Sonho de Murdoch

O sujeito nasce na terra dos cangurus, lá na Austrália. Porém, é nos Estados Unidos que vai perseguir o tal american way of life. Faz fama, faz fortuna, conquista mulheres e o mundo. Quando tudo parecia estar perfeito para que o magnata (adoro esse termo, que não diz quase nada, mas pesa bastante num texto) Rupert Murdoch finalmente se aposentasse, vem a internet e muda as coisas de um jeito que ninguém esperava. Logo ele, uma espécie de Roberto Marinho do Hemisfério Norte, teve que voltar ao batente nos diversos escritórios que a News Corp., seu conglomerado de mídia, tem América afora.

Murdoch não contava com as perspicácia de um pessoal que cansou dessa história de gatekeeper, mass media, e tantos outros jargões que são cuspido das bocas de professores de Jornalismo, Publicidade e sabe-se lá quais outros campos da Comunicação. O publisher de si mesmo compete com um Wall Street Journal da vida de igual para igual. Pode não ter a mesma audiência mastodôntica, mas às vezes tem mais credibilidade. Se for comparar com a Fox News, então, nem se fala. Graças à internet, claro.

A internet, essa nova “coisa” que misturou informática, tecnologia, telecomunicações e conteúdo, tudo num balaio só, abriu as portas para que qualquer sujeito com acesso a um PC e a uma rede de dados publique o que bem quiser, na hora que bem entender, e do jeito que achar mais conveniente. Sem pedir permissão a ninguém na maior parte dos países (a China é exceção, felizmente, com o seu Grande Firewall). Acredite, é verdade: o próprio Google, que embolsa bilhões por ano nesse negócio, tem um serviço gratuito para publicação daqueles textos rápidos chamados de post.

E como fica Murdoch nessa história? De início, não ficava. O quase centenário bateu pé dizendo que não iria para a rede, que seu negócio era jornal. Até que a receita com seus veículos, inclusive empresas conceituadas e tradicionais, começou a minguar como nunca antes na história da News Corp. E, claro, numa situação complicada, a gente faz qualquer coisa para não abrir mão do croissant e do suco de tâmaras importadas logo pela manhã. Murdoch abriu todo o conteúdo na web, mas também não deu muito certo. Qualquer pessoa com mais de dois anos de serviços prestados à internet sabe que a publicidade não é tão vasta assim. No fim das contas, alguns jornais virtuais do magnata (olha aí, de novo!) não conseguiam fechar suas contas.

Agora parece que Murdoch e sua trupe optaram pelo caminho do bom senso. Parte dos conteúdos dos veículos cai na rede com acesso livre e desregrado. Ou parte, o filé da produção jornalística, fica disponível somente para os leitores que toparem pagar a mais por esse conteúdo – ou que sejam assinantes do veículo impresso, o que costuma ajudar na hora de acessar o conteúdo online.

Bons tempos em que só os governos e suas censuras ameaçavam os jornais. Era muito mais fácil, deve pensar Murdoch, quando um cheque em branco lhe comprava o que fosse. Comprava inimigos, comprava concorrentes, e comprava até audiência (ou alguém acredita que, naquele tempo, dava para confiar no IBOPE e afins?) Com a internet, tudo mudou. Passou da hora de Murdoch mudar também.

 

De hoje, por favor

Os jornais estão com o pé na cova. Parece que o público leitor – que nunca foi dos maiores neste país, por sinal – está cada vez menos interessado em sentir a celulose do papel, em passar as mãos pelo texto, e quem sabe depois de ler a publicação de cabo a rabo. Essa noção de palpável faz falta aos textos da internet ou mesmo daqueles aparelhos em formato de tabuleta.

E quando o sujeito resolve comprar o jornal, ainda coloca em dúvida um dos tradicionais pilares do jornalismo: a atualidade. Na semana passada, por exemplo, estava indo à padaria comprar um pão fresquinho. Fiz meu pedido, peguei os produtos e fui para a fila. Lá, um moço aparentemente humilde comprava uns biscoitos e um suco. “Também vou querer o jornal”, ele diz para a atendente. Simpática que só, a funcionária primeiro abre um sorriso para depois perguntar qual jornal ele queria. Eis que o homem vira para ela e responde: “O de hoje, por favor”.

Oras, existe jornal que não seja de hoje? Até onde eu sei, existe um esforço descomunal de empresas como a Folha e o Estado para que, logo cedo, as vans e kombis distribuidoras de jornal percorram a cidade inteira, entregando as notícias nos jornaleiros e nas casas das pessoas. Acabou-se o dia, é como se os jornais antigos que encalharam nas gôndolas automaticamente desaparecessem de vista. E então leva mais algumas horas para que o outro jornal, agora sim desse mesmo dia, pinte nos estabelecimentos comerciais, inclusive na padaria onde eu tinha ido.

A atendente ficou meio desconcertada. Respondeu que o senhor precisava escolher o título do jornal que pretendia levar, já que os preços variam. “Tem a Folha, o Jornal da Tarde, o Estadão, o Agora…”, disse. No fim das contas, ele levou o Agora, vai ver porque é o que mais se assemelha com o “de hoje” que ele queria – o Jornal da Tarde não estava valendo; imagine ler as notícias que só vão acontecer dali a algumas horas!

Depois que o moço pegou seu exemplar e se escafedeu de vista, fui comentar com a atendente sobre o episódio. Disse que estava perplexo e que, como bom estudante de Jornalismo, não acreditava que alguém pediria um jornal “de hoje”, sendo que todos os jornais são, apenas em tese, pelo visto, do mesmo dia em que são comprados.

Ou talvez eu não tenha entendido nada sobre esse tal de Jornalismo e o moço só queria um papel qualquer para forrar a gaiola dos seus pássaros de estimação. Nada mais justo. Afinal, esse sempre foi outro nobre papel do papel-jornal.

Fios, cabos, adaptadores, gadgets

Na última semana, fui a São Paulo cobrir o TechEd, evento da Microsoft voltado para desenvolvedores. Inclusive, você pode ver alguns de meus posts sobre o evento no WinAjuda. Mas voltando ao assunto, foi um cobertura voltada para o mercado de tecnologia e envolvia equipamentos tecnológicos.

Numa manhã, enquanto eu, Carlos Cardoso e Thiago Mobilon tomávamos café no hotel – acho que foi o café da manhã mais demorado da minha –, esse último soltou uma pérola interessante. Mobilon comparou a necessidade de arrumação de uma mulher com a necessidade que um geek tem de se manter conectado e cheio de equipamentos.

Explico: a mulher, antes de sair, leva duas horas para escolher um bendito de um vestido. Fica sempre em dúvida, entre o azul bebê e o azul cerúleo (?). Quando vai viajar, precisa de uma mala bem grande. Porque pode fazer sol, e então precisa de uma camisetinha. Mas pode chover, e para isso ela leva aquele casaco de gola que foi comprado em Petrópolis e nunca mais usado.

Precisa de pelo menos uma calça, que pode combinar com duas camisas. E para cada combinação de camisa com calça, há a necessidade de pelo menos uma opção de sapato. Porque nada pode ficar sem combinar, não é mesmo? E assim vai. A mala dela pesa quinze quilos, enquanto que a do parceiro é uma mochila com uma calça, três camisas e um conjunto de roupas de baixo.

Nessas horas, vem a comparação com o nerd ou geek. O cara precisa se preocupar, primeiro, em trazer todos os equipamentos. Celular, smartphone, iPod, câmera digital, filmadora, notebook, entre tantos outros dispositivos. Cada aparelho, obviamente, possui uma entrada única e proprietária para que a carga seja feita. O carregador do iPod não serve na câmera, que por sua vez se não pode ser carregada com o adaptador do celular.

Uma bagunça! Nessa brincadeira, acabamos fazendo o mesmo que as mulheres com suas roupas na hora de sair: pensar em várias combinações de tomadas, plugs e afins. Se for levar o celular, tem que carregar a câmera digital porque as fotos tiradas com celular são ruins. Ah, vai levar o smartphone e tirar fotos boas? Mas precisa levar o iPod também, porque o player do smartphone deixa muito a desejar.

E assim cria-se a síndrome do geek que precisa viajar. Veja bem, nem estamos contando com os tês, benjamins, filtros de linha, adaptadores para formatos de tomada diferentes, dentre tantas outras coisas. Nós, homens, acabamos gastando pouquíssimo tempo arrumando a mala. E um enorme tempo combinando gadgets e pensando em como utilizá-los da melhor maneira possível.

- foto encontrada no flickr de psd

Bloqueio de escritor

Não que eu seja um escritor de verdade, como o Hugo Brisolla ou o Flávio Voight ou a Mirian Bottan. Mas faço minhas tentativas de parir textos aprazíveis nesse humilde espaço de memórias poucas, porém significantes. Para mim. Espero que para você também.

Agora também acumulo atribuições de escrever em outro blog, esse de tecnologia. O Tecnoblog demanda tempo de pesquisa porque nós não queremos ficar no feijão com arroz, na cesta básica. Queremos explorar assuntos que ainda não têm a merecida atenção, seja por falta de visão de quem cobre tecnologia, seja por falta de tempo mesmo.

Compromisso com a excelência editorial dá trabalho. E nisso, fogem as horas livres para produzir crônicas que valham a pena serem lidas. Nem foram tantas até hoje; eu claramente prefiro o texto argumentativo. Me dou bem com esse último. Mas exercitar outras formas de narrativa é bom, e felizmente eu tenho você, que lê e comenta essas produções. Ou deveria comentar.

Lembro que o termo writer’s block me foi apresentado pelo Gustavo Jreige, numa das muitas madrugadas em claro discutindo tantas e tantas coisas. Comunicação em especial. Acho que à época ele estava com bloqueio de escritor, e acabou puxando o assunto comigo. Não entendi muito bem como funcionava.

Agora entendo. Sabe o que é escrever vários rascunhos e destruí-los, achando que não são dignos de serem lidos? Tenho estado assim. Esse texto foi um dos poucos que se salvaram, mas o único publicado. Espero que a fase seja passageira. Está decretado oficialmente meu bloqueio de escritor.

- foto encontrada no Flickr de Jono Witts -

Como você se livra do bloqueio de escritor? O Alessandro Martins deu algumas dicas sobre como combater o writer’s block no blog QueroTerUmBlog.

No barbeiro

Antes de começar o texto, é importante ressaltar que homem vai ao barbeiro. Mulher que vai ao cabelereiro. E ao salão de beleza, ao hair stylist (cuma?), à manicura, ao cabelereiro, ao coiffeur. Todos os cuidados pessoais do homem se restringem a um único lugar: o barbeiro. Aquele que não tem muitas ferramentas de trabalho além da tesoura e dos anos de prática. Porque todo barbeiro é velho, pode reparar.

Debaixo dos caracóis dos teus cabelos…

Enfim, voltando ao assunto. Na semana passada fui cortar a juba – não posso me dar o luxo de ficar com o black muito grande -, e enquanto o seu Fonseca (todo barbeiro tem sobrenome português?) fazia uma coisa aqui, outra ali, começou a comentar um sorteio que passava na Record.

Dizia ele que aquilo era um absurdo; que a Record enganava os pobres com uma espécie de leilão ao contrário (ganha o lote quem der o menor ‘lance único’); que uma pessoa realmente ganhava, mas que centenas, milhares de matutos gastavam centavos para ligar e dar o lance.

Foi aí que eu o interrompi para avisar que não custavam centavos. Cada lance tinha o valor simbólico de quase cinco dinheiros brasileiros. Ele não acreditou. Parece que ficou mais entusiasmado ainda! Então parou o corte e pareceu ficar procurando algo. Até que uma mulher disse que aquilo que ele buscava estava ao lado do espelho.

Ele me entregou um e-mail que contava a história de um participante do quadro Lata Velha. O cidadão teve o carro consertado, tunado e transformado em carruagem pelos funcionários do Luciano Huck. No entanto, depois de o homem receber o carro, a produção pediu ele de volta para regularizar a situação cadastral. E devolveram um carro totalmente diferente.

No fim das contas, corre um processo na justiça do Rio contra a Rede Globo. O participante do quadro quer o carro antigo de volta, etc etc etc. A história mais ou menos completa está aqui.

O e-mail era meio estranho. Algumas coisas pareciam forjadas. Mas sabe quando você precisa fingir que concorda com a pessoa? Foi o que eu fiz. “Hmmmm”, “aham”, “claro, claro”. Foi o que eu mais disse. Então seu Fonseca me confidenciou: “quando meus filhos ainda eram pequenos, sabe qual foi a primeira coisa que eu ensinei para eles? Que na televisão tudo é mentira”.

Diz ele que o filho perguntou se no noticiário também era tudo a mais pura balela, e ele respondeu que “só um pouquinho é verdade”. Fico pensando até onde vai a teoria da conspiração. Tudo bem que a pessoa tenha desconfianças quanto ao que é apresentado na tevê, mas chegar a esse ponto é muito exagero.

Assim como acho exagero ficarem brandando por aí que não assistem mais à televisão. Que em casa não tem aparelho de TV. E coisas que o valham. Mas isso é assunto para outro post, já que este está enorme e já falou do que tinha que falar.

Como eliminar candidatos no vestibular

O vestibular é uma época importante na vida de qualquer estudante, visto que todo conhecimento adquirido durante ensino fundamental e médio é posto a prova. Algumas pessoas ficam (literalmente) descontroladas devido ao nervosismo, aos medos e à incerteza da aprovação.

Para os que estudaram, tudo fica mais fácil. Pelo menos a matéria já é conhecida. Já para os que não estudaram, só resta o chute (se a prova for objetiva). Se a prova for discursiva, melhor nem gastar dinheiro pagando as (altas!) taxas de inscrição.

Este post é destinado àqueles que não deram a mínima durante o ano todo, e ainda assim acham que merecem passar numa universidade pública. Eu faço uma lista de atitudes que podem ajudar a eliminar o candidato oponente de modo que ele ou ela não tenha chance de responder as questões.

As dicas também servem para os CDFs que se mataram o ano inteiro em meio aos livros e apostilas, mas ainda não tem certeza de como será o resultados das provas.

1. Desestabilize o candidato

Durante as aulas do cursinho (ou colégio mesmo), faça muitas perguntas. Perguntas complexas e às vezes sem nexo, para que o professor se embaralhe na hora de respondê-las. Se o professor tem dificuldade em formular respostas, é bem provável que seus pupilos também tenham.

2. Empreste seu material

Quanto mais anotações seus fichários, cadernos, apostilas e leitura complementar tiverem, melhor. Como cada pessoa tem uma forma única de estruturar suas idéias e projetá-las em forma de notas, muito provavelmente a pessoa que pegar o material emprestado não entenderá nada. Ou achará que entendeu, mas na hora da prova vai perceber que faltaram detalhes que só ela mesma poderia ter absorvido.

3. Dê mole

Essa vai em especial para as meninas. Com todo o foco voltado para os estudos, é natural que os hormônios fiquem mais suscetíveis a certos “estímulos”. Dar só um gostinho dos prazeres carnais que tem a oferecer pode causar no candidato oponente alucinações sobre como seria bom ter um contato maior entre os dois. O marmanjo pode perder a noção de tempo e espaço e esquecer que estudar é necessário.

4. Espalhe boatos

É simples espalhar boatos sobre as provas através da internet. Por exemplo: divulgar que as inscrições terminaram quando na verdade elas foram prorrogadas. Quando o oponente receber a notícia de que corre o risco de não fazer a tão desejada (e temida) prova, um desespero avassalador poderá se instalar nesta pobre pessoa. Prefere-se que o oponente entre em depressão, visto que potenciais suicidas normalmente não estudam.

5. Toque terror no dia da prova

Se nenhuma das dicas anteriores surtir efeito, é hora de apelar para as técnicas ninja em dia da prova. Neste dia as pessoas estão tão nervosas que qualquer atitude mínima pode desconcentrá-las. Faça sons irritantes, como tossir, se engasgar, batucar com a caneta na folha de papel, não parar de bater com os pés no chão ou (se tiver muita, muita coragem) assobiar.

Deixe a borracha cair no chão, bem distante, e vá buscá-la. A maioria dos candidatos pára e acompanha o trajeto, enquanto que o tempo está passando. Se quiser, ainda pode tropeçar na carteira de alguém. Quanto maior o drama, mais tempo as pessoas perderão assistindo à cena.

Outra forma de tentar impedir o candidato oponente de fazer a prova é liberando gases não tão “estufa”, se é que me entendem. Nessas horas uma feijoada com repolho e ovos na janta anterior ajuda a intensificar a potência da arma. Só não vá liberar sólidos (ou quase isso) durante o ato terrorista.

6. Último e fatal: a batata do desespero

Se nem mesmo uma orquestra tocando a Nona de Beethoven no meio da sala perturba a concentração dos outros candidatos, abra aquela saca de três quilos (!) de batata Ruffles (ou Pringles) e comece a devorá-las. Crac, crac, crac… Os candidatos oponentes vão odiar aquele barulho de alimento sendo mastigada sem poder mastigar também. Pringles também vale, mas o custo-benefício será maior.

Só não vá levar o texto a sério. Ele é apenas uma forma de descontrair frente a um desafio tão grande quanto é o vestibular. Se quiser ler um pouco mais sobre a guerra que é ser admitido em uma faculdade (ou “vietbular”), leia este post produzido por um professor.

Estranhezas ou não

O ingênuo sr. Hugo (aquele que desabilitou os comentários) fez um convite para eu participar de um meme (ou tag, sei lá). Como faz tempo que não memo, lá vão sete coisas estranhas sobre mim mesmo:

  1. Eu leio jornais de trás para frente.
    É ótimo porque se começa pelo horóscopo e palavras cruzadas, passa por economia, política, e só então chega-se às mortes e etc. Coisas mundanas e desnecessárias, claro.
  2. Vejo reprises de telejornais.
    Se um telejornal tem caráter imediatista, eu mando essa característica para o limbo. O Bom Dia Brasil, por exemplo, passa duas horas depois, às 9h10, na GloboNews.
  3. Durmo pouco.
    Pouquíssimo: entre cinco e seis horas de sono me bastam para estar bem no dia seguinte.
  4. Sou de escorpião.
    E adoro usar o signo para justificar as maldades que eu cometo. Até o demoníaco Bill Gates é desse signo!
  5. Tenho gosto musical duvidoso.
    Sou péssimo para definir que sonoridades são boas ou não.
  6. Como miojo cru.
    Meu irmão foi quem me ensinou essa fantástica técnica para matar a fome.
  7. Sou viciado em feeds.
    Quando estou ocupado, abro o Bloglines pelo menos a cada dez minutos. Um convite à ociosidade e procrastinação.

Alguns nem são tão estranhos assim. Passo a bola para o Rafa, colega de hospedagem, e para o Alessandro Martins. Mas para o Alessandro vai um desafio: quais são os 7 livros mais estranhos que ele já leu. O cara já leu muito e com certeza deve ter boas respostas. Se alguém mais quiser participar, be my guest!

Leia mais » O Alessandro já cumpriu o desafio. Confira no post 7 livros estranhos que li.

Metendo a cara nos livros e nas dúvidas

Montes de livros
Chegou o temido ano. Muitas pessoas já tremem só de pensar no assunto, mas vamos a ele. Parece que não, mas a partir do momento que o estudante começa a freqüentar a sala de aula do cursinho (ou do colégio mesmo), a idéia que se tem é de que o mundo inteiro só fala naquele assunto: vestibular. O noticiário dá vestibular. As novelas dão vestibular. O jogo de futebol lembra do vestibular.A vida do vestibulando (como eu) pára. São horas a fio tendo aulas, esquematizando estudos direcionados, tirando dúvidas durante a monitoria. São também diversos “nãos” ditos aos amigos, colegas e agregados para os diversos tipos de convite. Desde a pelada seguida de churrasco até um dia inteiro nas pistas do fantástico esporte chamado boliche.

São inúmeros os desafios que nós enfrentamos. São também inúmeras as vezes que teremos que abrir mão de um prazer imediato para tentar, no fim do ano, ter um prazer permanente, estendido pelos próximos quatro ou cinco anos. Ou seja, é um momento difícil. Dizer que há necessidade de tomar decisões é pouco. Na verdade, o estudante tem que tomar A decisão, aquela que mudará completamente sua vida.

Embora eu já tenha a idéia de qual carreira seguir desde o início da adolescência, muitos colegas não têm. E então começa mais um suplício para tentar descobrir o que melhor se enquadra no perfil da pessoa, do que ela mais gosta. Pior que já saber com antecedência o que quer e se cobrar por isso deve ser não saber e mudar a todo instante de opinião.

Imagem que ilustra o post: Mikaela Martin, encontrada em seu Flickr.

Mulher internacional

Negra, pobre. Foi criada pela avó até os seis anos, quando mudou-se com a mãe para uma cidadezinha de Wisconsin, nos Estados Unidos. Aos nove anos começou a ser molestada sexualmente pelos tio, primo e um “amigo” da família. Quando adolescente, fugiu de casa. Aos 14 anos engravidou, porém o bebê nasceu morto.

Morou com o pai, que embora bastante severo, encorajou seus sonhos. No colégio, foi proclamada estudante honorária, garota mais popular e também o segundo lugar no concurso nacional de interpretação dramática. Através de um concurso de oratória ganhou bolsa integral na Universidade Estadual do Tennessee, no curso de comunicação.

Com 17 anos foi trabalhar numa rádio local: tornou-se a âncora de notícias mais jovem e também a primeira apresentadora negra. Estreou o AM Chicago, seu programa de TV com meia hora de duração sobre notícias e fofocas. Após alguns meses já era o líder de audiência em Chicago. Teve o programa renomeado em sua homenagem e ampliado para uma hora de duração em cadeia nacional.

O programa também teve seu foco direcionado para a mulher: contava com meditação, espiritualidade, decoração, prêmios e assuntos “do coração”. Passou a entrevistar celebridades, em especial quando o entrevistado teria algo para contribuir no campo social (luta contra o câncer, caridade).

Em 93 entrevistou Michael Jackson, no que se tornou a quarta atração mais assistida da TV americana. Há três anos, em 2004, distribuiu centenas de carros G6 para a sua platéia: 276 mulheres. Foi outro marco da TV.

Atualmente é a apresentadora do programa mais assistido nos EUA, a negra mais rica do século 20, o único negro que se manteve bilionário por três anos consecutivos e a afro-americana que mais fez ações de filantropia de todos os tempos. Muitos dizem, também, que é a mulher mais influente do mundo.

Oprah Winfrey: negra e pobre. Mesmo com todas as dificuldades conseguiu atingir além de tudo que poderia um dia ter sonhado. Oprah Winfrey: um exemplo de mulher.

Oprah Winfrey, em seu programa de TV

Disse uma vez: “Be thankful for what you have; you’ll end up having more. If you concentrate on what you don’t have, you will never, ever have enough.” (Seja grato pelo que tem; irá acabar tendo mais. Se você se concentrar no que não tem, você nunca, jamais, terá o suficiente. — tradução livre). Sigamos o exemplo. E Feliz Dia Internacional da Mulher. Elas merecem.

Sem medo da morte

Puro Osso, personagem do Cartoon NetworkA imagem é aterrorizante: uma caveira coberta por uma capa preta e uma foice na mão vai de casa em casa, buscando por aqueles cuja permanência neste mundo já não é mais prioridade e que devem, sim, recolher-se à inexistência.

Essa é, talvez, a primeira definição de morte que obtemos quando ainda somos pequenos. Ou então aquela história, contada pelos pais, de que a pessoa morta não está mais entre nós, mas sim no céu, um lugar onde só há alegria e bom humor.

Sejam crianças ou adultos, tratar da morte é complicado para todos. Faz parte de nossa cultura americanizada o apego à jovialidade. A medicina avançou muitíssimo nas últimas décadas, e, portanto, seria desnecessário pensar no fim da vida. Contudo, ela ainda é inevitável.

Envelhecer não é feio

Na Europa é comum as pessoas envelhecerem efetivamente, e se orgulhando disso. Não são apenas as rugas que ficam mais expostas, mas também as experiências, que fazem com as pessoas mais velhas sejam consideradas sábias. São respeitadas pelo seu tempo de vida.

Já em nosso país os velhos são destratados com facilidade. Aqui é feio ser velho. Mais feio ainda é assumir a idade. As mulheres, nos seus trinta ou quarenta anos, já pensam em como driblar a ação do tempo. É devido a elas que o Brasil é dos campeões de vendas de produtos de beleza. Será que objetivamos a imortalidade?

Encarando de frente

Se for, sabemos que ainda falta muito. Afinal de contas, a maior certeza que temos em vida ainda é a de que vamos morrer um dia, cedo ou tarde. Fugir da idéia de que deixaremos de existir só alimenta o medo de que pessoas próximas e nós mesmos venhamos a falecer.

O filósofo Sócrates, no século 5 a.C., escreveu: “Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas. Ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja. Ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para outro”. Algumas religiões, como o cristianismo, pregam que ao morrer a pessoa vai para um lugar melhor, o “paraíso”. Para o espiritismo não existe morte, mas sim o desencarnar. O corpo fica, mas a alma, a essência da pessoa, eleva-se a outro plano, em busca de um crescimento espiritual.

Já que ainda não há solução para a morte, devemos encará-la com um mínimo de naturalidade. Morrer é um processo natural, assim como nascer. Algumas culturas celebram a morte para cultuar a vida. O México é um exemplo, com o “Dia dos Mortos”. Neste dia as refeições são feitas nos cemitérios e os pais presenteiam as crianças com guloseimas em forma de caveiras. Ainda que o momento seja duro e que a perda seja irreparável, o melhor mesmo é acreditar que o sofrimento do morto acabou. Só em vida há dor.

Referências para este post:
Revista Superinteressante. Edição 234 / Dez 2006. Editora Abril.
Revista Piauí. Edição 02 / Nov 2006. Editora Alvinegra.
Para saber como os alemães procedem quando alguém morre, leia este artigo da Deutsch Welle.