado na mochila ou bolsa.

Fica difícil tentar achar uma fórmula para a reinvenção de coisas que a Apple faz. Seus engenheiros geniais, um time de executivos casca grossa e uma filosofia empresarial devem ajudar bastante, mas não é tudo. N’algum momento, essa fonte de inspiração e pensar diferente vai secar. Será que as concorrentes vão esperar isso acontece para voltar a conquistar mercados? Se for assim mesmo, temos um caso crônico de mediocridade no mercado de tecnologia. Não costumava ser assim.

Eu amo meu MacBook White

No início do mês eu escrevi aqui sobre os motivos que me fazem odiar o meu MacBook White. Muito bem, hoje eu vou abordar o outro ponto de vista: quais características positivas do MB me fazem querer continuar com o aparelho.

Como eu disse no outro post, hoje em dia tanto faz escolher Windows, Mac OS ou Ubuntu para a maioria dos usuários. No entanto, o Mac OS X possui uma vantagem que impressiona os Mac users de primeira viagem. Refiro-me à forma como novos aplicativos são instalados: na maioria dos casos, basta arrastar o aplicativo em questão para a pasta “Aplicativos” que a mágica está feita. Não é preciso rodar instalador nem nada do tipo. Mais simples impossível.

Ainda falando em sistema operacional, a atualização dos aplicativos básicos da Apple acontece de forma muito fácil. Com dois cliques (um no logo da Maçã e outro em Atualização de Software), o Mac OS faz o servicinho sujo de procurar atualizações para o Mac OS, para o iLife e para o iWork. Os demais aplicativos, desenvolvidos por terceiros, normalmente também têm no próprio menu a opção de buscar por atualizações. Algo muito bacana que programas criados para Windows também têm adotado.

MagSafe: "Protegendo seu investimento".

MagSafe: "Protegendo seu investimento".

Saindo do software e indo para o hardware, nesse campo a Apple faz um trabalho de primeira ao manter todos os aspectos do MacBook bem integrados. Vai dizer que não é genial um conector de carregador que utiliza ímã para se manter preso? Com isso o risco de alguém esbarrar no fio e derrubar todo o equipamento cai drasticamente. Imagine o prejuízo que um MB esparramado no chão, com peças para todos os lados, causaria.

A bateria é outra vantagem do MacBook White. Lembro que no meu notebook anterior, da Acer, o máximo de tempo que eu conseguia utilizar eram aproximadamente duas horas (antes da bateria morrer de vez). No notebook da Apple a coisa é bem melhor: com a internet sem fio ligada, mas sem abusar dos recursos do sistema (nada de games ou aplicativos que fazem uso intensivo da máquina), já consegui ficar quatro horas direto com o MacBook funcionando, no colo. Nesse caso o problema passa a ser o aquecimento do MB, que costuma ser exagerado.

Por último, mas não menos importante, está a facilidade de não precisar desligar o MacBook. Sim, é virtualmente desnecessário desligar o notebook no fim do dia, para no dia seguinte iniciar a máquina dando boot. Tudo no equipamento foi muito bem construído para que, ao fechar a tampa, ele entre em modo de soneca; ao abrir a tampa, em poucos segundos o Mac OS está de volta com a área de trabalho (“mesa”) intacta. O Windows 7 ainda precisa comer muito feijão com arroz para oferecer um modo de hibernação soneca similar ao do MacBook. No entanto, como sabemos, a Microsoft não produz o hardware e o software, então podemos dar um desconto para a empresa do tio Bill.

Estão aí os motivos para você optar por comprar um MacBook White. Mas eu mantenho a minha opinião de que o cliente deve entrar no mundo Apple já comprando um MacBook Pro de alumínio, que custa bem caro. Ou então que fique com um excelente notebook de outro fabricante, como HP ou Dell, rodando Windows 7.

Eu odeio meu MacBook White

Já vinha comentando com amigos há algum tempo que quase não utilizava meu MacBook White, que foi comprado no início desse ano. Normalmente as pessoas torcem o nariz para a minha opinião: “Como assim, não gostou de um Mac?!”. Aproveitando a deixa dada pela Fabi Neves, que escreveu no Vida de Blogueira sobre a decepção que teve com o MacBook versão Black dela, vou explicar aqui os meus motivos.

Bonitinho, mas ordinário. E fica imundo!

Bonitinho, mas ordinário. E fica imundo!

Uma coisa que me incomoda enormemente é a posição da Apple com relação ao mercado brasileiro. Como você já deve saber, eu sou editor do Tecnoblog News, então lido com notícias da Apple norte-americana e da Apple brasileira várias vezes por semana. Em uma sentença com palavras de baixo calão, poderia dizer: a empresa está cagando e andando para o Brasil.

Eu esperei vários meses antes de comprar meu MB, na esperança de que o novo modelo – anunciado no ano anterior, com gráficos da Nvidia – chegasse ao país e eu pudesse comprá-lo. Pois bem, não chegou e a empresa não tinha previsão de quando chegaria. Eis que, mais ou menos três semanas depois de comprar o meu MB White, começaram a importar a nova versão. Custava avisar isso antes? Não, e quem comprou o MacBook algumas poucas semanas antes se lascou, porque ficou com um produto “defasado”.

Comentar as especificações dos notebooks da Apple já se tornou algo redundante. Dizem que a empresa dita tendências, e pode até ser em alguns casos, mas os notebooks custam caro e não entregam tudo o que poderiam. Por exemplo, ter somente duas portas USB (como a Fabi Neves apontou) é de uma burrice descomunal. Acho que nenhum outro fabricante sério faz isso, exceto a Apple. E se faz, merece críticas também. Quase não uso o meu MacBook, então até que o disco rígido de 160GB tem atendido muito bem, mas por um laptop custando mais de três mil reais eles poderiam melhorar isso.

Sem falar na saída de vídeo, que ninguém exceto a própria Apple usa. Tenho que confessar que até hoje não gravei o nome dessa saída. Também nunca liguei meu MacBook em um projetor ou segundo monitor que tivesse entrada compatível; sempre precisei usar o adaptador VGA, que custou R$ 90 adicionais.

Aposto que os defensores da empresa vão dizer que eu já conhecia as restrições do hardware antes de comprar o aparelho. É verdade, mas ainda assim tenho o direito de me arrepender e concluir que não vale a pena trocar mais hardware – de qualidade, diga-se de passagem – por uma marca.

A Fabi diz que só fica no MacBook porque o Mac OS X é excelente. É mesmo, mas tenho usado o Windows 7 no meu desktop e não vejo tantas diferenças entre os dois sistemas. Dá na mesma escolher o da Apple ou o da Microsoft, ao menos para o usuário doméstico comum. Não morreria por ficar sem usar o Snow Leopard.

Hoje em dia a maioria das nossas tarefas pode ser feita através da web, o que minimiza a importância do sistema operacional. Portanto, tanto faz se você quer usar o Windows, o Mac OS ou o Ubuntu. Talvez até mesmo um Satux, mas aí é preciso coragem além da conta.

Comprar um Mac é para quem pode. Se você não tem condições de comprar um bacanudo MacBook Pro, deixe para lá: adquira um notebook da Dell ou da HP e seja feliz com o preço mais em conta e os recursos em abundância. Sim, a Apple tem um tech appeal incrível, mas não é o bastante. O custo-benefício não é tão vantajoso quanto os maravilhosos anúncios da empresa insinuam. Ainda mais com as nossas taxas de importação nas alturas.

Existe uma forma cem por cento correta de escrever iPod touch/Touch?

Tinha quer culpa da Apple

Tinha que ser culpa da Apple

Ontem o Rodrigo Ghedin iniciou no blog uma discussão muito interessante sobre como a nova mídia deve escrever nomes de empresas, produtos e marcas. Tudo começou com uma conversa por Messenger, na qual o Ghedin dizia que é errado escrever “iPod Touch”, conforme eu faço em meus posts para o Tecnoblog News. Ele diz que a Apple, fabricante do produto, sempre escreveu “iPod touch” (com o tê minúsculo, como na página do produto) em seus comunicados e anúncios, e que, portanto, essa seria a forma correta de escrever.

Eu fui consultar os dois manuais de redação que eu tenho, um do Estadão e outro da Folha de São Paulo. Na esperança de ter uma resposta, acabei encontrando mais dúvidas, visto que nenhum dos manuais fala explicitamente de casos semelhantes ao do “iPod Touch”. No máximo, uma citação ou outra sobre nomes próprios, mas nada muito extenso ou determinante.

O manual de redação do Estado diz o seguinte na página 191, sobre nomes de institutos, órgãos, entidades, empresas e produtos: “Os nomes de órgãos, entidades e institutos públicos ou oficiais deverão ser adaptados às normas ortográficas vigentes”. Entre os exemplos dados, temos Butantã (e não Butantan, com “an” no final) e Fundação Osvaldo Cruz (sem o “w” em “Osvaldo”). Nada, no entanto, chega sequer próximo do aparelho da Apple, o que complica a discussão.

Penso que, nesses casos em que há dúvida, fica a critério do redator (ou do veículo, caso trabalhe em um) decidir qual grafia adotar. É evidente que a empresa faz um esforço criativo e econômico para conceber os nomes dos produtos, inclusive com agências especializadas na criação de marcas, mas ainda assim nenhum veículo é obrigado a seguir o que a cartilha de publicidade da empresa em questão determina.

Pelo que me lembro dos tempos de alfabetização, nomes próprios prevêem suas primeiras letras iniciadas em caixa alta. A pergunta que eu faço: até que ponto “iPod Touch” é um nome próprio? Do meu ponto de vista, é sim um nome próprio e merece ter sua segunda palavra iniciada por maiúscula, ainda que a empresa detentora da marca pense o contrário.

Outro exercício necessário a quem escreve é ponderar se o nome do produto vai causar confusão ou estranheza a quem lê o texto. Uma pessoa que lê “A Apple anunciou hoje um iPod touch com sistema iPhone OS” vai entender que o nome do produto é “iPod touch”? Ou vai pensar que “iPod” é o produto em si e o “touch” é algum complemento, sem descobrir qual? No entanto, ao escrever “A Apple anunciou hoje um iPod Touch com sistema iPhone OS”, fica evidente que o nome completo do produto é “iPod Touch”. Ou não?

A decisão da empresa de veicular o nome do produto com minúsculas em seus anúncios é soberana, pois é questão de marca. Mas o redator, mais do que preocupado com a marca, está preocupado com que o leitor compreenda completamente a mensagem. Se for desnecessário capitalizar uma letra ou outra, excelente; na maioria das vezes isso não será preciso. E quando for necessário, que se faça a capitalização.

Como não existem exemplos (eu não consegui lembrar de um sequer) de marcas e produtos brasileiros que possuam a mesma dinâmica do “iPod Touch”, falta-nos material para consulta e referências. Nesse caso, o melhor é deixar que o autor do texto opte pelo que acha melhor.

Eu devolvo a pergunta para os comentaristas do Memórias: qual forma (touch ou Touch) vocês preferem e por que motivo?

Apresentando a AppBox

Tenho uma boa notícia para usuários do iPhone e do iPod touch. Como você deve saber, existem milhares (mais de 20 mil) aplicativos disponíveis na App Store atualmente para que o consumidor escolha, dentre opções pagas e gratuitas.

No entanto, nem sempre é fácil descobrir qual é a melhor app para determinada funcionalidade, visto os rankings que a própria Apple disponibiliza não são tão completos quanto nós gostaríamos que fosse. E, pensando nisso, foi desenvolvida uma forma nova de garimpar as aplicações que a App Store oferece.

AppBox

A AppBox é um serviço que varre a App Store por completo, indexando cada uma das apps disponíveis. Depois, as insere num sistema que possibilita dividi-las por categoria, ou então por ser uma opção gratuita ou paga. Essa é a parte automática.

No entanto, a AppBox depende da ajuda do usuário para se tornar mais inteligente e eficiente. Funciona da seguinte forma: toda vez que você encontrar uma app que lhe interesse, que você já conhece e confia ou que simplesmente parece ser de boa qualidade, você pressiona o botão iLike. Tendo feito isso, essa app ganha pontos no nosso ranking.

Com o tempo e com a ajuda da comunidade, o sistema fica mais preciso. Ele saberá identificar quais apps são destaques e quais não devem ser recomendadas. Até porque, além do botão iLike, o usuário também terá a possibilidade de comentar sobre a aplicação em questão.

Inicialmente a AppBox está disponível em inglês, por ser capaz de atingir um público muito maior. No entanto, acredito que a maioria dos usuários de iPhone ou iPod touch saiba inglês razoavelmente bem para buscar apps da na loja da Apple.

No futuro, o serviço será integrado a sites de análise de apps e também a vídeos que demonstram como essas apps (e games!) funcionam, tornando-se um verdadeiro concentrador de conteúdo sobre as aplicações.

Por enquanto, faço o convite para que você acesse http://myappbox.net/ e conheça o site. Faça uma busca pelas suas apps preferidas, que você já tem no seu iPhone/touch, e ‘iLike’-as, para que o ranking comece a ser construído. Esse é um projeto comunitário, desenvolvido pelo Leandro Alonso com uma ajudinha minha, no qual a sua participação é crucial.

Bem-vindo à AppBox. xD

Tiros! Socorro!

A doença do iPod, citada num outro post, é bastante real. Eu sofro dela, sabia? E esse mal do século 21 não se aplica somente aos momentos em que estamos ouvindo música nas alturas, principalmente para tentar esquecer do som ambiente. Até porque barulho de conversa de ônibus não é nada interessante.

Hoje eu tive uma prova de que estamos abusando do volume também em vídeos e filmes. Estava eu voltando para casa de metrô – sempre de metrô! -, depois de ficar 45 minutos numa aula que era só para entregar trabalho. Resolvi ligar meu iPod e assistir ao episódio mais recente de Prison Break, que tinha sido baixado mais cedo na iTunes Store.

Entre uma cena no compartimento do Scylla e outra nos escritórios da Gate Corporation, começa uma tomada em que dois reféns se rebelam contra os seqüestradores. Barulho, discussão. Sem problemas, até aí. Para entender os diálogos, aumentei um pouco o volume. De repente, não mais que de repente, alguém dá dois disparos com arma de fogo.

Quase fico surdo! Sem brincadeira, o áudio estava muito acima do desejável. Sorrateiramente, tirei os olhos da telinha do iPod. Umas quatro ou cinco pessoas me encaravam, tentando descobrir o que se passava. Deviam se perguntar o que diabos aquele maluco estava vendo e ouvindo. Mais um pouco e eu acho que teria gente se jogando no chão, pensando que era tiroteio (Rio de Janeiro, sabe como é).

Agora, minha intenção é comprar fones de ouvido com isolamento (tipo in-ear), conforme me recomendaram no post sobre a doença do iPod. Recentemente comprei fones convencionais da Philips por quase quarenta reais. É aproximadamente o preço de um fone in-ear, que pode ajudar a manter meu nível de audição como está atualmente.