Não subestimem o Yahoo!

A blogosfera brasileira acostumou-se a tentar agradar o Google. O sistema de busca ainda é o principal provedor de acesso da maioria dos blogs que conheço. Os pára-quedistas afoitos por novidades garantem o leite (ou cerveja) de muita gente.

O que não podemos esquecer é o Google não é o único serviço de busca da web. O chinês Baidu, por exemplo, é o terceiro colocado no ranking geral, com 3.3 bilhões de pesquisas. No entanto, ele é o líder na China de mais 1 bilhão de habitantes e tem potencial igualmente gigantesco.

Outro exemplo, que motiva este artigo, é o Yahoo/Cadê. Segundo colocado nas buscas com quase um quinto do fluxo de requisições que o Google processa, o Yahoo pode ajudar muito um site a aumentar a audiência e, consequentemente, os rendimentos.

É o caso deste Memórias Fracas. Em 10 de outubro eu publiquei um post com título “Mônica Veloso pelada na Playboy“. A verdade é que não foi pensado para atrair pára-quedistas, mas acabou por fazer exatamente o contrário. Repare no gráfico do Analytics:

Audiência medida pelo Google Analytics

No dia em que o artigo foi publicado o número de acessos era o médio deste blog. Nos dias seguintes a audiência foi subindo sutilmente, até que em 14 de outubro houve o primeiro salto. Em 15 de outubro o Memórias Fracas atingiu um de seus picos, só ultrapassado dois dias depois (17 de outubro).

Normalmente a maioria dos leitores chega ao Memórias Fracas vinda do Google, mas no caso Mônica Veloso foi o Yahoo que capitaneou o alto fluxo de acessos. O aumento em comparação à média do blog foi de 470%, e o Yahoo foi responsável por mais da metade disso.

Não é difícil de entender, visto que a busca no Yahoo por “monica veloso pelada” dá este blog como primeiro resultado. Já procurando por apenas pelo nome da jornalista, o Memórias Fracas aparece na primeira página, desta vez em nono lugar.

Fica a lição de que Google não é tudo. Pode até ser nosso oráculo, mas ainda não é deus. Ainda.

Yahoo! no Google

Acabo de me deparar com uma cena curiosa. Acessando um blog de grande visitação, reparei na seguinte propaganda:

Reprodução internet: Yahoo! faz anúncios no Google

O Yahoo decidiu apelar e agora está anunciando no próprio AdWords, do Google, seu buscador Yahoo! Cadê? (a leitura fica tão estranha: afirmação seguida de pergunta). Alguém saberia me explicar o que está escrito no anúncio? Eu não entendi.

Atualização [13/abr 16:15] » Encontrei mais um relato de propaganda do Yahoo! no Google. Acesse o blog Biestando (em espanhol), que publicou outro screenshot curioso.

E-mail de 10 minutos. Atraso de 2 meses

Não, ninguém levou 60 dias para receber uma mensagem no correio eletrônico. Em 28 de novembro o Dudu Tomasselli (acho que é o nome dele) publicou em seu blog um artigo falando sobre o então novo serviço de e-mail que gerava um endereço válido por dez minutos, renováveis por mais dez indefinidamente. O 10 Minute Mail foi a forma encontrada para driblarmos aqueles cadastros malditos que pedem o e-mail e depois começam a enviar indiscriminadamente mensagens propagandistas.

Somente hoje, 2 meses depois do referido post, ouvi na rádio CBN um colunista eufórico contando ao apresentador sobre a nova ferramenta. O apresentador até complementou dizendo que alguns provedores (leia-se Yahoo) permitiam “e-mails fantasmas”, que eram atrelados à conta do usuário para casos específicos, como de sites de compras ou newsletters.

Capa de “Veja”, de setembro/2006Foram dois meses até que o colunista de informática informasse aos usuários comuns sobre o serviço, que foi noticiado ano passado pela blogosfera brasileira e mundial. Me lembrou que em setembro do ano passado a revista Veja publicou uma capa sobre o serviço YouTube, meses depois de ele se consagrar junto ao usuário “comum”.

Até quando a mídia tradicional (impressa, rádio e tv) vai continuar a utilizar pautas já batidas nessa Grande Rede em seus programas, comentários, editoriais, como se fosse um conteúdo inédito e exclusivo? Esse comportamento não é saudável e, a meu ver, deprecia a qualidade que a internet tem de veículo imediatista. Servimos como um gancho para os grandes grupos de comunicação, que nos lêem mas não nos citam.

Fico feliz que a recíproca não seja verdadeira. A internet não nega suas fontes, diferentemente de diversos órgãos da mídia tradicional, nem omite quando um fato já é “antiguidade” em outro meio. Há transparência, originalidade e fidelidade com o leitor.