Globo e Record voltam a se confrontar em 2011

Convidado » Gregori Pavan* não larga o controle remoto por nada.

A emissora fundada por Roberto Marinho chega aos 46 anos no final de abril sendo referência em qualidade com liderança de audiência e de faturamento. Apesar disso, vê a cada dia uma redução relevante de audiência, e empenha seus esforços para evitar uma queda ainda maior.

Aos 57 anos, a emissora de Edir Macedo não tem audiência próxima à da Globo, porém tem a vice-liderança consolidada de Ibope e de faturamento. Num cenário em que a líder apresenta queda de audiência ano após ano, a Record conquista um crescimento constante.

A título de curiosidade: no ano 2000, a Globo tinha 19,9 pontos no PNT (o Ibope nacional que engloba a medição em várias capitais), e fechou 2010 com 18,2 pontos (caiu 8,5%). A Record, também em 2000, tinha 5,5 pontos (era a terceira colocada, perdendo para o SBT). Em 2010 registrou 7,2 pontos, ou seja, cresceu quase 31%.

A queda de uma e o crescimento da outra se torna ainda mais evidente no Ibope medido na Grande São Paulo, que é a referência e o mais importante do país.

Na Globo

A Globo promoveu em 29 de março uma festa para o lançamento da programação de 2011, onde foram apresentadas as principais novidades como “Tapas e Beijos”, “Divã”, “Lara com Z”, “Macho Man” e “Batendo Ponto”. Ainda, a volta de “Profissão Repórter”, “A Grande Família”, “Globo Mar” e “TV Xuxa”. Outros destaques são as novelas “Morde e Assopra”, que estreou no dia 21 de março, e “Cordel Encantado”, cuja estreia está marcada para 11 de abril. Mais para o meio do ano está previsto a exibição da série “Mulher Invisível” e da minissérie “O Astro”.

Não são só produtos produzidos no Brasil que terão vez na tela da Globo. A emissora carioca vai exibir também a série “Glee”, da FOX, que complementa o cardápio de séries internacionais que já estão no ar – “Crimes do Colarinho Branco”, “Prison Break” e “Lie to Me”. E, como prometido, finalmente o “Casseta & Planeta, Urgente!“ não está na grade da emissora depois de quase 20 anos.

Campeonato Brasileiro, Campeonatos Estaduais, Copa do Brasil, Libertadores da América, Copa Sul Americana, semifinais e finais da Liga dos Campeões da Europa, Copa América são os produtos esportivos que incrementam a grade de programação, que tem também as finais das Superligas masculina e feminina de vôlei, a Liga Mundial Masculina e Grand Prix Feminino, além de disputas de automobilismo, natação, ciclismo, ginástica artística, basquete, futsal, futebol de areia, atletismo e esportes radicais.

Na Record

A Record não fez uma grande festa para apresentar sua programação. Vários produtos para 2011 já começaram a ir ao ar no começo do ano, como é o caso da minissérie “Sansão e Dalila” em janeiro e a nova temporada do reality show “Troca de Família” em fevereiro. A estreia de “Rebelde” na faixa das 19 horas foi destaque em março, e está previsto para 3 de maio a nova novela das 22 horas, “Vidas em Jogo”.

A emissora paulista também pode exibir este ano novas séries norte-americanas, entre elas “Psych”, “Assuntos Confidenciais” (“Covert Affairs”), “O Evento” (“The Event”), “Lei e Ordem – Los Angeles” (“Law & Order”), “Terceirizado na Índia” (Outsourced), além de novas temporadas de “House”, “Monk” e dos “C.S.I.” que estão atualmente no ar. Anteontem estreou o “Ídolos”, e em 17 de julho deve começar a quarta edição do reality show “A Fazenda”, que diferentemente do Big Brother Brasil deve ser em alta definição. Já a oitava temporada de “Aprendiz” com João Doria Jr. deve ir ao ar somente no fim do ano, de novembro a dezembro.

A Record investe alto e tem grande esperança de retorno em audiência com a cobertura do Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, em outubro.

Acorda, menina!

Mas a disputa por audiência não ocorre só à noite, no horário nobre. Nas manhãs a guerra é ainda mais acirrada.

Nesse horário é a Record quem está na frente, a começar pelo fato de que já transmite sua programação em alta definição das seis da manhã ao meio-dia. O telejornal “Fala Brasil” detém a liderança de audiência, por vezes com folga. O “Hoje em Dia” – apresentado pelo quarteto Celso Zucatelli, Chris Flores, Edu Guedes e Gianne Albertoni – ganhou novo cenário, novos quadros e passou a ser transmitido também em HDTV. A revista eletrônica, que já tinha edições regionais no Rio de Janeiro e Belo Horizonte, passou a ter também edições locais em Salvador e Porto Alegre. A expansão vai chegar a Belém, Goiânia e Fortaleza no segundo semestre.

O “Mais Você” de Ana Maria Braga segue como uma pedra no sapato da Rede Globo. Por não responder a nenhuma intervenção, a solução foi a criação do “Bem Estar”, único produto diurno em alta definição da emissora, gerado em São Paulo. A atração estreou em 21 de fevereiro com nove pontos de audiência, mas atualmente já não passa mais dos 7 pontos.

Por outro lado, a Globo tem posição bem confortável durante as tardes. A programação variada inclui telejornais, programa de variedades, filmes e novelas. A Record praticamente aceitou que nenhuma iniciativa vai render audiência, daí as infindáveis reapresentações de matérias velhas e de episódios de “Todo Mundo Odeia o Chris”. Pode ser que isso mude, pois é provável que o programa “E Agora, Doutor?” – uma adaptação do “Dr. Oz” – estreie em maio.

Aos finais de semana, a recente mudança de horário do “Esporte Fantástico” nos sábados parece que agradou o telespectador da Record. O cuidado em exibir filmes populares nas tardes também afastou a ameaça em audiência que o “Programa Raul Gil” estava se tornando. No mais, continuam o “Melhor do Brasil” e o irrelevante “Legendários”.

“TV Xuxa” é a nova aposta da Globo para as tardes de sábado; vai ao ar entre o insosso “Estrelas” de Angélica e o saturado “Caldeirão” de Luciano Huck. A loira tinha sua audiência cativa quando ia ao ar esporadicamente nas manhãs, mas agora durante à tarde essa audiência precisa dobrar para ser aceitável.

Depois de exibir o “Esquenta” com Regina Casé, voltaram ao ar “Aventuras do Didi” e “Os Caras de Pau”. Os programas de auditório continuam impregnando os domingos. “Tudo é Possível” com Ana Hickmann passa a ser transmitido em alta definição a partir do dia 10 de abril, com novo cenário e novos quadros. Não há informações de quando o “Programa do Gugu” vai ser transmitido em HD, mas o “Domingão do Faustão” já conta com imagens em alta qualidade, da mesma maneira que o “Domingo Espetacular” na Record. Esse não é o caso do “Fantástico”, que ainda não é transmitido com a tecnologia HDTV.

Incerto ainda é o Campeonato Brasileiro a partir de 2012 nas mãos da Globo. Mas é certa a exclusividade da Record na transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres no mesmo ano.

*Gregori Pavan é um entusiasta de televisão. Diferentemente do que todos pensam, ele não estuda Rádio e TV ou Jornalismo, mas cursa Administração. Mantém um blog pessoal e usa muito o Twitter.

A curiosa programação da Globo para 2011

Você bem sabe que a Globo é uma empresa carioca. Tem seus escritórios nas principais capitais e uma base de operações importante em São Paulo. Ainda assim, eu tinha a deturpada visão de que a empresa mantinha seu coração lá no Jacarepaguá. Ledo engano. Ontem, a emissora reuniu artistas, publicitários, representantes do poder e afins num grande evento de lançamento da programação para o ano corrente. Adivinhe onde: São Paulo, a quase 350 quilômetros da sede da emissora, no Rio.

E o que isso sinaliza para o público? O que é evidente também desde sempre: o mercado de São Paulo é o mais importante do País. Aqui está a maior população urbana do Brasil, e consequentemente o mercado publicitário que a Globo – bem como as demais emissoras – tanto almejam. Em outras palavras, aqui é onde o dinheiro está.

Octávio Florisbal, CEO da Globo, fala das novidades (foto: Gregori Pavan)

Os números da Globo para 2011 são fabulosos, então vou me ater a apenas um deles. De acordo com o Octávio Florisbal, espécie de CEO da companhia, serão 50 mil inserções comerciais para a nova grade de programação. Sabe aqueles tradicionais programas, como a novela das nove horas ou o jornal que passa imediatamente antes (e que cada vez se mostra mais “enxuto”, para prejuízo da boa informação)? Já têm patrocinadores até o fim do ano. É assim mesmo, o mercado publicitário compra espaço na Globo simplesmente porque é a Globo.

Décadas de um padrão de qualidade que impressiona fizeram da Globo essa gigante, que figura entre as cinco maiores empresas de televisão do mundo. O business da emissora é esse: criar fantasia, sem deixar de relatar o que acontece no Brasil e no mundo. É daí que vem mais um fato curioso, que tem tudo a ver com a nossa querida internet.

O mesmo Florisbal que apresentava as atrações da emissora para 2011 fez questão de dizer que a representação da Globo na internet ganhará 12 novos portais de notícia locais. Esses portais provavelmente vão seguir o que já fizeram com o G1 Rio de Janeiro ou G1 São Paulo. Aqui cabe a ressalva: esses portais (por assim dizer, visto que não são de fato portais como um iG) só foram construídos depois que o R7 inaugurou uma editoria especial para a Cidade Maravilhosa, com layout diferenciado, ideia que aparentemente inspirou a Globo a fazer igual.

De qualquer forma, o CEO da televisão anunciou que serão 12 novos portais de notícias na internet. Perceba o paradigma: temos a televisão determinando o que vai acontecer na web. Não é surpresa para ninguém do meio jornalístico que o G1 é comandado pela cúpula da televisão, uma aposta que tem seus acertos e seus erros. Com os anúncios da nova programação, o público finalmente tem isso claro. Pelo menos na parte de notícias, a Globo.com nada mais é do que a representação da tevê na internet. Algo que o R7 deixou mais do que óbvio desde o início de suas operações.

Por fim, mais um dado curioso sobre a nova programação da Rede Globo. Pelo menos na transmissão do evento feita pelo site da emissora, nenhuma palavra sobre a linha de programas (ou shows, como preferir). Aqueles programas de entretenimento que rareiam cada vez mais da emissora do Rio, como o do Faustão (que está em baixa no Ibope) ou da Angélica não foram sequer citados durante a apresentação. Será que a emissora não tem planos de como salvar esse tipo de programa? É algo a se pensar.

IBOPE na televisão: uma solução que virou problema

Quais são os desafios de um modo de mensuração de audiência que ainda dita as regras da publicidade no Brasil, mas vem perdendo espaço, à medida que seu principal veículo – a televisão – perde espectadores? Convidei o querido Micael Silva (@micaelsilva), manda-chuva do Radiorama Brasil#followfriday constante no meu Twitter, para divagar sobre o assunto. Vamos lá; depois eu volto para algumas considerações.

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Poucos assuntos no Twitter são tão chatos quanto tweets com números do IBOPE. Talvez só percam para os tweets de horários simétricos. As postagens vão ficando mais frequentes a medida que a briga pela audiência vai esquentando nos domingos. Mas, ao contrário do que esse aparente sucesso possa indicar, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística vive um momento muito delicado, e não apenas pela responsabilidade de poluir o Twitter alheio: questões de credibilidade na metodologia, mau uso dos dados e o futuro incerto deste mercado o colocam como uma grande polêmica sempre que se fala em meio televisivo no Brasil.

O Presente

De longe, a maior preocupação do IBOPE nos últimos tempos é controlar suas informações. O real-time de audiência gerado pelo instituto sempre foi fornecido para as emissoras para ser mais um dos instrumentos para analisar a eficácia de um programa. (Destaco aqui: um dos instrumentos, não o único.) Porém, o fetiche que todo ser humano tem por aquilo que não está ao seu alcance encontrou um terreno muito fértil na internet, dentro do crescimento dos blogs sobre televisão e do Twitter.

Por meio de falhas no sistema e de contatos dentro das emissoras de televisão – que têm acesso aos números do IBOPE por conta da sua atividade –, os números de medições minuto-a-minuto se espalharam na rede como placar de jogos de futebol. Algo que está muito longe de equivaler.

O placar de um jogo de futebol é absoluto. É uma contagem direta, representação fiel do resultado. Já uma medição do IBOPE é estatística, tanto quanto uma pesquisa eleitoral. 750 domicílios são analisados na Grande São Paulo, que representam (ou pelo menos deveriam representar) os hábitos de toda a metrópole. Entretanto, diferentemente de uma pesquisa de intenção de voto, onde fica clara a análise estatística do universo pesquisado, ninguém fala em porcentagens numa medição de audiência de TV: denominam-se “pontos” (na Grande São Paulo, cada “ponto” representa atualmente um universo de cerca de 55 mil aparelhos de televisão). Nada contra esta representação, mas por que ninguém fala em margem de erro dentro de uma medição de audiência? Ela deixa de existir?

Margem de erro, aliás, que todos nós imaginamos se tornar maior conforme a amostragem para a pesquisa vai diminuindo. Porém, contradizendo o crescimento populacional dos últimos anos, o número de domicílios analisados em São Paulo permanece inalterado desde 2004. O que torna ainda mais estranho é que, neste mesmo período o IBOPE, alterou a equivalência de domicílios/pontos de 42 mil em 2004 para os 55 mil atuais, tendo como justificativa esta mesmo crescimento populacional.

O futuro

Como se não fossem poucos os desafios do IBOPE no presente, o futuro também não reserva boas surpresas. Pelo menos não se as práticas não mudarem.

Para ter uma ideia da mudança, pense em todas as mídias que já passaram por nós: o jornal impresso, o rádio e a televisão. Ao contrário de certos pensamentos tortos de profetas digitais, todas são interativas: o jornal nunca esteve fechado a receber uma carta ou o rádio a receber um telefonema. Mas a internet mudou fundamentalmente o meio porque criou comunicação em via de mão-dupla, na interpretação mais literal possível. O interlocutor se manifesta através do mesmo meio que recebe a informação, não mais dando voltas usando outros meios. E isso muda um grande paradigma: não importa quem nós alcançamos, mas o feedback que nós temos.

Um Peoplemeter (aparelho usado pelo IBOPE para a medição da audiência televisiva) é capaz de indicar qual canal o aparelho de televisão está exibindo. E só. Não podemos saber se há uma pessoa efetivamente assistindo ou apenas está servindo de fundo sonoro enquanto alguém usa o computador. Saber diferenciar um comportamento do outro podia não ser muito importante no passado, mas hoje isso se torna cada vez mais essencial. É preciso descobrir o que prende a atenção das pessoas. Neste novo tempo, ser ignorado consegue ser pior do que ser hostilizado.

Juntando todas estas peças, a questão estatística, o baixo universo analisado e a obsolescência programada do modelo de aferição, só dependerá de um grande e muito bem acertado passo do Grupo IBOPE para o seu serviço de análise televisiva não ser jogado para fora do jogo. Ou os Peoplemeters serem enterrados tal como anões, que assim como os medidores todo mundo sabe existem, mas ninguém nunca viu.

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O que podemos concluir é que o IBOPE parou no tempo. Atendendo a interesses que eu seria incapaz de supor, o instituto sofre constantemente acusações de manipulação dos dados sobre audiência. Não é para menos: a televisão abocanha a maior parte do bolo publicitário brasileiro, e as agências só querem saber de pontos no IBOPE na hora de fechar contrato com uma emissora.

No entanto, isso está mudando. Com a internet se popularizando, o IBOPE vai ter que se reinventar. Mais do que divulgar números, vai ter que oferecer análise de comportamento do espectador. Do internauta também, visto que a empresa também oferece medição de audiência na internet. Ou melhor: projeção de audiência para grandes sites e grupos de comunicação (reza a lenda que nada disso é muito confiável).

A internet abriu a possibilidade de nós termos métricas, aferições e técnicas de medição de audiência nunca antes vistas. Nesse terreno, não faltam ferramentas para saber como uma pessoa se comporta enquanto faz uso desse meio. Justamente o que mais falta aos meios de comunicação chamados de broadcast, como televisão e rádio.

Por fim, deixo a seguinte pergunta: você confia nos números do IBOPE?

Seria FlashForward a nova Lost?

Embora você já saiba quais são as cinco séries (com uma de brinde) que você tem que assistir na temporada 2009, quero aproveitar esse post para falar de uma grande promessa do mundo televisivo. Refiro-me a FlashForward, série que por enquanto só teve o episódio piloto exibido, mas que, a meu ver, tem grande potencial.

Por que eu me pergunto se FlashForward poderia ser a nova Lost? Bem, para começar, a ideia que norteia a trama é fenomenal: imagine que, no mesmo instante, todos os seres humanos do planeta tivessem tido um piripaque e desmaiado. Dois minutos e 17 segundos depois eles recuperam a consciência e iniciam a busca pelo que de fato aconteceu com aquela gente toda.

O detalhe número 1 é que, enquanto desmaiados, todos os humanos “sonharam” com o que aconteceria em um mesmo dia do ano de 2010. Premonição? Sonho? O que importa é que os “sonhos” de várias pessoas coincidem, de modo que dá a entender que aquilo é uma previsão do que vai acontecer no futuro. Embora essa história de prever e viajar no tempo possa ser uma tormenta, como Lost mesmo prova, se for bem explorada pode ser um enorme sucesso.

Detalhe número 2, e esse sim eu só poderia descrever utilizando palavrões, é que os investigadores do FBI (sempre eles!) descobrem uma – somente uma – pessoa que não foi afetada pelo apagão geral. Quem é essa pessoa? O que ela fazia num estágio cheio de gente? Por que saiu calma e tranquila caminhando enquanto dezenas de milhares de pessoas estavam caídas no chão? Se os criadores de FlashForward conseguirem responder essas perguntas de forma satisfatória, a série tem tudo para desbancar Lost e se tornar o principal seriado de ficção da atualidade. É uma aposta minha; tomara que dê certo.

Já vi gente reclamando que os personagens principais são insossos. Digo a essas pessoas que tenham calma, pois só o piloto foi ao ar. Com o tempo a trama poderá ser melhor explicada (e de preferência aprofundada), desde que não se foque para os conflitos pessoais desses personagens.

De olho na narrativa transmidiática, a ABC já colocou no ar uma página especial chamada de Mosaic Collective. Nela pessoas do mundo inteiro podem responder à pergunta “O que você viu?”, com o objetivo de ajudar a formar um mosaico do que vai acontecer no fatídico dia que todos – ou quase todos – previram nos “sonhos”. “Juntos, temos um futuro” é a espécie de slogan que faz o Mosaic ficar no ar. Vamos ver como a ABC explora esse potencial.

Interessou-se pela série? Ela vai ao ar às quintas-feiras nos Estados Unidos. Se você já assistiu ao episódio piloto, não deixe de dar sua opinião nos comentários desse post.

JN estreia novo cenário hitech

Agora há pouco, às 20h15 (como de costume), o Jornal Nacional estreou finalmente o seu novo cenário, que faz parte das comemorações dos quarenta anos do jornalístico. Antes da tradicional escalada, Fátima Bernardes mostrou como é a nova redação da Globo no Jardim Botânico. Na bancada suspensa, William Bonner foi o responsável por apresentar aos milhões de brasileiros que acompanham o JN o novo cenário.

JN: Bonner mostra globo giratório.

JN: Bonner mostra globo giratório.

À primeira vista, tudo ficou muito bonito. Mas quando vemos o cenário “em funcionamento”, alguns problemas aparecem. O principal deles é o globo azul que fica girando atrás dos apresentadores, substituindo um outro mapa mundi, que se revelava quando a câmera geral focalizava de um ângulo muito específico. Qual o problema do novo globo? Bem, ele gira. E mesmo que o movimento seja muito devagar, poderá levar algumas pessoas a prestar mais atenção ao globo do que a notícia em si. Há alguns anos atrás o SBT já tinha tentado a mesma coisa, mas com a Ana Paula Padrão. Depois de um tempo a diretoria de jornalismo da emissora desistiu de dar movimento ao globo; acho que no JN não será diferente. Por mais que o efeito seja bonito, cansa rápido.

JN: painel feito de vários televisores ao fundo.

JN: painel feito de vários televisores ao fundo.

JN: nova bancada.

JN: nova bancada.

Gostei do painel, montado com vários monitores de muitas polegadas, ao fundo da redação. Em vez da arte no chroma key atrás dos apresentadores, será nessa grande tela que as falas de Bonner e Fátima serão contextualizadas, com bandeiras de países e outros efeitos gráficos. Ficou muito bacana, embora de longe a faixa de televisores fique às vezes pequena demais.

Outra coisa que poderá incomodar os telespectadores são as vinhetas que mostram de onde aquela notícia em questão vem. Por exemplo, quando se tratar de uma matéria vinda de Nova Iorque, mostrará um globo terrestre centralizado no Brasil que brevemente se desloca para os Estados Unidos. Embora dure poucos segundos, também cansará o espectador do JN. Sem falar que ficou com cara de iMovie ’09, aplicativo de edição de vídeos da Apple com mapas muito similares.

Por último, o GC também ficou no mínimo esquisito. Nesse caso podemos levar em conta que ainda não nos acostumamos com a forma como o nome e a função das pessoas que aparecem na tela são apresentadas. Mas eu tenho a impressão de que o movimento em 3D está acentuado demais; poderia ser ou mais devagar, ou menos acentuado.

O novo cenário do Jornal Nacional é lindo e high tech, como a emissora já havia dito que seria. Mas precisa realizar alguns ajustes.

E aí, o que você achou dos novos cenário e bancada do JN? Agradou?

[Atualização às 21:30] Antes que me esqueça: o logo repaginado do Jornal Nacional ficou com cara de web 2.0. Se isso é bom ou ruim, deixo por sua conta.

Guerra no Jornalismo: Jornal da Record responde Globo

No Jornal Nacional de ontem, a TV Globo mostrou de forma insistente e demorada as acusações do Ministério Público de SP contra Edir Macedo, líder da Igreja Universal e dono da TV Record. Hoje foi a vez da Record responder.

Durante a programação da emissora, apresentadores alertavam para as respostas que a Igreja Universal daria durante o Jornal da Record. Na internet, o próprio Macedo anunciou que a resposta viria, através da conta dele no Twitter.

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Às 19h45 em ponto, lá estavam Celso Freitas e Ana Paula Padrão a fazer a escalada do telejornal. Para quem esperava algum destaque às acusações, surpresa: o assunto Igreja Universal só apareceu no fim, quando Padrão falou dos “interesses que podem estar por trás da notícia”.

Quando deu oito e quinze, o Jornal Nacional começou, enquanto a Record passava reportagem que nada tinha a ver com o assunto. Voltaram a mostrar esquema com fotos e nomes de envolvidos na suposta quadrilha. Também disseram que o dinheiro arrecadado pela Igreja Universal tinha outro destino, as empresas de comunicação de Edir Macedo. De modo geral, um resumo do que já tinha sido apresentado no dia anterior.

No terceiro bloco do Jornal da Record, a resposta finalmente apareceu. “O crescimento da Rede Record nos últimos anos foi impressionante”, iniciou Ana Paula Padrão às 20h20. Foram minutos de acusações à TV Globo e à família Marinho, que segundo a reportagem utilizaria a emissora para seus interesses particulares.

Mostraram que o tempo da reportagem feita pela Globo sobre as acusações à Universal tinha sido desproporcional ao dado pelas outras principais emissoras (conforme eu disse em outro post). Lúcio Sturm, um ex-global (assim como muitos funcionários da TV Record), foi o responsável pela reportagem sobre a Globo.

Tempo de reportagens sobre Universal em cada emissora.

Tempo de reportagens sobre Universal em cada emissora. (TV Record/Fonte: Gregori Pavan)

Numa jogada de mestre, o Jornal da Record reproduziu o direito de resposta de Leonel Brizola em pleno Jornal Nacional, feito há muito anos. Também utilizaram diversas imagens do documenário “Muito Além de Cidadão Kane” (você encontra no YouTube), que se propõe a contar as falcatruas da emissora carioca e, em tese, estaria proibido de ser veiculado no país.

Uma das hipóteses levantadas pela Record foi a ameaça que a Globo sente de perder seu “monopólio de comunicação”, o que não é uma completa verdade. Se a própria Record comemora a queda na audiência da Globo e sua própria ascensão, é sinal de que o dito “monopólio” já não existe mais. Temos, aí sim, dois grandes players brigando. E, nesse caso, vale aquele ditado que diz “que vença o melhor”.

Após a reportagem sobre a TV Globo, o Jornal da Record falou das ações sociais feitas pela IURD. De fato existem, mas em que proporção ao valor que é arrecadado pelo grupo? Essa pergunta ficou sem resposta. Macedo também não respondeu como conseguiu enriquecer tanto durante esses anos, se tornando dono de mais de dois bilhões de reais.

A reportagem-reposta do Jornal da Record foi feita à altura da reportagem do Jornal Nacional. A diferença é que o JN se utilizou de uma acusação do Ministério Público tornada pública ontem. Ou seja, notícia. Enquanto isso, o Jornal da Record usou imagens de arquivo para relembrar acusações antigas à Vênus Platinada, que não estão sob investigação atualmente.

Será que a guerra no jornalismo para por aqui? Façam suas apostas.

Outra Opinião I » Micael Silva, que já escreveu por aqui, deixou registrado o que ele pensa sobre a guerra entre Rede Record e Rede Globo no Gengibre (em áudio).

Outra Opinião II » Gregori Pavan comentou a guerra: “Achei que foi uma boa resposta, mostrou verdades que são a todo custo escodidas pela Rede Globo, mostrou que houve um excesso por parte da TV Globo, e um uso indevido da informação.”

Globo bate em Edir Macedo

Assim que os primeiros sites de notícias brasileiros começaram com suas manchetes dizendo que o Ministério Público de São Paulo havia feito denúncia contra Edir Macedo, líder da Igreja Universal e dono da TV Record, já era de se esperar que um tratamento todo especial do assunto fosse dado pela Rede Globo de Televisão. Não foi diferente.

Na escalada (as manchetes, antes da vinheta de abertura) do Jornal Nacional de ontem, Edir Macedo e a Universal foram os destaques da noite. E logo que o telejornal começou, deu para perceber que a artilharia da emissora da Vênus Platinada seria pesada.

Foram quase dez minutos nos quais cada aspecto das denúncias do MP-SP foi tratado pelos repórteres do JN. Um dossiê completo dos negócios (muito suspeitos, por sinal) da Igreja Universal foi exibido para todo o Brasil, com imagens de arquivo e detalhes mínimos que, se fosse outra instituição, não seriam levados tão a sério.

Um dos momentos mais tensos da reportagem cheia de arte gráfica foi quando exibiram esquema do trajeto feito pelo dinheiro dos fiéis da Igreja Universal, que começava nos templos, passava por paraísos fiscais e depois retornava ao Brasil em forma de empréstimos para pessoas ligadas a Macedo. A tensão fica por conta de uma das empresas que receberia o dinheiro (segundo o Ministério Público):

Rede Record entre os supostos beneficiários.

Rede Record entre os supostos beneficiários.

Isso mesmo, a Rede Record. Não é preciso ser um gênio da Comunicação para perceber que o tamanho da fonte em que “REDE RECORD” está escrito foi claramente desproporcional ao resto do texto. Não bastasse isso, repare que “aeronaves” e “imóveis” recebem apenas um maço de cédulas de dinheiro, enquanto que a empresa de televisão recebe o dobro.

Mais tarde, em outro esquema, a equipe de arte do Jornal Nacional nomeou e inseriu fotos de quase todos os denunciados, com Macedo em primeiro lugar. As ligações da suposta quadrilha foram exibidas com grande parcimônia, o que é incomum quando falamos de televisão, mídia que exige rapidez. No entanto, o pior ainda estava por vir: ao terminar de dar “nome aos bois”, as frases “LAVAGEM DE DINHEIRO” e “FORMAÇÃO DE QUADRILHA” foram sobrepostas ao esquema, como se os acusados já tivessem sido condenados pela Justiça.

Esquema mostra Edir Macedo como chefe da quadrilha.

Esquema mostra Edir Macedo como chefe da suposta quadrilha.

Por fim, é preciso voltar ao tempo de exibição da reportagem. Sete minutos foram destinados a mostrar as denúncias do Ministério Público. A seguir, o advogado de Edir Macedo pôde defender o cliente das acusações: teve dois minutos para isso. No total, 9 minutos de reportagem. A título de comparação, o primeiro bloco do JN histórico sobre a eleição de Barack Obama teve minutagem semelhante à dedicada à Igreja Universal.

Enquanto isso, o Jornal da Record destinou pouco mais de dois minutos para falar das “verdades e mentiras” (conforme o blogueiro Emílio Moreno escreveu) das denúncias, praticamente se limitando a conversar com o advogado de Macedo. Pelo que vi no YouTube, em nenhum momento o telejornal esclareceu que o bispo é dono da TV Record.

5 coisas que aprendi sobre TV

Sorria e acene!

Post especial » Micael Silva* trabalha com vídeo há dez anos. Ele conta nesse post o que aprendeu sobre TV depois que começou a trabalhar nela.

Já na pré-escola, não tinha jeito, já tinha nascido com o parafuso do juízo solto: em vez de desenhar casas, sóis, árvores ou nuvens, eu sempre desenhava um aparelho de TV, com os detalhes de onde cada coisa se conectava. O tempo passou, mas a minha queda pelo assunto não, e fui me metendo nesse mundo.

Tenho já quase dez anos trabalhando com vídeo, mas só há menos de três anos botei meus pés no que se pode chamar de emissora de TV de verdade. Não posso dar nenhuma aula nesse assunto, mas posso mostrar algumas dicas de coisas que você precisa saber sobre esse meio, com diploma ou não.

Um assistente pode salvar o mundo. Se não o mundo, pelo menos a transmissão. Ou, na pior das hipóteses, o emprego de todos do seu departamento. Já vi muita gente torcendo o nariz para esses títulos aparentemente pouco nobres como “assistente de cinegrafista” ou “assistente de estúdio”, mas ao contrário do que parece, não são funções desimportantes. A falta delas pode significar a diferença entre o melhor programa do ano ou um completo fiasco ao vivo. Destaque especial para os assistentes de estúdio, verdadeiros anjos da guarda de qualquer apresentador e literalmente o único acesso dele ao mundo real.

“Sem fita adesiva a televisão não existiria”. Essa frase é de um ex-chefe meu, mas que só com o tempo consegui entender o quanto é real. Fita segura cenário, cabo, tripé defeituoso e mil e uma outras gambiarras de última hora quando as lojas estão fechadas (ou até para “conter” um entrevistado falante demais, como último recurso). Tenha sempre consigo, mas tenha bastante. Uma pequena produtora bem ativa pode consumir tranquilamente três rolos de fita em um mês.

Elogiar é preciso. Não sinta vergonha de elogiar alguém que fez um belo trabalho. Isso não exalta o ego de ninguém, pois todo trabalho televisivo é um esforço de equipe. Até porque se aquela pessoa estivesse fazendo apenas pelo próprio ego, com certeza o trabalho não ficaria tão bom. Feedback é sempre preciso, mas críticas sempre vêm na hora correta e nem precisamos pedi-las para que apareçam. Mas frequentemente nos esquecemos de elogiar algo que merecia.

Brigue com seus travesseiros, não com a sua equipe. Não digo isso como uma orientação de vida zen, mas pela real importância disso na vida real. Stress e pânico são altamente contagiosos numa equipe, e quanto maior é a sua posição de liderança dentro dela, maior se torna o poder de contágio. E conforme o grau de stress e pânico vai subindo, a quantidade de erros também sobe. Sendo assim, lembre-se sempre de segurar suas emoções negativas e fazer como os pinguins do filme “Madagascar”: Sorria e acene!

Para cada pessoa que aparece no vídeo, cinco trabalharam sem ser vistas. Por isso nunca ache que você está ali porque é bom, bonito, inteligente e por méritos próprios. Alguns até pensam assim, mas todos sabemos que eles nunca acabam sendo grande coisa na vida. Você depende de muitas outras pessoas, que estão fazendo diferentes funções, mas com um objetivo em comum: contar histórias, reais ou de ficção. Por isso você é um meio e não a mensagem.

*Micael Silva, que não assina o sobrenome Magalhães para não ser confundido com um ladrão, herdou desse sangue português o gosto por ideias loucas e por ir a fundo de tudo quase que literalmente. É a cabeça (oca?) por trás do Radiorama Brasil. Também está no Twitter: @micaelsilva.