O deputado se lixou

Lembra-se que, na semana passada, o deputado Sérgio Moraes (PTB/RS) afirmou que estava “se lixando” para a opinião pública e que eles, os parlamentares, continuariam a se reeleger mesmo com o histórico negro que possuíam? Ele não é mais relator do caso do outro deputado, dessa vez o Edmar Moreira (sem partido/MG), o do castelo.

O Conselho de Ética da Câmara destituiu Sérgio Moraes do cargo. Isso aconteceu porque o deputado antecipou o que pensava sobre o caso do castelo durante entrevista a repórteres. Com isso, Moraes invalidou a própria relatoria. Ele, claro, pretende recorrer da decisão no STF, a corte que tudo pode neste país.

Ainda estou curioso para saber qual será o deputado que entrará com pedido de cassação contra Sérgio Moraes por quebra de decoro parlamentar. Se dizer que se lixa para a opinião pública não é falta de decoro, nada mais é…

Dep. Sérgio Moraes (PTB-RS) (Foto: Diógenis Santos/Agência Câmara)

Dep. Sérgio Moraes: "Estou me lixando para a opinião pública"

Parece mentira, mas essa frase é legítima. Foi dita pelo deputado Sérgio Moraes (PTB/RS) ontem, enquanto defendia um de seus pares, o deputador Edmar Moreira (Não tem partido/MG). Talvez você não se lembre, mas o “nobre” deputado Moreira é o dono daquele castelo de 25 milhões de reais, registrado em nome dos filhos.

Brasília - Sérgio Moraes fala à imprensa. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

“Estou me lixando para a opinião pública. Até porque parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege“, disse Moraes a repórteres.

A pergunta que não quer calar: onde fica o decoro parlamentar? Lixar-se para a opinião pública é lixar-se para o povo brasileiro, povo que votou nesse senhor e o elegeu. Se a Câmara dos Deputados é “a casa de todos os brasileiros”, está mais do que na hora de tirar de lá aqueles que não nos representam nem nos respeitam.

Petição contra Lei de Cibercrimes

Podemos perder nossas liberdades individuais na internet a qualquer momento. Um projeto de lei, de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), propõe um verdadeiro estado policial em plena era de liberdade de expressão e pensamento e livre troca de informações.

Para tentar evitar que o pior aconteça, está no ar uma petição que pede o veto à possível lei de cibercrimes. Uma vez que ela já foi aprovada pelo Senado, nos resta que a Câmara dos Deputados barre o vigilantismo cibernético. Um dos tópicos mais controversos da PL-84/1999 diz que provedores devem manter registro dos acessos de seus usuários e também que os denuncie, como se fossem delatores.

Não faz sentido que uma das maiores invenções da atualidade, que democratiza o acesso à informação e viabiliza novas formas de fluxo de capitais, seja tratada como uma máquina a ser usada contra seus usuários. Isso é criminoso, como acontece na República do Povo da China, uma notável ditadura no que tange ao acesso à internet.

Com um pouco de esforço, é possível comparar o projeto de lei do Senador Azeredo à Inquisição imposta pela Igreja Católica na Idade Média. A invenção dos tipos móveis, e consequentemente da imprensa, por Gutenberg, viabilizou o acesso à informação através dos livros. A Igreja, dominante à época, sentiu-se ameaçada pelo poder dos impressos e decidiu queimar todos que versassem contra seus dogmas. Em resumo, milhares de publicações foram queimadas (sem falar em indivíduos). É uma das histórias mais negras da História dessa instituição religiosa.

A “Lei Azeredo” (ou “Lei Tarso Genro”, como preferir) propõe algo semelhante. Criminaliza-se tudo, e fica na mão do Estado e das corporações decidir quando de fato há culpa ou não. É irracional e inaceitável.

Para assinar a petição contra a lei de cibercrimes, clique aqui. Quase 150 mil usuários já assinaram. Precisamos mostrar o poder das mídias sociais quando nosso próprio meio está em risco.

Memórias Fracas enviou e-mail para todos os deputados federais que representam o Estado do Rio de Janeiro solicitando que tomem conhecimento do assunto e se manifestem. Somente o deputado Chico Alencar (PSOL/RJ) respondeu, convidando este blogueiro a assinar a newsletter do político.