Grand finale: Oi compra BrT

Em janeiro de 2008 esse blog já tratou da possível compra da Brasil Telecom pela Oi, antiga Telemar. Pois bem, durante o ano o negócio foi se concretizando e parece que na noite de ontem a cartada final foi dada para a criação da megatele brasileira. A Anatel, agência que tradicionalmente observa os interesses das prestadoras de telefonia, deu seu aval para que uma das fusões mais importantes da história empresarial recente do Brasil acontecesse.

O que isso muda para o pobre mortal do usuário de telefonia? Pelo visto, absolutamente nada. As duas empresas – Oi e BrT - estarão sob o guarda-chuva da mesma holding, a Tele Norte Leste Participações S/A. E só. Alguns departamentos internos devem se fundir com o tempo, como o jurídico. Mas, de modo geral, para nós não vai fazer diferença porque as duas empresas já operam em regiões distintas.

Seria absurdo pensar, por exemplo, que a Brasil Telecom passaria a concorrer com a Oi aqui no Rio, berço da Telemar. Ou então que ofereceria acesso à internet por um precinho mais camarada. Continuam sendo empresas em regiões distintas, com a diferença de remeterem os lucros – e são muitos! – para um bolso só, o da Tele Norte Leste Participações S/A. Na verdade, o cenário vai de mal a pior para o assinante, que continuará sem concorrência.

O mínimo que a Anatel/Governo (não sei a quem cabe tomar esse tipo de decisão) deveria fazer é abrir o mercado de telecomunicações brasileiro para outras empresas estrangeiras, que certamente têm capital para investir no país e aumentar a oferta de serviços. A concorrência historicamente sempre melhora a qualidade de produtos ou serviços prestados.

Como no Brasil a telefonia fixa é um monopólio,  não dá para criar competição. Somente uma empresa opera em cada região – curiosamente, a nova BrOi deterá 90% das regiões e 65% dos assinantes de telefone fixo -. Isso é muito ruim para o consumidor. Nesse cenário de megatele com tanta concentração de usuários, a presença de uma Telefônica ou Telecom Italia seria muito bem-vinda. Quiçá a toda poderosa americana AT&T não se interesse pelo nosso país.

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Quem sai ganhando mesmo é Daniel Dantas. Na reorganização da BrOi (a junção da Oi com BrT), o grupo de Dantas deixará a operação. E o banqueiro poderá embolsar algo na casa do bilhão de reais.

Resta saber se ele conseguirá desfrutar dessa grana toda… na cadeia.

Oi compra Brasil Telecom. Sinto cheiro de problema…

Oi/Telemar/Velox compra Brasil Telecom?

Tanto a Folha (reportagem para assinantes) quanto a versão online da Veja, através do blog de Reinaldo Azevedo, deram hoje mais cedo a seguinte notícia: é muito provável que a Oi/Telemar/Velox (TNL PCS) compre a também telefônica Brasil Telecom.

Esse desejo já é antigo dos controladores das empresas e também lá na República de Brasília, e segundo informaram à Folha o negócio já estaria acordado em cerca de 4,8 bilhões de reais. Basicamente, com essa compra da BrT pela Oi nasceria uma gigante das telecomunicações brasileira. Isso porque a Oi/Telemar opera em dezesseis estados brasileiros (Nordeste, parte da região Norte, Rio, Espírito Santo e Minas). Já a Brasil Telecom opera em mais nove estados, totalizando 25. Só resta São Paulo.

Abaixo você vê um mapa que ilustra a área de atuação das duas operadoras:

Mapa das telecomunicações no Brasil. Oi + Brasil Telecom.

Isso é bom para o Brasil? De um certo ponto de vista, sim. Já que dessa forma cria-se um grande grupo com força econômica (só em 2007 o faturamento somado das duas empresas foi de mais de 21 bilhões de reais) e uma enorme base de assinantes para concorrer com a Telefônica (que opera exclusivamente em São Paulo) e a Claro-Embratel, do ricaço Carlos Slim. Esses dois grupos estrangeiros têm dinheiro de sobra para investir no Brasil, o que as nacionais não têm em tamanho volume.

Por outro lado, essa possível venda ou fusão depende de decreto especial do presidente, já que atualmente este tipo de operação não é permitida pela legislação brasileira. Lula e Dilma já demonstraram apoio à operação, e parecem estar dispostos a dar prosseguimento ao negócio. O presidente teria uma felicidade a mais com a criação de uma nova telefônica: o BNDES detém 25% do controle da Telemar, e portanto teria participação vultosa na nova companhia.

Aliás, o presidente teria duas felicidades. A participação do BNDES na nova empresa; e também a participação do filho Fábio Luís da Silva (o “Lulinha”) na Gamecorp, que em parte é da Oi/Telemar e receberia uma maior quantidade de dinheiro da controladora. Esses dois casos dão cheiro de podridão ao negócio.

Pode ser que dê certo e tenhamos uma grande empresa nacional de telecomunicações competitiva, com agilidade na implementação de novas tecnologias e prestadora de um serviço de (excelente) qualidade. Ou então teremos uma gigante pesada, cheia de dinheiro e muito ineficiente, caso siga a natureza da Oi/Telemar.

Qualquer que seja o resultado, já arrisco um nome para a tal empresa: Oi Brasil. O departamento de arte do Memórias Fracas (!) já até esboçou como será a logomarca da nova empresa:

Logomarca de uma possível “Oi Brasil”