Oi compra Brasil Telecom. Sinto cheiro de problema…

Oi/Telemar/Velox compra Brasil Telecom?

Tanto a Folha (reportagem para assinantes) quanto a versão online da Veja, através do blog de Reinaldo Azevedo, deram hoje mais cedo a seguinte notícia: é muito provável que a Oi/Telemar/Velox (TNL PCS) compre a também telefônica Brasil Telecom.

Esse desejo já é antigo dos controladores das empresas e também lá na República de Brasília, e segundo informaram à Folha o negócio já estaria acordado em cerca de 4,8 bilhões de reais. Basicamente, com essa compra da BrT pela Oi nasceria uma gigante das telecomunicações brasileira. Isso porque a Oi/Telemar opera em dezesseis estados brasileiros (Nordeste, parte da região Norte, Rio, Espírito Santo e Minas). Já a Brasil Telecom opera em mais nove estados, totalizando 25. Só resta São Paulo.

Abaixo você vê um mapa que ilustra a área de atuação das duas operadoras:

Mapa das telecomunicações no Brasil. Oi + Brasil Telecom.

Isso é bom para o Brasil? De um certo ponto de vista, sim. Já que dessa forma cria-se um grande grupo com força econômica (só em 2007 o faturamento somado das duas empresas foi de mais de 21 bilhões de reais) e uma enorme base de assinantes para concorrer com a Telefônica (que opera exclusivamente em São Paulo) e a Claro-Embratel, do ricaço Carlos Slim. Esses dois grupos estrangeiros têm dinheiro de sobra para investir no Brasil, o que as nacionais não têm em tamanho volume.

Por outro lado, essa possível venda ou fusão depende de decreto especial do presidente, já que atualmente este tipo de operação não é permitida pela legislação brasileira. Lula e Dilma já demonstraram apoio à operação, e parecem estar dispostos a dar prosseguimento ao negócio. O presidente teria uma felicidade a mais com a criação de uma nova telefônica: o BNDES detém 25% do controle da Telemar, e portanto teria participação vultosa na nova companhia.

Aliás, o presidente teria duas felicidades. A participação do BNDES na nova empresa; e também a participação do filho Fábio Luís da Silva (o “Lulinha”) na Gamecorp, que em parte é da Oi/Telemar e receberia uma maior quantidade de dinheiro da controladora. Esses dois casos dão cheiro de podridão ao negócio.

Pode ser que dê certo e tenhamos uma grande empresa nacional de telecomunicações competitiva, com agilidade na implementação de novas tecnologias e prestadora de um serviço de (excelente) qualidade. Ou então teremos uma gigante pesada, cheia de dinheiro e muito ineficiente, caso siga a natureza da Oi/Telemar.

Qualquer que seja o resultado, já arrisco um nome para a tal empresa: Oi Brasil. O departamento de arte do Memórias Fracas (!) já até esboçou como será a logomarca da nova empresa:

Logomarca de uma possível “Oi Brasil”