
Treze de julho já entrou para história. Também por ser neste dia a cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007, mas principalmente por, durante esta cerimônia, acontecer o que eu chamo de A Grande Vaia.
Foi uma sexta-feira 13 muito penosa para o presidente Lula. Definitivamente ele deveria ter ficado em Brasília, acompanhando pela TV (o que seria mais um protocolo triturado?). No entanto, fez questão de ir ao Maraca lotado e deu no que deu.
Alguns formadores de opinião, em especial da imprensa petista, afirmam que os mais de 90 mil espectadores foram lá vaiar Lula a mando do prefeito Cesar Maia. Idéia mais conspiratória impossível. Talvez Cesar Maia tenha lançado o Bolsa Vaia: o pobre diabo vaia o Lula e ganham alguns trocados ao fim do mês.
O Boechat disse hoje na rádio uma coisa com a qual eu concordo. Se Cesar Maia mal consegue organizar uma prefeitura, conseguiria fazer um coro tão belo contra o presidente? Duvido muito. (O sr. Cobalto, em entrevista exclusiva ao Memórias Fracas, nega ter sido pago para vaiar)
Conforme comentei no Frigideira, a vaia foi deselegante, mas nem por isso menos válida. A pressão popular sempre foi muito grande no Rio, e me parece que dessa vez o povo carioca decidiu manifestar-se politicamente. Até porque é difícil encontrar Lula sem companhia de seus sindicalistas, mas sim no meio do povo. E lembro que o governador Sergio Cabral, amado por muitos, também não foi ovacionado.
Lula está triste. Felizmente os repasses federais para o Pan não dependem de seu humor, assim como não dependeriam de nenhum outro presidente. A dúvida é se o presidente terá coragem de aparecer novamente durante os jogos.
PS – Mais alguém achou curioso a Petrobras, cujo slogan é “O desafio é a nossa energia“, ser a patrocinadora-mor do Pan, cuja música tema é “Viva essa energia“?
Outra opinião »
Pela segunda vez na seção Outra opinião vou recomendar um texto do Hugo. Em Vaias, ele argumenta que “tomar esta vaia como uma manifestação democrática das idéias do povo brasileiro (se é que esse coitado (o Lula) as tem) é besteira”.

A imagem que a maioria das pessoas tem de cientistas é um homem (ou mulher) excêntrico, descabelado, e que não tem nenhum outro assunto, a não ser seus projetos e conquistas. Este é um pensamento estereotipado, que prejudica, claro, o modo como os profissionais da ciência são vistos. Estes são pessoas como nós. Uns são novos, recém saídos da faculdade, enquanto que outros já têm mais idade (e ostentam mais títulos, como doutor ou mestre), experiência e teorias.