Conteúdo de qualidade: alguém tem que pagar a conta

A internet é um meio barato para anunciar. Com o Google jogando o preço de anúncios em texto para baixo e as agências com mais dificuldades em cobrar valores minimamente decentes de sua carteira de clientes, é o produtor de conteúdo quem sofre com o baixo investimento e a incapacidade de se manter no negócio. Mas isso está mudando, conforme o Tiago Dória sinalizou em um artigo recente.

O cálculo é muito simples: fazer Jornalismo custa caro. Seja no meio impresso ou no meio online, vá ver quantas pessoas uma redação de jornal emprega. Isso acontece porque, principalmente, apuração leva tempo. Em alguns segmentos do noticiário, releases e telefones dão para o gasto. Mas em outros, como política ou metrópole, não há saída: o repórter deve ir à rua, à notícia. E lá se vão preciosos minutos no trânsito, mais preciosos minutos esperando a fonte falar, depois tem que voltar à redação, escrever, revisar, reler, publicar. É uma trabalheira sem fim.

Com isso as redações vão inchando, até que chegamos no patamar atual. São grandes veículos com uma quantidade enorme de profissionais contratados, produzindo conteúdo todos os dias, porém sem um meio de remunerar esse conteúdo no meio online.

Mas isso está para mudar. Algumas empresas já reconhecem o verdadeiro valor do conteúdo produzido na rede, sabem que ele custa dinheiro e se dispõem a pagar decentemente pelos anúncios. Afinal de contas, todas as empresas querem isso mesmo: associar sua publicidade a veículos de qualidade, confiança e credibilidade.

Com o meio impresso migrando lentamente – e jamais definitivamente – para o online, é natural que o valor dessa produção online comece a subir. Os bons vão sobreviver. E ganharão o suficiente para isso.

O JB morreu

por Hugo Studart

Caros amigos,

O JB faleceu. Para aqueles que ainda não sabem, o Jornal do Brasil circulou pela última vez há alguns dias, na terça feira, 31 de agosto de 2010.

Sonhei ser jornalista por conta do JB. Adolescente, chegava do colégio na hora do almoço e, invariavelmente, esticava os olhos para a primeira página do jornal aberta por inteira na banca da Afrânio de Mello Franco, esquina com Ataulfo de Paiva, no Rio. Quando tinha notícia importante, dava um jeito e comprava para devorá-lo. Quando não tinha, desejava-o. Era o melhor jornal do Brasil, sem dúvida, inovador, e mais relevante do que hoje são a Folha e o Globo juntos.

Eu amava o JB. Não, era paixão, obsessão. Quis ser jornalista por conta do JB. Na universidade, dizia a todos que um dia trabalharia no JB. Acalentava até um plano estratégico: conquistar a honra de ser repórter do JB em até cinco anos depois de formado. Quis o Destino que fosse meu primeiro emprego, aos 21 anos. Graças ao saudoso mestre JB Lemos, o primeiro editor que concedeu atenção àquele garoto recém formado.

O meu JB, em verdade, faleceu há bem uma década, quando arrendado pelo Nélson Tanure. Triste destino, cair nas mãos do Tanure. Findou tão irrelevante que há muito que já não faz mais falta. Sua morte foi muito pouco notada, quase nada comentada. Choro pelo JB. Choro pelo jornalismo. Choro de emoção pela brilhante crónica que acabo de ler do Joaquim Ferreira dos Santos. Retransmito, caros amigos, alunos e irmãos, o réquiem mais bonito que um grande jornal poderia merecer. Eis um grande requiém para se lembrarem daquilo que um dia foi um grande jornal.

Hugo Studart é professor do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.

E a liberdade de expressão?

O portal G1, das organizações Globo, publicou uma reportagem na qual descreve como blogueiros se tornaram alvos fáceis de comentaristas, que lutam a todo custo para ter suas opiniões publicadas nos blogs. Deram como exemplo Michael Arrington, responsável pelo TechCrunch, um dos blogs mais acessados do mundo. Arrington já levou tapa durante uma convenção, sem saber o porquê e sem saber quem foi.

Em tempos de internet, ficou tão fácil dar a própria opinião, que tem gente que não se contenta com isso. Existem verdadeiros lutadores de boxe virtuais, pessoas que entram em sites e blogs apenas e somente para atacar, com objetivo principal de denegrir a imagem de alguém. Aos poucos, isso vai cansando o blogueiro, que normalmente é quem aprova os comentários e, por isso mesmo, toma conhecimento das agressões.

Quando finalmente resolvemos discutir essa questão, há sempre aquelas pessoas que levantam a bandeira da liberdade de expressão, que está prevista em lei e que eu considero fundamental para a manutenção da democracia. A constituição assegura esse direito, mas as nossas leis também asseguram que ninguém pode ser motivo de chacota, de acusações levianas e também de atribuições que não cabem a essa pessoa.

A liberdade de expressão é uma vitória e um poder, que deve ser bem usado. Agredir moralmente (e fisicamente, no caso de Michael Arrington) os criadores de conteúdo não faz ninguém ganhar um debate. A minha dica pessoal na hora de escrever comentários é não criticar o autor, mas sim a idéia. É evitar colocar a outra pessoa numa posição de pressão, mas apenas tentar mostrar o meu ponto de vista, da maneira mais cordial possível.

Ataques pessoais não levam a nada. São cansativos, como nas campanhas eleitorais, em que faltam bons planos de governo e sobram acusações sobre a honra e a legitimidade dos candidatos. Nós não queremos dar à internet esse aspecto podre que tem sido a política brasileira. Vamos discutir sim, mas de forma ética, responsável, sem baixar o nível. Será melhor para todos.

Paz e amor.

Paz e amor.

Vida de jornalista correspondente internacional

Encerrando a série de posts sobre o 5° Seminário Esso-IETV de Telejornalismo, que aconteceu nesse mês no Arte Sesc, gravei uma entrevista com Ivani Flora. Ela é uma correspondente internacional cuja atuação é um tanto quanto curiosa: ela é brasileira, mora no Brasil e manda reportagens sobre o Brasil para a emissora de TV portuguesa SIC.

Ela falou sobre o mercado de freelance para correspondentes internacionais.

Assim como ela, também acredito que o mercado para freelances que façam correspondência internacional ganhe mais visibilidade. O Marcelo Torres (SBT), que também palestrou no evento, disse que espera que se tornem mais comuns repórteres ‘avulsos’ em vários cantos do mundo, e alguns escritórios com uma infra-estrutura mais elaborada.

Outros posts sobre o 5° Seminário Esso-IETV de Telejornalismo:

Vem aí o 1º NewsCamp Rio

Finalmente o Rio está começando a receber aqueles eventos que geralmente vão para Sampa e a gente da ‘Cidade Maravilhosa’ acaba babando, mas não indo. Primeiro foi o Barcamp ano passado. Agora teremos nosso primeiro Newscamp. Sem contar os #botecamp, que estão se tornando habituais.

A versão carioca da Newscamp, como o próprio sufixo no nome já indica, segue o modelo de desconferência. Não são palestras, mas pessoas reunidas que definem assuntos a serem discutidos. Ou seja, não há hierarquia nem ordem de exposição de idéias.

É para jornalistas e interessados em jornalismo, mas acho que qualquer um pode ir por curiosidade. No meu crachá estará escrito “estudante de jornalismo e blogueiro”. Ou seja, no meio daquela pseudo-briga. Vamos ver no que vai dar.

O evento está sendo articulado pelo site Jornalistas da Web com apoio da Universidade Veiga de Almeida, que sediará o encontro. O wi-fi estará liberado, e, segundo o JW, salas multimídia também estarão disponíveis.

Blogueiros do meu Rio, compareçam! Alguns blogueiros – ligados ao jornalismo, por enquanto – já confirmaram presença. Eu estarei lá. Se você também for, não esqueça de avisar através dos comentários.

Informações

Logo do primeiro NewsCamp Rio, em 2008

Data: 17 de maio, sábado
Horário: das 9h às 17h
Endereço: Veiga de Almeida – Rua Ibituruna, 108, Tijuca
Para chegar: pegue o metrô e desça na estação São Cristovão. Não dá 5 minutos andando.

Inscrição: é gratuita. Basta mandar uma mensagem para admin@jornalistasdaweb.com.br com seu nome completo. Se quiser adicionar outros dados, não tem problema.

Fontes de informação: blogs recomendados

Este Memórias Fracas teve a honra de ser premiado não uma, mas duas vezes com o The Power Of Schmooze Award. O primeiro a conceder tamanha honraria foi Tiago Celestino. O segundo a dar o prêmio foi Paulo Lima – que eu acho que nem conhecia – do Mundo das Tribos.

Fico muito feliz de ter meu trabalho reconhecido, ainda mais por pessoas que não são influenciadas para escreverem em meu favor. Mal os conheço. Nessas horas ser blogueiro vale demais a pena (nas outras horas também, mas mantenhamos a dramaticidade).

Politicagem

Já o Mário Yanase, editor do Supra-Sumo, não indicou mas deu o link e escreveu um breve comentário que me pareceu bastante positivo. Foi o seguinte:

O Thássius tem um blog muito bom. Para um cara que tem 18 anos, seus pensamentos são bem avançados. Gosto do estilo de escrita que ele tem, ainda que ele fale muito sobre política… E olha que eu abro uma exceção ao blog dele, porque sinceramente não gosto de política…

Política é importante demais e, ainda que alguns digam que não, faz parte da vida de todo cidadão brasileiro (não taquem pedras!). Temos o mínimo dever de acompanhar o noticiário para saber o que os servidores do povo fazem em Brasília e também em nossas regiões.

Eu não consigo ficar calado diante de certas situações, e como este blog é essencialmente composto por minha opinião, me dou o direito de escrever sobre o assunto. Fiquem à vontade para comentar, me xingar ou simplesmente pular os posts marcados como ‘politicagem’.

Indicações

Agora vou misturar o “The Power Of Schmooze Award” com o meme “Compartilhando conhecimento” e indicar alguns blogs que eu recomendo muito que você acesse. São fontes de informação para mim, ou apenas amigos que blogueiros que valem a pena ser lidos.

  • Futilidade Pública – sabe aquelas inutilidades que todo mundo gosta de ver? O Rafa posta as melhores.
  • Tecendo Idéias – quer em maior quantidade do que a que você já encontra no Memórias Fracas? Acesse o blog do Evilásio. Para completar, ele utiliza um tema muito bonito (que eu queria ter instalado antes dele).
  • Gropius – o Christian Rocha nos leva a momentos de reflexão únicos.
  • Outros Olhos – do aspirante a jornalista Gustavo Jreige, meu amigo pessoal. Trata basicamente de jornalismo (de forma inteligente e dinâmica) e séries, mas pode misturar outros assuntos afins.
  • Ingenuidade – política ácida, crônicas interessantíssimas e sacadas únicas são com Hugo. É vestibulando… coitado.
  • Prática – a agência Desta.ca se diz totalmente focada em web 2.0, e o blog deles funciona muito bem tratando dos assuntos relacionados a essa ‘nova’ rede.
  • Techbits – tecnologia de forma agradável e acessível, sem ser aquele papo chato de técnico que ninguém entende.
  • Fator W – um ótimo guia para os profissionais deste novo século. Profissionais globais, funcionais e bem sucedidos. O Walmar Andrade dá a fórmula para o sucesso neste blog.
  • leanDrow ponto net – o blog do Leandro ainda não está nos moldes que ele quer seguir, mas promete ser um grande sucesso. Novidades virão em breve, mas você já pode acessá-lo.
  • Alessandro Martins – Livros, livros, livros! É para quem gosta de ler.

Sintam-se livres para indicar outros blogs, revelar suas fontes de informação ou simplesmente distribuir uns links para blogueiros que os merecem. Só para finalizar, recomendo que você leia meu texto no painel de opiniões sobre aquecimento global publicado no 1001 Gatos. Lá eu respondo (ao lado do Tiago Celestino) à pergunta: “Você se declara Culpado ou Inocente? Por quê?”

América de olho em Paris Hilton

George Bush e Vladimir Putin na Alemanha, em encontro do G8 - Foto: Getty ImagesA última semana foi muito movimentada no campo político. No Brasil, nosso respeitado Congresso não sabia se tentava descobrir a verdade do caso Renan Calheiros ou se atentava para as vantagens que o irmão do presidente pleiteava apenas por ser “o irmão do presidente”. Presidente, por sinal, que estava na Alemanha, a convite do G-8 para discutir o meio ambiente. Divergências entre EUA e Rússia à parte, o encontro foi muito importante por solidificar a presença brasileira em questões de âmbito global (México, China, Ã?ndia e alguns outros países também foram convidados).

Um fato curioso é que, nos Estados Unidos, o encontro dos países mais importantes e seus convidados foi transmitido ao vivo, devido à sua óbvia importância. No entanto, não na íntegra. Isso porque as principais emissoras do país interromperam a transmissão desse evento para fazer a cobertura completa de um fato extremamente importante: a ida de Paris Hilton até o tribunal, e sua conseqüente saída aos prantos e no carro do xerife.

Paris Hilton chora ao sair do tribunalDeve-se ficar claro que essa visibilidade da moça na América não é de hoje. O jornal The Times informou que havia mais de 150 jornalistas e fotógrafos à espera de Paris Hilton, no mesmo momento em que a chanceler alemã Angela Merkel discursava e jogava um balde de água fria nos países emergentes ao dizer que não será tão cedo que o G-8 terá novos membros permanentes (China e Brasil querem muito essa cadeira).

Impressionante perceber como a imprensa, em certos casos, opta pelo imediatismo e esquece a hierarquia noticiosa. De um lado, o G-8, e do outro a herdeira dos Hilton fazendo o que sabe fazer melhor: criando polêmicas infundadas. Impressiona também perceber que, na grande democracia global — leia-se Estados Unidos —, a opinião pública ficou calada diante dessa inversão de valores. O mesmo se reflete no Brasil, onde os menos informados ignoram diversas movimentações políticas evidentemente mal intencionadas, mas não deixam de comentar a roupa de baixo da atriz famosa, que por ventura foi fotografada.

Estranhezas ou não

O ingênuo sr. Hugo (aquele que desabilitou os comentários) fez um convite para eu participar de um meme (ou tag, sei lá). Como faz tempo que não memo, lá vão sete coisas estranhas sobre mim mesmo:

  1. Eu leio jornais de trás para frente.
    É ótimo porque se começa pelo horóscopo e palavras cruzadas, passa por economia, política, e só então chega-se às mortes e etc. Coisas mundanas e desnecessárias, claro.
  2. Vejo reprises de telejornais.
    Se um telejornal tem caráter imediatista, eu mando essa característica para o limbo. O Bom Dia Brasil, por exemplo, passa duas horas depois, às 9h10, na GloboNews.
  3. Durmo pouco.
    Pouquíssimo: entre cinco e seis horas de sono me bastam para estar bem no dia seguinte.
  4. Sou de escorpião.
    E adoro usar o signo para justificar as maldades que eu cometo. Até o demoníaco Bill Gates é desse signo!
  5. Tenho gosto musical duvidoso.
    Sou péssimo para definir que sonoridades são boas ou não.
  6. Como miojo cru.
    Meu irmão foi quem me ensinou essa fantástica técnica para matar a fome.
  7. Sou viciado em feeds.
    Quando estou ocupado, abro o Bloglines pelo menos a cada dez minutos. Um convite à ociosidade e procrastinação.

Alguns nem são tão estranhos assim. Passo a bola para o Rafa, colega de hospedagem, e para o Alessandro Martins. Mas para o Alessandro vai um desafio: quais são os 7 livros mais estranhos que ele já leu. O cara já leu muito e com certeza deve ter boas respostas. Se alguém mais quiser participar, be my guest!

Leia mais » O Alessandro já cumpriu o desafio. Confira no post 7 livros estranhos que li.

Jornalista samba, sim senhor

Quem foi que disse que jornalistas precisam ser profissionais sérios o tempo todo, ao ponto de serem considerados sisudos e chatos? O vídeo abaixo prova que isso não é (totalmente) verdade.

Percebam a desenvoltura de Chico Pinheiro logo que a vinheta é exibida. Dá ou não a impressão de que ele estava sambando? O vídeo foi exibido originalmente no SPTV, da TV Globo. Também demonstra que não é um tabu, ao menos para este apresentador, falar das emissoras concorrentes. No caso, a Bandeirantes.

Duas observações:

  1. Grupo Bandeirantes de Televisão não existe, conforme afirmou um entrevistado. É Grupo Bandeirantes de Comunicação.
  2. Parece-me que o sr. Saad (fundador da Band) e a própria empresa elevaram bastante coisa. Até demais.

Anunciando blog novo no blog antigo

Ricardo Noblat é um jornalista político de peso. Geralmente o que ele diz é verdade e o que ele prevê acontece. Até dia 31 de dezembro de 2006 ele tinha um blog no Estadão, onde escrevia regularmente. Se não me engano o Noblat tem até repórteres para escrever em seu blog.

Semana passada, ao ler o jornal Valor Econômico, vi um anúncio que dizia que a partir de 1º de janeiro o blog estaria hospedado no Globo Online. Acessei o referido blog para averiguar. Em post de 28/12 às 11:30 lia-se o seguinte:

Este blog não irá vadiar no próximo fim de semana. Pelo contrário: trabalhará dobrado porque mudará de endereço mais uma vez. A partir de primeiro de janeiro estará em www.oglobo.com.br/noblat

Poderá também ser acessado por dois outros endereços que funcionam desde 2004 pelo menos

www.noblat.com.br e www.blogdonoblat.com.br

Quem quiser comentar no blog terá de se cadastrar em:

https://seguro2.oglobo.com.br/cadastro/cad_basico.asp

Escolha qualquer um deles, adicione aos seus “Favoritos” e não me deixe só. Não vamos nos dispersar.

É comum a prática de anunciar a url nova quando migramos de um serviço para outro. Eu mesmo o fiz quando passei do Blogspot para o semjuízo.com. Contudo, imagino que o jornalista fosse contratado do Estadão. Neste caso considero cara de pau o que ocorreu: anunciar que iria para a concorrência num texto publicado na futura ex-casa. Quando o Carlos Nascimento deixou a Band e foi para o SBT, em seu último programa ele não anunciou que iria para a emissora concorrente. Nem a Ana Paula Padrão fez isso quando foi da Globo para o mesmo SBT.