Crítica: Up, Altas Aventuras

Quando estamos falando de estreias da Pixar, é complicado não correr para o cinema logo na primeira sessão. A pergunta que fica, até o início da projeção, é “O que será que a empresa de Steve Jobs aprontou dessa vez?”. Tudo bem que Steve pouco manda no lugar, mas é difícil não ligar a invejosamente comum inovação da empresa ao ex-dono dela.

Up: Russell, o guri chato, e Carl, o velhote ranzinza.

Up: Russell, o guri chato, e Carl, o velhote ranzinza.

Desde que “Wall-E” se tornou “Wall-E”, o marco da animação que transformou um ser inanimado no mais interessante dos personagens, a responsabilidade aumentou enormemente. O alívio vem na hora em que descobrimos que Pete Docter, o diretor de “Up”, foi roteirista de “Wall-E”; dá mais confiança antes mesmo de assistir ao filme.

Se “Wall-E” foi apaixonante e emocionante, “Up” vai mais para a linha do humor. A partir dos 15 minutos de filme, é riso que não acaba mais. E faço essa ressalva porque, antes disso, a história se desenrola de forma muito triste, por tratar de assuntos que envolvem morte e por aí vai. Não conto mais para não estragar a surpresa.

Uma vez que a jornada pelos ares começa, a diversão é mais do que garantida. É um filme voltado para crianças, sem dúvidas que é, mas vai agradar a adultos da mesma forma. Com tecnologia de ponta, a Pixar consegue criar ambientes e personagens que são sabidamente computadorizados – diferentemente do que outros estúdios tentam fazer –, mas que não deixam de transmitir empatia e identificação.

Dug, o cão falante.

Gostei demais de Dug, o golden retriever que torna-se amigo do velhote ranzinza Carl e do guri excessivamente chato Russell. Tenho uma golden em casa, e por isso digo que é incrível como eles conseguiram reproduzir o jeito e a personalidade comuns a essa raça. Sem falar que os cães apresentados no filme (e são muitos!) usam coleiras especiais que os permitem falar, gadget que traz surpresas muito divertidas (dica: preste atenção no macho alfa).

“Up” (trailer em HD aqui) trata de alegria, de tristeza, de momentos de descontração, de momentos de tensão, da sabedoria da velhice, da animação da juventude… Trata de muitas coisas, sem ser em excesso ou com uma execução ruim. Recomendo que você corra já para os cinemas e o assista! Se tiver um irmão ou priminha pequena, aí está uma boa desculpa para quem olhar de cara feia para o marmanjo entrando em uma sala de cinema que exibe animação.

De preferência assista em algum cinema que tenha tecnologia 3D. Tudo bem que aqueles óculos especiais são muito irritantes (ainda mais para quem já usa óculos de grau), mas mesmo assim vale a pena. A experiência é sem igual.

Essa vai para a Pixar: eu adoraria colocar um link para a página oficial de “Up”, mas infelizmente, até o momento da publicação desse post, a versão brasileira do site do estúdio não informava nada sobre a animação (na verdade, praticamente não existia, como a screenshot pode provar). Outra bronca com a Pixar é com relação ao atraso para trazer ao Brasil: o filme estreou por outros cantos no fim de maio, mas só em 4 de setembro aterrisou em terras brasileiras.

[Atualização] Quase me esqueço de dizer nessa crítica que quem empresta a voz para Carl é o mestre do humor brasileiro Chico Anysio. Ou seja, mais um excelente motivo para assistir a “Up”.

Resenha: Operação Valquíria

O nazismo foi um dos grandes imbróglios no qual a humanidade se envolveu no século passado. Tem gente, no entanto, que acredita que todo e qualquer alemão daquela época apoiava a suposta superioridade da raça ariana e o anti-semitismo, dentre outros dogmas que o “nacional socialismo” pregava.

Não é verdade. Embora a máquina de propaganda de Hitler, encabeçada por Goebbels, fosse poderosa e tivesse convencido grande parte do povo alemão de que aquela doutrina era correta, o que não faltam são histórias de alemães que ajudaram judeus, dentre outras minorias, a sobreviverem frente à possibilidade de serem executados ou enviados ao campo de concentração.

Pôster de "Operação Valquíria"

Uma das pessoas que mudou de “lado” durante a guerra foi o coronel nazista Claus Von Stauffenberg, interpretado pelo astro Tom Cruise em “Operação Valquíria”. Depois de ter uma mão e um olho amputados e perder dois dedos da outra mão, ele volta para a central burocrática das forças armadas pronto para dar um golpe.

Sua intenção é simples porém absolutamente complexa: matar Adolf Hitler e acionar a Operação Valquíria (do título do filme), que consistia no exército reserva depor os líderes da SS. Junto a outros homens que juravam defender a Alemanha acima de tudo, Stauffenberg arquitetou um plano para o assassinato. Segundo esse grupo de pessoas, não poderia haver uma nova Alemanha se o führer estivesse no comando.

O filme “Operação Valquíria”, que começa mostrando o coronel no campo de batalha, passa a narrar os planos para a morte de Hitler, com enorme cuidado para as locações, a caracterização e os equipamentos da época. Até a tonalidade do filme impressiona, porque durante todo o tempo passeia pelo cinza, mas sempre que o vermelho da bandeira do Terceiro Reich aparece, está tão vívido que causa arrepios.

Seu final é óbvio, já que é baseado em fatos reais. Adolf Hitler sobrevive ao atentado e manda prender os envolvidos no golpe. No entanto, sua ordem (tida como suprema) é sobreposta pela de um general, que manda matar a todos. Depois de alguns meses, esse mesmo general é executado.

A história é muito bem contada, mas falta ação à narrativa. Stauffenberg poderia ser mais explosivo, demonstrando mais raiva pelo sistema nazista e por seu líder. Cenas de suspense também são poucas, mas convencem.

Uma coisa que não agrada em “Operação Valquíria”, no entanto, é o Adolf Hitler que eles retratam. Embora seja esteticamente parecido, com o já tradicional bigode e a estatura diminuta, David Bamber não se sai muito bem. Desde que assisti a “Der Untergang” (A Queda! As últimas horas de Hitler), não consigo aceitar outra pessoa interpretando Hitler que não seja Bruno Ganz. Também não me agrada a ideia de um filme que retrate a Alemanha de Hitler sem ser em alemão.

Bruno Ganz como Hitler em "A Queda": imbatível

Bruno Ganz como Hitler em "A Queda": imbatível

É um bom filme, que vale a pena ser assistido. Mais pelo cunho histórico, fidedigno ao que realmente aconteceu, que pelo caráter de ser filme de ação, já que ele passa longe de ser uma produção que empolga.

Crítica: Kung Fu Panda

No fim de noite deste domingão, tive a sorte de assistir ao filme “Kung Fu Panda“. Eu queria mesmo assistir a “Jogos Mortais 5″, mas optei por uma animação mais light e me surpreendi. Até porque não sou grande fã do Jack Black. Não era, pelo menos.

O filme conta a história de um panda glutão, fazedor de macarrão que, de uma hora para outra, torna-se o grande guerreiro do dragão. De futuro mestre cuca da lanchonete do pai, ele se torna futuro salvador de um vilarejo chinês que está na mira de um vilão expert em kung fu.

Ninguém menos que o mestre Shifu (Sifu?) se vê encarregado de treinar Po, o panda, numa das mais complexas artes marciais. No início o mestre não acredita em seu pupilo, mas depois acaba enxergando no panda gordo e preguiçoso um hábil lutador.

Claro que não vou contar o fim do filme. Mas vou recomendá-lo fortemente para você. “Kung Fu Panda” vale a pena pela moral da história, que é muito interessante, e também pela animação, que é perfeita em seu estilo. A Dreamworks não quis um filme em 3D absolutamente fiel à realidade, e é aí mesmo que eles acertam. Assista!

Para provar que não estou sozinho nessa crítica favorável ao filme, acesse o Rotten Tomatoes: 89% de aprovação. Eu sei que o filme foi lançado há sete meses, mas só agora saiu em DVD e eu pude assisti. Acho que não custa nada recomendar.

Minha experiência com a NetMovies

Fui convidado, em março deste ano, a testar a NetMovies. Para quem não sabe, a empresa é uma locadora de filmes que faz as entregas através de motoboys e que não cobra por filme alugado. O sistema funciona na base de assinaturas mensais, que podem incluir de um a quatro filmes simultaneamente na casa do assinante. Mais ou menos como a Netflix nos Estados Unidos.

A idéia é muito bacana. Você monta sua lista de filmes, e conforme eles ficam disponíveis o entregador vai até sua casa e deixa o envelope contigo. A partir daí, o assinante pode levar o tempo que quiser para assistir ao DVD. Não há multas nem taxas extras.

No meu caso especificamente, tive a primeira decepção ao me cadastrar no serviço para receber a cortesia (leia-se filmes gratuitos). Embora, na época, o site da NetMovies dissesse que a empresa já operava no Rio, em São Paulo e uns outros lugares, ao colocar meu CEP descobri que não entregariam na minha casa. Propaganda enganosa?

Como não pagaria pelo serviço, coloquei o endereço dos meus avós. Montei minha lista no site e passei a receber os DVDs maravilhosamente bem. Agendava as entregas, e tudo corria como o esperado. Na verdade, a maioria dos filmes que aluguei eram documentários.

Ao fim dos sessenta dias de prazo, minha conta seria cancelada e então eu poderia renová-la – e pagar pelo serviço – ou não. Em teoria pelo menos. Na prática, acabei sendo cobrado no cartão de crédito por uma renovação que não queria. Essa é a única bronca que tenho com a NetMovies.

Mandei vários e-mails para o suporte, mas acabei ficando sem o estorno do valor pago. Não é uma fortuna, claro, mas também não era o previsto para acontecer. Se entregassem na minha casa, ficaria numa boa. Mas não vou pagar por um serviço que é baseado em entrega a domicílio que efetivamente não me entrega o produto.

Ainda assim recomendo a NetMovies. Ela possui um acervo enorme de filmes, o atendimento é bastante rápido e o assinante ainda conta com a comodidade de receber os DVDs em casa. A lista de filmes é meio estranha, porque você nunca sabe qual será o próximo DVD que vai receber. Ainda mais quando são os blockbusters ou filmes mais procurados.

Se tiver NetMovies na sua localidade, assine e seja muito feliz. Eles cobram 29,90 reais na assinatura básica, com um DVD em casa. Para comparar, a TVA tem um pacote no qual o pay-per-view é ilimitado pelo mesmo valor. No entanto, são apenas quatro ou cinco filmes novos por mês. Vale muito mais a pena assinar NetMovies.

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Como você pode perceber, falei bem e mal da empresa. Não levei um centavo sequer para escrever esse post. Na verdade, nem tinha a obrigação de fazê-lo. A própria mensagem enviada pela NetMovies já dizia que “Falar bem, mal ou simplesmente não falar nada influi na sua participação”. Só faço o post porque acho que os leitores do Memórias Fracas têm o direito de saber quais benefícios – ou dores de cabeça – eu arrumo a partir do blog.

Análise: "Cloverfield"

Ontem eu e parte da blogosfera (Cris Dias, Rafael Silva, etc) que não tinha ido à pré-estréia de Cloverfield corremos ao cinema para poder descobrir o que o filme ‘de monstro’ guardava para nós. A partir daqui, ler o texto é por sua conta e risco. Spoilers estarão por toda a parte.

Cloverfield é criação de JJ Abrams. Ele é o grande inventor de Lost, aquela série que todo mundo ama ou odeia, mas que ninguém sabe o que realmente esperar dela. Se Lost é intrigante em suas quatro temporadas, Cloverfield consegue chegar perto disso em pouco mais de uma hora.

O filme começa com a festa de despedida do jovem Robert, que está com viagem marcada para o Japão. Os amigos fazem uma mega-festa surpresa no alto de um prédio, e tudo é documentado através da filmadora nas mãos de Hud (ele morre).

Cloverfield: Estátua da Liberdade é arremessada

No meio da festa acontece um tremor, que logo todos pensam ser um terremoto. As pessoas começam a fugir, primeiro do prédio, e depois de Manhattan. Já nas primeiras cenas de desespero, a cabeça da Estátua da Liberdade é lançada no meio da rua. Neste momento fica claro que não é um terremoto. Atentado terrorista? Também não.

O monstro em si não tem nada de mais. É um alienígena gigante e bem feio, que fica destruindo os prédios da cidade. Junto do monstrengo vêm de brinde seus filhotes, seres menores mas bastante parecidos com ele. Um dos filhotes ataca o pequeno grupo de Robert enquanto eles estão caminhando pelo metrô e morde Marlena.

Obviamente que Marlena morre. Actually, ela explode. Pelo menos foi isso o que eu entendi ao vê-la ser carregada pelos militares e de repente se transformar em jatos de sangue para todo o lado. Por falar em militares, eles dão um show à parte no filme.

As cenas em que os combatentes das forças armadas americanas aparecem são muito realistas. Como a filmagem é porca, lembra aqueles vídeos vindos lá do Oriente Médio que as agências de notícias divulgavam durante a guerra.

Uma coisa que gera angústia ao espectador é exatamente a filmagem a la Bruxa de Blair. É irritante ver aquelas imagens tremidas o tempo todo. Podiam ter utilizado menos este recurso, ainda que ele seja um diferencial do filme. Vez ou outro você se pega entortando a cabeça para tentar entender o que está acontecendo.

No fim do filme só restam Robert e seu grande amor, cujo nome nem lembro mais. Jason, irmão de Robert, já havia morrido faz tempo. Marlena, como eu disse anteriormente, morre depois do ataque do alien filhote e Hub, o cameraman, morre quando o monstro-pai o ataca. Então Manhattan sofre o ataque final dos militares, no qual tudo é destruído. Incluindo o casal.

Faltaram mais imagens do monstro, que ficou meio artificial. A sensação de quero-mais ao fim do filme também é desanimadora. No cinema, algumas pessoas até se perguntavam, durante o início dos créditos, se ele havia mesmo acabado.

Eu recomendo que você assista a Cloverfield. Por ser uma experiência diferente de assistir a um filme de cinema. E por ser JJ Abrams. Embora eu não assista a Lost, seu talento é inegável.

Análise: "Eu sou a lenda"

A história já é banal e conhecida de todos. Em um futuro não tão distante, a professora Trelawney de Harry Potter doutora Alice Krippin consegue desenvolver uma possível cura para o câncer. Assim começa Eu Sou A Lenda (I Am Legend).

Essa cura, como já era de se esperar, é uma grande furada que acaba por contaminar a população mundial. Muitos morrem. Dos que sobram, a maioria vira uma espécie de zumbi que mais lembra “Resident Evil” que outra coisa. E alguns poucos se tornam imunes ao vírus, como o doutor Robert Neville, vivido por Will Smith.

Pôster de “Eu sou a lenda” (I am legend), com Will SmithO filme se passa em uma Nova York deserta, com carros largados por todos os cantos e veados saltitando livremente pelas ruas, a caminho do Central Park. Dr. Robert, que parece ser o único sobrevivente são da capital, mantém a esperança em uma pesquisa que desenvolve para tentar reverter os efeitos do vírus letal.

Robert se mostra um homem meio neurótico, que tenta dar um caráter mais humano à vida solitária que leva com sua cadela Samantha. Durante o filme, o militar recebe a visita de Anna, interpretada pela brasileira Alice Braga, que prova a ele que há mais gente imune e que foram construídos abrigos.

A partir desse ponto é construída a problemática de como salvar a população sã desse mundo debilitado dos zumbis que não podem se expor ao sol, mas que durante a noite podem fazer muitos estragos devido à sua força descomunal.

O final do filme é surpreendente. Se isso é bom ou ruim, só assistindo para decidir. A ida ao cinema é válida pela interpretação impecável e muitas vezes engraçada de Will Smith e pela presença inesperada de uma brasileira, a Alice Braga.

Cinema 2007 na Globo – Lista de Filmes

Todo ano as grandes emissoras (Globo e SBT) fecham acordos com as empresas de Hollywood para trazer os filmes preferidos do público. Difícil é ver um filme com menos de um ano e meio indo ao ar. A TV Globo já veicula a lista com os filmes de destaque que serão exibidos neste ano. São eles:

Estrangeiros

  • O Terminal
  • Mansão Mal Assombrada
  • Chamas da Vingança
  • Na Companhia do Medo
  • Hell Boy
  • A Janela Secreta
  • Como se fosse a primeira vez
  • Taxi
  • Alien vs. Predador
  • Elektra
  • Kill Bill, volumes 1 e 2

Nacionais

  • 2 Filhos de Francisco
  • Zuzu Angel
  • A Dona da História
  • Didi, o Cupido Trapalhão
  • Olga

Os Blockbusters

“Blockbusters” são os “arrasa-quarteirão”, com sucesso de público e crítica.

  • Menina de Ouro (4 Oscars)
  • Eu, Robô
  • O Dia Depois de Amanhã
  • Shrek 2
  • SWAT
  • Piratas do Caribe

Resenha de "Plano de Vôo"

Jodie Foster em “Plano de Vôo”

“Se alguém lhe tomasse algo para o qual você vive, o quão longe você iria para recuperá-lo?”. Essa é a pergunta que o filme “Plano de Vôo” (Flightplan) tenta responder. Assisti ontem, em DVD. Só em dizer que a protagonista é Jodie Foster já garante 50% do sucesso do filme.

A história começa com Kyle (Jodie) levando sua filha Julia para o aeroporto de Berlim, de onde partiriam para os Estados Unidos. Junto com elas está o corpo do marido de Kyle, falecido uns dias antes. As duas embarcam no avião tranquilamente e este, então, decola. Até que chega em um ponto que ambas vão dormir. Passa-se por volta de duas ou três horas, e ao acordar Kyle percebe que sua filhinha não estava ao seu lado. A mulher começa uma busca no avião.

Conforme o tempo passa Kyle fica mais desesperada. Ainda traumatizada pela morte do marido, mobiliza todos os comissários para que procurem Julia. É então que a problemática aparece: após levantar a lista dos passageiros, o capitão descobre que a menina supostamente não havia embarcado, pois seu nome não constava lá. Começa aí o “Deus nos acuda” de uma mãe em busca da única filha.

Se contar mais estraga… Caso assista, repare bem no tamanho do avião (Aalto Air E-474). Simplesmente descomunal! Nos aviões da Varig e da TAP, onde já viajei, não há nem metade daquele espaço para que trafeguemos. Sem contar que a dona tem muita sorte por conhecer o avião nos mínimos detalhes. Caso contrário, não sei se conseguiria tal desfecho.

Recomendo bastante o filme. Não sei como foi seu desempenho nos cinemas, mas para um domingo à noite está muito bom. Como diria naquela vinheta das salas Severiano Ribeiro: “bom divertimento!”.

"O Código Da Vinci": melhor para quem não leu

» Esta resenha pode conter spoilers. Leia por sua conta e risco.

Tom Hanks (Robert Langdon) e Audrey Tautou (Sophie Neveu)

Assisti hoje à estréia de O Código Da Vinci (The DaVinci Code), baseado no livro homônimo de Dan Brown. O filme foi uma surpresa. Uma desagradável surpresa. A começar pela escolha do ator principal: Tom Hanks. Ele não tem aquele ar acadêmico que o professor Robert Langdon apresenta no livro, e que certamente contagia os leitores.

Audrey Tautou, como a criptógrafa Sophie Neveu, mostrou um grande talento para, num momento mostrar-se inteligentíssima, e em outro fazer o inverso, ou seja, ser desentendida com relação a assuntos como Maria Madalena e o Priorado de Sião.

Em algumas cenas as falas são idênticas às do livro, o que me agradou bastante. Nesta hora eu pude ter certeza que o filme foi baseado na versão original, de papel, e que Dan Brown realmente foi produtor dele. Claro que adaptar um livro para o cinema dá um trabalho imenso e muita informação é perdida, mas nesta adaptação em especial há uma perda grandiosa no ritmo da história. Desenvolve-se de forma lenta e não intimida, emociona ou faz o espectador participar. Este simplesmente acompanha; não se insere na história.

Ian McKellen como sir Leigh Teabing
Quem impressiona pela maestria é Ian McKellen (o Magnetto de “X-Men” e Gandalf de “O Senhor dos Anéis”). Ele interpreta o velho aleijado sir Leigh Teabing, que entende tudo sobre o Santo Graal e é quem ajuda a esclarecer ao interlocutor, tanto no livro como no filme, como os fatos eram encarados pela História e como realmente foram. Excêntrico e milionário, não poupa recursos na busca obsessiva pelo segredo da Igreja e é quem banca toda a expedição deles. O que inclui até mesmo uma fuga de jatinho.

Como bom entusiasta da tecnologia que sou, não pude deixar de reparar nos “brinquedos” de última geração que aparecem no filme. Logo no início Langdon está dando uma palestra com um telão ao fundo e parece mentira quando o aparelho começa a projetar sucessivas imagens que explicam vários símbolos. O banco suíço também impressiona pelos seus traços futuristas, embora mesclados com características arquitetônicas e de decoração clássicas da Europa medieval.

O filme, que me gerou grandes expectativas, decepcionou um pouco. Mas só para ver aqueles belíssimos sets, e em especial o Museu do Louvre (Musée du Louvre), o valor do ingresso já vale a pena. Talvez os que não leram o livro gostem mais do filme. Pelo menos isso aconteceu comigo. Fui com grupo de amigos, e como só eu havia lido a obra literária, fui quem menos adorou o filme. De qualquer forma, é um banho de cultura.