Metrô de São Paulo não aceita mais cartão de débito

O Metrô de São Paulo parece não ter mais o que inventar para complicar a vida de seus usuários – clientes, na verdade. Já faz algum tempo que as cabinas de compra de créditos do Bilhete Único, que ficam dentro das estações, têm fixado um glorioso recado para quem quer que esteja pensando em comprar mais passagens: cartão de débito não é mais aceito para pagamento. O mesmo vale para cartão de crédito.

Faz um ano que eu me mudei para São Paulo. Uma das vantagens do sistema de transporte metroviário era justamente essa: permitir que o sujeito sem um centavo no bolso garantisse sua passagem por meio do Bilhete Único. Bastava entregar o cartão de débito da bandeira Mastercard, digitar a senha e voilà! A partir daí, não era mais preciso se preocupar com esse tipo de coisa

Agora está de volta o velho problema de ter que andar com dinheiro na carteira. Por aqui é assim: até banca de jornal aceita cartões das mais variadas bandeiras – até Visa, que não era contemplado pelo Bilhete Único desde sempre. Se bobear, daqui a pouco os andarilhos que pedem dinheiro na rua também andam com seus terminais móveis da Cielo ou qualquer que seja a bandeira.

Foi-se o tempo da comodidade de pagar a viagem de metrô com o cartão. Mas esse não é o grande problema, que me faz escrever esse texto indignado. E o que dizer da segurança dos usuários do metrô? Numa cidade em que a compra eletrônica é uma maneira de evitar carregar dinheiro nos bolsos, cá estamos nós novamente obrigados a portar papel-moeda para adquirir nossas módicas passagens.

Não sei ao certo quem culpar. Possivelmente eu esteja imputando a culpa diretamente à Companhia do Metropolitano de São Paulo, que opera as estações, quando na verdade as cabinas do Bilhete Único são gerenciadas por uma empresa terceirizadas. Mas quer saber? Tanto faz! Como cidadão e usuário, continuo me sentindo prejudicado por essa “novidade”.

Resposta do Metrô de São Paulo

Via Twitter, a Companhia do Metropolitano de São Paulo deu a seguinte resposta em 05.04.2011 às 19h12:

@thassius Olá, a SPTrans é a responsável pelos postos de recarga do Bilhete Único. Mais informações: http://ow.ly/4tUkd

Agora a minha pergunta vai para a SP Trans: qual é o motivo dessa decisão?

Olimpíadas serão no Rio de Janeiro

Acaba de sair o resultado. Sim, os Jogos Olímpicos de 2016 acontecerão na dita cidade maravilhosa, onde este que vos escreve resiste. Essa é a boa notícia. Estão preparados para a má notícia?

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Embora o Rio de Janeiro seja sim uma cidade linda – ao menos em alguns cantos -, não é de beleza natural que as olimpíadas vivem. Até 2016 as previsões não são nada boas. Só para começar essa conversa, o trânsito do Rio, que já tem sofrido com os fortes congestionamentos, deverá estar com cara de São Paulo até o fatídico 2016.

O transporte público também tem muitíssimo o que melhorar. Tente pegar o metrô para ver como falta infra-estrutura. A concessionária e o governo estadual prometem melhorias até lá. Você está crente nessa promessa? Eu  não, nem um pouco. Ônibus também deixam muito a desejar. Tem mais: a meu ver, deixar o transporte público de uma cidade pronto para atender à demanda dos jogos olímpicos não é criar faixas especiais para ônibus que levem os espectadores e atletas para as áreas de competição, como fizeram no Pan-Americano. O carioca, esse sim, tem que tirar proveito das obras que custarão muitos bilhões de reais.

Espero ver, também, que a segurança da capital esteja em foco. Se nunca antes na história desse país houve tanta sintonia entre governo municipal, governo estadual e governo federal, essa é a hora para transformar o Rio de Janeiro na cidade que ele tem potencial para ser. Conseguiram fazer isso com Barcelona, na Espanha… Será muito bom se fizerem o mesmo pelo Rio.

Também é preciso dar prioridade aos nossos esportistas. Ser somente cidade-sede não basta. É preciso que, desde já, o Estado e a iniciativa privada dêem apoio aos atletas, para que eles tenham reais chances de ganhar medalhas nos Jogos Olímpicos do Brasil. Lembro que, até pouco tempo atrás, uma ginasta olímpica tinha perdido patrocínio e estava sem ter onde treinar. Não podemos aceitar que esse tipo de coisa continue a acontecer.

Confesso que não estava muito otimista com a candidatura da minha cidade a cidade-sede dos jogos olímpicos. Mas, se não tem outro jeito, e se os dirigentes do esporte olímpico mundial consideram que estamos prontos para um evento de tais proporções, ao menos que façamos bonito. Não para inglês ver, mas para carioca e brasileiro ver.

Vídeo

Assista abaixo ao vídeo da candidatura carioca. É fascinante.

Foi dirigido pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles.