O imbróglio da BrOi continua

broiNão pensei que fosse ser tão difícil de concretizar a venda da Brasil Telecom para Oi, mas parece que dessa vez as “autoridades” (quando não sabemos a quem culpar, usamos esse termo) estão mais cautelosas. Deu na Folha de hoje (acesso para assinantes): “Procuradoria investigará a aquisição da BrT pela Oi”. Diz a reportagem que a “Investigação vai avaliar se Anatel cometeu irregularidades ao conceder autorização”.

Talvez seja meio tarde para que a Procuradoria da República decida investigar. Ora, as operações da Oi e da Brasil Telecom já estão bastante azeitadas. O nome “Brasil Telecom” nem é mais usado; tudo agora atende pelo pequenino nome de “Oi”. Ou seja, é como se uma empresa já tivesse sido incorporada pela outra, embora essas dificuldades vira e mexe apareçam no noticiário.

A Anatel, evidentemente, insiste que tudo é bastante legalizado. Se há a bênção do presidente Lula, não há motivo para a agência – que historicamente defende o interesse das empresas – se meter no assunto. Já visualizo o presidente da Anatel postando no YouTube um vídeo intitulado “Leave BrOi alone!” (referência aqui).

Outra que se manifestou a favor foi a Seae, Secretaria de Acompanhamento Econômico. O órgão ligado ao Ministério da Fazenda verificou que o mercado de provedores de internet é concentrado. “Mesmo assim, a secretaria se manifestou pela aprovação sem condições, pois considerou que há facilidades para que empresas de outros setores disputem esses mercados”, escreveu O Globo. Se a Seae pensa isso, quem somos nós para contrariar?

Diante de tanta gente a favor da venda da Brasil Telecom pela Oi, parem de colocar dificuldades! Deixem que a BrOi nasça de uma vez, com bastante dinheiro em caixa para comprar outras empresas por aí. Reza a lenda que em breve a empresa vai anunciar novidades “bombásticas”. Estarei de olho.

Grand finale: Oi compra BrT

Em janeiro de 2008 esse blog já tratou da possível compra da Brasil Telecom pela Oi, antiga Telemar. Pois bem, durante o ano o negócio foi se concretizando e parece que na noite de ontem a cartada final foi dada para a criação da megatele brasileira. A Anatel, agência que tradicionalmente observa os interesses das prestadoras de telefonia, deu seu aval para que uma das fusões mais importantes da história empresarial recente do Brasil acontecesse.

O que isso muda para o pobre mortal do usuário de telefonia? Pelo visto, absolutamente nada. As duas empresas – Oi e BrT - estarão sob o guarda-chuva da mesma holding, a Tele Norte Leste Participações S/A. E só. Alguns departamentos internos devem se fundir com o tempo, como o jurídico. Mas, de modo geral, para nós não vai fazer diferença porque as duas empresas já operam em regiões distintas.

Seria absurdo pensar, por exemplo, que a Brasil Telecom passaria a concorrer com a Oi aqui no Rio, berço da Telemar. Ou então que ofereceria acesso à internet por um precinho mais camarada. Continuam sendo empresas em regiões distintas, com a diferença de remeterem os lucros – e são muitos! – para um bolso só, o da Tele Norte Leste Participações S/A. Na verdade, o cenário vai de mal a pior para o assinante, que continuará sem concorrência.

O mínimo que a Anatel/Governo (não sei a quem cabe tomar esse tipo de decisão) deveria fazer é abrir o mercado de telecomunicações brasileiro para outras empresas estrangeiras, que certamente têm capital para investir no país e aumentar a oferta de serviços. A concorrência historicamente sempre melhora a qualidade de produtos ou serviços prestados.

Como no Brasil a telefonia fixa é um monopólio,  não dá para criar competição. Somente uma empresa opera em cada região – curiosamente, a nova BrOi deterá 90% das regiões e 65% dos assinantes de telefone fixo -. Isso é muito ruim para o consumidor. Nesse cenário de megatele com tanta concentração de usuários, a presença de uma Telefônica ou Telecom Italia seria muito bem-vinda. Quiçá a toda poderosa americana AT&T não se interesse pelo nosso país.

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Quem sai ganhando mesmo é Daniel Dantas. Na reorganização da BrOi (a junção da Oi com BrT), o grupo de Dantas deixará a operação. E o banqueiro poderá embolsar algo na casa do bilhão de reais.

Resta saber se ele conseguirá desfrutar dessa grana toda… na cadeia.