Não falarás sobre aquele que te banca

Hoje mais cedo, num artigo sobre a revista americana “PC Magazine” ter escolhido o Hotmail como aplicativo web do ano, li um comentário mais ou menos assim: não dá para confiar nessa análise porque o produto analisado é de um anunciante da própria publicação.

Ora, ora, vamos com calma! Uma revista tem um público-alvo definido. Classe econômica, região, idade, nível de cultura etc. Tudo isso ajuda a construir a identidade de uma publicação. Não raro, os anunciantes querem atingir esse mesmo público com mensagens publicitárias sobre produtos específicos. Afinal, o público é o mesmo. Continuar lendo

Conteúdo de qualidade: alguém tem que pagar a conta

A internet é um meio barato para anunciar. Com o Google jogando o preço de anúncios em texto para baixo e as agências com mais dificuldades em cobrar valores minimamente decentes de sua carteira de clientes, é o produtor de conteúdo quem sofre com o baixo investimento e a incapacidade de se manter no negócio. Mas isso está mudando, conforme o Tiago Dória sinalizou em um artigo recente.

O cálculo é muito simples: fazer Jornalismo custa caro. Seja no meio impresso ou no meio online, vá ver quantas pessoas uma redação de jornal emprega. Isso acontece porque, principalmente, apuração leva tempo. Em alguns segmentos do noticiário, releases e telefones dão para o gasto. Mas em outros, como política ou metrópole, não há saída: o repórter deve ir à rua, à notícia. E lá se vão preciosos minutos no trânsito, mais preciosos minutos esperando a fonte falar, depois tem que voltar à redação, escrever, revisar, reler, publicar. É uma trabalheira sem fim.

Com isso as redações vão inchando, até que chegamos no patamar atual. São grandes veículos com uma quantidade enorme de profissionais contratados, produzindo conteúdo todos os dias, porém sem um meio de remunerar esse conteúdo no meio online.

Mas isso está para mudar. Algumas empresas já reconhecem o verdadeiro valor do conteúdo produzido na rede, sabem que ele custa dinheiro e se dispõem a pagar decentemente pelos anúncios. Afinal de contas, todas as empresas querem isso mesmo: associar sua publicidade a veículos de qualidade, confiança e credibilidade.

Com o meio impresso migrando lentamente – e jamais definitivamente – para o online, é natural que o valor dessa produção online comece a subir. Os bons vão sobreviver. E ganharão o suficiente para isso.

Comunicação em família

Acho que nunca antes na história desse blogue eu havia comentado sobre Publicidade. Já dei meus pitacos sobre Jornalismo algumas vezes, mas sobre PP nunca. Talvez porque eu não me interesse tanto assim pelo lado de lá da Comunicação Social.

De qualquer forma, deixo aqui a minha dica para que você assista ao anúncio intitulado “Família”, produzido pela agência Young & Rubicam (de Roberto Justus) para a operadora de telefonia celular Vivo.

Não é um anúncio tocante? É evidente que o interesse da operadora ainda é vender assinaturas de seus serviços, mas ainda assim eles conseguiram abordar a comunicação em família de uma perspectiva muito bacana, sem deixar de ser verdadeira.

É muito bom quando nós vemos que os publicitários brasileiros demonstram sua inventividade num comercial simples, sem grandes recursos, mas que dá a mensagem no tom certo e chama a atenção do interlocutor.

Sem falar na música que serve de trilha sonora do filme, belíssima. Se você tiver o nome dela e também o da intérprete, não deixe de me avisar nos comentários. O Steven Conte me contou o nome da música: “The Show”, da cantora Lenka. Clique aqui para assistir ao videoclipe oficial.

Efraim Moraes renova contrato de 12 mil reais com site controverso

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Ainda no ano passado, mais precisamente em julho, o blogueiro Carlos Cardoso denunciou em seu blog que o Senador Efraim Moraes, do Democratas/PB, havia aprovado um contrato com o site Paraiba.com.br no valor de R$ 48 mil reais anuais, para exibição de um selo semelhante ao abaixo no cabeçalho do site.

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Muito se falou sobre o assunto, mas nada de efetivo aconteceu. Pois bem: nesse ano, a dose se repete. Segundo a Agência Estado, enquanto se prepara para deixar o cargo de primeiro-secretário do Senado, Efraim Moraes renovou o contrato de publicidade com o site.

O valor, no entanto, caiu para R$ 12 mil anuais, ou mil reais por mês. É “apenas” 1/4 do valor anterior, mas ainda assim não justifica a publicidade do Senado Federal em um site completamente desconhecido e cuja publicidade está fora do valor de mercado.

Para que se entenda como o caso é obscuro, é importante observar que a empresa detentora do domínio paraiba.com.br é a mesma que registrou o site oficial do senador. E o pior de tudo: conforme o Tecnocracia informou, o Congresso Nacional – e o Governo de modo geral – não pode contratar serviços de publicidade sem licitação.

É absolutamente ilegal.

Agradecimentos ao Thiago Araújo (@baiano), que me alertou sobre o assunto no Twitter.

Meramente ilustrativas

Já estou farto de, em minhas andanças pela vida, cruzar com as ‘imagens meramente ilustrativas’. Em qualquer painel que se pare, em qualquer anúncio de revista, em qualquer comercial televisivo, lá estão as já citadas imagens.

Tudo bem que a publicidade precisa peças atrativas, que nos levem a consumir. Mas há um limite. Nas últimas semanas estive em lojas do McDonalds’s e do Bob’s. Em ambas, quando você recebe seu pedido, pergunta-se se é aquilo mesmo o que pretendia comer. Na maioria das vezes não é.

Outra coisa que tem me incomodado são alguns comerciais que passam as informações sobre a compra -como condições de pagamento ou o aviso de que o diabo vem buscar sua alma em até 24 horas- tão rápido, mas tão rápido, que nem parece que passaram.

As Casas Bahia são mestres nisso. Poderia apostar que os textos de rodapé não levam sequer um segundo. E como são pequenos! Nem em tv de plasma com 42 polegadas o pobre indivíduo enxerga o que lá está escrito. Mas quem tem tv de plasma de 42″ não compra nas Casas Bahia. Nem é pobre.

A publicidade às vezes pode ser cruel. Mas muitas vezes também educa, diverte, alegra. No entanto, acabo ficando com uma opinião negativa ao lembrar das ‘imagens meramente ilustrativas’. Parece que é tudo de mentira; que eles querem nos empurrar qualquer coisa sempre, e a gente acaba aceitando isso.

O Silvio Santos da blogosfera

Aconteceu neste sábado em Curitiba o primeiro BlogCamp do Paraná, que dá prosseguimento à série de eventos organizados pela blogosfera brasileira sobre a blogosfera brasileira. Infelizmente eu não pude dar o ar da minha graça por lá, mas todos os blogueiros de fora puderam contar com uma excelente transmissão ao vivo do evento via web.

Nesse streaming foi notável a participação de Rafael Ziggy, criador do Sim Viral, fazendo cover do maior animador do Brasil. Sim, Ziggy despiu-se de qualquer timidez e interpretou no palco do Você é mais espert BlogCamp Silvio Santos. Com direito a todas as músicas temáticas do apresentador e participação fervorosa da platéia.

Abaixo você encontra dois vídeos do Ziggyo Santos se apresentando no BlogCamp Paraná 2007. O primeiro foi captado por mim a partir de uma transmissão ao vivo do pessoal da Webalive. Já o segundo foi encontrado neste videolog a partir de um twit do próprio Ziggy. Continuar lendo

Blogs pagos e blogueiros vendidos

O Leandro, meu caro amigo e vestibulando desesperado, publicou no seu blog um post que falava sobre uma nova forma de rentabilização de blogues, que o John Chow adotou nesse fim de semana. Chow, um dos bloggers mais bem pagos do mundo, decidiu vender comentários sem o atributo “nofollow” (aquele que evita a indexação dos mecanismos de busca) por apenas dez dólares mensais.

A idéia é brilhante, como o Leandro mesmo disse e eu concordei. Mas surreal. Eu, atualmente, não consideraria comprar esse novo produto. Vender PageRank não é legal, e o Google deve muito em breve começar a rever suas políticas acerca do assunto.

Excluindo a venda de anúncios direcionados (Google Adsense?) e essa nova modalidade made by Chow, sobram muito poucas opções. Os banners normais ainda fazem sucesso nos grandes portais — no UOL um botão na home custa “apenas” 600 mil reais mensais —, mas não se aplicam a blogues que não têm visitação tão acentuada, na casa dos milhões de pageviews.

Os probloggers realmente profissionais — isso não é redundância, visto que alguns blogueiros profissas não são tão profissas assim — ainda têm a possibilidade de serem contratados por uma empresa ou grupo para escrever sobre determinados assuntos.

O exemplo prático é a Rosana Hermann. Ela mantém o Querido Leitor com acesso totalmente gratuito, adotando o Adsense como forma de monetizar, e também é paga para escrever a coluna Sala de TV do Babado e postar no blog Skype Brasil.

Rosana nunca escondeu que o Skype Brasil era um trabalho, nada mais. Lógico que quando a pessoa trabalha com o que gosta, esse trabalho converte-se em prazer. É o caso dela. O Skype divulga algumas notas oficiais através do blog e o resto fica por conta da editora.

O fundamental nisso tudo é deixar transparente para o usuário que as informações ali disponibilizadas refletem, em primeiro lugar, a vontade da empresa pela qual escrevem. Assim como os jornais disponibilizam os projetos de marketing, quando vendem espaços para que as assessorias de imprensa das corporações publiquem o que desejarem.

Honestidade é fundamental. Se for mandar o usuário para uma página de mercadorias relacionadas, que ele saiba disso. Se é pago para escrever sobre um produto ou serviço, que o usuário também saiba disso. Mentir só inflaciona o mercado publicitário, o que termina por afetar negativamente os blogueiros corretos e seus rendimentos.

Ganhando dinheiro com blog na base da enganação

Monetização” é palavra do momento na blogosfera brasileira. Probloggers (blogueiros profissionais) ou não, desde que o onipresente Google criou o Google Adsense, ferramenta de publicação de anúncios, qualquer site ou blog pode ter uma fonte de renda.

É muito fácil ter uma conta no Adsense e começar a ganhar dinheiro. Ao menos seria, não fosse necessário o clique do visitante para que o ganho se concretizasse. A luta dos blogueiros é por esse almejado clique, que é difícil de ocorrer entre os visitantes habituais do blog ou os que assinam os feeds RSS.

Quem clica mesmo no anúncio é o chamado “pára-quedista“, aquele que chegou no blog através de alguma ferramenta de busca (e.g.: Yahoo, Google) e que ainda não conhece a interface da página. Acaba por confundir propaganda e conteúdo, caindo nos sites dos anunciantes e enchendo o bolso do dono do blog de centavos de dólar. Ou seja, tem-se que atrair esses visitantes ávidos por clicar em qualquer coisa para ter algum retorno financeiro.

Alguns blogueiros assumem serem capazes de tudo para atrair esses visitantes, se utilizando de técnicas maquiavélicas, como escrever nomes muito procurados no momento (e.g.: Big Brother Brasil, Daniella Cicarelli) de diversas formas, a fim de que, mesmo que a pessoa que busca por tal informação escreva de forma errada no buscador, ela chegue ao site.

Não vejo problema nenhum nisso, desde que haja conteúdo a oferecer. Caso contrário, encaro como propaganda enganosa. São pessoas que estão se aproveitando da ignorância alheia para gerar dinheiro, e isso não é ético. Um exemplo é a página “Tudo sobre Big Broder (sic) e mais um pouco“, que não oferece absolutamente nada sobre o programa apresentado pela Rede Globo. Gosto do Novo-Mundo e respeito que o Rafael Slonik faça uso desse tipo de estratagema, mas é uma coisa que eu não faria.

Criar um post/página com um título que sugere uma coisa, mas que na verdade é outra, é enganação. Ninguém gosta de ser enganado. Nem mesmo os pára-quedistas do Google.

Bispa e Apóstolo, presos nos Estados Unidos

“Bispa” e “Apóstolo” entraram nos EUA com milhares de dólares escondidos sob a bíblia.
Foto: iGospel.

Usuário é quem decide se clica no Google Adsense (Anúncios Google)

Meu último post foi respondido pelo Lucas Castro em seu blog. Aqui faço apenas uma observação: compactuo com Lucas quando ele diz que cabe ao visitante definir qual conduta terá com relação à propaganda: clicar indiscriminadamente e fechar o site; clicar e, somente depois, verificar se o conteúdo interessa; ou ainda clicar quando a apresentação do anúncio lhe basta para saber se vale a pena ou não visitar o site do anunciante.

Lembro, porém, que nem todos os anúncios têm nas poucas linhas de descrição o que realmente será encontrado no site de quem anuncia. Muitas vezes há engano. Talvez por descuido, talvez por malícia, mas há. Por isso adoto a conduta de clicar no anúncio e, após o carregamento da página, verifico se é realmente o que eu quero ou não. Ninguém perde: nem a empresa, que deu seu recado e “correu o risco” de ter alguém que comprasse seu produto ou serviço, nem o blogueiro, que disponibiliza o espaço para propagandas e quer algum retorno com aquilo.

Google Adsense e seu uso abusivo

A internet mundial, e paralelamente a brasileira, vem acompanhando o fenômeno dos blogs há uns quatro, talvez cinco anos. Período recente, é verdade, e que em pouco tempo nos trouxe muitas surpresas. Tudo que é novo demora um pouco para ser absorvido e empregado de forma mais consciente. A exemplo dos discos de dvd, que inicialmente eram rejeitados pelo seu custo. Hoje quem não tem dvd não assiste aos lançamentos.

Os blogueiros escreviam por prazer, diversão ou passatempo. É difícil encontrar um que, há dois anos atrás, ganhasse para escrever em seu blog sobre assuntos dos quais entendia ou queria comentar. E neste segmento, que fique claro, os blogs que os grandes portais vieram a criar depois – como os do G1 ou da Folha – não são considerados. Apenas as pessoas físicas, não atreladas a qualquer empresa, são a temática deste post.

Tudo isso mudou em 2003, quando o Google comprou um sistema de gerenciamento de publicidade: o Adsense. O todo poderoso da internet permitiu, desde então, que qualquer site, blog, ou o que quer que seja, monetizasse – termo amplamente defendido pelo Rodrigo Ghedin – seu conteúdo. Deixo bem claro que não é vender o conteúdo.

A oportunidade foi vista com muito bons olhos. Não raramente já nos deparávamos com páginas apinhadas de anúncios, banners e pop-ups do início ao fim. Uma completa falta de respeito com o visitante, que foi lá em busca de uma informação, e não em busca de anúncios em demasia. Esse comportamento, pensando apenas no lucro, faz o caminho exatamente oposto: uma vez que o visitante não tolera aquele abuso, vai embora e não clica no anúncio. Ou seja, o dono da página perde dinheiro e também uma pessoa que poderia acrescentar comentários.

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