No Jornal Nacional de ontem, a TV Globo mostrou de forma insistente e demorada as acusações do Ministério Público de SP contra Edir Macedo, líder da Igreja Universal e dono da TV Record. Hoje foi a vez da Record responder.
Durante a programação da emissora, apresentadores alertavam para as respostas que a Igreja Universal daria durante o Jornal da Record. Na internet, o próprio Macedo anunciou que a resposta viria, através da conta dele no Twitter.

Às 19h45 em ponto, lá estavam Celso Freitas e Ana Paula Padrão a fazer a escalada do telejornal. Para quem esperava algum destaque às acusações, surpresa: o assunto Igreja Universal só apareceu no fim, quando Padrão falou dos “interesses que podem estar por trás da notícia”.
Quando deu oito e quinze, o Jornal Nacional começou, enquanto a Record passava reportagem que nada tinha a ver com o assunto. Voltaram a mostrar esquema com fotos e nomes de envolvidos na suposta quadrilha. Também disseram que o dinheiro arrecadado pela Igreja Universal tinha outro destino, as empresas de comunicação de Edir Macedo. De modo geral, um resumo do que já tinha sido apresentado no dia anterior.
No terceiro bloco do Jornal da Record, a resposta finalmente apareceu. “O crescimento da Rede Record nos últimos anos foi impressionante”, iniciou Ana Paula Padrão às 20h20. Foram minutos de acusações à TV Globo e à família Marinho, que segundo a reportagem utilizaria a emissora para seus interesses particulares.
Mostraram que o tempo da reportagem feita pela Globo sobre as acusações à Universal tinha sido desproporcional ao dado pelas outras principais emissoras (conforme eu disse em outro post). Lúcio Sturm, um ex-global (assim como muitos funcionários da TV Record), foi o responsável pela reportagem sobre a Globo.

Tempo de reportagens sobre Universal em cada emissora. (TV Record/Fonte: Gregori Pavan)
Numa jogada de mestre, o Jornal da Record reproduziu o direito de resposta de Leonel Brizola em pleno Jornal Nacional, feito há muito anos. Também utilizaram diversas imagens do documenário “Muito Além de Cidadão Kane” (você encontra no YouTube), que se propõe a contar as falcatruas da emissora carioca e, em tese, estaria proibido de ser veiculado no país.
Uma das hipóteses levantadas pela Record foi a ameaça que a Globo sente de perder seu “monopólio de comunicação”, o que não é uma completa verdade. Se a própria Record comemora a queda na audiência da Globo e sua própria ascensão, é sinal de que o dito “monopólio” já não existe mais. Temos, aí sim, dois grandes players brigando. E, nesse caso, vale aquele ditado que diz “que vença o melhor”.
Após a reportagem sobre a TV Globo, o Jornal da Record falou das ações sociais feitas pela IURD. De fato existem, mas em que proporção ao valor que é arrecadado pelo grupo? Essa pergunta ficou sem resposta. Macedo também não respondeu como conseguiu enriquecer tanto durante esses anos, se tornando dono de mais de dois bilhões de reais.
A reportagem-reposta do Jornal da Record foi feita à altura da reportagem do Jornal Nacional. A diferença é que o JN se utilizou de uma acusação do Ministério Público tornada pública ontem. Ou seja, notícia. Enquanto isso, o Jornal da Record usou imagens de arquivo para relembrar acusações antigas à Vênus Platinada, que não estão sob investigação atualmente.
Será que a guerra no jornalismo para por aqui? Façam suas apostas.
Outra Opinião I » Micael Silva, que já escreveu por aqui, deixou registrado o que ele pensa sobre a guerra entre Rede Record e Rede Globo no Gengibre (em áudio).
Outra Opinião II » Gregori Pavan comentou a guerra: “Achei que foi uma boa resposta, mostrou verdades que são a todo custo escodidas pela Rede Globo, mostrou que houve um excesso por parte da TV Globo, e um uso indevido da informação.”


