A curiosa programação da Globo para 2011

Você bem sabe que a Globo é uma empresa carioca. Tem seus escritórios nas principais capitais e uma base de operações importante em São Paulo. Ainda assim, eu tinha a deturpada visão de que a empresa mantinha seu coração lá no Jacarepaguá. Ledo engano. Ontem, a emissora reuniu artistas, publicitários, representantes do poder e afins num grande evento de lançamento da programação para o ano corrente. Adivinhe onde: São Paulo, a quase 350 quilômetros da sede da emissora, no Rio.

E o que isso sinaliza para o público? O que é evidente também desde sempre: o mercado de São Paulo é o mais importante do País. Aqui está a maior população urbana do Brasil, e consequentemente o mercado publicitário que a Globo – bem como as demais emissoras – tanto almejam. Em outras palavras, aqui é onde o dinheiro está.

Octávio Florisbal, CEO da Globo, fala das novidades (foto: Gregori Pavan)

Os números da Globo para 2011 são fabulosos, então vou me ater a apenas um deles. De acordo com o Octávio Florisbal, espécie de CEO da companhia, serão 50 mil inserções comerciais para a nova grade de programação. Sabe aqueles tradicionais programas, como a novela das nove horas ou o jornal que passa imediatamente antes (e que cada vez se mostra mais “enxuto”, para prejuízo da boa informação)? Já têm patrocinadores até o fim do ano. É assim mesmo, o mercado publicitário compra espaço na Globo simplesmente porque é a Globo.

Décadas de um padrão de qualidade que impressiona fizeram da Globo essa gigante, que figura entre as cinco maiores empresas de televisão do mundo. O business da emissora é esse: criar fantasia, sem deixar de relatar o que acontece no Brasil e no mundo. É daí que vem mais um fato curioso, que tem tudo a ver com a nossa querida internet.

O mesmo Florisbal que apresentava as atrações da emissora para 2011 fez questão de dizer que a representação da Globo na internet ganhará 12 novos portais de notícia locais. Esses portais provavelmente vão seguir o que já fizeram com o G1 Rio de Janeiro ou G1 São Paulo. Aqui cabe a ressalva: esses portais (por assim dizer, visto que não são de fato portais como um iG) só foram construídos depois que o R7 inaugurou uma editoria especial para a Cidade Maravilhosa, com layout diferenciado, ideia que aparentemente inspirou a Globo a fazer igual.

De qualquer forma, o CEO da televisão anunciou que serão 12 novos portais de notícias na internet. Perceba o paradigma: temos a televisão determinando o que vai acontecer na web. Não é surpresa para ninguém do meio jornalístico que o G1 é comandado pela cúpula da televisão, uma aposta que tem seus acertos e seus erros. Com os anúncios da nova programação, o público finalmente tem isso claro. Pelo menos na parte de notícias, a Globo.com nada mais é do que a representação da tevê na internet. Algo que o R7 deixou mais do que óbvio desde o início de suas operações.

Por fim, mais um dado curioso sobre a nova programação da Rede Globo. Pelo menos na transmissão do evento feita pelo site da emissora, nenhuma palavra sobre a linha de programas (ou shows, como preferir). Aqueles programas de entretenimento que rareiam cada vez mais da emissora do Rio, como o do Faustão (que está em baixa no Ibope) ou da Angélica não foram sequer citados durante a apresentação. Será que a emissora não tem planos de como salvar esse tipo de programa? É algo a se pensar.

Portal R7: primeiras impressões

Entrou no ar ontem, pouco antes das oito da noite, o R7, novo portal de conteúdo criado pela Grupo Record. Quem me acompanha no Twitter pôde ler alguns comentários acerca do novo estabelecimento, mas sempre há algo mais para comentar.

logo-r7Gostei da marca que o novo site adotou. Um balão de diálogo, em tempos de web 2.0 – detesto esse termo –, foi algo bastante inteligente de ser concebido. Pena que o nome do portal em si seja tão parecido com outro, justamente da principalmente concorrente da Record nos dias de hoje. Pelo menos é um nome conciso, fácil de lembra, e fica bem ao ser exibido na televisão.

O layout do portal deixou a desejar. Toda vez que a gente ouve falar em investimentos de centenas de milhões de reais, espera que aquele novo produto ou serviço seja matador mas que também seja original. Não é o caso do R7. A equipe de design fez uma alquimia qualquer na qual iG e Globo.com foram combinados, resultando no que é atualmente o novo portal do bispo Edir Macedo.

Barra de destaque patrocinada por montadora.

Barra de destaque patrocinada por montadora.

Uma coisa que me chamou a atenção foi a barra com a principal manchete do momento (por enquanto anunciando a chegada do portal na web brasileira). Não me lembro de ter visto, nos sites noticiosos brasileiros, implementação semelhante. É uma forma inteligente de explorar uma nova área de publicidade, que tira bom proveito da credibilidade que o portal espera construir.

Com relação ao conteúdo, muita coisa ainda precisa ser azeitada. O uso excessivo de fotos de bancos de imagem, por exemplo, pode ser um problema: colocar uma ruiva com celular de última geração na mão, em um ambiente que claramente não é o Brasil, faz a matéria sobre o mercado brasileiro perder o contexto.

Redes sociais estão presentes.

Redes sociais estão presentes. (+)

Pelo menos não deixaram as redes sociais de lado. Dias antes a Folha Online já havia estreado uma barra através da qual usuários poderiam recomendar os textos, e o R7 foi pelo mesmo caminho. Dependendo da página, esse link pode ter a formatação quebrada, mas é algo que, com o tempo, certamente será corrigido.

Gostei demais de saber que os vídeos da TV Record estariam no portal, principalmente os de telejornais. A realidade de quem acessa, no entanto, não é das melhores. Tentei ver vários vídeos no Chrome, mas somente um funcionou corretamente. Os outros sequer carregavam.

É bom ver que um grande grupo empresarial está investindo nesse meio. Independentemente da linha editorial que o R7 assumir, são milhões que vão gerar emprego e ajudar o mercado de internet a crescer ainda mais.