As retrospectivas de 2009 na web

Falta pouco. Em mais algumas horas nós damos tchau ao ano de 2009 e saudamos a chegada de 2010. Nesse momento você deve estar aproveitando seu recesso, sem pensar em trabalho. Diferentemente do que foram as redações das empresas jornalísticas nas últimas semanas, que trabalharam a todo vapor para resumir tudo o que aconteceu nesses mais de trezentos dias. Sim, falo das retrospectivas.

A internet não poderia ter outro tratamento. Alguns grupos de comunicação investiram bastante para proporcionar ao usuário uma experiência bacana na hora de revisitar os fatos mais importantes de 2009. Outros ficaram no básico, mas mesmo assim deram espaço para as retrospectivas em seus sites.

Confira abaixo as retrospectivas que foram apresentadas por alguns dos principais sites jornalísticos e jornais virtuais, devidamente comentadas por mim. Clique nas capturas de tela para ampliá-las.

G1

A retrospectiva do G1, presença noticiosa mais importante do Grupo Globo na internet, foi a que mais me agradou. Em vez de texto, o site apostou em conteúdo multimídia, principalmente em vídeo. A retrospectiva foi dividida por assuntos afins, de modo que o usuário tem uma noção de linearidade entre cada fato ocorrido em 2009.

Eu gosto das retrospectivas em vídeo porque é preciso ter uma narrativa bastante interessante para prender a atenção da audiência, objetivo que o G1 cumpriu muito bem. Além disso, no rodapé do player aparecem links que permitem que o usuário vá diretamente para aquela notícia e possa ler novamente.

R7

Na cola do G1 vem o R7, atualmente o segundo site de notícias do Brasil. O veículo da Rede Record nasceu há alguns meses, então não tem como linkar para si mesmo na hora de mostrar os fatos mais relevantes de 2009. Optaram por um infográfico em texto e imagem, mas que pode conter vídeo (principalmente nos últimos meses do ano, quando o R7 já tinha iniciado suas operações).

Globo Online

O site do jornal carioca O Globo aproveitou a retrospectiva para fazer uma campanha institucional. Logo que o usuário abre a página especial, se depara com um mosaico no qual pode escolher uma das imagens e visualizar o conteúdo que os jornalistas do veículo produziram.

Interessante mesmo é a possibilidade de enviar mensagens para o jornal com a perspectiva para 2010. Vários usuários já participaram, inclusive com vídeos publicados no YouTube seguidos de um recado otimista para o próximo ano.

Folha Online

Para que investir algo em algo legal quando você pode fazer mais do mesmo? Provavelmente foi o que a chefia de redação da Folha Online pensou quando optou por fazer uma retrospectiva completamente em texto (para não ser injusto, também há algumas fotos).

Matérias enormes foram publicadas no site do jornal, na esperança de que algum usuário lesse. Os jornalistas do veículo conseguiram ignorar completamente a tendência de fazer textos mais enxutos para web, escrevendo justamente o contrário: reportagens extensas e chatas de ler na tela do computador.

Último Segundo

Não tenho o hábito de acessar o canal de notícias do iG por um motivo muito simples: o design me desagrada profundamente. Ainda assim fui lá dar uma olhada na retrospectiva. Seguiram a receita da Folha Online e produziram muito texto, porém sem dar destaque à multimídia. O máximo, pelo que pude ver, foram slideshows com no melhor estilo “fatos & fotos”.

Estadão.com.br

Não entendi muito bem qual foi a proposta do Estadão.com.br ao permitir que seus usuários votassem nos fatos mais importantes dos anos 2000, que vão desde 2000 a 2009. A apresentação dos resultados foi em forma de mosaico, no qual você pode descobrir quem é o blogueiro mais votado (no caso, a Rosana Hermann, que atualmente mantém o blog Querido Leitor dentro do portal R7) ou a empresa da década (Google, é claro).

Portal R7: primeiras impressões

Entrou no ar ontem, pouco antes das oito da noite, o R7, novo portal de conteúdo criado pela Grupo Record. Quem me acompanha no Twitter pôde ler alguns comentários acerca do novo estabelecimento, mas sempre há algo mais para comentar.

logo-r7Gostei da marca que o novo site adotou. Um balão de diálogo, em tempos de web 2.0 – detesto esse termo –, foi algo bastante inteligente de ser concebido. Pena que o nome do portal em si seja tão parecido com outro, justamente da principalmente concorrente da Record nos dias de hoje. Pelo menos é um nome conciso, fácil de lembra, e fica bem ao ser exibido na televisão.

O layout do portal deixou a desejar. Toda vez que a gente ouve falar em investimentos de centenas de milhões de reais, espera que aquele novo produto ou serviço seja matador mas que também seja original. Não é o caso do R7. A equipe de design fez uma alquimia qualquer na qual iG e Globo.com foram combinados, resultando no que é atualmente o novo portal do bispo Edir Macedo.

Barra de destaque patrocinada por montadora.

Barra de destaque patrocinada por montadora.

Uma coisa que me chamou a atenção foi a barra com a principal manchete do momento (por enquanto anunciando a chegada do portal na web brasileira). Não me lembro de ter visto, nos sites noticiosos brasileiros, implementação semelhante. É uma forma inteligente de explorar uma nova área de publicidade, que tira bom proveito da credibilidade que o portal espera construir.

Com relação ao conteúdo, muita coisa ainda precisa ser azeitada. O uso excessivo de fotos de bancos de imagem, por exemplo, pode ser um problema: colocar uma ruiva com celular de última geração na mão, em um ambiente que claramente não é o Brasil, faz a matéria sobre o mercado brasileiro perder o contexto.

Redes sociais estão presentes.

Redes sociais estão presentes. (+)

Pelo menos não deixaram as redes sociais de lado. Dias antes a Folha Online já havia estreado uma barra através da qual usuários poderiam recomendar os textos, e o R7 foi pelo mesmo caminho. Dependendo da página, esse link pode ter a formatação quebrada, mas é algo que, com o tempo, certamente será corrigido.

Gostei demais de saber que os vídeos da TV Record estariam no portal, principalmente os de telejornais. A realidade de quem acessa, no entanto, não é das melhores. Tentei ver vários vídeos no Chrome, mas somente um funcionou corretamente. Os outros sequer carregavam.

É bom ver que um grande grupo empresarial está investindo nesse meio. Independentemente da linha editorial que o R7 assumir, são milhões que vão gerar emprego e ajudar o mercado de internet a crescer ainda mais.

iG faz piada racista com Michael Jackson

O portal iG estreia nesse domingo o redesign de sua home page, que está mais organizada que a versão anterior (e ironicamente mais parecida com o G1, “o portal de notícias da Globo”). Curioso que sou, lá fui eu conferir as novidades da nova página inicial, que não afetam em nada todo o resto do portal. O Último Segundo? Continua com cara de portal de 1999.

Como não tenho o hábito de acessar o portal, aproveitei para ver como anda o jornalismo do lugar. Abri algumas manchetes, entre elas uma especificamente sobre a morte de Michael Jackson, que publicava algumas fotos. No fim da página havia um selo para um especial dos cinquenta anos de Jacko, que eu decidi ler.

O infográfico apresentado foi muito bem construído, com design agradável. No entanto, esse mesmo infográfico também contém uma piada grosseira e racista.  Ao clicar na opção “50 coisas que você nunca soube sobre Michael Jackson”, uma lista de várias páginas é apresentada, com tópicos curiosos sobre o rei do pop.

Lá pela sexta página, na “curiosidade” de número 17, está escrito o seguinte (você pode clicar na imagem para ver em tamanho normal):

michael-jackson-ig2

“Jackson foi o primeiro artista negro a passar na MTV, com videoclipe de Billie Jean, música do disco Thriller (piadinha: quando ainda era negro, né? Rs)

Como um portal do porte do iG permite que uma piada de extremo mau gosto e claramente racista como essa seja publicada num infográfico em homenagem a um dos principais artistas do século passado? Aliás, como que o portal permite que isso seja publicado em qualquer canto de seus servidores?

Poderíamos até achar que o texto todo foi construído em tom de brincadeira, mas não é o caso desse infográfico. E mesmo que fosse, há um limite entre brincadeira e racismo, e acho que está muito óbvio que a observação tem a intenção de ofender.

Além desse item, que destoa do estilo de escrita do infográfico, apenas o de número 24 faz algum tipo de “brincadeira”: “Jackson pediu Lisa Marie Presley, filha de Elvis Presley, em casamento pelo telefone. (quanto romantismo!)“. Todos os outros são puramente jornalísticos.

O infográfico provavelmente foi feito enquanto Michael Jackson ainda estava vivo, uma vez que fala do astro ainda no presente. Ou seja, já está no ar há algum tempo, sem que ninguém tenha tido o trabalho de revisá-lo e, com sorte, detectar os abusos no texto.

Durante certo tempo o iG manteve um ombudsman, que recebia reclamações de usuários, as julgava e encaminhava as procedentes para os setores responsáveis por resolvê-las. Com a demissão do ombudsman, o padrão em sites de grandes grupos de comunicação se repete no iG: entrar em contato com a redação é muito difícil. Por isso publico esse post, para que alguém do portal leia e tire o conteúdo racista do ar.