Drive – Crítica

Na segunda eu comentei minha grata experiência de assistir a “A Dama de Ferro” com a inigualável Meryl Streep. Hoje eu tenho que soltar os cachorros em cima de outra produção cinematográfica que até concorreu ao Oscar em edição de som mas não levou: “Drive”. Que baita filme ruim!

Faço a ressalva de que a proposta do filme pode não se adequar ao meu gosto por cinema. Sempre há esse risco.

Ele faz essa mesma cara durante o filme inteiro. Direto da Escola "Kristen Stewart" de Atores.

A resenha impressa naquele jornalzinho da rede Cinemark era interessante: um dublê de cinema durante o dia assumia o papel de motorista de aluguel à noite para ajudar bandidos na fuga. Tudo bom, parecia um filme de ação. Pffff. Na verdade, até tem muitas disputas de carro. Porém, estraga no que se refere aos personagens.

O Ryan Gosling, prodígio do mundo do cinema, protagoniza sem soltar praticamente nenhum pio. Aposto que o roteiro resumindo as falas dele não passou de duas laudas — sim, eu escrevo “lauda” de vez em quando. O personagem é apático e sem graça na maior parte do tempo.

A produção é tão desastrosa que nem uma mocinha bonita conseguiram arrumar. Puseram uma moça mais ou menos, algo bem incomum na época das Angelinas Jolies e Megans Foxes que Hollywood paga tão bem para manter a forma e a beleza.

“Drive” tem uma história boa, porém mal executada. Eles insistem demais em músicas, músicas, músicas para momentos que claramente comportariam falas, diálogos. O espectador fica sem saber o que o motorista pensa até que ele senta a mão na cara de outra bandida. Ou se irrita e solta ameaças para um amigo de longa data, colocando-o contra a parede. Parece bondoso, mas quando estoura, não sobra para ninguém.

Resumindo… Não assista!

Passe longe de “Drive” no cinema e o ignore solenemente quando chegar à prateleira da sua locadora de bairro. Talvez valha à pena assistir quando sair na televisão por assinatura ou no Netflix. Eu não me arriscaria.

Outra opinião

A Vivi Maurey disse no Twitter que “Drive” é lento, mas ela gostou. Leia a crítica publicada pela Vivi faz uma semana e julgue por si próprio.

A Dama de Ferro – Crítica

Mais uma vez a Academia faz jus à responsabilidade de entregar um Oscar de melhor atriz. A preferida de sempre Meryl Streep aparece impecável em “A Dama de Ferro”, filme a que assisti na semana passada, mas só agora tive o tempo para colaborar com meus dois quinhões sobre o assunto.

“A Dama de Ferro” é Meryl Streep. Recomendo vivamente para quem quer acompanhar uma atuação primorosa dessa notável atriz.

Cabelo inabalável de pôr inveja à notável Cassandra Mathias Salão

O conteúdo do filme em si é algo que eu deixo para os historiadores. Há diversos relatos de erros cometidos pelo roteiro e pela direção. Sinceramente? Algo que não me fez falta. Quando quero uma reportagem de fôlego, acho mais prático ir direto no Discovery Channel ou similar. O cinema nos últimos tempos não tem sido uma fonte exatamente precisa de filmes que seguem à risca o que de fato aconteceu. Até porque a própria história em muitos momentos mostra-se questionável (os adeptos da teoria da conspiração que o digam).

Penso que o filme vale muito mais pelas caras, bocas, olhares, tons de voz da Margaret Thatcher vivida pela senhora Streep.

No início vem a dúvida: a mulher idosa mostrada na tela grande já é Streep? A maquiagem e os adereços são posicionados de uma forma que o ponto de interrogação permanece na face do espectador por um tempo. Até que a dama de ferro do título abre a boca. Meryl Streep abre a boca. E não restam mais dúvidas.

Durante todo o tempo conhecemos a pretensa intimidade, os conflitos pessoais e os momentos de tensão da maior líder (talvez a Rainha Victoria entre nesse páreo) que a Inglaterra já viu. Uma mulher de fibra, sem sombra de dúvida. Pulso firme — não por acaso levou o famoso apelido. Claro que, nem por isso, há pontos criticáveis na atuação política de Thatcher. Felizmente, não podemos dizer o mesmo da atuação cinematográfica de Streep.

Algo a construir

Em dado momento, numa entrevista à televisão, a Thatcher do filme volta de uma viagem aos Estados Unidos e comenta o que viu de mais interessante do outro lado do Atlântico, na ex-colônia. Fala da capacidade dos americanos de objetivarem e perseguirem um futuro. Essa é a regra na América. Enquanto isso, diz Thatcher, a Europa se prende na sua história.

Devo dizer que essa foi uma das sensações mais latentes após retornar da minha primeira e por enquanto única visita a Londres, em outubro passado. Parece que os ingleses não têm com o que se preocupar. A economia segue mal. Ainda assim, estão sempre mais interessados na família real e besteiras similares.

Grande preocupação dos londrinos: manter as praças impecáveis.

Não é para menos: a Inglaterra de Thatcher não tinha grandes preocupações sobre o que construir e parece-me que continua nesse pé. Visão de quem enxerga no Brasil uma série de melhorias necessárias, em todos os sentidos. Por lá está acertado na questão da educação, saúde, moradia etc.

Digamos que os ingleses têm mais oportunidade e tempo de se aborrecer com o chá das cinco ou com os atrasos milimétricos dos trens de metrô. Problemas maiores passaram.

Só que a Thatcher viu nos anos 80 que, quando tudo parece bem, problemas podem surgir. E o primeiro-ministro atual, do alto de sua libra poderosíssima, passa pela mesma pindaíba (dadas as proporções).

Resumindo… Assista!

“A Dama de Ferro” é um filme sobre superação pessoal e sobre a vitória da mulher nesse mundo machista. Caiu bem assisti-lo em plena semana de Dia Internacional da Mulher.

Recomendo que o assista, seja no cinema ou no DVD, em casa. Por Streep e pela personagem Thatcher. O resto é secundário. É história. Se queres história, melhor correr para os livros.

Amigo, estou aqui: Toy Story 3

Convidado » Leandro Alonso* correu para o cinema para assistir Toy Story 3 o quanto antes. Nesse texto, ele divaga um pouco sobre o filme.

Há 15 anos, meu pai me levava no cinema para ver um filme chamado Toy Story. Na época eu tinha 5 anos e mal posso descrever o quanto Woody, Buzz e companhia marcaram a minha infância. Para mim, ver os brinquedos criando vida na telona era mágico. A realização de um sonho. A partir dali, sempre ficava de olho nos meus brinquedos: será que algum deles estava em um lugar que não deixei? Será que quando eu saía do quarto eles se mexiam?

No fim das contas, acho que o filme acabou marcando até mesmo o meu pai, que de tempos em tempos me perguntava se não iria sair uma sequência. Então 15 anos se passaram.

O tempo vai passar, os anos vão confirmar…

Após 8 anos desde Toy Story 2,a Pixar anunciou em 2007 que estava trabalhando no terceiro capítulo da série. De la pra cá tivemos Ratatouille, Wall-E e UP – Altas Aventuras. Ótimas produções, principalmente Wall-E. Mas Toy Story é… Toy Story.

Antes de ir ao cinema conferir o terceiro capítulo da série, bisbilhotei algumas resenhas sobre o longa e fiquei empolgadissímo. Parece que a Pixar, para variar, não havia errado a mão. Então me mandei para o cinema com a namorada para assistir o filme (e, claro, comprar os bonequinhos do Woody, Buzz e Bala no Alvo :D).

Se você ainda não viu o filme, veja: é sensacional. Como li por aí, é o melhor filme da Pixar desde… Toy Story.

Está tudo lá: o quarto de Andy, Woody, Buzz, Slinky, Rex, Porquinho, Sr. e Sra. Cabeça de Batata, etc. Mas a questão é que esse filme veio para encerrar o ciclo da história. Um pouco da história, aliás: Andy está com 17 anos, prestes a ir para a faculdade e não dá mais atenção a seus brinquedos. Ele acaba tendo que se desfazer deles e todos vão parar em uma creche. Cheia de crianças. Sedentas por brinquedos novos. Imagine. Pois é.

Os velhos amigos e novos personagens

Nessa creche conhecemos diversos novos personagens: Ken (o afeminado par romântico da Barbie), Lotso (um ursinho fofo com cheirinho de morango – spoiler: sim, ele é o vilão), Bebezão (uma dessas bonecas de neném que sua irmã provavelmente já teve), Twitch (um guerreiro inseto-homem), além de vários outros.

Apesar de uma boa quantidade de novos personagens, pouco deles se tornam marcantes. De cabeça posso me lembrar do vilão Lotso – que nutre um grande ódio pela sua antiga dona, Bebezão, Ken, Estica (um polvo marinho) e alguns personagens da casa da Bonnie, uma simpática menininha.

No entanto, isso não chega a ser um ponto negativo. A história é sensacional, com elementos atuais (já imaginou os brinquedos utilizando celular? E mensageiros instantâneos?), engraçada como sempre (um salve para el conquistador Buzz Lightyear) e emocionante no fim. Garanto que muitos irão às lágrimas, principalmente aqueles que acompanharam o início dessa história há 15 anos.

O fim de um ciclo

Toy Story 3 claramente leva a história a um fim. Não um final ao estilo The End ou todos viveram felizes para sempre, mas a finalização de um ciclo. Ele será ainda mais sensacional se você assistiu Toy Story em sua infância, irá facilmente se identificar neste filme. Por isso, se você cometeu a heresia de ainda não ter ido a um cinema ver essa obra-prima: CORRA.

E depois, faça como eu: tire os brinquedos do sótão. Afinal, eles devem estar com saudades de você. ;)

*Leandro Alonso é estudante de Ciência da Computação. Raramente escreve no Leandrow.net, mas resolveu dar as caras por aqui. É o homem por trás dos consertos para que o Memórias funcione direitinho.

O Seminarista, de Rubem Fonseca; ganhe exemplar

Meu primeiro encontro com Rubem Fonseca foi somente no primeiro ano de faculdade (obrigado, professora Renata Feital!). Desde então admiro bastante o modo de escrever do romancista, que consegue propor temas sempre com caráter de atualidade a seus leitores. Claro que não podia deixar passar a oportunidade de ler “O Seminarista”, livro mais recente de Rubem publicado pela editora Agir (que gentilmente cedeu um exemplar para este escriba).

Capa de "O Seminarista", de Rubem Fonseca

Capa de "O Seminarista"

“O Seminarista” começa com a história de um assassino de aluguel, que mata não por prazer, mas sim por profissão mesmo. Vai lá, executa a vítima (chamada no meio de “freguês”) e segue sua vida normalmente. O Especialista é o personagem principal do livro, contando suas histórias e mais histórias de execuções e muito sangue.

Um homem frio e sem remorsos, o Especialista surpreende o leitor ao se apaixonar pela bela Kirsten, uma descendente de alemães que conhece em um café do Rio de Janeiro. É aí que começa a reviravolta na vida do Especialista (ou Zé, como preferir). É possível que um assassino em série consiga amar alguém? Acho que essa é uma das perguntas que Rubem levanta em “O Seminarista”.

Falar mais do que isso seria desvendar o fascinante enredo dessa narrativa, que explora momentos de muita tensão policial e suspense com situações de puro amor e prazer. Rubem consegue explorar ambas como poucos, dando veracidade aos momentos e fazendo o leitor acreditar que de fato aquilo poderia acontecer. Não com qualquer um de nós, mas certamente com alguma pessoa afortunada o suficiente para ser serial killer e amante apaixonado ao mesmo.

“O Seminarista” é como um filme policial. Tem pequenas frases que dão dinamismo aos acontecimentos, todos bastante urbanos. Dá gosto acompanhar o que Zé tem que fazer para descobrir quem está por trás de uma curiosa trama que parece não ter fim. Mas tem. E é um tanto quanto surpreendente.

“O Seminarista”

Ganhe um exemplar de “O Seminarista” grátis

Como seminarista, Zé aprendeu diversas frases em latim, que ele faz questão de ir citando durante a narrativa. Temos “Cuiusvis hominis est errare; nullius nisi insipientis in errore preservare”, que significa “Qualquer um pode cometer um erro, só um tolo comente o mesmo erro novamente”; “Uxoris probrum, ultimus qui resciat, est maritus”, ou “O marido enganado é o último a saber”; e ainda “De inimico non loquaris sed cogites”, que quer dizer “Para o seu inimigo não deseje o mal, planeje-o”

Nada melhor que aproveitar a aula de latim que “O Seminarista” proporciona para fazer um pequeno concurso. A editora Agir disponibilizou um exemplar para que eu pudesse presentear um leitor do Memórias Fracas. Portanto, a dinâmica será a seguinte: você posta nos comentários do site uma frase em latim, com sua respectiva tradução para o português. A que eu julgar mais interessante ou divertida leva o livro. O resultado sai na sexta-feira que vem, dia 29 de janeiro.

Mais fácil seria impossível. E eu já deixo minha dica: existem dezenas de sites com frases em latim. Boa sorte!

Atualização em 04/fev/2010: cometi um lapso ao confundir o nome do personagem “Especialista” com “Despachante”. Obrigado ao leitor Rafael Queres por avisar do engano!

Crítica: Distrito 9

De vez em quando aparecem uns filmes que prometem um ponto de vista completamente novo sobre determinado assunto, ou pelo menos uma forma nova de apresentá-lo. Distrito 9 (District 9 em inglês) é um desses filmes.

Veja se a premissa não é interessante: uma enorme nave espacial surge do nada cheia de aliens dentro. Nova Iorque? Paris? Não senhor, essa nave vai parar na pobre região de Johannesburgo, na África do Sul. Bem que esses ETs podiam ter escolhido um lugar melhor para ficar.

De uma forma completamente desconhecida, os aliens começam a sair da nave – essa sim fica planando sobre a cidade por décadas. Descobre-se, pois, que muitos deles estão famintos e enfermos. Em vez de propor a paz intergalática (ou destruir nosso planeta), muito pelo contrário: os extra-terrestres precisam mesmo de ajuda.

O interessante dessa história toda é que uma organização internacional é formada para transferir os aliens de lugar. Do centro de Johannesburgo, eles devem ir para uma região mais distante, onde poderão viver em paz. Entra em cena Wikus, o responsável por pela operação. Por sinal, um sujeito irritantemente atrapalhado que consegue estragar tudo.

Contar mais de Distrito 9 seria estragar a surpresa de quem assistir ao filme. Sem atores conhecidos, o filme explora um ponto de vista deveras interessante: e se os aliens pedissem ajuda para nós? No caso do filme, em plena África, o que vemos é um novo apartheid acontecer, dessa vez segregando humanos e “não-humanos”.

Distrito 9: possivelmente os aliens mais feios que você já viu.

Distrito 9: possivelmente os aliens mais feios que você já viu.

Não sei quanto a você, mas o final – calma, não vou contar – do filme não me agradou. Não totalmente. O que fica é aquela sensação de que um monte de perguntas ficaram em aberto. Mas o que aconteceu com ele? Os aliens sobrevivem? Só para citar algumas. O fechamento da história poderia ter sido feito de uma forma mais completa, para que não ficássemos com a impressão de que faltou algo.

Também me irrita um pouco a câmera nervosa do ínício do filme. Explico: em tese, Distrito 9 seria um documentário sobre a chegada dos aliens. Ou seja, durante o começo do filme é muito comum aquela câmera que esteve presente durante todo o Cloverfield. O estranho é que, conforme a história se desenvolve, a câmera subjetiva começa a rarear. Podiam ter decidido entre o modo convencional de gravar ou o modo Cloverfield/Bruxa de Blair.

Distrito 9 peca quanto à sua distribuição. Não que o filme estará presente em poucas salas de cinema, pois certamente estará. O problema é que, assim como Up, Distrito 9 estreará no Brasil dois meses depois da estréia ter ocorrido nos Estados Unidos. Lembro de uma época em que lançamentos cinematográficos eram eventos mundiais. Ultimamente os estúdios estão voltando com esse atraso irritante. O motivo de tal decisão continua sendo uma incógnita para mim.

De qualquer forma, corra para o cinema em 23 de outubro 16 de outubro e assista a Distrito 9. Mesmo com os problemas que eu apresentei nesse post, continua sendo um filme que vale à pena ser assistido na tela grande.

Gamer

Estreou no último dia 2 o filme “Gamer”, que eu assisti ontem sem qualquer informação adicional. O resultado foi um filme irritantemente chato, que promete um enredo de primeira linha, mas entrega um monte de cenas de impacto sem grande significação para o espectador que vai ao cinema.

gerard-butler-gamer

A premissa de “Gamer” é incrível: prisioneiros podem participar de um jogo no melhor estilo Counter-Strike ou Gears of War, que é transmitido ao vivo para milhões (talvez bilhões) de pessoas ao redor do mundo. O livre arbítrio desses homens, que podem sair do corredor da morte caso vençam as batalhas, entra em conflito com as decisões feitas por jogadores que pagam para, do conforto de suas casas, controlar por completo a mente do guerreiro.

Infelizmente a execução da ideia não foi das melhores. Do meu ponto de vista, faltou mais substância a uma história que mistura a fúria de um matador controlado remotamente com o amor de um pai (vivido por Gerard Butler, de “300″) que quer reencontrar a esposa e a filha. Tudo isso com pitadas de injustiça, o que normalmente serve de catalisador para as histórias bacanudas (Prison Break que o diga).

A edição de “Gamer” também me incomodou muito. Os cortes de câmera são feitos sempre com muita rapidez, sem dar tempo de o espectador entender o que a cena está apresentando. Como já não sou um grande fã de filmes que têm como mote assassinos que só fazem puxar o gatilho de uma arma, me vi várias vezes pensando “Boring!” enquanto as sequências de explosões grandiosas aconteciam.

Mas o filme também tem seu lado bom. Como bem escreveu o blog Judão, “gostosas com pouca roupa” não faltam à produção. Quem está a fim de ver peitos, bundas e beijos lésbicos encontrará um prato cheio em “Gamer”. A tecnologia também tem certo destaque, uma vez que conseguiram criar um PC gamer futurista que, de certa forma, convence. Dá aquela dúvida sobre como o ambiente computacional para essa finalidade será daqui a alguns anos.

O destaque do filme vai para Michael C. Hall, também conhecido como Dexter Morgan. Com maestria, ele consegue tirar a máscara de serial killer encubado e se transformar em um megalomaníaco que deseja controlar todos os seres humanos a partir de uma tecnologia militar que pode ser implantada no cérebro. A sequência dele cantando, junto com capangas, uma música de Sinatra (não recordo o nome) é deveras divertida.

Conclusão: não assista a “Gamer”. Ao menos não no cinema. Espere o filme sair em DVD e veja no conforto da sua poltrona. Se, assim como eu, você não gostar da produção, bastará desligar o aparelho de DVD. Sem grandes problemas.

Veja trailer

Assista abaixo ao trailer de “Gamer”, dirigido por Brian Taylor e Mark Neveldine.

Detalhe: o filme estreou nos Estados Unidos em 4 de setembro, mas só chegou ao Brasil quase um mês depois.

Eu amo meu MacBook White

No início do mês eu escrevi aqui sobre os motivos que me fazem odiar o meu MacBook White. Muito bem, hoje eu vou abordar o outro ponto de vista: quais características positivas do MB me fazem querer continuar com o aparelho.

Como eu disse no outro post, hoje em dia tanto faz escolher Windows, Mac OS ou Ubuntu para a maioria dos usuários. No entanto, o Mac OS X possui uma vantagem que impressiona os Mac users de primeira viagem. Refiro-me à forma como novos aplicativos são instalados: na maioria dos casos, basta arrastar o aplicativo em questão para a pasta “Aplicativos” que a mágica está feita. Não é preciso rodar instalador nem nada do tipo. Mais simples impossível.

Ainda falando em sistema operacional, a atualização dos aplicativos básicos da Apple acontece de forma muito fácil. Com dois cliques (um no logo da Maçã e outro em Atualização de Software), o Mac OS faz o servicinho sujo de procurar atualizações para o Mac OS, para o iLife e para o iWork. Os demais aplicativos, desenvolvidos por terceiros, normalmente também têm no próprio menu a opção de buscar por atualizações. Algo muito bacana que programas criados para Windows também têm adotado.

MagSafe: "Protegendo seu investimento".

MagSafe: "Protegendo seu investimento".

Saindo do software e indo para o hardware, nesse campo a Apple faz um trabalho de primeira ao manter todos os aspectos do MacBook bem integrados. Vai dizer que não é genial um conector de carregador que utiliza ímã para se manter preso? Com isso o risco de alguém esbarrar no fio e derrubar todo o equipamento cai drasticamente. Imagine o prejuízo que um MB esparramado no chão, com peças para todos os lados, causaria.

A bateria é outra vantagem do MacBook White. Lembro que no meu notebook anterior, da Acer, o máximo de tempo que eu conseguia utilizar eram aproximadamente duas horas (antes da bateria morrer de vez). No notebook da Apple a coisa é bem melhor: com a internet sem fio ligada, mas sem abusar dos recursos do sistema (nada de games ou aplicativos que fazem uso intensivo da máquina), já consegui ficar quatro horas direto com o MacBook funcionando, no colo. Nesse caso o problema passa a ser o aquecimento do MB, que costuma ser exagerado.

Por último, mas não menos importante, está a facilidade de não precisar desligar o MacBook. Sim, é virtualmente desnecessário desligar o notebook no fim do dia, para no dia seguinte iniciar a máquina dando boot. Tudo no equipamento foi muito bem construído para que, ao fechar a tampa, ele entre em modo de soneca; ao abrir a tampa, em poucos segundos o Mac OS está de volta com a área de trabalho (“mesa”) intacta. O Windows 7 ainda precisa comer muito feijão com arroz para oferecer um modo de hibernação soneca similar ao do MacBook. No entanto, como sabemos, a Microsoft não produz o hardware e o software, então podemos dar um desconto para a empresa do tio Bill.

Estão aí os motivos para você optar por comprar um MacBook White. Mas eu mantenho a minha opinião de que o cliente deve entrar no mundo Apple já comprando um MacBook Pro de alumínio, que custa bem caro. Ou então que fique com um excelente notebook de outro fabricante, como HP ou Dell, rodando Windows 7.

Resenha: Jornal Nacional, Modo de Fazer

Capa de "Jornal Nacional: Modo de Fazer"Em primeiro de setembro desse ano o principal telejornal do país celebrou seus quarenta anos no ar. Sim, estou falando do “Jornal Nacional”, que atualmente é apresentado por Fátima Bernardes e William Bonner. Tendo em vista a comemoração, Bonner aproveitou para escrever um livro que mostra um pouco de como é o processo de feitura do JN. Essa é a proposta de “Jornal Nacional: Modo de Fazer“.

Longe de ser um manual de redação mais completo, como aqueles de O Globo ou da Folha de São Paulo, “Modo de Fazer” fala de decisões mais práticas que o editor-chefe William Bonner e seus superiores já tiveram que tomar, visando ao cumprimento do objetivo primordial do JN. Anote aí:  mostrar o que de mais importante aconteceu no Brasil e no mundo naquele dia, com isenção, pluralidade, clareza e correção. Bonner martela esse objetivo várias (muitas!) vezes durante o livro.

O que eu mais gostei em “Jornal Nacional: Modo de Fazer” foram as histórias das edições atípicas do telejornal. Como naquela fatídica sexta-feira, quando o Jornal Nacional terminou e Bonner, com sua equipe, pegou o primeiro avião rumo a Roma. Horas depois, quando chegavam à capital italiana, teriam que fazer a cobertura histórica da morte do papa João Paulo 2º (vídeo aqui).

Outra história das mais interessantes foi quando São Paulo deu lugar, no ano de 2006, aos atentados praticamente terroristas organizados pelo PCC. Bonner confessa no livro que percebeu que seria necessário apresentar o telejornal da capital paulista no fim da tarde. Numa verdadeira operação de guerra, lá se foi a equipe dele rumo a São Paulo, de onde ele apresentaria o JN. Detalhe: sentado em uma banqueta, numa laje do prédio onde meses depois seria inaugurada a nova sede da TV Globo em São Paulo (vídeo aqui).

Não espere encontrar em “Jornal Nacional: Modo de Fazer” uma obra prima literária. Nem é a isso que o livro se propõe. Bonner escreve de forma muito simples e fluida, como se estivesse conversando com o leitor. Mais ou menos como os blogs funcionam, com uma linguagem bem mais próxima do coloquial que aquela adotada pelos jornalões.

Vale a pena para estudantes de Jornalismo como eu e para quem tem o simples interesse de saber como o principal telejornal do país funciona. Também vale a pena para quem quer saber em que circunstâncias William Bonner gritou “Puta que pariu!” na frente de um presidente eleito. :P

“Jornal Nacional: Modo de Fazer”

Crítica: Up, Altas Aventuras

Quando estamos falando de estreias da Pixar, é complicado não correr para o cinema logo na primeira sessão. A pergunta que fica, até o início da projeção, é “O que será que a empresa de Steve Jobs aprontou dessa vez?”. Tudo bem que Steve pouco manda no lugar, mas é difícil não ligar a invejosamente comum inovação da empresa ao ex-dono dela.

Up: Russell, o guri chato, e Carl, o velhote ranzinza.

Up: Russell, o guri chato, e Carl, o velhote ranzinza.

Desde que “Wall-E” se tornou “Wall-E”, o marco da animação que transformou um ser inanimado no mais interessante dos personagens, a responsabilidade aumentou enormemente. O alívio vem na hora em que descobrimos que Pete Docter, o diretor de “Up”, foi roteirista de “Wall-E”; dá mais confiança antes mesmo de assistir ao filme.

Se “Wall-E” foi apaixonante e emocionante, “Up” vai mais para a linha do humor. A partir dos 15 minutos de filme, é riso que não acaba mais. E faço essa ressalva porque, antes disso, a história se desenrola de forma muito triste, por tratar de assuntos que envolvem morte e por aí vai. Não conto mais para não estragar a surpresa.

Uma vez que a jornada pelos ares começa, a diversão é mais do que garantida. É um filme voltado para crianças, sem dúvidas que é, mas vai agradar a adultos da mesma forma. Com tecnologia de ponta, a Pixar consegue criar ambientes e personagens que são sabidamente computadorizados – diferentemente do que outros estúdios tentam fazer –, mas que não deixam de transmitir empatia e identificação.

Dug, o cão falante.

Gostei demais de Dug, o golden retriever que torna-se amigo do velhote ranzinza Carl e do guri excessivamente chato Russell. Tenho uma golden em casa, e por isso digo que é incrível como eles conseguiram reproduzir o jeito e a personalidade comuns a essa raça. Sem falar que os cães apresentados no filme (e são muitos!) usam coleiras especiais que os permitem falar, gadget que traz surpresas muito divertidas (dica: preste atenção no macho alfa).

“Up” (trailer em HD aqui) trata de alegria, de tristeza, de momentos de descontração, de momentos de tensão, da sabedoria da velhice, da animação da juventude… Trata de muitas coisas, sem ser em excesso ou com uma execução ruim. Recomendo que você corra já para os cinemas e o assista! Se tiver um irmão ou priminha pequena, aí está uma boa desculpa para quem olhar de cara feia para o marmanjo entrando em uma sala de cinema que exibe animação.

De preferência assista em algum cinema que tenha tecnologia 3D. Tudo bem que aqueles óculos especiais são muito irritantes (ainda mais para quem já usa óculos de grau), mas mesmo assim vale a pena. A experiência é sem igual.

Essa vai para a Pixar: eu adoraria colocar um link para a página oficial de “Up”, mas infelizmente, até o momento da publicação desse post, a versão brasileira do site do estúdio não informava nada sobre a animação (na verdade, praticamente não existia, como a screenshot pode provar). Outra bronca com a Pixar é com relação ao atraso para trazer ao Brasil: o filme estreou por outros cantos no fim de maio, mas só em 4 de setembro aterrisou em terras brasileiras.

[Atualização] Quase me esqueço de dizer nessa crítica que quem empresta a voz para Carl é o mestre do humor brasileiro Chico Anysio. Ou seja, mais um excelente motivo para assistir a “Up”.

Eu odeio meu MacBook White

Já vinha comentando com amigos há algum tempo que quase não utilizava meu MacBook White, que foi comprado no início desse ano. Normalmente as pessoas torcem o nariz para a minha opinião: “Como assim, não gostou de um Mac?!”. Aproveitando a deixa dada pela Fabi Neves, que escreveu no Vida de Blogueira sobre a decepção que teve com o MacBook versão Black dela, vou explicar aqui os meus motivos.

Bonitinho, mas ordinário. E fica imundo!

Bonitinho, mas ordinário. E fica imundo!

Uma coisa que me incomoda enormemente é a posição da Apple com relação ao mercado brasileiro. Como você já deve saber, eu sou editor do Tecnoblog News, então lido com notícias da Apple norte-americana e da Apple brasileira várias vezes por semana. Em uma sentença com palavras de baixo calão, poderia dizer: a empresa está cagando e andando para o Brasil.

Eu esperei vários meses antes de comprar meu MB, na esperança de que o novo modelo – anunciado no ano anterior, com gráficos da Nvidia – chegasse ao país e eu pudesse comprá-lo. Pois bem, não chegou e a empresa não tinha previsão de quando chegaria. Eis que, mais ou menos três semanas depois de comprar o meu MB White, começaram a importar a nova versão. Custava avisar isso antes? Não, e quem comprou o MacBook algumas poucas semanas antes se lascou, porque ficou com um produto “defasado”.

Comentar as especificações dos notebooks da Apple já se tornou algo redundante. Dizem que a empresa dita tendências, e pode até ser em alguns casos, mas os notebooks custam caro e não entregam tudo o que poderiam. Por exemplo, ter somente duas portas USB (como a Fabi Neves apontou) é de uma burrice descomunal. Acho que nenhum outro fabricante sério faz isso, exceto a Apple. E se faz, merece críticas também. Quase não uso o meu MacBook, então até que o disco rígido de 160GB tem atendido muito bem, mas por um laptop custando mais de três mil reais eles poderiam melhorar isso.

Sem falar na saída de vídeo, que ninguém exceto a própria Apple usa. Tenho que confessar que até hoje não gravei o nome dessa saída. Também nunca liguei meu MacBook em um projetor ou segundo monitor que tivesse entrada compatível; sempre precisei usar o adaptador VGA, que custou R$ 90 adicionais.

Aposto que os defensores da empresa vão dizer que eu já conhecia as restrições do hardware antes de comprar o aparelho. É verdade, mas ainda assim tenho o direito de me arrepender e concluir que não vale a pena trocar mais hardware – de qualidade, diga-se de passagem – por uma marca.

A Fabi diz que só fica no MacBook porque o Mac OS X é excelente. É mesmo, mas tenho usado o Windows 7 no meu desktop e não vejo tantas diferenças entre os dois sistemas. Dá na mesma escolher o da Apple ou o da Microsoft, ao menos para o usuário doméstico comum. Não morreria por ficar sem usar o Snow Leopard.

Hoje em dia a maioria das nossas tarefas pode ser feita através da web, o que minimiza a importância do sistema operacional. Portanto, tanto faz se você quer usar o Windows, o Mac OS ou o Ubuntu. Talvez até mesmo um Satux, mas aí é preciso coragem além da conta.

Comprar um Mac é para quem pode. Se você não tem condições de comprar um bacanudo MacBook Pro, deixe para lá: adquira um notebook da Dell ou da HP e seja feliz com o preço mais em conta e os recursos em abundância. Sim, a Apple tem um tech appeal incrível, mas não é o bastante. O custo-benefício não é tão vantajoso quanto os maravilhosos anúncios da empresa insinuam. Ainda mais com as nossas taxas de importação nas alturas.