Enquanto uns se lixam, outros lincham

Nós cariocas fomos surpreendidos na tarde de ontem com imagens de um sujeito que tentou assaltar um ônibus da linha 583 (que faz o trajeto Cosme Velho-Leblon) com uma pistola de brinquedo. Assim que os passageiros do ônibus perceberam que a arma não era de verdade, passaram a atacar o meliante com chutes e murros, num ato de violência descabida.

Assim que o ônibus parou em um dos pontos de descida de passageiros, o assaltante foi conduzido para fora do veículo ainda levando pancadas. Tentou fugir, mas as pessoas que estavam na rua se mobilizaram para pegá-lo e continuar a tortura física até a chegada dos policiais, que o prenderam.

Embora seja revoltante saber que um vagabundo tem a ousadia de ameaçar as pessoas com uma arma de brinquedo, manter a compostura é fundamental. Ora, é claro que a possibilidade de fazer justiça com as próprias mãos se torna sedutora nessas horas, mas imaginemos se fôssemos resolver todo e qualquer conflito dessa forma. Já estaríamos em guerra civil, na melhor das hipóteses.

A instituição Justiça está aí e deve ser respeitada. Uma vez que o homem já havia sido dominado e era questão de tempo até a polícia chegar, tornou-se completamente desnecessário agredi-lo. A sabedoria popular é muito clara nesse sentido: “Violência gera violência”. No dia em que a atitude dessas pessoas se tornar comum no Rio de Janeiro, estaremos em um círculo vicioso que nos levará ao caos e ao fim do que nós podemos chamar de convívio social.

É difícil ser cidadão, respeitador das leis, numa cidade violenta. Mas essa ainda é a melhor opção que nós temos.

Reprodução TV Globo

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As imagens gravadas com celular são repulsivas. O que me causou mais angústia foi ver dois idosos sendo derrubados enquanto o bandido tentava fugir do ônibus. Todo mundo sabe que queda é uma das maiores causas de morte entre idosos, por isso a preocupação.

Alerta! Roubo de notebook

Eu tenho notebook faz uns dois anos. Embora nesse período o aparelho tenha barateado e, com isso, ficado relativamente mais barato, ainda precisamos ter muito cuidado quando andamos com ele por aí. Nas situações mais inesperadas, podemos ficar sem ele.

Foi o que aconteceu com o Arcanjo, que, num hotel acima de qualquer suspeita, teve sua mochila com notebook e outros gadgets levada embora por uma quadrilha de safados. O pior não é nem perder o note, mas ver o conteúdo eletrônico – fruto de muito trabalho – ser levado embora. Imagine a sensação de impotência.

O Arcanjo relatou o roubo do notebook dele nesse post, que inclusive tem um vídeo mostrando a ação dos salafrários. Sugiro que você leia para entender como a coisa funciona.

Alguns erros já são apontados no próprio texto, como o falta de backup e deixar a mochila em cima da mesa. Eu tenho duas dicas para quem quer evitar que o notebook seja roubado (ou ter o mínimo de dor de cabeça depois, caso isso aconteça). Vamos a elas:

Dicas para não ter o notebook roubado

Backup: para quem, como eu, trabalha majoritariamente com textos, o Dropbox serve muito bem. Basta criar uma conta e instalar o software no computador. Ele passa a subir os arquivos locais para o servidor sempre que são alterados. O ruim é que esses arquivos precisam estar numa pasta específica, mas nada que uma boa configuração não resolva. É grátis.

Mochila: o Arcanjo recomendou no texto dele que o usuário de notebook compre uma mochila confortável, e sugeriu uma da Targus. Eu discordo completamente disso. No meu caso, eu nunca uso mochilas “de marca”, aquelas que são sabidamente vendidas para carregar notebook – como Targus e algumas Samsonite. Quanto mais simples é a mochila, melhor. A menos que o cara esteja de terno, gravata e mochila. Nesse caso, é tão óbvio que há um notebook ali que tanto faz a marca da mochila.

Atualização em 28/outubro:

Senhas: evite salvar senhas de sites que você freqüenta com periodicidade, ainda mais se você trabalhar com internet. Já imaginou ficar sem sua conta do Gmail? Portanto, previna-se. No desktop, minhas senhas ficam salvas por padrão. Já no notebook, eu criei uma senha “master” no Firefox que só autocompleta os logins caso seja inserida assim que a sessão é iniciada. Não é 100% a prova de roubo de senhas, mas dificulta o trabalho do bandido. (quem deu a dica foi o Pedro Cardoso, do Receita do Sucesso, nos comentários).

Criptografia: se o BIOS já está com senha e o Windows também – como fez o Arcanjo -, pelo menos os dados estão protegidos. Para aumentar ainda mais essa proteção, sugiro utilizar algum tipo de criptografia na partição em que você salva seus documentos. Se a pessoa estiver usando o Windows Vista Ultimate, fazer esse procedimento é bem simples: basta ativar o Windows BitLocker. Tenho certeza que outros softwares fazem a mesma coisa.

Caso você tenha alguma dica sobre como proteger seu notebook na rua, ou mesmo outros dispositivos mais caros, como iPods, essa é a hora. Faça com proveito do formulário de comentários.

O Caso Isabella

Fiquei calado por muito tempo sobre o caso da menina Isabella. Chegou a hora de falar.

O crime cometido contra Isabella Nardoni é causador da comoção nacional. Isso é fato. E nem há problema nisso. Uma menina de cinco anos ser possivelmente morta pelo pai e pela madrasta de forma cruel como a polícia averiguou é algo que choca.

Também choca a cobertura que a Imprensa está fazendo desse caso. Eu, como futuro membro dessa Imprensa, estou sentido vergonha pelo que meus futuros colegas de profissão estão fazendo.

Hoje, no programa de Sônia Abrão na Rede TV!, aparecia um letreiro no pé do televisor anunciando: “Reveja daqui a pouco os momentos mais importantes da polêmica entrevista do pai e da madrasta da Isabella!”. Isso mesmo, com exclamação no final. Não duvido que em breve eles usem o termo “melhores momentos” para se referir aos trechos da entrevista.

Às 15h20, quando escrevia esse post, a TV Record mantinha um plantão no ar. Lia-se “Caso Isabella: polícia fala em instantes”. Minutos antes já tinha visto na Rede TV que a entrevista coletiva havia sido cancelada. Ou seja, desencontro de informações. Minutos depois, a entrevista coletiva aconteceu.

O pior, no entanto, foi a revista Veja. Alertado por um post do Alessandro Martins, fui checar a capa da revista. Estou embasbacado até agora.

Capa da revista Veja (23/abril/2008)

“FORAM ELES”. Dentro da revista, a reportagem que fala sobre o caso Isabella tem o título “Frios e Dissimulados”, e logo abaixo desse título encontramos o resumo “Pai e madrasta mataram Isabella, numa seqüência de agressões que começou ainda no carro, conclui a polícia“.

Na verdade, quem conclui é a própria revista Veja. Embora a condenação popular do casal Nardoni já tenha acontecido, o mesmo não podemos falar da conclusão judicial do caso. Existe uma coisa chamada presunção de inocência -talvez o Rodrigo Ghedin possa nos explicar sobre esse assunto-, que garante a esses acusados o direito de serem considerados inocentes até que o caso tenha chegado à instância máxima do poder judiciário. É o famoso “todos são inocentes até que se prove o contrário”.

Agora a pouco o delegado responsável pelo caso disse, em coletiva de imprensa, que a polícia não pode sobrepor os interesses jornalísticos aos interesses públicos. O principal é que se elucide o caso. Até lá, não podemos condenar ninguém. Só o juiz ou jurado (parece que o caso vai a júri popular) pode.

Um assalto; mais um

Decidi pegar minha mochila, colocar no colo e pular para o assento ao lado, já que uma menininha estava a caminho e não havia lugar vago. Antes que ela pudesse sentar, um negro* adiantou-se. O cheiro era desagradável, mas bastava fingir que não sentia.

Depois de vários minutos.
— Onde você mora?
— Por quê?
— Por quê?! Você vai ver já já!

Ele vira para trás e fala com um senhor e outro rapaz. Não consegui entender o que dizia. Passam mais alguns segundos.

— Isso é um assalto. Passa o celular!
— Estou sem celular. — Instintivamente levantei as mãos, caso quisesse verificar os bolsos da frente do casaco. Não o fez. Eu evitava o contato visual.

Falou mais algo com os outros dois passageiros e se levantou, acionando o botão de parada. Antes, questionou o que eu carregava no bolso. Tentou puxar a mochila, mas eu segurei.

Saltou. Na favela. Comecei a conversar com os outros dois, pensando ter sido o único a sofrer a tentativa de roubo. O garoto, da minha idade, avisou então que o celular dele havia sido roubado. Ninguém mais na condução tinha percebido a movimentação.

Ocorreu há aproximadamente meia-hora. Por sorte, logo hoje eu deixei meu celular com um amigo porque ele estava precisando. Sabe o que o muleque que ficou sem seu aparelho me disse? “É a vida”. E saltamos no mesmo ponto. A tal vida continua…

* Depois de ouvir o Flávio, resolvi alterar o texto. É hipocrisia, mas também é uma forma de me proteger judicialmente. Alguns comentários foram editados para evitar complicações tanto para o blog como para quem comentou.

São Paulo em crise

Ônibus em chamas. Por Bruno Miranda, da Folha Imagem.

São Paulo está um verdadeiro caos. Diversos ataques ocorreram na capital e adjacências. Coordenado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), é uma represália dos bandidos à polícia porque alguns chefões do tráfico estavam sendo transferidos para penitenciárias mais seguras durante o Dia das Mães.

A revolta iniciou-se na última sexta-feira. Em dado momento estavam em curso mais de 60 rebeliões ao mesmo tempo, com aproximadamente 150 reféns. Na capital houve ataques a delegacias, policiais militares, guardas civis e agentes penitenciários. Infelizmente esta guerra entre a polícia e o poder paralelo gerou vítimas inocentes. Até o momento a informação que se tem é que 15 civis inocentes foram mortos. No total 94 pessoas – número não confirmado – foram mortas.

Ao longo do dia dezenas de ônibus foram incêndios. O medo provocou a retirada de mais de 4 mil ônibus de circulação, deixando mais de 3 milhões de pessoas sem condução. Escritórios, shoppings, instituições de ensino e até mesmo fóruns finalizaram seus expedientes antes do horário habitual. O rodízio de veículos, que nesta segunda-feira não permitiria o acesso de placas finalizadas por 1 ou 2 à região metropolitana, também foi suspenso.

Também ocorreram rebeliões no Paraná e no Mato Grosso do Sul. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, colocou à disposição do Governo de São Paulo 4.000 homens da Força Nacional da Segurança. No entanto o governador Cláudio Lembo recusou a ajuda. Afirmou que a situação estava “sob controle”.

Se a afirmação insana do governador estiver certa, me resta a dúvida: quem comanda a principal cidade do País e terceira maior do mundo?