O estado crítico do Riozoo

Creio que toda grande metrópole tem um Jardim Zoológico. No Rio de Janeiro não poderia ser diferente. Eis que na semana passada, por conta de um trabalho acadêmico, fui obrigado a ir ao zôo armado de uma câmera fotográfica, a fim de tirar fotos dos amáveis bichinhos que lá residem.

Riozoo: entrada

Para quem não sabe, o Riozoo fica dentro da Quinta da Boa Vista, ali em São Cristóvão. Descendo na estação do metrô de São Cristóvão, com alguns minutos de caminhada você chega à Quinta. Prepare-se, então, para uma caminhada: pelo menos 15 minutos para estar na entrada do Riozoo são necessários, até porque faltam placas sinalizadoras.

Depois de pagar os seis reais pela entrada (estudantes pagam meia-entrada e crianças de até um metro – salvo engano – têm entrada livre), os visitantes já avistam uma gaiola gigantesca com diversas aves, dentre as quais as araras se destacam. Como é bela a fauna desse país, mesmo enjaulada!

A profusão de animais por todos os lados pode até ofuscar por um tempo. Eu mesmo, enquanto fazia minha visita fotográfica, achei o ambiente maravilhoso. Todavia, quando comentei no Twitter sobre o assunto, a Ana Cláudia Bessa perguntou-me sobre o estado dos animais e do zôo de modo geral. Após ler o texto publicado no Futuro do Presente, mudei minha visão sobre o Riozoo. Aquele local está acabado.

Os animais parecem estar desanimados, como que se não desejassem estar ali. É óbvio que não querem, mas tentar melhorar a condição de vida dos bichos poderia contribuir para que eles mostrassem mais alegria. Na parte da tarde, momento em que fiz minha visita, muitos deles encontravam-se deitados, cabisbaixos, como que sem coragem de encarar, rosnar, tacar bananas etc. para os visitantes.

Riozoo: tartaruga foge do lodo

O estado das jaulas beira o deplorável. A das tartarugas, que deveria simular um pequeno rio ou coisa do tipo, mais parecia um pântano. Era lodo para todo o lado, sem exceção. Pergunto-me se as tartarugas têm a bravura de entrar naquela água podre. Não vi uma pessoa entender o porquê de a jaula desses répteis estar tão lodosa, um verdadeiro descaso.

Gostaria de falar aqui do leão, o famoso rei da selva, mas qualquer comentário seria muito negativo. Como você pode ver na foto abaixo, o leão estava a um passo de pegar no sono. Não parecia irritadiço ou prestes a atacar – a imagem que nós costumamos ter da fera. Estava passivo em sua jaula, vendo o tempo passar. Talvez esperando a morte chegar.

Riozôo: leão

A área dos primatas é composta de várias jaulas com vegetação e objetos que os animais podem usar para brincar e se distrair. Alguns deles até que estavam bastante animados, pulando de um lado ao outro, mas é aí que reside o problema das jaulas dos primatas: são demasiado pequenas. Se bichos sofrem de claustrofobia, os primatas do Riozoo certamente que estão precisando de um tratamento para essa doença.

Muito disso poderia ser evitado se empresas voltassem a patrocinar o Riozoo. Algumas das jaulas eram apoiadas por empresas, mas segundo os relatos da Ana Cláudia, isso foi há vários anos. Hoje em dia esse patrocínio não é mais válido, o que dificulta a situação do zoológico. Em tempos de defesa da ecologia na moda, é tão difícil captar recursos junto às empresas para dar melhores condições de vida aos animais? Eu acho que não, só falta boa vontade.

Para ver outras fotos do Riozoo, acesse meu Flickr.